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O voto na República

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Em uma nova estrutura política, o Brasil iniciou um sistema baseado no regime republicano sem a intervenção de Portugal como país colonizador e detentor dos direitos legais, conquistando uma independência política libertária, servindo a uma estrutura própria,

tendo oportunidades de crescimento ou fracasso, relacionadas à suas próprias decisões políticas e econômicas.

A adaptação ao sistema Republicano foi gradativa, sendo que algumas estruturas foram mantidas, realizadas apenas alterações para adaptação ao novo regime, como no caso do voto distrital para a eleição de representantes proporcionais. Esse sistema, com poucos períodos de interrupções, se manteve vigente até o ano de 1930.

Na República, sem interrupções, o sistema eleitoral distrital foi adotado, ao nível das disposições legais, no período que vai de 1882 (quando se promulgou a Lei nº 35, primeira lei republicana a consagrar os distritos eleitorais) até 1930. Com o código eleitoral de 1932, em plena fase revolucionária, o sistema dos círculos eleitorais foi abandonado e assim tem permanecido até hoje. (CAVALCANTI, 1975, p. 109).

No conceito eleitoral, uma das primeiras medidas do governo republicano foi abolir a existência de renda para ser eleitor ou candidato. O fator renda é uma condicionante excludente, formato que o sistema republicano não contempla na essência ideológica.

Por outro lado, em um artigo singelo, os analfabetos foram proibidos de votar, restrição que só seria suspensa quase 100 anos depois [...] o texto que regulou as eleições para a constituinte reduziu para 21 anos a idade mínima para ter direito de voto (para os casados, oficiais militares, bacharéis formados, doutores e clérigos, o direito de voto independia da idade), mas assegurou que os cidadãos já alistados pela última legislação imperial (Lei Saraiva), mesmo os analfabetos, seriam incluídos ex-officio. (NICOLAU, 2002, p. 27).

De certa maneira, a fundamentação republicana foi um processo de construção de imagem que reporta a uma conotação de propaganda política, onde ainda em período monárquico se demonstrava por intermédio de um viés mais ideológico.

Na visão de Romanini (2006, p. 99)

Na verdade, no início da segunda metade do século XIX, um dos fenômenos dominantes já era a propaganda política, principalmente a partir de 1870, com a divulgação do Manifesto Republicano. A partir dessa data, os debates adquirem competitividade, em torno da substituição do sistema monárquico de governo, envolvendo estratégias interessantes e inovadoras na época.

A estrutura eleitoral da primeira fase da República brasileira contava com idade mínima de 21 anos para voto, sendo que o alistamento e o voto não eram obrigatórios, como os analfabetos eram impedidos de votar, os cargos eram fechados pelo voto direto, em todas as escalas de poder.

O presidente e o vice-presidente da república eram eleitos pelo período de quatro anos de governo, caso na apuração dos votos fosse considerado que o candidato não conquistasse a maioria absoluta dos votos, era papel do Congresso decidir quem iria ser efetivamente eleito.

Para as outras instâncias, Senado e Congresso, o mandato era o mesmo, sendo que para o Senado cada estado teria o direito de escolher três representantes para formação e representação de seus territórios.

O período era de três anos, sendo que as eleições ocorriam no mesmo dia. O mesmo ocorre nos dias atuais, com o pleito eleitoral vigente. Como na contemporaneidade, era papel de cada estado realizar e oferecer as estruturas essenciais para que ocorresse o processo eleitoral para escolha do governador e dos representantes das Assembleias Legislativas nos estados da federação.

A primeira eleição para presidente foi baseada em muita articulação política e o clima inicial era tenso e inseguro, afinal era a implantação de um novo modelo, que por consequência ainda não tinha seus novos líderes, por isso o posicionamento político era tão importante. Deodoro da Fonseca vence Prudente de Moraes, com 129 votos pela Assembleia Constituinte, sendo o seu vice Floriano Peixoto, vitorioso com 153 votos.

