Compreendendo que a gestão escolar é também um fator da qualidade da educação, ela contribui para o alcance de uma forma de qualidade, ou seja, a forma de gestão escolar vai direcionar também qual tipo de qualidade da educação faz parte da escola. Nesse sentido, buscamos saber qual a concepção dos entrevistados sobre a função que exercem.
Nas escolas de maior IDEPE, todas as entrevistadas apresentam como discurso a importância da gestão democrática, que entendem por decisões que não devem ser tomadas sozinhas. Entendem também que a pessoa do gestor deve ser um líder que conduza, organize e oriente as ações do espaço escolar.
A gestora da Escola A, sobre a compreensão de gestão escolar, afirma que “é uma missão” (GA), não nos traz nenhuma definição ou conceito. Talvez por assumir há muitos anos nesta função, relata apenas o seu prazer em ser gestora e a sua competência neste cargo.
Já a coordenadora desta mesma escola compreende como gestão escolar, o que que ela afirma estar em “livrinhos” (CA):
[...]. É um grupo de professores que são, estão na verdade, estão numa função onde vão gerenciar o contexto escolar como um todo. Eles não são melhores nem piores, nem maiores, nem menores, eles são um grupo inserido nos outros grupos que compõe a escola. Então são professores desempenhando uma função de organização administrativa que é necessário para que qualquer entidade, qualquer grupo, possa andar (CA- Escola A).
E o que chamamos de o fazer gestão escolar, que seriam as ações no dia a dia da equipe gestora diante das adversidades e dificuldades que acontecem no chão da escola:
[...]. Isso aí é todo o conceito de gestor, mas a gestão é bem mais do que isso. Isso aí você vai encontrar em livrinhos, mas tem coisas que você não vai encontrar em livros. Que é o dia- a-dia, que é muitas vezes a falta de entendimento, que é muitas vezes, a sensação de que você não faz parte. [...]. Por exemplo, quando você tem uma necessidade. Tipo, faltou água na escola, eu odeio essa parte, faltou agua na escola e os meninos estão tudo querendo beber água e você está sem dinheiro na bolsa e não tem o que fazer e você não quer largar os alunos. E os alunos, se você perguntar, não querem ir embora. Entendeu? Então essas pequenas demandas que fazem parte da vida da equipe gestora, são muito, não são
gratificantes, são muito cansativas, são muito desgastantes. E quando a gente está fazendo isso, ninguém vê, ninguém vê. Isso aí é como se fosse obrigação, mas não é. Não é porque é algo que extrapola aquilo que é proposto para o trabalho dessa equipe [...]. Por isso que eu estou dizendo, tem um monte de coisa no livrinho, mas a gente acaba fazendo outras coisas que não estão lá no livrinho para fazer a escola funcionar (CA- Escola A).
A entrevistada aponta características de gestão democrática afirmando que:
O diretor ele não toma mais essa decisão só. Essa decisão, ele tem a chance de debater com outras pessoas se ele se permitir. Usufruir desse direito, que eu acho que é um direito que ele tem, que o diretor acabou ganhando de descentralizar as decisões, vai ser muito positivo (CA- Escola A).
Já na Escola B, ainda no grupo de maior IDEPE, a gestora atribui a sua compreensão de gestão escolar ao ato de coordenar e liderar, mesmo apresentando a preocupação com o todo da escola e todas as áreas e dimensões que a compõe, ela atribui a gestão escolar somente a pessoa do gestor e confessa que muitas demandas estão, principalmente as da parte administrativa e de secretaria, sob o seu controle:
Eu acho que gestão escolar é você coordenar, você liderar, você conquistar sabe? Trabalho com o aluno, com a equipe da limpeza, com a equipe da portaria, com os professores. É está de olho no todo né. Porque a gente, assim, não para. Mesmo que tenha um coordenador pedagógico, parte do pedagógico, mas você está aí envolvida né. Eu tenho um lado muito grande da secretaria da escola, de coleta de dados. Que eu fui secretária muitos anos. Então hoje eu trabalho com; a gente faz o simulado, quem coleta os dados sou eu, quem leva para o aluno aquele resultado, leva para a família né. Então gestão escolar ela envolve o todo dentro da escola e acaba sendo muito pesado né. Porque a gente se envolve, quer dar de conta do aluno no corredor, quer dar de conta de, no geral né (GB – Escola B).
