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Metodologia

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A estruturação da pesquisa foi desenvolvida para que a contribuição na comunidade acadêmica versasse sobre componentes históricos da evolução do voto no Brasil nos mais

diversos momentos de sua história, bem como apresentar um objeto de estudo que impacta diretamente no cotidiano da população brasileira, no caso o sistema eleitoral eletrônico, por intermédio da urna informatizada ou máquina de votar eletrônica.

No levantamento histórico, a coleta de dados foi estruturada em consultas nos diversos repositórios de canais informacionais, como: fontes impressas específicas no universo democrático, bibliografias na área de tecnologia e sociedade, ciências sociais, com abrangência na história do voto no Brasil, leituras eletrônicas, como periódicos ou portais comunicacionais que tratam do assunto eleitoral, sempre com o intento de formação do arcabouço filosófico e histórico evolutivo da democracia na sociedade brasileira.

O estudo e a aprendizagem, em qualquer área do conhecimento, são plenamente eficazes somente quando criam condições para uma contínua e progressiva assimilação pessoal dos conteúdos estudados. A assimilação, por sua vez, precisa ser qualitativa e inteligentemente seletiva, dada a complexidade e a enorme diversidade das várias áreas do saber atual. [...] a documentação temática visa coletar elementos relevantes para o estudo em geral ou para a realização de um trabalho em particular, sempre dentro da determinada área. Na documentação temática, esses elementos são determinados em função da própria estrutura do conteúdo do trabalho em realização. (SEVERINO, 2000, p.35-37).

A documentação levantada para explanação de um painel cronológico da evolução do voto no Brasil teve grande influência de documentos e publicações oriundas dos Tribunais Eleitorais de vários estados da federação, principalmente quanto às publicações realizadas em eventos e datas comemorativas, quanto o fato histórico é citado como referencial de credibilidade no sistema vigente.

O tipo de pesquisa escolhida para fundamentação do trabalho foi a pesquisa exploratória. Segundo Gil (1996, p.67), “estas pesquisas têm como objetivo proporcionar maior familiaridade com o problema, com vistas a torná-lo mais explícito ou a construir hipóteses”.

A pesquisa exploratória e observacional nas instâncias organizacionais da Justiça Eleitoral foram fundamentais para a compreensão dos pontos de externalidade, no que se refere à complexa estrutura do sistema eletrônico de votação. As fontes promotoras da fundamentação teórica foram unidas as informações dos órgãos públicos reguladores do processo eleitoral eletrônico, no caso do Brasil, a Justiça Eleitoral, mais precisamente o acervo eleitoral em posse do Tribunal Superior Eleitoral, localizado na cidade de Brasília no Distrito Federal.

Estrategicamente posicionado como condição limitadora da pesquisa, o recorte de maior intensidade analítica foi no período da substituição da votação eleitoral tradicional, com

apuração via contagem de cédulas de papel, preenchidas pelos eleitores para o momento da implantação gradativa da urna eletrônica até os dias atuais, criando condições de desenvolvimento real de um panorama evolutivo do tripé: tecnologia, democracia e sociedade.

Aliado a esse conceito, a tese objetivou descrever um parecer conceitual, operacional e estrutural da comunicação política no Brasil e apontar as principais influências de autores de outros cenários mundiais. Explicar a comunicação política brasileira, principalmente no caráter de aplicações profissionais no desenvolvimento de imagens de candidatos, políticos eleitos, gestões públicas, aliados ao convívio harmonioso com o sistema eleitoral nacional.

Essa estrutura aborda dois temas relacionados ao ambiente político de forma organizada no que se refere às relações descritivas e de compreensão de leitura de potenciais pesquisadores posteriormente. Na visão de Eco (1977, p.5) “fazer uma tese significa, pois, aprender a pôr ordem nas próprias ideias e ordenar os dados: é uma experiência de trabalho metódico, quer dizer, construir um objeto que, como princípio, possa também servir aos outros”.