Figura 2: Deodoro da Fonseca. Primeiro Presidente Republicano. Fonte: Veja (2010, online)

Segundo Bello apud Porto (2002, p.163) foi objeto de um acolhimento quase glacial. Alguns se seus partidários fizeram tentativa inútil para aplaudi-lo. A aparição do segundo, no fundo da sala de espera, desencadeou um coro de aclamações, reinando, durante algum tempo no recinto, um entusiasmo verdadeiramente delirante. Deodoro assistia com a fisionomia carregada aquela consagração, que equivalia, para ele, a uma condenação pública.

O convívio de Deodoro com o parlamento não foi harmonioso, sua afronta aos parlamentares foi motivo de desavenças e articulações no processo para depor sua vitória nas urnas. Manifestações pelos estados da federação, greves e tumultos marcam o curto período de Deodoro da Fonseca como presidente da República Federativa do Brasil. Devido à grande pressão, o presidente entrega o cargo no dia 3 de Novembro de 1891, com a decretação do estado de sítio.

Iniciou-se então um novo debate, devido ao parlamento ser inexperiente em situações de República, existiu a dúvida com relação a Floriano Peixoto, pois como vice-presidente, sua ascensão à presidência sem Deodoro seria ou não permitida. Segundo relato de Porto (2002, p. 164) com o parecer da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara

Houvera, no texto da Constituição, evidente erro de impressão: o emprego da conjuntiva ou, em vez da conjuntiva e, ou, em outros termos, só deveria proceder-se a nova eleição na hipótese de vagarem os dois cargos de presidente e vice-presidente antes de decorridos dois anos do período presidencial.

Nessa situação, Floriano Peixoto fica até o final do mandato de Deodoro, e na sequência das eleições presidenciais não realiza nenhuma forma de intervenção no nome de Prudente de Moraes como candidato a presidência. Com uma base forte e sem potenciais candidatos concorrentes, Prudente conquista sua segunda eleição republicana para Presidente da República com 276.583 votos, em um processo eleitoral legitimado por eleitores.

Figura 3: Prudente de Moraes. Segundo presidente eleito na República Fonte: Histoblog (2010, online)

No acompanhamento paralelo da construção de imagens da primeira república, a propaganda política já alinhavava métodos de persuasão, articulação e controle de grupos políticos, populações e demais atores sociais em prol da construção de bases eleitorais sustentáveis e duradouras. De acordo com Romanini (2006, p. 116)

O partido Republicano tinha completo domínio de como fazer a simbiose entre candidato e cidadão. Todos os eventos eram planejados para transformar-se em festa e manifestação de apoio aos políticos. Estes procuravam estreitar os laços pessoais com a população, pois é desta forma que as pessoas se sentem integradas com o contexto e deixam aflorar as suas esperanças.

Em uma análise das características da primeira república com o império, algumas são pertinentes de relatar, devido sua potencialidade política. Com relação aos estados, com a república, tornam-se legais e socialmente descentralizados, devido à autonomia decisória dos governos estaduais.

Essa relação diferente do império, no qual todos os estados possuíam o mesmo peso de contribuição para a estrutura imperial, fomenta o desequilíbrio e uma forma de comparativo direto e, de certo modo desigual.

Nesse sentido, os estados mais fortes economicamente ditam o rumo do país, limitando o processo desenvolvimentista dos demais estados, inibindo seu fortalecimento, criando uma dependência inerente. A autonomia se direciona para as estruturas mais fortes, sobrepondo as de limitações organizacionais e economicamente menores.

O partido Republicano evoluía para uma situação diferente das demais estruturas partidárias da época. Vislumbrava uma nova forma de construção de imagem dos seus potenciais candidatos, utilizando técnicas de propaganda política e ideológica dentro do conceito de governar e manter o poder. Na visão de Domenach (1963, p.27) “esse comportamento de transformação de ideias particulares como sendo universais é um ponto para a condicionante ideológica”.

A predominância das representações políticas nesse regime ficou direcionada a oligarquia, reportando e concedendo poderes de articulações financeiras, misturando o que é estrutura pessoal e política, já que muitos priorizavam seu próprio desenvolvimento e de seus pares. Também não havia nenhum procedimento para conter a dominação.

