CAPÍTULO II REVISÃO DA LITERATURA
II.4. E-Procurement
II.4.7. Modelos de E-Procurement
Existe uma gama de diferentes modelos de e-procurement.. Os modelos estão a evoluir rapidamente, tornando-se difícil decidir qual o mais indicado para cada situação (Chaffey, 2004: P299).
No entanto, foram identificados três modelos fundamentais para a localização do comércio B2B:
• Modelo centrado no fornecedor (sell-side); • Modelo centrado no comprador (buy-side); • E-Marketplace.
II.4.7.1. Modelo Centrado no Fornecedor
É o modelo seguido por empresas fornecedoras que colocam num portal seu o catálogo de produtos e oferecem aos seus clientes as possibilidades de consultar e pesquisar o catálogo, encomendar e aceder à sua conta-corrente, entre outras funcionalidades.
A empresa fornecedora é responsável por manter o catálogo e pelo desenvolvimento e manutenção do portal. Pode inclusive partilhar o seu catálogo com outros portais.
É uma abordagem baseada na perspectiva do fornecedor, que acaba por poder ser classificada mais de comércio electrónico, B2B, do que de e-procurement. No entanto, é algo que vai permitir o procurement electrónico das empresas, vindo daí a justificação para ser apresentado como uma prática de e-procurement.
Para o fornecedor, esta solução permite-lhe um controlo sobre o sistema e uma possível integração completa com o seu back-office. O cenário dos compradores é o que mais negativo se apresenta. Apesar de representar para estes um custo nulo, não é a solução de eprocurement que os poderá satisfazer, porque:
• A integração das compras aqui efectuadas nos seus back -offices é muito difícil, o que obriga a esforço duplicado na introdução de dados;
• São sistemas de oferecem um suporte limitado às actividades de procurement, ao centrar-se nas actividades associadas ao catálogo e à encomenda;
• O suporte a contractos específicos não é fácil;
• Para empresas com um leque variado de produtos a comprar, será obrigatório aceder a muitos e diferentes portais de compras;
• Não auxilia a criação de políticas e de regras de compra e à sua efectiva aplicação, dado que o acto de compra não pode ser controlado de forma eficiente.
II.4.7.2. Modelo Centrado no Comprador
Neste modelo, a entidade compradora reúne num sistema sob o seu controlo e num único catálogo, a informação de múltiplos fornecedores e sobre a qual realiza as suas actividades de e-procurement, com a possibilidade de integração com o seu ERP.
É um modelo que dá ao comprador um elevado controlo sobre o sistema, mas que necessita de uma ligação estreita aos fornecedores, uma vez que estes são a origem da informação descritiva de produtos e das condições de venda, informação
essa utilizada nas decisões de compra. É uma solução que pode ser integrada, com maior ou menos custo, nos sistemas de back-office. Todas as actividades de procurement podem ser suportadas. Para os fornecedores, o custo de participação neste ambiente é muito reduzido.
Há um grande esforço que tem que ser despendido na recolha e conciliação da informação do catálogo, bem como na manutenção da sua qualidade, mesmo que seja possível transferir para os fornecedores a responsabilidade da manutenção dessa informação.
Para os fornecedores esta solução pode não ser a mais adequada, pois se uma empresa tiver que se relacionar com vários clientes através dos seus portais, serão vários os sistemas com que terá que lidar e isso não ajudará a ter uma prática consistente.
II.4.7.3. E-Marketplace
Modelo que suporta vários clientes e vários fornecedores, na procura de uma relação de muitos-para-muitos, com soluções exploradas por uma terceira entidade, cujo modelo de negócio passa pela cobrança de um valor de subscrição e de taxas aplicadas às transacções.
O portal econstroi.com9 é um e-marketplace vertical, que procura agrupar as empresas que actuam no sector da construção e tem como accionistas algumas das principais empresas de construção portuguesas.
Este modelo tem vantagens, pois os custos de adesão a um mercado deste tipo são baixos quando comparados com os investimentos exigidos nos modelos centrados no cliente ou no fornecedor. Em teoria, vão suportar uma verdadeira rede empresarial e podem ser uma opção viável mesmo para empresas que comprem ou que vendam em volumes elevados.
9
econstroi.com é um e-marketplace para a construção civil e obras públicas onde é possível pedir e apresentar propostas online, bem como comprar e vender materiais, equipamentos e serviços de construção.
No entanto, apresentam alguns aspectos negativos, nomeadamente a limitação que exibem no suporte a variados modelos e regras de negócio, um autêntico mosaico derivado do conjunto heterogéneo de empresas que habitam o e-marketplace,
Este modelo sofre uma divisão entre e-marketplaces verticais e horizontais. Os primeiros procuram agregar empresas que actuam no mesmo sector de actividade, geridos por entidades independentes ou promovidos pelas principais empresas desse sector. Os horizontais não restringem as empresas a uma dada actividade e acabam por se focar nos bens e serviços comuns a vários sectores.
Em Portugal surgiram quatro e-marketplaces, o Bizdirect, ForumB2B, Tradecom e a Iwaytrade, que ainda hoje se encontram a operar. Também a destacar o PMELink.
As opções alternativas para modelos de e-procurement são resumidos na Figura 6 e as vantagens e desvantagens de cada um são resumidos no Quadro 3.
No Quadro 3 é possível verificar as vantagens e desvantagens dos modelos do e- procurement para os compradores
Modelo de e-procurement Vantagens para o comprador Desvantagens para o comprador a) Modelo centrado no
fornecedor
Pesquisa
Ónus da manutenção de dados sobre o fornecedor
Interface diferente para cada site (catálogos e encomendas)
Escolha restrita
Fraca integração com sistemas ERP
Controle de compras limitado
b) Modelo centrado no comprador
Simplicidade da interface única
Escolha mais ampla
Integração com sistemas ERP
Bom controlo das compras
Ónus da manutenção de dados é no comprador
Custos de licenciamento de software
Requalificação de pessoal
c) E-Marketplace Simplicidade da interface única
Escolha potencialmente mais ampla de fornecedores, produtos e preços
Termos e condições unificadas
Difícil saber que mercado escolher (horizontal e vertical)
Pouco controle de compras
Incerteza sobre os níveis de serviço de fornecedores desconhecidos
Interface do formato de dados do mercado
Integração relativamente pobre com o ERP
Quadro 3 – Vantagens e desvantagens dos modelos de e-procurement (De Burca, Fynes e Marshall, 2005)
As empresas fornecedoras de produtos e serviços tiveram que optar por uma combinação destes modelos para distribuir os seus produtos. Do ponto de vista do comprador, o modelo de venda adoptado pelos seus fornecedores tende a limitá-los.
II.4.7.4. Leilões
Apesar de serem apresentados muitas vezes como um modelo de e-procurement, os leilões deverão ser encarados como uma funcionalidade que os sistemas de compras electrónicas permitem e que estão presentes em qualquer um dos três modelos anteriormente apresentados. Num cenário de leilão, uma dada quantidade de bens é colocada à venda e os possíveis compradores apresentam a sua proposta de compra, sendo a proposta ganhadora a que eventualmente apresente o valor mais elevado. O leilão invertido ocorre quando uma empresa anuncia a sua intenção de adquirir bens ou serviços e espera que os possíveis fornecedores apresentem o seu valor, competindo uns com os outros durante o tempo de realização do leilão.