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5.1 Experimento 1

5.1.1 Metodologia Utilizada no Experimento 1

Inicialmente, foi necessário verificar se as crianças com TEA aceitariam usar os óculos de RV, uma vez que nem todas as crianças com TEA aceitam objetos estranhos anexos ao seu corpo. Para a alegria da equipe, as crianças não só aceitaram como ficaram entusiastas da novidade. A Figura 5.1 mostra um dos participantes no momento em que começa a ver o mundo através do CartoonBoard.

Figura 5.1: Criança experimentando o Sistema.

Sendo a EOCA uma entrevista flexível quanto a sua aplicação e, tratando-se de seu uso com crianças autistas, foi decidido dividir a EOCA em 4 parte:

• Escolha dos materiais: No guia a ser seguido pelo EOCA, o primeiro passo seria perguntar a criança sobre o que ela sabe fazer com os materiais, porém, para ana- lisar crianças autistas, é de suma importância perceber sua indiferença em relação ao entrevistador, portanto iniciamos com esse passo. Aqui observa-se o comporta- mento da criança no que se refere ao passo de a mesma possuir autonomia e começa subitamente a brincar com os materiais, se trata, de fato, de autonomia ou de indi- ferença em relação ao entrevistador. O importante nessa fase é o que se faz, ou seja

Crianças Idade Verbalização Sexo

Criança 1 8 Sim M

Criança 2 11 Sim F

Criança 3 12 Sim M

Criança 4 8 Não M

Tabela 5.1: Tabelas com colunas de diferentes larguras e alinhamentos

a dinâmica e a característica observada é a autonomia. Seis opções foram criadas para categorizar as crianças nessa etapa;

• Utilização dos Materiais: Nessa etapa descrita por Visca, são observadas as rea- ções da criança, bem como sua organização, imaginação, criatividade, preparação, regras utilizadas, etc. Tratando-se de crianças autistas, o principal aspecto a ser observado é, se ela presta atenção ou ignora o entrevistador e, caso ela consiga en- tender o comando, se o uso do material é literal ou não, dado que crianças autistas tendem a ter baixa imaginação e comportamento literal; O importante aqui é o que se faz e o que se diz;

• Desenho da Família: Nessa parte é observado o Produto, ou seja o que é deixado no papel, pela criança. É dividido em duas partes, uma para entender o ideal de fa- mília da criança e outra para relacionar esse ideal com a própria família da criança. Na descrição da EOCA, Visca assevera que é importante observar os detalhes dos desenhos. Como estamos tratando do TEA, os a partir dos desenhos é possível ana- lisar traços faciais e suas ausências, bem como aspectos relacionados à afetividade das crianças;

• A Hora do Jogo: O jogo é importante para dar ludicidade à entrevista (Weiss 2003). Essa parte foi incorporada com o intuito de observar a interação da criança não só com os materiais e seguindo comandos do entrevistador, mas também queríamos observar e estimular a capacidade da criança de brincar ou jogar com outra pessoa. Também tínhamos necessidade de mensurar características relacionadas à memória do trabalho, portanto um jogo da memória foi inserido.

Na literatura, não encontramos exemplos do uso da EOCA em autistas. Conjectura- mos que esse fato ocorra devido às dificuldades inerentes à comunicação entre a criança e o entrevistador. Para exemplificar o uso da EOCA, trouxemos o caso de uma criança, que estuda na mesma escola em que o experimento vem sendo realizado, que fora reprovada nos 1o e 2oanos do ensino fundamental e cujas queixas eram de problemas para calcular e ler. A criança em questão é acometida pelo Transtorno do Déficit de Atenção e Hipe- ratividade (TDAH). De acordo com o relato da psicopedagoga para com o desempenho no EOCA, trouxemos uma breve análise de algumas etapas do teste: “Observou-se que a criança possuía pouca autonomia, pois ela só usou o material quando lhe foi expressa- mente dito que poderia usá-lo. Desenhou uma casa com lápis grafite. Foi perguntado o que estava fazendo, a mesma falou que fazia o que lhe fora pedido, então foi questionada se queria colorir o seu desenho e a mesma não quis, demonstrando desmotivação pela atividade e tristeza (devido à ausência de cores). Quando lhe foi pedido para desenhar a família, a mesma começou a desenhar outra casa, demonstrando que não prestou a devida

atenção ao que lhe fora dito, nesse ponto, houve uma intervenção para que a focasse no que lhe fora pedido. Na hora do jogo, a criança demonstrou impaciência, pois jogava olhando para os outros brinquedos presentes na sala de atendimento especial (indício de hiperatividade e falta de foco).”

No caso de crianças com TEA, o maior desafio reside no fato da interação face a face, uma vez que elas demonstram pouco interesse no que as outras pessoas tem a dizer. Portanto, para uma análise mais fidedigna do desempenho no EOCA, propusemos o uso da tecnologia aqui proposta com a finalidade de melhorar a interação face a face entre a criança com TEA e os psicopedagogos que a acompanha.

A interação entre eles ocorre, inicialmente, através de um convite para a realização das atividades sem o uso da tecnologia (os óculos com o aplicativo sendo executado). Posteriormente, os óculos são apresentados. Um dos psicopedagogos coloca os mesmos em si, para motivar a criança a fazer o mesmo, em seguida, é feita a tentativa de colocar os óculos, por parte da criança. Na ausência de interesse por parte desta, o psicopeda- gogo tenta colocá-lo na criança, porém sem pressionar, usando convites motivacionais do tipo: “vamos jogar?”. Por ser algo que representa uma novidade, os óculos conseguiram chamar bastante a atenção das crianças. Nesse caso, podemos afirmar que os óculos fun- cionam como catalisadores para uma efetiva seção de EOCA em crianças com TEA, pois anteriormente ao seu uso, a interação convencional entre os psicopedagogos e as crianças, que se dava através do convite para que estas participassem do teste (sendo posto como atividades lúdicas) era deficiente devido às perdas sofridas no TEA, no caso aqui abor- dado, perdas relacionadas a um processamento facial anômalo (dificuldade na interação face a face), o que poderia deixar dúvidas a respeito da natureza das perdas executivas. Melhor explicando, não era claro se os problemas relacionados à aprendizagem se davam devido a atrasos executivos ou se eram ocasionados pela falta de interesse das crianças com TEA nas faces dos professores e a impossibilidade de aplicação do EOCA, pela falta de interesse dessas crianças nas faces dos psicopedagogos. A seguir, são descritos os passos do EOCA executados e os resultados alcançados.

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