Consequências lógicas e factuais dessas características: o sistema distrital, apesar de estar consagrado numa profusão de leis eleitorais, nunca foi verdadeiramente aplicado, e por consequência, não surtiu nenhum efeito prático. A primeira república sempre representou esta aparente inconsistência: apesar de sua estrutura oligárquica, ela nunca perdeu, ao nível ideológico circunstancial, seus valores liberais. (CAVALCANTI, 1975, p. 111).

Após o mandato de Prudente de Moraes, vários nomes foram cogitados para sua sucessão, sendo dois deles compatíveis com a força necessária para competir um pleito eleitoral majoritário: Bernardino de Campos, ministro da Fazenda de Prudente e Campos Sales, até então, presidente do estado de São Paulo.

Nesse cenário competitivo, Campos Sales, forte no seu estado já havia sido senador e ministro da Justiça do Governo Provisório. Na visão de Porto (2002, p.166) “ao que se comentava Prudente tinha mais simpatia por Bernardino, mas indicado pelo governador da Bahia, Campos Sales recebeu o apoio de São Paulo, Minas e Pernambuco”. Campos é eleito com a quantidade de 420.286 votos.

Na visão de Queiroz e Tavares (2008, p.30) “Campos Salles não somente utilizou a imprensa a seu favor, como também acreditou e investiu nela. Sabia utilizar a oratória, o poder do convencimento pela palavra”.

Esse fato remete a comprovação da forte articulação política já presente no início da República e que se estende por vários outros períodos governamentais brasileiros, mesmo na conjuntura atual onde a prática da articulação de apoios políticos é a base da fundamentação governamental para a construção de um nome forte para disputa de uma eleição para presidente do Brasil.

Percebe-se, que na fase do início da república até o período pré-ditadura o marketing político é fortemente marcado por ações não estruturadas. Não havia planos de campanhas eleitorais traçados antecipadamente, já que a escolha dos candidatos a Presidência da República apoiava-se basicamente nas características pessoais dos candidatos e em sua trajetória político-social. De tal modo, diferentemente do que ocorre atualmente, o investimento financeiro não era determinante. As candidaturas se corporificam em favor da ordem eleitoral e pessoal prestada ao representante do poder executivo, isto é, os candidatos eram escolhidos por indicações. (SANTOS, 2007, p. 63).

Em um panorama eleitoral, o sistema de votação na Primeira República se manteve com poucas alterações, sua estrutura não contava com um órgão específico para a gestão e a manutenção do sistema eleitoral em períodos de pleito e nas entressafras eleitorais.

O alistamento eleitoral passou a ser desenvolvido com algumas peculiaridades a partir de 1892, quando o Congresso vigente estabeleceu novos parâmetros de alistamento. A ação do município ficou mais acentuada e começou a fomentar uma estrutura de suporte para os eleitores logisticamente de mais fácil acesso.

A comissão em cada município era formada por cinco eleitores escolhidos pelos membros da Câmara, Intendência ou Conselho que por sua vez atribuíam a função de gerenciar o alistamento dos demais eleitores do município.

Esse conceito, futuramente com o crescimento populacional e com a maturidade do sistema de votação republicano, passa a existir por intermédio dos cartórios eleitorais, estruturados com base do funcionalismo público, com manutenção do estado e gerenciamento da Justiça Eleitoral criada em 1932.

Nesse período, um grande problema se instaurou no processo de alistamento pois sem nenhuma vinculação com o judiciário, anteriormente realizada na fase imperial o processo passou de certa maneira a sofrer influência de grupos mais poderosos regionalmente, criando um ambiente de pressão, susceptível à diversas formas de manifestação de fraudes

relacionadas ao eleitor, como exemplo o incentivo e controle de correligionários de um determinado grupo político, inibindo e controlando as ações dos eleitores adversários.

