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METODOLOGIA DA PESQUISA

No documento Roberto Martins de Souza (páginas 109-113)

3.1 Aspectos metodológicos

O estudo teve como base metodológica o enfoque sócio-antropológico que valoriza a investigação em torno de experiências práticas na assistência saúde/cura, levando em consideração que a doença exige a sensibilidade das questões subjetivas na prática vivida nos serviços de saúde numa perspectiva holística da realidade social vivenciada no setor saúde no tratamento da tuberculose.

Brandão (2003, p. 31) problematiza

a dimensão social da pesquisa com enfoque sócio-antropológico como uma dimensão que permite ao pesquisador as diversas experiências, além de contribuir para alargar o entendimento acerca das possíveis relações com o objeto de estudo”. O autor considera “a pesquisa sócio- antropológica como uma experiência de natureza social, mas que pode beneficiar as práticas de investigação científica.

Conforme Freire (1992, p. 41), considera que

o enfoque sócio-antropológico apresenta uma constante preocupação com questões relacionadas à saúde, à medicina e seus paradigmas, questionando com vigor as relações entre a ciência, a medicina e a ordem social vigente na sociedade modernidade.

A metodologia do estudo foi realizada com o método etnográfico e enfoque sócio-antropológico, a partir de técnicas de observação participante e entrevista semi-estruturada com profissionais de saúde que tratam pacientes com tuberculose e pacientes que passam pelos procedimentos de assistência médica.

Conforme Ludke (1986, p. 15) considera que

o método de procedimento etnográfico permite pensar a questão da saúde/doença dentro de um contexto cultural amplo. Assim, esse método permite vários critérios para o estabelecimento de definição rígida e

apriorística de hipóteses. Ao mesmo tempo em que permite ao pesquisador mergulhar na situação e a partir daí vai rever e aprimorar o problema inicial da pesquisa.

O método de pesquisa aplicada ao estudo teve um enfoque sócio- antropológico privilegiando o processo lógico de interpretação e na capacidade de reflexão sobre o fenômeno objeto de estudo, a partir de um estudo quase- experimental3 em que as investigações podem não apresentar um controle completo de todas as variáveis intervenientes.

A perspectiva qualitativa é empregada para identificar e analisar a mediação que exercem os fatores sociais e culturais na construção de formas características de pensar e agir frente à saúde e à doença. Integrando uma apreensão da dimensão cultural, a antropologia médica vem, ao lado da sociologia da saúde e da epidemiologia, contribuir para ampliar o contexto que deve ser levado em consideração na leitura dos processos patológicos.

Quanto à natureza da pesquisa deste estudo do ponto de vista da abordagem do problema pode ser classificada como qualitativa e quantitativa. De acordo com Ludke (1989, p. 12), a pesquisa qualitativa permite ao pesquisador utilizar os dados coletados de forma predominantemente descritiva e permite as descrições de pessoas, situações e acontecimentos.

A pesquisa qualitativa considera que há uma relação dinâmica entre o mundo real e o sujeito, isto é, um vínculo indissociável entre o mundo objetivo e a subjetividade do sujeito que não pode ser traduzido em números. A interpretação dos fenômenos e a atribuição de significados são básicas no processo de pesquisa qualitativa.

Este trabalho científico na área de saúde está fundamentado em trabalhos mais avançados, cuja finalidade é contribuir com novas análises sobre o tema, a partir de análise e interpretação dos fatos e idéias. Quanto à natureza dos dados, a pesquisa se constitui de levantamentos de dados objetivos e subjetivos

primários, através de questionário estruturado aberto e técnica de observação direta.

A realização desta pesquisa envolveu um estudo de um fenômeno que comumente envolve uma ampla gama de dados e uma amostragem com uma população de pesquisados ou do universo.

Os estudos, pesquisas e conceitos apresentados embasam o referencial metodológico que foi utilizado para a coleta de dados deste trabalho, que objetivou através da pesquisa aplicada realizar um levantamento de dados.

A coleta de dados se realizou graças a combinação de técnicas qualitativas e quantitativas: com a técnica de medição de dados e coleta de dados secundários, mas também a partir de questionário estruturado e entrevistas abertas, voltados para o fenômeno estudado.

A pesquisa de campo contou também, alem de entrevistas e questionário, com a observação direta e extensiva. Segundo Andrade (2003, p. 148). “Questionário é um conjunto de perguntas que o informante responde contendo perguntas abertas ou fechadas”. A entrevista por sua vez contou com um roteiro norteado para o pesquisador. A observação foi um instrumento precioso dada a nossa familiaridade e permanência no bairro.

A crítica e a interpretação dos dados conformou um corpo conjugado do fenômeno; buscamos estabelecer uma rede de relações entre os resultados da pesquisa e a fundamentação teórica que já se constituiu em objeto de investigação (pesquisa bibliográfica, de vários autores). Assim, buscou-se avaliar e obter generalização possível dada à metodologia. Acreditamos que a leitura e interpretação das entrevistas e o aspecto mais significativo deste trabalho.

Foram entrevistados 10 pacientes de ambos os sexos na faixa etária entre 18 e 49 anos que estão em tratamento na unidade básica de saúde (UBS Itaquera) , e 04 profissionais de saúde, sendo eles das seguintes categorias profissionais: 02 médicos e 02 enfermeiros de cada período.

É importante considerar que, a partir do momento em que os discursos se tornaram repetitivos, as entrevistas realizadas foram consideradas suficientes.

A escolha da faixa etária nos pacientes baseou-se nos estudos que mostraram que a população mais acometida é aquela que está na fase economicamente produtiva (iniciando ou não) isto é dos 16 aos 49 anos, esta é também a faixa considerada sexualmente ativa e reprodutiva.

Os dados foram coletados nos meses de novembro /2007, janeiro de 2008.

3.2 Construção da amostra*

Encaminhamento do pré - projeto para o CEP-SMS - São Paulo e somente com a sua autorização é que se deu o início da pesquisa.

1- Obtida a autorização das autoridades competentes para a consulta dos prontuários;

2- Verificado números de prontuários e fichas de notificação na unidade de saúde (UBS Itaquera);

3- Os pacientes foram escolhidos aleatoriamente a partir das fichas; 4- Após sua concordância iniciamos as entrevistas;

5- Questionários e entrevistas foram precedidas com o aceite dos envolvidos, por meio do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, conforme resolução Nº196/96;

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*Usamos o termo “amostra” para nos referirmos ao conjunto dos indivíduos entrevistados; o termo não deve ser entendido como referido a uma “amostra” estatisticamente representativa.

6- Para os clientes foi utilizado um roteiro semi estruturado (ANEXO-1), sob a forma de entrevista individual e confidencial, gravada em fita cassete nas dependências da instituição; os profissionais responderam a um questionário com questões semi abertas;

7- Após essa fase as fitas foram ouvidas e transcritas na íntegra;

8- As falas foram analisadas e confrontadas com os achados na literatura já existente;

9- Por fim os resultados foram reunidos, os dados descritos e discutidos.

No documento Roberto Martins de Souza (páginas 109-113)