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MODERNIZAÇÃO E ACESSIBILIDADE

No documento Pesquisando acervos. (páginas 128-131)

Na Sala de Consulta a Manuscritos e Impressos (SCMI) do APEB os instrumentos de consulta estão, como os documentos históricos a que se reportam, em sua maioria, em suporte papel. Entretanto, visando a dinamização do acesso do usuário aos catálogos dos documentos custodiados pelos diversos setores, foram implementados o atendimento à distância15, através do qual o cidadão poderá solicitar

esclarecimentos primários e superficiais acerca da custódia ou não de determinados acervos; o SICRO (Sistema de Consulta e Registro do Acervo), plataforma intranet, podendo ser acessada apenas nas dependências do Arquivo; e o AtoM, acrônimo de Acess to Memory, sistema mais complexo que possibilita acesso online a descrições e digitalizações de documentos.

No SICRO são inseridas cotidianamente pelos profissionais da instituição informações de documentos das Seções de Arquivos Judiciários, Republicanos e Coloniais/Provinciais, como notações dos documentos (códigos utilizados pelos consulentes para citação/solicitação do acervo), tipologias, datas e nomenclaturas de pessoas físicas, jurídicas, locais, etc.

Em decorrência do volume documental custodiado e da sua relativa recente implantação, o sistema ainda representa uma pequena parcela da documentação, tornando os catálogos em papel ainda indispensáveis. São selecionados para inserção os dados dos acervos mais consultados não apenas pelo público acadêmico, mas sobretudo pelos cidadãos que procuram o arquivo para fins de comprovação de direitos. Na Seção de Arquivos Judiciários podem ser consultados registros de inventários, testamentos, escrituras, processos crime, processos cíveis, registros de óbitos e nascimentos entre os séculos XVIII e XX; da Seção de Arquivos Republicanos identificam-se processos de aposentadorias, registros fazendários (oriundos de órgãos como a Secretaria da Fazenda, Inspetoria das Rendas, Tesouro do Estado, etc.) e processos de terras dos séculos XIX e XX; da Seção Colonial/Provincial são encontrados dados de Registros Eclesiásticos de Terras de diversas freguesias da Bahia das décadas de 50 e 60 do Século XIX.

Na plataforma AtoM16 do Arquivo Público do Estado da Bahia, espaço online, pretende-se lançar

constantemente descrições e digitalizações de documentos de maneira gratuita e ilimitada. Até o momento foram inseridos os dados (textuais e imagéticos) de documentos da Revolta dos Búzios17 (1789-

1800), 1787 páginas; da Coleção Independência do Brasil na Bahia (1737-1841), 3781 itens; e da Companhia Empório Industrial do Norte18 (1891-1973), acervo plural que contempla 11,14 metros

15 Via e-mail: [email protected]

16 Acesso: http://www.icaatom.apeb.fpc.ba.gov.br/index.php/arquivo-publico-do-estado-da-bahia.

17 Foi adotada pelo APEB a nomenclatura Revolta dos Búzios para o movimento de 1798. Sinônimos: Conjuração Baiana;

Revolta dos Alfaiates; Sedição Intentada na Bahia.

128 lineares de documentos textuais (manuscritos, datilografados e impressos), 29 documentos iconográficos, 09 documentos cartográficos e 05 telas a óleo que retratam os fundadores da Companhia.

Os acervos selecionados para receberem prioridade de inserção no sistema são reflexos das demandas que o órgão tem recebido para o desenvolvimento de pesquisas nestas temáticas e, consequentemente, também se constituem em decisões políticas onde o destaque a dados episódios da memória histórica da Bahia acaba por ser ofertado em detrimento de outros. O reconhecimento da representatividade destes documentos, não apenas para a Bahia ou o Brasil, são evidenciados com as duas nominações como patrimônio da Memória do Mundo da UNESCO19 conquistados pelos conjuntos

documentais do Tribunal da Relação da Bahia, onde o acervo Revolta dos Búzios encontra-se inserido, e o Acervo da Companhia Empório Industrial do Norte, último grupo de documentos a receber esta titulação em 2016.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Cabe salientar que o Arquivo Público, apesar de passar a se constituir enquanto espaço de acesso facilitado no âmbito normativo, persiste enquanto espaço privilegiado sendo acessado por um público majoritariamente acadêmico. As memórias e histórias formuladas a partir do que está presente nos quase dez quilômetros em metros lineares de documentos em suporte papel20 continuam a ser escritas por