Assim como a gestora da Escola B, CB reduz a gestão escolar somente a pessoa do gestor, mas reconhece que este deve ser um líder democrático. Do mesmo modo que a coordenadora da Escola A também apresenta demandas extras a função da gestão escolar, como problemas pessoais dos alunos, e que as famílias depositam na escola a confiança e a missão de resolver:
O gestor hoje é um líder, tem que ser um líder bem democrático. Porque o mundo mudou muito né. A família acha que a escola tem que resolver todos os problemas, que ela não consegue. Chega aqui uma mãe e um pai e diz: “Ó não consigo resolver, tome de conta” e então esse gestor tem que ficar assim naquela: “Eu defendo uma instituição e tenho que estar no meio, ou a família ou a instituição escolar” E ele tem que ser muito democrático para estar entre as duas né. E é o que a gente tem tentado e a gestora tem tentado e tem conseguido aqui dentro de Bodocó, porque é uma instituição que tem muito respaldo (CB – Escola B).
No grupo das escolas de menor IDEPE, todos os sujeitos entrevistados apontam as funções administrativa, pedagógica e financeira como responsabilidade e parte da gestão escolar:
Compreensão de Gestão Escolar, o gestor na minha observação, ele é um político que tem que ter um conhecimento técnico muito específico sobre a questão pedagógica e também sobre a questão financeira. E ele tem que ter jogo de cintura para poder lidar com isso, porque ele sempre vai estar à frente de pessoas. Então essa política de gestão ela tem que está aplicada, por exemplo no nosso caso, a 60 ou mais de 60 servidores e o mais difícil de se lidar numa gestão realmente é com o pessoal, o pessoal é complicadíssimo e aí o jogo de cintura do gestor, é quem vai dar o diferencial na produção de uma unidade (GC – Escola DC).
O entrevistado também resume a sua compreensão de gestão escolar a pessoa do gestor. Destaca que o financeiro e as pessoas são a grande preocupação e dificuldade no seu trabalho. Já a coordenadora desta mesma escola apresenta na sua fala uma preocupação maior com a esfera pedagógica da gestão, mesmo reconhecendo as outras funções.
A gestão escolar deve ser democrática e atuar de forma compartilhada, responsabilizando-se, não só pela porta administrativa, como pedagógica. Ter uma boa relação com todos os segmentos da escola, ser transparente e ter liderança para gerir a escola. A avaliação contínua das ações deve fazer parte do PPP (CC – Escola C).
Diferente do seu gestor, não reduz a gestão escolar a pessoa do mesmo, destaca a importância da gestão ser democrática e compartilhada. Acreditamos que a formação de ensino superior de cada uma pode influenciar na forma diferente como os sujeitos compreendem a gestão escolar. Visto que
um aponta o conhecimento técnico do pedagógico (GC), e o outro tem o um conhecimento mais amplo desta dimensão (CC).
Na Escola D, GD afirma entender que: “Gestão escolar é gerir a escola/instituição de ensino no âmbito administrativo, financeiro e pedagógico” (GD – Escola D).
Sabemos que em sua essência, gestão é muito mais que mandar e controlar algo, mas sim a mediação na busca de objetivos (PARO, 1998). Identificamos, portanto, que mesmo os nossos entrevistados tendo esta compreensão, ainda confundem na prática do dia a dia a gestão escolar com chefiar, mandar e controlar as ações dos outros, quando a associam somente a pessoa do gestor.
Uma gestão que não se resuma na pessoa do gestor como aquele que chefia, mas como aquele que media, faz com que todos os segmentos da escola estejam envolvidos para os fins da educação. No entanto, assim como afirma Paro (1998), percebemos nos entrevistados pouca reflexão a respeito de quais seriam os objetivos da educação e da importância que tem a escola na formação humana do cidadão. Percebemos que na escola localizada no sertão do nosso estado a instituição tem mais importância e respeito por parte da comunidade, visto que as entrevistadas destacam nos seus relatos a grande participação da família e a confiança que esta deposita na escola, que vai da competência de sua função à resolução de conflitos.
