CAPÍTULO 3 Resultados e Discussão
4- Modalidades de cuidado
4.1- CAPS (referências)
“Então, eu tô no CAPS porque eu me reduzi os danos dentro do possível. Antes, tudo que eu queria fazer, eu queria fazer... Eu acho que eu sou adicto, mas eu não vacilo.”
“Aí dali, procurei de novo ela, ela me indicou o CAPS, arrumou um abrigo…”
“(...)Agora eu acho que no CAPSad é mais suave, por que o pessoal, eles estão mais preparados. Eles tratam exatamente disso, né? E o Centro POP também, pelo menos as duas pessoas que eu peguei de cara lá me trataram super bem. Eu tenho problema com álcool, com cocaína, certo, é assim, assim, eu preciso de ajuda. Tanto é que eles realmente me ajudaram. E no CAPSad eu cheguei, e perguntaram, „que tu quer, se não quer tomar remédio‟. Eu disse, „eu preciso me ocupar‟. Aí disseram, „então vai estudar, vai fazer não sei o quê, vai fazer um curso, vai ocupar a mente, vai fazer projeto, certo? E quando tiver algum problema vem pra cá, que você não tá conseguindo, mesmo que tenha usado, venha aqui, senta aqui pra gente conversar.‟ Remédio, não adianta, porque eu não vou tomar.”
4- Modalidades de cuidado 4.2- Comunidade Terapêutica (meses/anos)
"Aí eu me internei numa CT, fiquei dois anos e quatro meses, depois saí, voltei de novo a usar... depois voltei de novo a CT, fiquei mais um ano e quatro meses, saí de novo, fui pra rua, continuei a usar... Aí quando eu pensei que eu ia de novo pra CT, que eu tava lá há um ano e dois meses, que meu filho tava doente desde os três meses, ele faleceu quanto eu tava na CT. Aí eu recebi a notícia de que ele tinha falecido com a minha mãe... aí eu saí, aí veio tudo na minha cabeça, minha mãe, a família dela, ela... aí eu comecei a usar e voltei pras ruas.”
“Nas CT caríssimas... é R$ 1.800, 00 cada CT que a prefeitura paga. Na Missão Belém é por conta própria. Se ficar velho, só o que não presta lá dentro, que fica de braço cruzado…”
"Eu acho que eles vem o CAPS como quem usa droga: vamos acabar com o CAPS e mandar pra CT…”
"Vai mandar pra CT e acabou! Não tem mais cuidado, mais remédio, mais nada! É isso que a gente vê.”
“Se eu tomasse o Diazepan não conseguia dormir na CT.”
4- Modalidades de cuidado 4.3- Inúmeras internações (Anchieta - direitos X compulsorieda de/tomar remédios)
“Eu me identifico muito com o que o meu
companheiro falou. Dentre os remédios, conheço o CAPS desde 1996, quando eu era de menor ainda. Eu conheci o crack muito cedo, com 11 anos. De 10 pra 11 anos. E... já tive várias internações, já fui pro Anchieta, conheci o Anchieta…”
“Aí eu tive várias internações... e nessa última agora
que eu fiquei, eu estive 9 meses e voltei por conta do... por conta do quê? Culpa minha. Eu achei que eu tava lá, que tava bem, que eu era o Todo Poderoso, né mano? Que nada, desci do ônibus, me encontrei em frente a rodoviária. Primeira pessoa que eu vi foi ela (apontando para F). Ela me viu, „E aí, J, como você tá?‟ Eu disse, „há, tô em socialização.‟ Ela disse, „Vai pro CENAD‟. Eu disse, „Vô nada! Eu vô pro morro‟ E tive a minha 13ª recaída.”
“O tempo que eu tive internado, algo que eu achei errado também, internação compulsória, tá a tua família lá, assina e você ser internadamente compulsoriamente, eu fui uma vez. Duas vezes: uma vez no (inaudível) e outra dentro do CENAD. Nem me avisaram, nem nada. Foram, me amarraram, o R, foi o R...e eu fui parar na (incompreensível) duas vezes. Lá é bom, mas é a base de remédio. Então que eu fazia, eu conseguia o remédio. Eu tomei esse remédio, arrumei confusão lá dentro...e agredi uma pessoa... a pessoa foi parar no hospital.”