representantes de grupos de destaque a níveis seculares, em sua maioria. Felizmente, o surgimento de novas perspectivas de análises e estudos destes registros têm possibilitado, ainda que de maneira tímida, o questionamento e a desmitificação das “verdades” endossadas pelo que se classifica como história oficial, presente nos livros didáticos e no imaginário de nossa sociedade que, como já discutimos neste texto, nada possuem de exatas ou certas. São apenas perspectivas com objetivos traçados.

Cabe a nós, munidos de outras ferramentas complementares – metodológicas e relacionadas a tecnologias – não existentes no início do século XX, por exemplo, questionar e transformar estas perspectivas. Permitir que “falem”, através das nossas vozes hoje, os que foram silenciados nas muitas etapas de construção do conhecimento ou que falem algo diferente os que puderam “falar” no passado, mas tiveram as suas “falas” moldadas aos interesses dos contextos daqueles que lhes emprestaram a voz. Compreendemos que este processo não se restringe às fontes escritas, mas que se faz necessário reinterpretá-las. De modo a contribuir para a aceleração deste processo de reconstrução destas narrativas, compõe um dos objetivos da instituição no século XXI romper com este privilégio – pelo menos no que diz respeito ao acesso – através da ampliação do público-alvo do Arquivo de maneira que a sociedade de modo geral o compreenda enquanto espaço, de fato, público, podendo os seus acervos serem por todos acessados e reinterpretados.

As tentativas de apagamento de memória persistem hoje com vestes mais discretas como a ausência de estímulos ao funcionamento dos arquivos, e a escassez de investimentos para restauração de documentos, disseminação de seus conteúdos, e manutenção de importantes espaços de memória. É necessário de fato a existência de uma percepção, na sociedade, do Arquivo enquanto um lugar que lhes pertence de modo a permitir a aplicação prática do instituído no campo teórico: o arquivo enquanto espaço cultural, de base para (re)formulações de memórias e, sobretudo, finalmente, público, de fato.

19 O APEB possui ao todo 04 (quatro) acervos agraciados com esta titulação, a saber: Tribunal da Relação do Estado do Brasil

e da Bahia (1652-1822); Registros de Entrada de Passageiros no Porto de Salvador (1855-1964); Cartas Régias (1648-1821) e Companhia Empório Industrial do Norte (1891-1973), respectivamente em 2008, 2010, 2013 e 2016.

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REFERÊNCIAS

ARQUIVO NACIONAL (Brasil). Conselho Nacional de Arquivos. Classificação, temporalidade e

destinação de documentos de arquivo; relativos às atividades-meio da administração pública / Arquivo

Nacional. Rio de Janeiro: Arquivo Nacional, 2001.

LE GOFF, Jacques. História e Memória. Campinas, SP: Editora da UNICAMP, 1990.

MATOS, Maria Teresa Navarro de Britto; ROSADO, Rita de Cássia Santana de Carvalho. A institucionalização do Arquivo Público do Estado da Bahia: 1890-1990. Arq. & Adm., Rio de Janeiro, v. 12, n. 1, jan./jun. 2012. NORA, Pierre. Entre memória e história: A problemática dos lugares. Projeto História - Revista do Programa de Estudos Pós-Graduandos em História do Departamento de História da PUC/SP. 1981/1993, n. 10.

POLLAK, Michael. Memória, esquecimento, silêncio. Revista Estudos Históricos, Rio de Janeiro: Ed. Vértice, n. 3, 1989, p. 3-15.

RICOUER, Paul. Memory, history, oblivion. Discurso proferido na Conferência Internacional Haunting memories? History in Europe after Authoritarianism, Budapeste, Hungria, 2003. Disponível em:

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ESTUDOS E PESQUISAS EM ACERVOS DOCUMENTAIS:

QUANDO O ACERVO NÃO ESTÁ INSTITUÍDO E QUANDO

NÃO ESTÁ INVENTARIADO – DIFICULDADES E

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