Pensando na forma de gestão e sua influência nos resultados da escola e como, de modo geral, nos permite perceber e entender mais sobre como os sujeitos agem enquanto equipe gestora para alcançar os seus objetivos, os entrevistados das escolas de maior IDEPE destacaram características de uma gestão participativa:
É a preocupação, e o envolvimento com todos, comunidade escolar, comunidade vizinha, pais, parentes, familiares dos alunos, que nós aqui mantemos esse contato sempre com os pais através dos plantões pedagógicos ao final de cada bimestre, com reuniões, encontro família escola, onde nós vamos tratar de assuntos mais relevantes, no que tange a todo universo da escola (GA – Escola A).
E da gestão democrática:
Tudo aqui é resolvido democraticamente. Nada é resolvido individualmente. Toda resolução, seja financeira, pedagógica,
administrativa, é resolvido todo mundo junto. [...]. Favorece no resultado da escola porque às vezes até tem um problema na turma. A gestora manda chamar um aluno representante e conversa com ele: “Ó aconteceu isso com um determinado professor, o que você acha? ” Aí o aluno se coloca e diz: “Não! É que eu achei que o professor, eu achei que o aluno, o colega era quem estava errado...” E aí a gente leva para o conselho, conversa e tenta resolver da melhor forma possível (CB – Escola B).
Entretanto, também percebemos que as características da gestão por resultados estão presentes e o que demonstra isso é a preocupação com o objetivo de alcançá-los e atingir as metas pré-estabelecidas. Nesse sentido, afirmam CA e GB:
A gente está avaliando a gestão, mas quando a gente avalia a gestão e fala de resultado, não dá para trabalhar a gestão só. É um quebra-cabeça. Por que que estou dizendo isso? Porque no resultado, como é que a gestão contribui? A gestão é esqueleto. Quem vai trabalhar os músculos, o sangue, claro que são os professores e alunos. E o esqueleto, se esse esqueleto não estiver ali, nada funciona. Então, se o professor precisa de alguma coisa, a gestão não tem, não está presente, se existe, vamos dizer, uma ideia que se pensou para organizar e a gestão não está ali para fazer o planejamento, a escola vai ficando enfraquecida, cheia de problemas e a gestão não funciona, é lógico que o rendimento da escola vai cair (CA - Escola A).
Então a gente não tem que esquecer de forma nenhuma, como é aquele profissional dentro da sala de aula e quanto é pesado para ele aquele resultado do SAEPE, aquele resultado interno, aquele resultado externo né. Então você tendo essa parceria, você tendo essa liderança e essa conquista com sua equipe, eu acho que facilita. E aqui eu tenho isso (GB - Escola B).
Nos foi possível também identificar a concepção de educação presente numa gestão de resultados, quando CA compara os alunos a um poço de água, onde se deposita água e se retira, associando ao processo de ensino e aprendizagem como sendo o aluno receber o conhecimento e demonstrar ele através das provas:
É muito importante essa relação com os alunos porque eles é que são objeto. Tanto do trabalho pedagógico, quanto dessa busca desses resultados. Eles são, vamos dizer assim, o poço, que vai receber a água e que vai retirar a água. Conhecimento vai, conhecimento é demonstrado (CA - Escola A).
Os alunos são considerados como objeto do trabalho pedagógico para se alcançar os resultados. Nesse processo de ensino aprendizado, os alunos
deixam de ser sujeitos do processo, pois o foco está nos resultados e não no processo em si. Identificamos como concepção de educação aquilo que Paulo Freire (1987) denomina de educação bancária, onde o aluno é considerado objeto, ouvinte, receptor de conhecimentos (conteúdos). Mesmo ela os comparando com um poço, o sentido que ela dá a essa palavra é de um recipiente que apenas recebe a água e depois pode repassar essa mesma água recebida. Nesse sentido, apontava Freire (1987, p. 33):
[...] a narração os transforma em “vasilhas”, em recipientes a serem “enchidos” pelo educador. Quanto mais vá “enchendo” os recipientes com seus “depósitos”, tanto melhor educador será. Quanto mais se deixem docilmente “encher”, tanto melhores educandos serão. Desta maneira, a educação se torna um ato de depositar, em que os educandos são os depositários e o educador o depositante.