Não é possível deixar de expor as conjunturas oposicionistas do sistema de votação eletrônica vigente, apresentando os principais movimentos e manifestos em andamento no Brasil acerca da viabilidade da urna eletrônica e seu sistema de apuração de votos. É objetivo apontar os principais pontos de divergências com atores contrários ao sistema de votação eletrônico atual, bem como elencar os potenciais problemas que a urna eletrônica e a apuração de votos podem propiciar na sociedade quando se refere ao seu sistema de validação de votos, auditoria de contagem eleitoral e cadastramento de eleitores.

Para o envolvimento com o objeto de estudo principal, a pesquisa concentra esforços para fundamentar qualitativamente a evolução e apresentação do modelo de votação eletrônico com a urna eletrônica para a população brasileira. Foram inventariadas as campanhas de conscientização que foram utilizadas pela Justiça Eleitoral nos últimos anos na promoção do senso participativo nos eleitores brasileiros, como também orientá-los em como proceder no processo de votação presencial.

Para Thiollent (2000, p. 76) no quadro geral da pesquisa de comunicação de massa, os críticos apontam principalmente fatos de dependência, dominação, manipulação ou alienação. Esses conceitos precisam ser relativizados, pois diversas categorias de público não são tão dependentes e se mostram capazes de dar uma reinterpretação do conceito das mensagens. [...] tais pesquisas são organizadas em pequena escala e não se pretende produzir alterações ao nível da sociedade como um todo.

A pesquisa direciona um capítulo para apresentação do processo qualitativo, pois aponta como relevante a opinião dos diversos atores da sociedade no que tange a aplicabilidade e aceitabilidade do sistema eleitoral com a urna eletrônica. Para esse fim, por intermédio de entrevistas, foram abordados dois tipos de personagens envolvidos no contexto eleitoral: o profissional de comunicação política e o ator político, na situação de eleito pelo voto popular.

Segundo Bauer e Gaskell (2002, 75) “fundamentalmente, em uma entrevista em profundidade bem feita, a cosmovisão pessoal do entrevistado é explorada em detalhe. Embora tais pontos de vista pessoais reflitam os resíduos ou memórias de conversações passadas, o entrevistado possui o papel central no palco. É a sua construção pessoal, no decurso de tal entrevista, é fascinante ouvir a narrativa em construção: alguns elementos são muito bem lembrados, mas detalhes e interpretações falados podem até mesmo surpreender o próprio entrevistado. Talvez seja apenas falando que nós podemos saber o que pensamos”.

A entrevista qualitativa contribuiu na pesquisa quanto ao mapeamento e compreensão do ponto de vista dos participantes perante o ambiente e objeto de estudo. Esse tipo de método oferece os dados básicos para o desenvolvimento e observação dos atores sociais e a situação, permitindo a verificação dos pontos retratados nas pesquisas dispostas pelos órgãos relacionados ao poder público eleitoral.

Na visão de Trujillo (2001, p.32) a entrevista em profundidade consiste em uma entrevista individual de longa duração. Utiliza-se um instrumento de coleta de dados não estruturado e não padronizado [...] assim como os grupos, a entrevista em profundidade depende totalmente da linguagem utilizada pelo respondente.

No momento de analisar uma pesquisa qualitativa, o pesquisador refaz o caminho percorrido durante a sessão, examinando os fatores relevantes que ocorreram e procurando entender o problema a luz das informações que ficaram durante as sessões. A principal preocupação do pesquisador será verificar o que está presente no discurso dos respondentes e de que forma o que está presente e se faz presente. (TRUJILLO, 2001, p.46).

Quanto aos atores políticos, a prévia da pesquisa direcionou o universo de deputados federais e senadores presentes no parlamento federal. A escolha foi realizada embasada na hipótese de que, representativa parte das personalidades eleitas para o cargo parlamentar federal, em eleições passadas também terem sido, no seu respectivo histórico político gestores regionais, como prefeitos em municípios de origem, secretários ou até mesmo deputados estaduais.

Como a métrica de levantamento de informações foi presencial, com entrevistas realizadas no gabinete dos parlamentares ou nas salas de imprensa da Câmara e Senado, a condicionante era de objetivar integrar metodologicamente e estatisticamente, do universo de

513 deputados, parlamentares das cinco macro regiões brasileiras: Sudeste, Sul, Centro-Oeste, Norte e Nordeste.