4- Modalidades de cuidado
“(...) E pedi uma internação pra ela, sabe o que ela falou pra mim? „Paciente meu eu não interno. Então a gente vai amadurecer essa ideia. Se caso eu veja que há necessidade, eu posso até te dar uma internação. Mas com a ressalva, eu não interno paciente meu. Só em estado crítico.‟”
“Por que ela mesmo fala que o Secretário Municipal de Saúde tá nem aí pra CAPSad, né? Por ele, já acabava com tudo, né? Já jogava todo mundo numa clínica, ou na CT, ou abrigo Anchieta II, né?”
“Participo das oficinas que eu montei com meu técnico, meu PTS, e já era. Acabou? Acabou. Fico lá na Convivência. Se tiver que sair eu saio, e eles ainda têm o hábito de ficar tocando a gente, viu?”
“No Anchieta. Eu vi. As pessoas... a pessoa ia lá, escolhia, „olha, eu quero essa pessoa um pouco mais saudável.‟ E se matar a pessoa a base de remédio... e faziam tráfico de órgãos. Hoje não. Hoje, o CAPS tá mais suave. Em vista do que era, tá mais suave…”
4.4- Querer mais (ler, voltar
a estudar)
“Então eu conheci as assistentes sociais lá, pessoas, os nossos, nossas referências... O que me levou a diminuir bastante a droga foi estudar, se ocupar. Fazer emprego, marcenaria, aprender a mexer no computador, ocupar, essas coisas.”
4- Modalidades de cuidado
“(...) quando eu cheguei pra estudar, as meninas que estavam fazendo estágio, disseram, „vai estudar, ocupa a mente‟, legal. Aí o que eu fiz, eu preciso de xerox pro meu certificado, eu preciso de duas fotografias pra mim poder fazer minha matrícula.”
“(...) Agora eu acho que no CAPSad é mais suave, porque o pessoal, eles estão mais preparados. Eles tratam exatamente disso, né? E o Centro POP também, pelo menos as duas pessoas que eu peguei de cara lá me trataram super bem. Eu tenho problema com álcool, com cocaína, certo, é assim, assim, eu preciso de ajuda. Tanto é que eles realmente me ajudaram. E no CAPSad eu cheguei, e perguntaram, „que tu quer, se não quer tomar remédio‟. Eu disse, „eu preciso me ocupar‟. Aí disseram, „então vai estudar, vai fazer não sei o quê, vai fazer um curso, vai ocupar a mente, vai fazer projeto, certo? E quando tiver algum problema vem pra cá, que você não tá conseguindo, mesmo que tenha usado, venha aqui, senta aqui pra gente conversar.‟ Remédio, não adianta, porque eu não vou tomar.”
Quadro 5- Papel da Intersetorialidade e a necessidade de interação entre serviços 5- Papel da Intersetorialidade e a necessidade de interação entre serviços 5.1- Abrigos
“Mas eles (CAPS) deviam interagir com os abrigos,
né? Porque a partir da noite o pessoal vai pra rua e eles não tem autorização de colocar o pessoal no abrigo. Se o pessoal fosse pro abrigo, eu acho que 100% o pessoal ia parar de usar droga. Porque ia ter mais uma assistência.”
“Com relação a alimentação que ele tá falando, uma vez eu tava abrigado lá no Olaria em São Paulo. E tem um pessoalzinho que faz aqueles acampamentos aqui na frente que são os moradores de rua. E todo dia a monitora, uma monitora! Ela vinha com uma bolsa assim, pouco maior que a da senhora, senhorita, e entrava pra dentro e de noite ela ia embora com aquela bolsa parecendo uma bola de futebol. Recheada!”
“(...) o CAPS teria que ter uma interligação com os abrigos e os abrigos com as empresas de Santos. Os abrigos, a pessoa ia, ficava no abrigo, fazia o curso, que é o que tá acontecendo em São Paulo, e diretamente ser automático registrado em alguma empresa de empregos.”
“É o programa „Cidade Linda‟, não quer ver ninguém na rua. E aqui em Santos ninguém faz nada por ninguém. Se a senhora pedir uma vaga no „Se Acolhe‟ a mulher fala, „não, não tem‟.”
5- Papel da