E LINHAS DE AÇÕES PARA O SUPORTE DE DESIGN
4. Tecnologia – 1 Pesquisa e Desenvolvimento: desenvolvimento experimental e
5.3 SETOR PROFISSIONAL DE DESIGN
5.3.3 Mercado de Design de Moda
O mercado de design de moda, por sua vez, é bastante amplo. Existem profissionais inseridos dentro de empresas do vestuário e confecções como colaboradores, gestores ou até mesmo empreendedores. Os designers desempenham diferentes funções:
• Elaboração de projetos de coleção, incluindo o desenho de produtos de moda – roupas, acessórios e calçados – para os mais diversos públicos, gêneros e classes sociais;
• Design de superfície e estamparia; • Coordenação de estilo;
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• Modelagem;
• Produção de moda, incluindo atividades de concepção criativa de campanhas, produçãoo e direção de arte de fotografia, maquiagem estilo e modelos.
As empresas de moda do Espírito Santo também apresentam perfis muito diferentes. Existem empresas com um mix de produtos muito grande e empresas com portfólios mais enxutos.
As marcas também variam quanto a adoção de uma postura regional, geralmente balneária, como Cobra D’Água, UOT, Catamarã e Açúcar Moreno, ou uma promessa de alinhamento global com as tendências do mercado como Manolita, Surreal, Presidium e Amabilis.
As empresas de moda capixabas apresentam, em sua maioria, uma estrutura organizacional familiar que impacta diretamente nos desenhos dos projetos. Arthur Del Nery, designer de moda da Catamarã, conta “é como se os empresários capixabas quisessem comercializar o próprio estilo” (DEL NERY, 2015).
Para Arthur isso é, por um lado, positivo uma vez que o chefe é também consumidor da marca o que facilita o processo de compreensão do público-alvo do produto. No entanto, afirma que essa estrura pode ser prejudicial quando os gestores do departamento de design não fornecem autonomia para os designers (DEL NERY, 2015).
Com isso, a maioria dos profissionais afirmam que as empresas de moda capixabas são essencialmente montadoras e não criam propriamente estilo.
Uma última característica identificada a respeito do perfil das empresas de moda capixaba é que as empresas não vendem seus produtos para os capixabas. Harrison Medeiros, produtor de moda, e Fábio Barboza, coordenador do departamento de design da Cobra D’Água, contam que a maior perte das empresas capixabas direciona suas vendas para o Nordeste e Norte do Brasil (MEDEIROS, 2016; BARBOZA, 2016).
Fábio acrescenta que é extremamente complicado desenvolver um produto de moda que alcance o Brasil inteiro. Segundo o designer, o país reúne pessoas com características físicas muito diferentes – estatura e outras questões antropométricas –, comportamentes e estilos de vida também muitos distintos (BARBOZA, 2016).
Débora Leal, designer e empresária na marca de sapatos Manolita, assume, por sua vez, um caminho distinto que é acompanhar as tendências globais em moda que, segundo ela, graças as Novas Tecnologias de Informação e Comunicação são consumidas pelos capixabas (LEAL, 2016).
Cabe, também, neste trabalho uma comparação entre as atividades dos designers de moda que estão fora das empresas e dos designers de moda inseridos dentro de uma marca como gestores, colaboradores ou mesmo empresários.
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Segundo Harrison Medeiros, as micro e pequenas empresas tem dificuldades para investir no design de moda por questões financeiras. O designer tem conhecimento de empresas de confecções e vestuários capixabas que já reconhecem o valor no trabalho do profissional de design, conhecem as etapas de desenvolvimento de um produto de moda, mas não dispõem do investimetno necessário para viabilizar os projetos (MEDEIROS, 2016). Fábio endossa a opinião de Harrison afirmando que as barreiras enfrentadas pelos negócios de moda são mais produtivas do que humanas. Ele acredita as empresas têm dificuldades de montar um bom parque industrial, uma vez que as máquinas são muito caras (BARBOZA, 2016).
Harrison acrescenta que quando o impedimento para a empresa de moda contrata-lo é estritamente financeira, como freelancer, ele tem autonomia para repensar a proposta, escopo, valores e formas de pagamento para facilitar a contratação do serviço de design (MEDEIROS, 2016). Nesse sentido, fica claro que, diferentemente do que ocorre no setor de design gráfico, a maior dificuldade das pequenas e médias empresas é financeira e não cultural.
No que tange as questões dos designers de moda inseridos dentro das empresas, identifica-se estruturas organizacionais bastante plurais. Existem empresas com departamentos de design como por exemplo na marca Cobra D’Água, onde o time de design é formado por 10 pessoas; e existem outras marcas com apenas um designer que acumula diferentes funções e atividades, como ocorre na Catamarã.