Um cuidado sempre presente no momento de agendamento das entrevistas era de não considerar questionários respondidos eletronicamente, visto que a possibilidade de que as respostas sejam promovidas pelos assessores e não pelos políticos era representativa e não corroborativa com a diretriz da pesquisa, comportamento diferente dos consultores políticos. Desse universo apresentado, 14 entrevistas foram realizadas, tendo como distribuição 7 senadores da República e 7 deputados federais, de parlamentares que se dispuseram em colaborar com o procedimento de pesquisa doutoral.

Os dados foram interpretados e apresentados informações acerca da credibilidade da urna eletrônica, aceitabilidade do sistema, receptividade em novidades tecnológicas e perspectivas para os próximos anos na visão dos entrevistados, com entrevistas na íntegra, presentes no Apêndice do presente trabalho e, principais apontamentos no quarto capítulo da tese.

Em face das informações das entrevistas, o objetivo da pesquisa sempre foi de traçar um contraponto com entraves técnicos discutidos por eleitores em fóruns específicos no ambiente eletrônico que fundamentaram a tese de que a urna eletrônica não apresenta segurança necessária, apesar do que é trabalhado comunicacionalmente pela Justiça Eleitoral.

A segunda vertente de pesquisa foi embasada na visão dos Consultores Políticos, profissionais de comunicação, gestão pública, marketing político e governamental. Com o intuito de coleta de dados de profissionais sem embasamento teórico e prático das ações eleitorais e pós-eleitorais, como ação estratégica de triagem dos selecionados, o levantamento informacional foi desenvolvido com o auxílio da Associação Brasileira de Consultores Políticos, denominada ABCOP com atividades desenvolvidas desde 1991.

Nessa situação, foram contatados eletronicamente todos os sócios previamente regularizados pela instituição, com abertura de participação da pesquisa via questionário eletrônico. Nesse cenário, o recurso tecnológico foi utilizado, visto que predominantemente os consultores políticos mantém contato direto com sua rede de contatos, evitando terceirizar as atividades.

Até o mês de março de 2011 o universo de sócios regularmente associados era de 127 consultores, desse contingente, 11 consultores realizaram devolutiva do contato e, consequentemente dos apontamentos, dentre os participantes o presidente da ABCOP e diversos diretores nacionais e estaduais.

CAPÍTULO I - HISTÓRIA DO VOTO E SISTEMA ELEITORAL NO

BRASIL

Para efetuar um panorama do voto no Brasil é necessário compreender as bases históricas que propiciaram a evolução do sufrágio universal e o ambiente democrático. Os sistemas políticos nacionais não foram instaurados e mantidos sempre na mesma condicionante eletiva, pelo contrário, esse comportamento eleitoral é uma explícita manifestação do dinamismo dos governos e consequentemente da população regional.

Vale salientar que de todos os países da América Latina, o Brasil é marcado pela colonização portuguesa, diferentemente dos demais países integrantes do eixo sul-americano cuja predominância cultural é hispânica. Apesar de Espanha e Portugal na época da disputa colonial possuírem sistemas monárquicos, as características que foram instauradas nas colônias possuem diferenças acentuadas no que tange à conquista pelo direito de implantação de um regime republicano e não monárquico.

Desde o período da chegada dos portugueses no Brasil, as vilas e cidades eram predominantemente formadas por portugueses exilados, por decorrência de crimes cometidos em Portugal, como dívidas com a coroa portuguesa e outras formas de ser excluído do convívio comum na corte lusitana.

Ainda assim, havia a possibilidade de votar no seu representante para os conselhos municipais, porém sem nenhum dinamismo implantado nas ações de representação popular. Como qualquer outra nação, o Brasil naturalmente foi fomentando e articulando características própria, independente das características da coroa portuguesa.

Segundo Nicolau (2002, p.7) em 1891 foi promulgado a primeira lei eleitoral brasileira, que regulou as eleições para os representantes da Constituinte de 1823. Desde 1824, quando aconteceu a primeira eleição pós-independência, foram eleitas 51 legislaturas para a Câmara dos Deputados. E somente durante o estado novo (1937-1945) as eleições para a Câmara foram suspensas.

A necessidade de representação já foi instituída no Brasil, visto à necessidade da Coroa Portuguesa manter controle nos processos de exploração dos recursos disponíveis para extração. A melhor maneira de promover esse controle era estar envolvida com representantes que seriam sua visão social e política nesse cenário de colônia.