É exatamente o que acontece atualmente, quanto mais os professores conseguem depositar e quanto mais os alunos conseguem se deixam encher, esse processo, verificado através dos testes padronizados, torna-se mais valorizado. Os professores recebem bônus, e os alunos que fazem parte da turma que alcançou ou superou a meta ganha da gestão escolar uma festa ou um passeio no final do ano.
As escolas de menor IDEPE também demonstram como principal foco a preocupação com os resultados e que a forma como a gestão funciona, vai sim influenciar nos mesmos.
Acredito que uma gestão que acompanha regularmente o cotidiano escolar, no sentido de contribuir com a organização pedagógica e se pauta pelo PPP da escola, revendo, revisando e avaliando coletivamente todas as ações, contribui para os resultados positivos (CC – Escola C).
Sim. Influencia de forma positiva ou negativa. Por exemplo, numa gestão democrática todos participam ativamente e são corresponsáveis pelos resultados, por isso se sentem parte do processo e contribuem para o sucesso coletivo (GD – Escola D).
Mesmo GD destacando a gestão democrática, a participação a qual se refere é a participação naquilo que confere a sua função dentro da escola e coloca em destaque a noção de responsabilização pelos resultados. Dessa forma, nos questionamos quanto a essa noção de democracia e participação, que mais se aproxima da execução de atividades e da culpabilização pelos
resultados negativos, o que deveria contribuir no processo de pensar, decidir e organizar o processo de ensino aprendizagem da escola e ter a responsabilização de forma compartilhada.
Corroborando com Paro (1998), identificamos a falta de objetivos socialmente relevantes na gestão escolar, de modo que esta se preocupa em apenas preparar os alunos para os exames externos, deixando de lado o aprendizado que o autor denomina de cultura acumulada historicamente, a preocupação com a formação de cidadãos conscientes e autônomos. O que predomina nesse modelo de gestão são as notas, ensinar os alunos a responder as avaliações externas.
Contudo, reconhecemos a importância da avaliação enquanto parte do processo de ensino aprendizagem que perpassa por todo processo educacional, desde o momento em que se planeja, durante o processo e também ao final, não como finalidade. Reconhecendo que a avaliação nos permite dizer se algo é de qualidade, bom ou ruim, perguntamos aos nossos entrevistados como eles avaliam suas escolas, assim percebemos como eles compreendem a qualidade da educação e se suas escolas proporcionam uma qualidade e como essa qualidade é traduzida na concepção deles.
No grupo das escolas de maior IDEPE os entrevistados avaliam suas escolas como boas, como escolas que têm uma certa qualidade. Tanto a
Escola A, quanto a Escola B, atribuem essa qualidade e justificam que
consideram suas escolas assim por terem uma boa equipe de professores, que ensinam bem, elaboram boas provas e que bem preparam os alunos para fazer uma boa avaliação externa. As entrevistadas só não afirmam que as escolas são ainda melhores, por não considerar que suas escolas têm boa estrutura física. Nesse sentido elas afirmam:
Eu avalio essa escola como uma boa escola. Só não digo a você que ela é uma ótima escola por conta da estrutura física, porque ela não tem uma estrutura física para ser uma escola semi-integral, onde esse aluno fica para almoçar, mas não tem banheiros, não tem um vestiário para que eles tomem banho, se troquem, não temos quadra de esporte, não temos armários onde eles possam depositar as coisas deles já que vão passar o dia. Então se não fosse esses problemas estruturais, nós teríamos, eu diria a você, uma excelente escola porque nós temos um excelente corpo docente, nós temos uma gestão que participa e que conhece a fundo os seus alunos, seus
professores, as suas merendeiras, os seus auxiliares de serviços gerais. É uma escola que se envolve (GA – Escola A). Acho que a escola precisa melhorar muito. Porque quando a gente é muito bom, a gente tem que melhorar mais ainda. Eu acho que a gente tem um grupo de professores muito bom, muito bem preparados, que se importam. [...]. As provas dos professores daqui elas são, como é que eu posso dizer? Lindas! Não são vergonhosas, porque são bem elaboradas sabe. São provas realmente bem pensadas. [...]. Então assim, eu tenho um grupo de professores maravilhoso. Eu sou muito realizada em trabalhar com esses professores. [...]. Agora, só não presta o prédio. Se tivesse de jogar fora, acho que teria dificuldade de alguém querer, porque o prédio é muito ruim, mas essa é a vantagem de ter a equipe boa. Porque dentro de um prédio desse, a gente conseguir trabalhar bem (CA – Escola A).
