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4.1 A ÁREA DE ESTUDO

4.1.3 Modo de Produção na Comunidade

4.1.3.1 Aspectos Gerais do Cultivo de Ostras

As ostras são moluscos bivalves e pertencem à família Ostreidae (RIOS, 1994). As espécies de ostras habitam regiões costeiras rasas, com ocorrência desde a faixa latitudinal de 64°N a 44°S. O gênero Crassostrea reúne as ostras de maior interesse econômico em função do valor alimentício da “carne” e do uso da concha como matéria prima na fabricação de diversos produtos (COSTA, 1985).

A ostra do mangue é um nome popular dado a duas espécies nativas de ostras do gênero Crassostrea que ocorrem nas regiões estuarinas do Brasil, a Crassostrea rhizophorae (Guilding,1828)9 e a Crassostrea brasiliana (Lamark,1819)10, estas são encontradas em regiões estuarinas de baixa e média salinidade. A Crassostrea rhizophorae, nativa de Santa Catarina, porém sem âmbito de comercialização, é uma espécie hermafrodita protândrica, de tamanho médio, que alcança tamanho de 100 milímetros, concha grossa e de forma variável, geralmente larga e de tonalidade clara a escura. A valva superior é plana e menor que a inferior, distribui-se do Caribe ao Atlântico sul-americano até o Brasil (VILLARROEL; BUITRAGO; LODEIROS, 2004), é típica de zonas tropicais e ocorre principalmente fixada às raízes aéreas do mangue vermelho (Rhizophora mangle), ou sobre zonas intertidais e costões rochosos (NASCIMENTO, 1983).

Já a espécie Crassostrea gigas é a mais cultivada e comercializada no Brasil, também conhecida como ostra do pacífico ou

9 Referência a classificação da Crassostrea rhizophorae, em 1828.

ostra japonesa. É uma espécie nativa do sudeste asiático, e foi introduzida em vários países como Estados Unidos, Canadá, Inglaterra, Escócia, França e Espanha (ARAÚJO, 2001).

Esses moluscos são animais bivalves sésseis que se agrupam entre eles ou se fixam em superfícies submersas e estão adaptados a permanecer por algum período fora da água. Nas fases primárias (baby), chegam a medir de 5 até 7 centímetros, e nas fases terminais (master) de 8 a 10 centímetros. As maiores chegam a pesar 120 gramas (VINATEA C. E., 2002).

4.1.3.2 Cotidiano da Produção

Durante as visitas realizadas as áreas de cultivo foi possível observar a maneira com a qual os maricultores procedem no seu cotidiano e como acontece o manejo durante todas as etapas de cultivo. Algumas informações também foram embasadas no artigo cultivo de ostras do pacífico.11

Os sistemas de cultivos mais utilizados pelos maricultores entrevistados, e do Ribeirão da Ilha em geral, são long-lines. Esses sistemas são suspensos e adaptados conforme a correnteza, profundidade, ventos e ondas. As estruturas usadas para a contenção das ostras em cultivo são chamadas lanternas; que são armações arredondadas envoltas por telas. Essas lanternas variam de tamanho conforme a fase de produção: sementes; juvenis e terminação.

Conforme observado em conversa com técnicos, esses sistemas de cultivo devem manter uma distância aproximada de 50 cm do fundo do mar.

As estruturas flutuantes permitem a ancoragem das canoas próximo dos long-lines. O material usado para manter seguros e firmes os long-lines são geralmente madeiras reforçadas e materiais mais resistentes a deterioração. São montados no mar conforme a incidência da luz solar sobre o nylon das lanternas. A profundidade mínima recomendada para a instalação correta dos long-lines precisa ser maior que 3 metros, na maré mais baixa do ano.

Os long-lines são constituídos essencialmente de um cabo, com extremidades, fundeado e mantido suspenso na água por boias. O espaçamento entre uma linha e outra é dada conforme as condições do

local (ondas, vento, incidência de luz solar) e também conforme o tamanho das embarcações que irão operar nas fazendas de cultivo. As estruturas que dão apoio as lanternas são amarradas a linha principal com intervalos de 0,80 cm até 1 m. As lanternas suportam cerca de 3500 dúzias de sementes para 100 lanternas, em cordas de 100 m.

