Nesta etapa deu-se início a produção dos modelos, com base nas fichas técnicas dos produtos foram desenvolvidos os moldes para confecção de vestuário e calçados, para tal contou-se com a mão-de-obra de colaboradores, costureiras e sapateiro.
A produção das peças piloto foi acompanhada de perto. O primeiro passo foi à reunião de apresentação da proposta de coleção para os colaboradores, que receberam as fichas técnicas que guiaram os passos seguintes, quais sejam, a definição das medidas, formas e moldes.
As medidas do vestuário foram calculadas dentro da media de tamanho padrão P feminino e masculino, lembrando da característica oversized das modelagens que caracteriza peças mais amplas. Na figura 51 observa-se o processo de produção das peças, que se inicia com os moldes, depois o corte dos tecidos e por fim a montagem através da costura.
Figura 51 - Modelagem e Produção
Fonte: Autora
A medida dos sapatos foi definida a partir da numeração dos pés dos modelos, sendo, portanto produzidos sempre dois exemplares de cada proposta, um na numeração 35 e outro 38. Nas figuras 52 e 53 vemos as etapas de produção dos calçados, que parte do desenho feito sobre a forma, depois a definição dos moldes que indicam as peças a serem cortadas nos materiais indicados, às peças são então unidas através de processos de colagem e costura.
Figura 52 - Modelagem Calçados
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Figura 53 - Produção Calçados
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Por fim obtém-se como resultado dessas produções as peças piloto da coleção, sendo elas representadas nas figuras 54 à 67. Quando necessário foram realizados ajustes nestas peças piloto, que serviram para a aprovação da coleção, considerando aspectos de estética, funcionalidade, conforto e coerência com a proposta do projeto.
Numa análise particular sobre cada peça temos de inicio a peça retratada na figura 54, a Camiseta Flowered Tiger que tem uma modelagem leve e fluída, composta por apenas duas peças (as mangas são modeladas junto ao corpo da camiseta). O tecido de malha garante conforto, fluidez e a versatilidade necessária para vestir bem tanto corpos femininos quanto masculinos. O acabamento dobrado das mangas enriquece a modelagem mais básica junto com o bordado. O bordado é inspirado na polifonia entre os elementos que a compõem, a flor, pequena e delicada e o tigre, grande e forte, fazendo alusão à interpretação estereotipada de feminilidade e masculinidade. A união desses elementos no bordado foi escolhida para representar a exequível convivência, mescla, destes dois aparentes opostos.
Figura 54 - Camiseta Flowered Tiger
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Como vemos na figura 55, a T-shirt/Dress é o que a tradução literal indica uma camiseta/vestido. A metamorfose da peça se dá puramente de acordo com seu uso, sendo sobreposta a outra peça, veste como uma camiseta alongada, ou usada como peça única, veste como vestido. Além disso, observa-se nesta também a mistura de tecidos, a malha preta e o veludo rosa, uma das cores chave da coleção.
Figura 55 - T-shirt/Dress
Outro modelo de camiseta, dessa vez de manga longa (figura 56), estampada, também se vale da união de diferentes elementos opostos, neste caso, a variação de espessura das listras. O corpo e braço da camiseta são modelados em listras finas, enquanto o antebraço e punho em listras mais espessas. Encontramos nesta peça também a assimetria, conferida na base do corpo e na união entre o punho e o braço.
Figura 56 - Camiseta manga longa listras
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A camisa Vichy (figura 57) compõe o conjunto de peças neutras da coleção, a estampa é tendência nas últimas temporadas de moda e com sua composição geométrica na coloração clássica P&B (preto e branco), faz da peça um item clássico e ao mesmo tempo moderno e jovem, pois é atual e se encaixa com facilidade para qualquer perfil de gênero. A modelagem leva alguns detalhes que a diferencia das camisas tradicionais, como os ombros mais caídos e os punhos largos.
Figura 57 - Camisa Vichy
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O casacão de lãzinha (figura 58) é uma peça pesada, com propósito de servir nos dias mais frios de inverno, sua modelagem oversized garante conforto e modernidade à peça. As texturas do tecido contribuem para uma composição com aspecto de lã na parte interna e moletom na externa, o que torna a peça bastante funcional e flexível.
