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Modelos integradores: a Teoria Interativa e o enfoque do Encastramento Misto

Parte I. C ONCEÇÕES TEÓRICAS ACERCA DE EMPRESÁRIOS IMIGRANTES : CONTORNOS DAS INVESTIGAÇÕES CONTEMPORÂNEAS

4. M ODELOS QUE DESTACAM A INTERFERÊNCIA DOS CONTEXTOS DE ACOLHIMENTO NAS INICIATIVAS EMPRESARIAIS IMIGRANTES

4.2. Modelos integradores: a Teoria Interativa e o enfoque do Encastramento Misto

Contrariando a literatura desenvolvida essencialmente em torno da economia étnica, que enfatizava o lado da oferta (ou seja, dos empresários imigrantes), uma nova orientação surgiu em meados da década de 1980, analisando também o impacto da procura no empreendedorismo imigrante (Light e Gold, 2000: 16). Este novo enfoque nasce das críticas às perspetivas mais culturalistas, que não conseguiam explicar a variação de iniciativas empresariais de imigrantes com a mesma nacionalidade em diferentes contextos de receção. A equipa coordenada por Roger Waldinger foi pioneira neste contexto, realçando a falta de atenção que a literatura acerca de empresários imigrantes havia dado ao próprio contexto económico onde esses empresários funcionavam (Waldinger et al., 1985: 589). Esta nova perspetiva integradora do lado da oferta e da procura, a que os autores chamaram de modelo

interacionista, foi revolucionária, tendo determinado a mudança da literatura acerca das

orientação pluridimensional. Kloosterman e Rath desenvolveram em finais da década de 1990, na Holanda, um modelo complementar a que chamaram de encastramento misto, tendo em consideração a influência das várias esferas da sociedade de acolhimento (e não apenas a esfera económica, como acontecia no modelo interacionista).

Este capítulo procura apresentar estes contributos, que inspiraram o modelo teórico multidimensional adotado nesta investigação acerca das estratégias empresariais de imigrantes em Portugal.

Modelo Interativo

O interacionismo integrou as teorias explicativas do empreendedorismo imigrante em meados da década de 1990 por reação crítica à causalidade cultural que dominava. Na

perspetiva interacionista a empresarialidade é explicada na relação entre procura - o que

clientes querem comprar - e oferta - o que os empresários podem fornecer. Por outras palavras, o número de empresários e as suas características é indissociável do que os clientes procuram e o que a oferta pode fornecer (Light e Gold, 2000: 16). Esta perspetiva critica os investigadores que explicam a empresarialidade imigrante apenas pelo encastramento cultural e social, uma vez que esses modelos analisam apenas o lado da oferta (Waldinger et al., 1985).37

As primeiras investigações que se basearam na leitura interacionista foram organizadas por Waldinger, Ward e Aldrich (1985).38 Nesta leitura integrada são considerados não apenas os contextos socioculturais, mas também o contexto económico e institucional onde os empresários operam. Waldinger e outros (1990:22) explicam, através do modelo interativo de negócios étnicos, que as iniciativas empresariais de imigrantes estão dependentes de três componentes: (1) a “estrutura de oportunidades” – o lado da procura -; (2) as “características do grupo étnico” – (onde recuperam alguns aspetos das perspetivas da economia étnica – e.g. fatores de predisposição e mobilização de recursos); e (3) as “estratégias étnicas”, resultado da interação das duas primeiras componentes.

(1) Com a identificação das estruturas de oportunidades os autores enfatizaram que os imigrantes só podem desenvolver uma atividade empresarial com os recursos que o contexto coloca à sua disposição (Waldinger et al., 1990:21). Ora atendendo também que esse contexto

37 “A common objection to cultural analysis is that it lacks an analysis of the economic environment in which

immigrant entrepreneurs function. In this light, group solidarity or a willingness to take risks may be a necessary condition of entrepreneurship, but neither is a sufficient condition for business success.” (Waldinger et al., 1985:589).