Que aqui como é semi-integral e uma escola pequena, você não tem um pátio, você não tem um pavilhão grande, você não tem um conforto praquele aluno. Então ele fica segunda e terça de 07h às 05h da tarde dentro da escola. Você não tem uma quadra, não tem um lugar para ele, sabe, arejar. Não. É sentado, conversando, deita nos pufes, ele vai para biblioteca, para ler e tudo. É assim, falta aquele conforto, falta aquele, aquela coisa extra. Para ele, para integrar ele naquele horário de almoço, naquele horário que ele está livre da sala de aula (GB – Escola B).
Outro ponto fortemente apontado pelas entrevistadas da Escola B como ponto positivo para esta instituição ser considerada uma boa escola foi a relação afetiva com os alunos e com as suas famílias. Ainda que na Escola A a relação com a família dos seus alunos também tenha sido citada e seja considerada como uma boa relação escola-família, esta acontece na forma de prestadora de serviço-consumidor. Na Escola B não, pois demonstra uma relação de total confiança e envolvimento da família com a mesma. Lembrando que esta escola está localizada no sertão do estado, onde as condições socioeconômicas fazem toda a diferença nessa relação, na importância da escola e do que ela representa para as pessoas. Assim expressa CB:
Essa escola aqui é muito boa, é muito procurada. Ontem a gente estava com uma equipe da GRE. E a equipe parabenizando a escola. E a gente dizendo “É porque essa escola, ela tem, assim, como posso dizer? A comunidade acredita muito na escola! ” É uma parceria muito grande! Então o município de Bodocó não tem ensino médio em escola particular mais. Porque depois que foi criado o ensino médio sendo integral aqui nessa escola, fechou nas escolas particulares. É o reconhecimento desse trabalho né? (CB – Escola B).
O modelo de Educação Integral passou a ser Política Pública de Estado em Pernambuco no ano de 2008. Segundo a Secretaria de Educação de PE, a educação integral tem como base a concepção da educação interdimensional, busca promover a formação do jovem autônomo, competente, solidário e produtivo. E, portanto, qualificá-lo para a continuidade da vida acadêmica, da formação profissional ou para o mundo do trabalho.
A Escola B funciona como semi-integral com carga horária de 35 horas aulas semanais, professores trabalhando cinco manhãs e três tardes ou cinco tardes e três manhãs, e os estudantes cinco manhãs e duas tardes ou cinco tardes e duas manhãs (PERNAMBUCO, 2017).
É uma proposta de Educação Integral bem diferente daquela pensada por Anísio Teixeira, que em 1931 já se preocupava com a qualidade da educação e com o fortalecimento do ensino público. Pensava em uma educação e uma escola com funções sociais e culturais ampliadas, visto que nesta época já havia tecido críticas a educação primária e secundária que funcionava como cursos preparatórios para faculdade. Em contrapartida a essa educação de caráter utilitária, a proposta era de ampliar o tempo na escola, mas incluindo o ensino de música, artes, desenho, artes industriais, educação física, saúde, recreação e jogos (CAVALIERE, 2010). Entretanto, o que observamos hoje, e em especial no último ano do Ensino Médio, é o ensino restrito a preparação do aluno para os exames nacionais e estaduais (ENEM e SAEPE), com a carga horária preenchida com as disciplinas tradicionais.
Nas escolas de menor IDEPE, os entrevistados não afirmaram se suas