Segundo Nicolau (2002, p.29) a Lei de 1904 mudou a composição da comissão de alistamento, mas a influência da política local não foi eliminada. A comissão passou a ser composta pelo juiz de direito, dois dos maiores contribuintes de imposto predial, dois dos maiores contribuintes de imposto sobre a propriedade rural e três cidadãos eleitos pelo governo municipal. Para ser cadastrado como eleitor, o cidadão deveria provar que sabia ler e escrever, redigindo em livro especial seu nome, estado filiação, idade, profissão e residência perante a comissão de alistamento. Somente em 1916 o Judiciário voltou a ter responsabilidade exclusiva pela qualificação dos eleitores nas eleições federais.

No último ano da eleição de Campos Sales, a preocupação pelo sucessor era iminente e estrategicamente arquitetada, pois o presidente sabia que não podia deixar desguarnecer duas grandes forças políticas que havia conquistado, com os respectivos presidentes dos estados da Bahia e de Minas Gerais.

Pelo processo territorial brasileiro, nos dias atuais, em momentos de coalizão política para formação de chapas para disputas eleitorais presidenciais, a necessidade de manter atores políticos dos dois grandes eixos norte e sul torna-se necessária, vista predominância e características culturais e étnicas das duas regiões macro.

A região macro norte envolve as regiões Norte e Nordeste, com suas peculiaridades e forças políticas distintas das apresentadas e formadas no eixo sul, envolvendo o Sudeste, Sul e Centro-Oeste, sendo esta última região subdividida entre os dois eixos maiores.

Surge no partido republicano o nome de Rodrigues Alves, até então indicado pelo presidente de Minas Gerais, porém como saída articuladora para promover a ligação dos dois eixos maiores do país, Sales realiza a intermediação e indicação para a vice-presidência Silviano Brandão, indicado pelo presidente do estado da Bahia, costurando uma base sólida e sustentável para a conquista eleitoral. Rodrigues Alves se elege presidente com 592.039 votos e seu vice com 563.734.

Conforme descrito por Porto (2002, p.169) “Silviano Brandão, escolhido para vice na chapa de Rodrigues Alves, [...] falecera em setembro daquele ano. Em seu lugar, fora indicado Afonso Pena, eleito a vice-presidência em 18 de março e empossado, no cargo, em 23 de junho de 1903”.

“Em 1902, Rodrigues Alves fez comícios, teve o apoio da imprensa e do Presidente Republicano Campos Salles. Tomou o cuidado de inaugurar obras em diversas cidades e de se manter em contato com o seu eleitorado”. (QUEIROZ; TAVARES, 2008, p.30).

Esse cenário demonstra o poder articulador do partido republicano, tanto na indicação de nomes para pleitos eleitorais, como na serenidade estratégica apresentada no período na condução de políticas desenvolvimentistas com base na construção de imagem pública para a sociedade, com vistas no fortalecimento de projetos futuros.

Todavia, como a permanência de um grupo político dificilmente se perpetua por mais de um século, segundo análise brasileira a estrutura do partido republicano sofre nos idos da década de 1920 uma acentuada derrocada de imagem e gestão, sendo o país conduzido por outros grupos políticos.

Dessa forma, os republicanos trabalhavam com dois objetivos, sendo um de curto prazo e outro, de longo prazo. De imediato, a meta era conscientizar os homens para a necessidade de mudanças e explorar os problemas a serem resolvidos. Não cabia a propaganda política, nessa fase, resolver problemas nem encaminhá-los, mas tão somente criar expectativas. A solução viria mais adiante, com a tomada do poder, quando a situação de transformaria, o que na verdade não ocorreu, mas, de qualquer forma, a situação melhorou. (ROMANINI, 2006, p.119).

Em uma visão geral, subentende-se o sistema eleitoral no período da primeira república como um processo de eleições limpas, com o voto vinculado à participação de eleitores e com a defesa do sufrágio universal garantida e sustentada.

É pertinente salientar que o processo, na sua estrutura pode ser considerado como uma manifestação clara da estrutura consultiva da população democrática, no que tange o direito de escolha de seus candidatos preferidos.

Porém por má índole de grupos políticos regionais, o sistema eleitoral do período se tornou um ambiente viciado, onde se instaurava fraudes em diversas instâncias eleitorais, desde o alistamento, votação, apuração de votos e reconhecimento dos eleitos.