Fábio Barboza, cordenador do departamento de design da Cobra D’Água, está a mais de 10 anos na empresa administrando a equipe de desenvolvimento de produto da empresa. Suas atividades se resumem a desenhar o tema de cada coleção, estabelecendo diretrizes (cartela de cores, principais materiais, entre outros aspectos) para o time interno de designers (BARBOZA, 2016).
Arthur, designer da Catamarã, por sua vez, conta que desenvolve muitas atividades. “Eu faço desde a análise de estoque, negociação com fornecedores, até gestão de mídias sociais e upload de imagens no site da marca. É muito trabalho! E ao, mesmo tempo, me dedico a criação das coleções” (DEL NERY, 2015).
Sobre a autonomia desses departamentos de design dentro das marcas, foram identificados cenários, igualmente distintos. Arthur conta que em algumas empresas de moda existe um despreparo estético e sobre comportamento humano por parte dos gestores que insistem em participar do processo de design do produto. Arthur afirma que as vezes esse diálogo é positivo e contribui para o processo de desenvolvimento, mas que, normalmente, são opiniões arbritárias e os designers acabam por serem meros executores de decisões dos chefes (DEL NERY, 2015).
Em outros contextos, os designers revelam que estão mais empoderados. Fábio Barboza conta que estabelece uma relação bastante positiva com os diretores da Cobra D’Água e
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que as atividades do departamento de design são entendidas como estratégicas e, assim, assumem a gestão do desenvolvimento com autonomia.
Os designers destacaram também que administrar a produção fabril de moda não é uma tarefa fácil e, quando esta etapa de confecção ocorre fora da empresa, existem questões fiscais, administrativas que afetam diretamente o resultado final dos produtos de moda. Arthur Del Nery e Débora Leal relatam o seguinte sobre este tópico:
Assim como a Catamarã, a Riachuelo terceiriza a sua produção fabril. No entanto, ela consegue produzir peças com um detalhamento muito maior, porque produz em quantidades altas. Como a nossa produção [Catamarã] é pequena, nossas peças precisam ser mais discretas porque senão o preço final repassado para o cliente sai bastante caro (DEL NERY, 2015).
Se você quer fazer 25 pares de sapato o preço é altíssimo. E outra, a luta para comprar material é dura porque você tem que comprar muito material para preço ficar mais barato, mas ele pode sair de linha depois. Isso sem contar o desgaste que é o acompanhamento das etapas de prototipagem (LEAL, 2016). É possível concluir que o trabalho de tomada de decisão dos designers inseridos em empresas de moda que não assumem a confecção e produção fabril das suas peças é bastante complexo e árduo.
Os designers destacam também que o processo de desenvolvimento em moda tem uma relação muito forte com o mercado. Os profissionais estão a todo tempo, levantando informações do público-consumidor, dialogando com os vendedores e procurando entender quais decisões em design estão sendo acertadas.
Fábio Barboza conta que ele faz uma análise estatística das vendas e relaciona as decisões de cores, acabamentos, materiais com o retorno obtido pela empresa e que essas métricas são estratégicas no processo de desenvolvimetno de cada coleção da empresa (BARBOZA, 2016).
Os designers observaram, ainda, que o calendário de moda é outro entrave para suas atividades. Arthur relata que não há muito tempo para pesquisa e preparo no desenvolvimento das coleções na maioria das empresas. As equipes de design são pequenas e, por conta do tempo de produção, os projetos precisam ser pensados com muita antecedência e acabam por se deslocar da realidade das pessoas, cujas relações se modificam cada vez mais rápido (DEL NERY, 2015).
Sobre este aspecto, Débora Leal conta que na Manolita ela estabeleceu não se atrelar ao calendário de moda e ao desenvolvimento de coleções sazonais. A designer-empresária conta o seguinte:
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Meus fornecedores me dão liberdade para fazer pocket-collections. Fiz uma agora para o carnaval capixaba. Isso facilita muito o meu processo criativo e dialoga melhor com a realidade atual na qual as pessoas enjoam de tudo muito rapidamente. A dinâmica de duas coleções por ano acabou (LEAL, 2016). Os designers de moda percebem também uma carência de aproximação entre o design gráfico e o design de moda, sobretudo na cidade de Vitória. Arthur afirma que, mesmo com a dimensão considerável da indústria de moda no Espírito Santo, não existe na capital um escritório de design gráfico especializado em comunicar produtos de moda (DEL NERY, 2015).
Fábio Barboza acredita que esta seja uma grande oportunidade para o mercado capixaba. Segundo ele a área comercial é altamente valorizada na cidade, mas o aspecto intangível e identitário dos produtos é pouco explorado, e por vezes, completamente ignorado (BARBOZA, 2016).
É possível concluir que o produto de moda capixaba ainda é visto pelos empresários como um produto tradicional, um commoditie e sua capacidade criativa, fluida capaz comunicar-se com a sociedade precisa ainda ser muito explorada.