Aparentemente os conchavos políticos surgiram posteriormente à implantação do sistema republicano, porém esse comportamento político já era manifestado nas relações da

colônia com a sede, pois o receio de punição caso não ocorresse o controle português era muito representativo.

Na visão de Abreu apud Porto (2002, p.11) “reuniam-se em Câmaras Municipais, órgãos de administração local, cuja importância, então e sempre menos, nunca pesou decisivamente em lances momentosos, nem no reino, nem aqui, apesar dos esforços de escritores nossos contemporâneos, iludidos pelas aparências fugazes ou cegados por ideias pré-concebidas”.

É pertinente salientar que para a criação de procedimentos e controle nas ações de qualquer processo novo, fatores territoriais são fundamentais para favorecer ou prejudicar a comunicação dos diversos grupos da sociedade. O Brasil nesse período era formado por pequenos povoados e vilarejos, distantes uns dos outros fisicamente e, em muitos casos o ambiente de controle unilateral de um membro do povoado ou família era situação comum de acontecer.

2.1 O sufrágio eleitoral: a Colônia e o Império

Um país territorialmente representativo normalmente apresenta um quadro dificultoso para instituir um regime político. Na contemporaneidade, os recursos logísticos: em vias aéreas, rodoviárias e fluviais permitem, além de desenvolvimento econômico, facilidade no estímulo de união da federação, além da tecnologia atual permitir grande facilidade no mapeamento de telecomunicações, garantindo maior interatividade entre culturas e etnias.

Segundo dados do IBGE (2009) a evolução tecnológica observada nos últimos 60 anos proporcionou a melhoria geral dos processos de aquisição digital de informações geográficas. [...] nestas circunstâncias, obteve-se para a área do Brasil o valor de 8.514.876,599 km2.

Apesar de dados atuais, em questão de territorialidade no período posterior a 1800 poucas alterações territoriais ocorreram em âmbito nacional, permitindo a compreensão da real dificuldade enfrentada pelos brasileiros de épocas históricas no trato político nacional, principalmente no que se refere à difusão de novas ideologias e sistemas sociais e econômicos.

Até 1960 os meios de comunicação nacionais não contribuíam para o alinhamento de ideários políticos, nem o fomento de novas diretrizes de informação devida baixa estrutura comunicacional existente e a dificuldade de locomoção física de pessoas. Os meios de comunicação audiovisuais e impressos, em grande parte da história estivem presente nas mãos de poucos grupos de investidores, permitindo uma silenciosa dominação de espaço e condicionantes de comportamento social e político.

Reportando ao momento histórico das Câmaras, o papel de seus representantes nomeados já como vereadores, nomenclatura utilizada até os dias atuais, as funções no período eram descritas conforme Porto (2002, p.12)

aos vereadores pertence ter carrego (encargo) de todo o Regimento da terra e das obras do Conselho, e de tudo que puderem saber, e entender, porque a terra e os moradores dela possam bem viver, e nisso hão de trabalhar. E se souberem que se fazem na terra malfeitorias, ou não é guardada pela Justiça, como deve, requererão aos juízes, que olhem por isso.

Nesse período, a influência de ordens religiosas no manifesto de diretrizes e controle de ações era acentuada, não mais tão acentuado quanto nos duzentos anos após chegada da ordem Jesuíta1 em território nacional, de qualquer modo, pelo fato do regime imperial permitir à ordem católica de estruturação organizacional nas colônias.

Após os episódios jesuíticos, onde desencadeou a Reforma Pombalina, Portugal não mais confiou tamanha responsabilidade em ordens religiosas com o receio de perder o ritmo das diretrizes governamentais, principalmente em um período de entraves políticos no velho continente, muitos desses conflitos diplomáticos relacionados pela competitividade de posicionamento nas colônias no continente americano e africano.

A política colonial portuguesa tinha como objetivo a conquista do capital necessário para sua passagem da etapa mercantil para industrial. Porém Portugal não conseguiu alcançar este objetivo, pois a nação que se destacava neste período era Inglaterra, bastante beneficiada pelos lucros coloniais dos portugueses.