Não é possível e nem empírico afirmar que se não tivessem esses entraves eleitorais, todos os cargos seriam supridos por atores políticos diferentes, mas a probabilidade de alteração de grupos políticos aliados com seus representantes é uma considerável possibilidade.

No contexto, Nicolau (2002, p.34) afirma que “os principais instrumentos de falsificação eleitoral foram o bico de pena e a degola. A eleição a bico de pena consistia na adulteração das atas feitas pela mesa eleitoral (que também apurava os votos)”.

Com esse cenário de fraudes e condicionadores de resultados, as primeiras décadas da República não podem ser definidas com os melhores momentos de participação popular ou respeito ao direito do voto, em contrapartida é viável denotar a importância desse período para

propiciar a maturidade estrutural que fomentou posteriormente em períodos democráticos, com envolvimento maciço da população, como nos dias atuais.

A taxa de comparecimento de eleitores nesse período republicano era muito pouco representativa. Muito desse fator se deu pelo fato de ausência da obrigatoriedade do voto e alistamento eleitoral, além desses fatores o voto era proibitivo para analfabetos e mulheres, o que excluía na época grande parte da população. É possível afirmar que ser um eleitor naquele período poderia conotar status social e indício de diferencial perante a sociedade.

Poucos são os dados de acesso estatístico no período, muito se deve a carência de armazenamento de informações sobre dados numéricos da população, bem como os eleitores e pleitos eleitorais. Essa premissa se correlaciona com a fragilidade da sociedade na época, nem os próprios governantes possuíam métricas eficazes de avaliar quantitativamente sua população, em diversas áreas da gestão pública, dentre elas a própria imagem governamental e necessidades básicas da população.

Com as décadas, as métricas de análise de dados foram se tornando mais presentes no poder público, visto que para desenvolver planos de ação governamental eficientes, não bastam apenas promessas em vão, mas sim um envolvimento mais empírico nas ações. A própria população com o passar das décadas, tornou-se mais seletiva nas abordagens e projetos de governo, muito relacionado ao desenvolvimento comunicacional.

No final do mandato de Rodrigues Alves, no qual desempenhou um bom papel com gestor da República, tradicionalmente e característica peculiar do modelo republicano, já havia a necessidade de articulação do seu sucessor nas bases dos estados.

Essas passagens históricas permitem observar que as situações de articulação exaustiva desenvolvida nos principais governos da atualidade, nada mais são do que reflexos de processo de articulação de bastidores desenvolvidos basicamente em todos os momentos da república brasileira. A governabilidade de um ator político depende única e exclusivamente de uma forte sustentação de representação no poder legislativo, e em muitos casos, influência no poder judiciário.

Na visão de Prado apud Santos (2006, p.65) [...] Rodrigues Alves valeu-se do saneamento e da reconstrução da cidade do Rio de Janeiro, como mote de sua campanha para acabar com a má impressão dos transeuntes e com a fama internacional, de que a cidade estava infectada por pragas. Em seu governo ocorreu o famoso episódio da “Revolta da Vacina”, na qual a população, descontente, mal informada e exaltada, depredou lojas, virou e incendiou bondes, fez barricadas e atacou os policiais.

Rodrigues Alves tinha como indicação à sucessor Bernardino de Campos, que foi ex- governador de estado, ex-ministro e estava disposto a seguir com a política do partido republicano já presente em outros momentos com os presidentes anteriores. Do lado opositor estava Pinheiro Machado, que indicava o nome de Campos Sales para retornar ao posto presidencial.

O sistema político tornou-se refém da situação econômica, onde o principal produto era o café, sujeito as oscilações de preço no mercado internacional, o que provocava instabilidade econômica e interferia nos ganhos dos proprietários e exportadores desse produto. Esta situação permaneceu durante os primeiros anos republicanos, somente alterado no final do governo de Rodrigues Alves (1902-1906). (CLARK, 2009, p.5).

Até aquele momento, a situação não envolvia nenhum outro nome que não pudesse ser levado a um consenso de chapa, formado por presidente e vice, porém por intermédio de articulação de bastidores, Pinheiro coordena a candidatura de Afonso Pena, com o objetivo de

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