Quanto às técnicas de manejo empregadas, foi possível notar que essas são desenvolvidas e aperfeiçoadas à medida que os produtores têm acesso as informações, e as dificuldades que tem que ser vencidas no dia a dia. Como exemplo tem-se o tipo de embarcação que foi desenvolvida para facilitar a aproximação até a área de cultivo.

Foi possível constatar com os maricultores que existem fases no manejo do cultivo, que exigem cuidados específicos. Na primeira etapa ocorre o manejo das sementes, que são disponibilizadas pelo laboratório da UFSC pelo preço de 10 reais o milheiro12, (sendo que os produtores estimam em média, uma perda de cerca de 50% até a fase de comercialização), e são acondicionadas em estruturas com malhas finas, de orifícios com diâmetros inferiores a 1 mm. As ostras são mantidas ali até que obtenham um tamanho entre 7 a 10 mm. Segundo os produtores, as sementes de 1 mm ficam 15 dias nos baldes de malhas finas. Elas são lavadas uma vez por semana na água doce. Depois disso, são transferidas para lanternas com malhas finas, onde as sementes já têm de 4 até 5 mm (cerca de 30 dias no cultivo); também são lavadas com água doce uma vez por semana para eliminar larvas, caramujos e siris.

Pode-se observar que na segunda fase, conhecida como juvenil, as ostras apresentam até 4 centímetros, e têm de 50 a 60 dias. Nessa fase os maricultores usam peneiras, para então ser feita a separação dos lotes. Depois de passarem pela triagem, as ostras são acomodadas em lanternas, aproximadamente de 200 até 250 ostras por andar. O manejo usado também é a lavagem das lanternas e a limpeza das ostras com água doce.

Na terceira e última fase, chamada definitiva ou de terminação, é a última fase antes da venda. A malha mais usada na lanterna nessa fase é de aproximadamente 8 mm entre nós. As ostras chegam nessa fase quando atingem o tamanho comercial. As lanternas ficam com 40 a 50 ostras por andar. Observa-se que, em todas as fases acontece a triagem em peneiras, a limpeza e a lavação das lanternas e das ostras com água doce.

4.1.3.3 O Ribeirão da Ilha como Área de Cultivo

O cultivo da ostra japonesa, Crassostrea gigas, desenvolveu-se muito bem na região costeira do estado de Santa Catarina, principalmente com fatores determinantes tão positivos quanto os encontrados na região do Ribeirão da Ilha.

No decorrer da pesquisa foram observados alguns fatores considerados limitantes no cultivo de moluscos; alguns desses inclusos no questionário da dimensão ambiental.

Existem vários fatores ambientais relevantes para o cultivo de ostras ter dado resultados positivos na comunidade do Ribeirão. Alguns deles são as correntes marinhas e os ventos predominantes na região. Em certas épocas do ano, a intensidade desses elementos pode ser tão forte a ponto de destruir as estruturas de cultivo. A região em questão é considerada mais protegida desses agentes físicos.

Outro ponto importante é a renovação das águas. De maneira geral deve haver um equilíbrio na renovação das águas, sendo que a circulação não deve ser muito frequente nem ser pouca.

A temperatura das águas de cultivo aparece como ponto fundamental para uma produção de sucesso, uma vez que influencia diretamente no metabolismo desses organismos. A Crassostrea gigas é uma espécie de clima temperado, portanto tem seu melhor desenvolvimento em ambientes semelhantes aos de origem. Nas águas de Santa Catarina, e consequentemente do Ribeirão, a temperatura ideal ocorre no inverno, beirando 15ºC. No verão as temperaturas das águas não devem atingir números muito altos, pois a ostra interrompe o seu crescimento. Existem registros de altas mortalidades de ostras no estado, provocadas por altas temperaturas no verão. Indica-se que as temperaturas das águas devem ficar em torno de 15ºC não passando dos 27ºC.

Assim como a ocorrência de organismos parasitas e competidores também afeta o ritmo da produção, a produtividade primária nas águas de cultivo é ponto fundamental para uma produção de excelência. A produtividade primária nas águas de cultivo do Ribeirão é considerada ótima, na opinião de técnicos e especialistas. A produção mínima nas áreas de cultivo deve ficar em torno de 4 mg de clorofila por p/m³, para uma produção diária mínima desejada. Os maricultores entrevistados relataram que os técnicos não fazem testes periódicos para medir esse índice nas áreas de cultivo.

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