Figura 58 – Casacão
A jaqueta millennial (figura 59) é uma peça chave, reúne referências tanto do vestuário feminino como masculino. A cor predominante, o rosa, aparece em uma versão envelhecida em material aveludado, super contemporâneo. A jaqueta de modelagem larguinha tem um ar mais esportivo, com os punhos e barra do corpo em retilínea, um cordão que envolve a cintura possibilita ajustar a peça ao corpo, e ainda há o detalhamento do virado na parte frontal, que promove o acabamento vertical de união entre a retilínea e o tecido aveludado, enriquecendo o design da peça.
Figura 59 - Jaqueta Millennial
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O modelo de calça cullote tem sido tendência nas últimas estações no guarda roupa feminino, neste projeto ela ganha uma versão de modelagem simples e objetiva para atender também o público masculino. A calça tem a característica modelagem ampla das cullotes, com o comprimento mais curto que as calças tradicionais, esta chega até a panturrilha. Para a coleção, o modelo recebe acabamento de cós de elástico, que a torna flexível para variados corpos, bolsos laterais e um tecido de malha com caimento e espessura adequados para vestir confortavelmente (figura 60).
Figura 60 - Calça Cullote
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Outro modelo de calça da coleção é uma mistura de referência de calça social e esportiva, o cós é de elástico com o acabamento do cordão que destaca a peça com um toque de cor, o verde, como vemos na figura 61. A peça ainda conta com bolsos laterais e na parte posterior no estilo das calças sociais. A sarja garante o ar despojado da peça.
Figura 61 - Calça knot
O terceiro modelo de calça que compõe a coleção tem modelagem social tradicional (figura 62), com colchete interno, produzida em gabardine. O elemento que garante destaque a peça é a cor, o rosa que desta vez aparece mais pálido, um tom suave.
Figura 62 - Calça Social Millennial
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A última peça de vestuário da coleção sintetiza a proposta geral do projeto, uma referência considerada pelo público comum como restritamente feminina, a saia, é repensada para se encaixar também ao público masculino. A proposta desta peça é unir a referência de saia e manta (figura 63), concebendo uma espécie de manta para a cintura. A peça é produzida em lãzinha, o que confere a ela o aspecto de manta, além disso conta com uma modelagem de assimetria acentuada, o que proporciona a neutralidade necessária para vestir homens e mulheres, pois não se parece com uma saia tradicional, ao mesmo tempo este é também o diferencial da peça, uma modelagem autêntica e coerente com a proposta genderless.
Figura 63 - Manta/Saia
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Finalmente temos os modelos de calçados. O primeiro elemento determinado foram seus modelos, todos escolhidos para que calçassem a qualquer pessoa de forma confortável e com estilo.
O modelo Oxford é um clássico, originalmente masculino passou a ser utilizado pelas mulheres ainda no século XIX, foi um símbolo da mudança do comportamento das sociedades que viam as mulheres buscando papeis mais atuantes na esfera coletiva (LIMA, 2012). Sua relevância histórica desempenho versátil e confortável determinaram sua presença nesta coleção.
O Oxford V (figura 64) é um modelo reinterpretado sob um olhar jovem e moderno, trazendo de novo a proposta da mistura de materiais e texturas. As cores passeiam entre tons neutros e cores de destaque, como o preto, branco, bege e o verde, que promovem uma combinação equilibrada. Os materiais, couro, couro fake e tecido estampado em padronagem geométrica foram cuidadosamente determinados para suas funções específicas, os couros onde havia maior necessidade de estruturação e o tecido onde a maleabilidade garante o conforto.
Figura 64 – Oxford V
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Outro modelo agênero é o tênis, usado no mundo todo por homens e mulheres, em modelos casuais, esportivos, futuristas, etc. O tênis da coleção (figura 65) tem uma pegada mais casual, com modelagem simples, o toque especial fica na escolha da cor, o rosa millennial, que predomina em uma composição que conta ainda com o verde e acabamentos de metal no traseiro.
Figura 65 - Tênis Millennial
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A botina Chelsea Green (figura 66) é um modelo bastante despojado, tem solado duplo, deixando o modelo mais alto, elástico lateral, que facilita o calce, e composição de couro preto e couro fake verde. As botinas são ótimas para o inverno, nos dias chuvosos é um item confortável e funcional.
Figura 66 - Botina Chelsea Green
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O último modelo entre os calçados é o chinelo Slide Metal Black (figura 67). Este é um modelo pensado para a meia estação e o outono que tem temperaturas agradavelmente amenas. Sua composição é um total black com destaque na aplicação do enfeites de metal. A modelagem simples garante sua adaptação a diferentes anatomias, é leve, confortável e versátil.
Figura 67 – Slide Metal Black
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