38 Ward e Jenkins (1984) também editaram diversos estudos acerca do Reino Unido com a mesma perspectiva de

está em constante mudança, com esta categoria explicativa os autores pretendiam ilustrar as ‘condições do mercado de trabalho’ - a relação entre empresários, consumidores (da economia genérica ou étnica) e concorrentes (nativos, coétnicos ou de outros grupos de imigrantes) – e as possibilidades de ‘acesso a um negócio’ – as vagas que o mercado dispõe, a competição existente no mercado e as políticas governamentais.

(2) Por sua vez, nas características do grupo étnico os autores consideraram os recursos que podem ser mobilizados no grupo e que funcionam como fatores competitivos para a iniciativa empresarial. A mobilização desses recursos é feita a partir de redes de proximidade que permitem o acesso a trabalhadores, capital, consumidores, fornecedores, entre outros (Waldinger et al., 1990: 31-39). Neste âmbito os autores reconhecem a existência de diferenças nas características de diversos grupos étnicos e imigrantes que justificam porquê é que determinados grupos são mais bem-sucedidos empresarialmente que outros (e.g. circunstancias migratórias, características pré e pós migratórias).

(3) Finalmente as estratégias étnicas explicavam, segundo os autores, a forma como se utilizavam e combinavam recursos étnicos e a estrutura de oportunidades. Em suma, o modelo interacionista acredita que as estratégias étnicas e/ou a iniciativa empresarial dos imigrantes resultam da interação entre a estrutura de oportunidades da sociedade de acolhimento e as características do grupo ou a estrutura social da comunidade imigrante. É a capacidade de adaptação dos imigrantes ao contexto em que se inserem, mediante a mobilização de recursos do seu grupo, que lhes permite criar negócios.

Apesar de ser considerado o primeiro passo para uma aproximação teórica mais compreensiva das iniciativas empresariais imigrantes, o modelo interativo tem sido alvo de várias críticas. Segundo Rath (2002: 9) este modelo é mais uma classificação que um modelo explicativo das estratégias empresariais de imigrantes. Também em Immigrant

Entrepreneurs: Venturing Abroad in the Age of Globalization, Kloosterman e Rath (2003) ao

aclamarem esta sua obra como sucessora do livro de Waldinger et al. (1990) Ethnic

Entrepreneurs: Immigrant Business in Industrial Society afirmam que:

“Many researchers still consider this interactive model an important step towards a more comprehensive theoretical approach, even though it is more like a classification than an explanatory model.” (Kloosterman e Rath, 2003: 6).

Light e Rosenstein (1995) chamaram também à atenção que o modelo apesar de ricamente teorizado, peca por não descrever como deve ser operacionalizado em termos metodológicos. Por sua vez Bonacich (1995) considera que a leitura de Waldinger et al (1990) é pró- capitalista, não considerando as consequências negativas desse sistema no empreendedorismo étnico:

“«Ethnic Entrepreneurship» is written within a particular ideological context. To put it baldly, it is a pro- capitalist book. It accepts the basic premises of capitalism: that people should strive for upward mobility within a competitive framework and that social welfare can be more or less left to take care of itself. It also accepts the basic idea system of capitalism economics, i.e., that social processes are the product of the intersection of supply and demand. (...) What is missing from this Picture is the larger system in which ethnic entrepreneurship is embedded and some of the negative consequences associated with that system.” (Bonacich, 1995: 686-687).

A autora argumenta ainda que as empresas étnicas não são um mero produto da interação da procura e oferta, como o modelo interacionista defende. Bonacich considera que devem ser considerados os contextos políticos e institucionais mais globais para não se perder o verdadeiro significado do fenómeno (Bonacich, 1995: 692). Por reação a estas críticas diretas de Bonacich, Waldinger (1995b: 694) acaba por admitir que no modelo interacionista proposto foi assumido como garantidas as forças macroestruturais que criam condições para o empreendedorismo étnico. O autor defende, no entanto, que o modelo considera a interferência da estrutura social como facilitador das condições em que se processa a ação económica (Waldinger, 1995b: 695). O autor realça ainda que o outro aspeto inovador do modelo interacionista se associa ao facto de considerar a interferência institucional da economia na qual os imigrantes se encontram, não se circunscrevendo às características e recursos do grupo imigrante (Waldinger, 1995b: 699).