Na visão de Seco e Amaral (2009, p.3) “tais reformas visavam transformar Portugal numa metrópole capitalista, seguindo o exemplo da Inglaterra, além de adaptar sua maior colônia o Brasil a fim de acomodá-la a nova ordem pretendida em Portugal”. O objetivo dessa ação intervencionista era de posicionar Portugal em uma situação mais confortável no cenário político europeu, principalmente como país de relevância na posse de riquezas pertencentes a sua colônia.

Com um papel de gestor interventor, Pombal influenciou politicamente no território brasileiro, bem como no ambiente econômico, onde procurou criar mecanismos de incentivo à industrialização, principalmente na indústria naval considerando o posicionamento geográfico e climático da colônia para o fomento no escoamento de produção, principalmente para

1 Integrantes da Companhia de Jesus, os Jesuítas pregavam condicionantes do cristianismo. Era uma ordem religiosa que

compreendia os conceitos organizacionais e, no Brasil, esse senso de gerenciamento e organização permitiu que a ordem de padres construísse um império de poder e influências nas bases administrativas da colônia de Portugal. Combatendo esse feito, ocorreu no ano de 1760 a Reforma Pombalina, cujo objetivo principal era a tomada do patrimônio, desenvolvido pela ordem nos últimos séculos, visto que, os primeiro Jesuítas chegaram ao Brasil no ano de 1549, com a expedição de Tomé de Souza.

Inglaterra e o próprio país, pois todas as ações foram realizadas com o objetivo de desenvolvimento e potencial escoamento de lucros para a ordem imperial.

Pombal fomentou um processo de absorção da tomada do poder decisório das capitanias hereditárias, comprando de seus detentores de direitos e transformando em capitanias reais, sob o controle do reinado. Essa ação foi realizada estrategicamente com a finalidade de maior controle territorial e político, visto que todo o trabalho era realizado com o objetivo de aumento de produção e consequentemente de lucros para a coroa.

Como compreendeu a potencialidade dos recursos naturais da colônia, Pombal direcionou a mineração de pedras preciosas para o controle do império, no que se chamava Real Extração. Outro ponto fundamental para as articulações econômicas e políticas, além das intervenções com a ordem dos Jesuítas e controle político sob a influência nas estruturas políticas era a mudança da capital Salvador para Rio de Janeiro, local onde ficou instalada até a década de 50 do século XX.

Assim, Pombal procurou industrializar Portugal, decretando altos impostos sobre os produtos importados. Fundou a Companhia dos Vinhos do Douro, que monopolizou a comercialização dos vinhos em Portugal, prejudicando a nobreza que produzia vinhos em suas quintas. Incentivou a produção agrícola e a construção naval. Reformou a instrução pública e fundou várias academias. Confiou a reorganização do Exército português ao conde de Schaumburg-Lippe, militar alemão. Acabou com a distinção entre cristãos- novos e cristãos-velhos. Entretanto, o exemplo mais conhecido de suas ações reformadoras é a expulsão dos jesuítas de Portugal e de seus domínios. (SECO; AMARAL 2009, p. 3).

Após a expulsão dos jesuítas de Portugal, Pombal de maneira incisiva limitou e excluiu as atividades jesuíticas na colônia, visto o grande desenvolvimento econômico que a ordem havia desenvolvido nos últimos séculos e o consequente poder que a amplitude e poderio territorial podem oferecer a um grupo, seja imperial, civil ou religioso. Obrigando também a sair do Brasil em 1760, criou o Diretório dos Índios para substituir os jesuítas na administração das missões.

Na visão de Niskier (2001, p.34) “a organicidade da educação jesuítica foi consagrada quando Pombal os expulsou levando o ensino brasileiro ao caos, através de suas famosas ‘aulas régias’, a despeito da existência de escolas fundadas por outras ordens religiosas, como os Beneditinos, os franciscanos e os Carmelitas”.

Pombal não agia por intenção, mas pelas opções determinadas pela posição de Portugal no sistema de Estado mercantilista do século XVIII. No caso da expulsão dos jesuítas, o que pretendia era a supressão do domínio dos religiosos sobre a fronteira, acordada no tratado de Madri, onde estavam

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