Light e Gold (2000: 17) rejeitam também parte das conclusões de Waldinger e seus associados acerca da influência do contexto económico – o lado da procura – por este comparar grupos de imigrantes distintos na mesma sociedade de acolhimento. Segundo os autores, de forma a ser avaliada com rigor a influência do lado da procura deve comparar-se não diferentes grupos num mesmo contexto, mas antes um grupo com a mesma nacionalidade em diferentes contextos territoriais e/ou diferentes grupos e diversos contextos. Só assim, segundo Light e Gold, podem ser rigorosamente avaliados os determinantes contextuais (oportunidades e constrangimentos) nas opções empresariais dos imigrantes. A diversidade entre grupos distintos num mesmo contexto territorial só confirma a existência de diferentes culturas, experiências e recursos comunitários.

Rath (2002:9) discute ainda que a leitura interacionista assume que os imigrantes e as minorias étnicas têm estratégias empresariais distintas e/ou agem de forma distinta dos empresários nativos simplesmente por ter origens ou etnias diferentes. Nas palavras dos próprios autores:

“The strategies adopted by the various ethnic groups in capitalistic societies around the world are remarkably similar” (Aldrich e Waldinger, 1990: 131).

Neste modelo integrador os imigrantes definiriam naturalmente estratégias empresariais étnicas apenas por terem uma dada etnicidade ou se identificam com um grupo com tradições

culturais e étnicas. Contudo sendo esse o caso, como se poderia explicar a iniciativa empresarial de imigrantes que pertencem a grupos sem qualquer história ou experiencia empresarial anterior? Investigação empírica desenvolvida demonstra, contudo, que imigrantes encastrados no seu grupo étnico podem ter diferentes opções de inserção económica e não reproduzir os padrões de incorporação do seu grupo (Oliveira, 2005). Nesses casos a iniciativa empresarial provou ser mais o resultado de capital humano e características individuais que o produto da mobilização de recursos ou características do grupo (Oliveira, 2007: 63). As estratégias empresariais provaram também ser mais diversificadas do que Waldinger e seus associados defendiam, não se circunscrevendo apenas a estratégias étnicas (desenvolvido no capítulo 6). Consequentemente não apenas diferentes grupos imigrantes podem adotar estratégias empresariais distintas pelo mundo, como numa mesma cidade é possível identificar a multiplicidade de estratégias empresariais diversas das estratégias étnicas (Oliveira, 2007).

Por outro lado, o modelo interacionista defende que a performance empresarial dos grupos imigrantes depende da articulação entre o que esses têm para oferecer e o que mercado procura. Contudo, há outros fatores que podem determinar a participação efetiva dos imigrantes no mercado de trabalho enquanto empresários. Na realidade a sociedade acolhimento pode definir constrangimentos jurídicos que impedem o investimento dos empresários imigrantes e/ou o efetivo uso dos recursos de que dispõem para serem melhor sucedidos.39

Light e Bhachu (1993) defendem ainda que o modelo interativo ignora a influência da economia do país de acolhimento e a diversidade de sistemas de regulação e sistemas bancários no incentivo ou desincentivo das iniciativas empresariais dos imigrantes.

Em consequência o desenvolvimento teórico nesta área de investigação continuou, tendo induzido à convergência de diferentes dimensões explicativas num outro modelo explicativo integrado: o modelo de encastramento misto.

Modelo de Encastramento Misto

Na viragem do século a discussão em torno das atividades empresariais dos imigrantes foi renovada a partir de inúmeras análises comparativas internacionais de investigadores

39

A este propósito vd. para o caso português os constrangimentos jurídicos que se aplicam a imigrantes que pretendam desenvolver uma actividade empresarial – nem todos os estatutos legais permitiam o desenvolvimento de atividades empresariais (Oliveira, 2004: 70-76; Oliveira, 2005: 82-85). A este propósito é interessante aprofundar também o caso holandês, no qual uma mudança legislativa afectou profundamente o funcionamento da industria têxtil turca na Holanda (Rath, 2002: 1).

presentes em diferentes países europeus, Canadá, Estados Unidos e Austrália (Rath (ed.), 2000, Kloosterman e Rath (eds.), 2003) e da proposta de um novo conceito: mixed

embeddedness.40 Indo um pouco mais além dos modelos e perspetivas desenvolvidas

anteriormente, o conceito de encastramento misto dá particular ênfase ao contexto e/ou às estruturas de oportunidades, assumindo-se num interacionismo reestruturado que atende às diferenças entre enquadramentos nacionais. Nas palavras dos autores:

“The mixed-embeddedness approach is intended to take into account the characteristics of the supply of immigrant entrepreneurs, the shape of the opportunity structure, and the institutions mediating between aspiring entrepreneurs and concrete openings to start a business in order to analyse immigrant entrepreneurship in different national contexts.” (Kloosterman e Rath, 2003: 9).

Os autores discutem que o modelo interacionista descurou a importância da regulação por ter sido desenvolvido por académicos britânicos e americanos, ou seja, nacionais de países onde os sistemas económicos têm características de desregulação (cit. in Tseng, 2004: 524). Em consequência, Kloosterman et al. (1999), pela sua experiência europeia (sediada na Holanda), realçam em particular a importância do contexto político, legal e regulador no qual os empresários imigrantes têm de funcionar. Os autores acabam mesmo por redefinir o conceito de ‘estrutura de oportunidades’ ao contemplarem diferenças nos contextos institucionais de países distintos (Kloosterman e Rath, 2003:8).

A noção de encastramento misto absorve alguns dos contributos iniciais de Granovetter (1985), em que o autor defendia que a atividade empresarial se desenvolve não apenas numa dimensão económica isolada, mas se baseia na mobilização vital de recursos e mecanismos de suporte que derivam das redes sociais. Neste contexto a empresa deve ser vista simultaneamente como encastrada na estrutura económica e política que lhe é externa (os mercados, o estado), tendo esse vertente sido insuficientemente reconhecida e pouco teorizada pelos interacionistas (Jones e Ram, 2007: 440).

Ao contrário dos modelos desenvolvidos anteriormente, na perspetiva do encastramento

misto é ainda realçado o facto de que determinados recursos empresariais não são exclusivos

aos imigrantes. A apetência ao risco e a ser independente e o recurso a redes sociais são valores universais a todos os empresários, não fazendo parte de uma identidade empresarial étnica. Light enfatiza mesmo num trabalho recente que:

“All groups utilize networks in business, native as well as immigrant, but all users do not deploy identical social networks.” (Light 2004:26).

Ainda, como também discutem Jones e Ram (2007: 443), grande parte dos estudos desenvolvidos acerca do empreendedorismo imigrante concentram-se apenas num único grupo étnico, não estabelecendo um grupo de controlo que permita analisar o que é

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globalmente característico de um empresário e o que é específico a esse dado grupo étnico. Por outras palavras neste modelo é rejeitada a ideia do excecionalíssimo étnico e/ou cultural para a iniciativa empresarial e defendido o universalismo do encastramento social. É defendido que, por antítese às perspetivas que defendem características particulares nos empresários imigrantes ou em determinados grupos étnicos, todos os empresários estão enquadrados por um contexto e não são atores passivos. Rath (2000:5) acusa mesmo as perspetivas anteriores de considerarem o empreendedorismo imigrante num vacum económico e institucional, refletindo a preocupação dos perigos subjacentes ao estudo baseado em determinismos culturais e a convicção de ser fundamental considerar as condições políticas e económicas.

Devido a esta opção no modelo de encastramento misto, alguns cientistas têm acusado os seus autores de remeterem as características do grupo de imigrante para uma dimensão insignificante, centrando-se predominantemente nos processos contextuais e descurando a influência dos processos internos - e.g. redes sociais, solidariedade comunitária – e/ou as tendências semelhantes nos comportamentos empresariais de alguns grupos da mesma etnia em países diferentes (Tseng, 2004: 525).

Apesar de no modelo de encastramento misto ser reconhecido que o encastramento dos imigrantes nas esferas cultural, social, económica e política ser bastante mais complexa e diversa ao que o modelo interacionista defendia; não considera que os imigrantes podem mobilizar e capitalizar à sua maneira as oportunidades e os recursos a que têm acesso definindo por isso diferentes estratégias empresariais. Por outro lado, os autores não consideram que no desenvolvimento de uma estratégia empresarial os imigrantes não mobilizam necessariamente todas as esferas em que estão encastrados, mas apenas aquelas que lhes conferem mais benefícios ou vantagens empresariais em determinados contextos e períodos de tempo (Oliveira, 2007: 63).

Verifica-se ainda outro obstáculo fundamental que explica a diversidade de estratégias empresariais dos imigrantes: nem todos os indivíduos têm acesso aos mesmos recursos e oportunidades, nem são confrontados com os mesmos bloqueios ou constrangimentos. Por outras palavras, na definição de uma atividade empresarial os imigrantes não combinam obrigatoriamente todas as esferas do seu encastramento (cultural, social, económica e política), mas apenas aquelas que lhes dão as melhores possibilidades de serem bem- sucedidos. Oportunidades no mercado de trabalho ou incentivos empresariais do contexto local, num determinado período de tempo, podem contribuir mais para a definição de

estratégias empresariais entre imigrantes que propriamente a mobilização de recursos controlados pelos grupos imigrantes (Oliveira, 2007: 64).

Peters (2002:39) sugere ainda que o modelo de encastramento misto negligencia o efeito geracional no processo empresarial imigrante. A investigadora conclui que qualquer análise compreensiva do comportamento empresarial de imigrantes tem de considerar os determinantes do encastramento misto – recursos étnicos, estrutura de oportunidades e os contextos socioculturais, económico e institucional das sociedades de acolhimento – e os vários tipos de agentes económicos envolvidos ao longo do tempo (Peters, 2002: 48). A autora realça que só considerando a dimensão histórica é que um novo argumento poderá realmente trazer valor acrescido aos modelos desenvolvidos anteriormente:

“I argue that while the «mixed embeddedness» theoretical model gives a more comprehensive explanation of immigrant enterprise, because it examines the impact of the host’s institutions on the entrepreneurial process, it does not explain, any more than previous models, the wide-ranging, inter-ethnic variation in entrepreneurial concentration observed among immigrant groups in host environments around the world. I content that the reasons for this include: the model’s lack of historical perspective – it does not deal with the development of entrepreneurship within a group over time (…).” (Peters, 2002: 33).

Os autores do modelo de encastramento misto excluem também a interferência das características individuais e/ou os recursos pessoais na iniciativa empresarial imigrante (Oliveira, 2004a, 2007), ao atenderem apenas como fatores explicativos:

“The characteristics of the supply of immigrant entrepreneurs, the shape of the opportunity structure, and the institutions mediating between aspiring entrepreneurs and concrete openings to start business.” (Kloosterman e Rath, 2003: 9).

Assim, de forma unidirecional, os autores acabam por se centrar nos impactos dos contextos económicos, políticos e institucionais no empreendedorismo imigrante, não contemplando, em contrapartida, as influencias que os empresários imigrantes podem ter no desenvolvimento do contexto urbano, discursos políticos ou mesmo na reforma dos contextos legais e burocráticos (Razin, 2006: 2573). Por outro lado, contrariando a leitura schumpeteriana das ações individuais dos empreendedores, Rath e Kloosterman omitiram claramente o impacto dos próprios indivíduos – enquanto agentes – no processo empresarial (Peters, 2002: 43-45). Ora, como se irá demonstrar adiante, os recursos pessoais têm também um papel explicativo determinante. Admitir a interferência de fatores individuais não apenas reforça a perspetiva de que as estratégias empresariais imigrantes podem ser semelhantes às estratégias de qualquer nativo, não devendo por isso ser distinguidas à partida apenas pelos indivíduos terem uma nacionalidade, etnia ou origem distinta; como também permite explicar a iniciativa empresarial de imigrantes de grupos com pouca propensão para a iniciativa empresarial (Oliveira, 2006). Finalmente, o modelo de encastramento misto tem sido também criticado por restringir a sua discussão a fatores macros, ou seja, sublinha essencialmente a

interferência das estruturas político-económicas globais e as redes sociais, tendo dada pouca atenção aos fatores explicativos micro que explicam em última instância o próprio comportamento empresarial, incluindo o processo de socialização e evolução empresarial (Tseng, 2004: 526-527).

4.3. Determinantes territoriais: a influência dos contextos locais nas estratégias