O município de Iranduba localizado a 22 km de Manaus no Amazonas encontra-se num momento de progresso com a construção da ponte rio negro que torna o município parte da re- gião metropolitana de Manaus. Com o progresso veio a necessidade da busca por trabalhos que possam conscientizar a população do cuidado que a mesma tem que ter com o ambiente em que vivem. A Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável – SEMADS, através da Coordenação de Educação Ambiental procura ferramentas para intensificar ações voltadas para a temática ambiental para que a mesma se torne presente na vida dos moradores deste município.
As políticas públicas têm o propósito de instituir normas de convívio social para assun- tos emergentes ou emergenciais numa coletividade. Buscam estabelecer os direitos e deveres, do público e do privado e delimitar os papéis sociais dos indivíduos e instituições. Uma lei e sua regulamentação via decreto fixam normas, regras, conceitos, princípios e diretrizes para a cole- tividade. Estas políticas públicas podem ser autoritárias ou democráticas. Isto é, podem emanar do poder burocrático vigente com o fim de instituir regras de convívio social, visando à manu- tenção velada dos grupos políticos dominantes do poder, se autoritárias (PEDRINNI, 2004).
A origem de uma política pública está relacionada a uma demanda internacional, nacio- nal, estadual e municipal. No caso de uma demanda internacional um bom exemplo é o legado da Conferência de Estocolmo-1972 e sua influência para institucionalização do tema meio am- biente no Estado brasileiro com a criação da Secretária Especial do Meio Ambiente (SEMA) em 1973. Desta forma, a política pública pode surgir de demandas diversas, entretanto, sua finalidade principal deve ser o atendimento de questões que afetam a sociedade (SORRENTI- NO, 2004).
Ao se pensar em política pública faz-se necessária à compreensão do termo público e sua dimensão. O termo público, associado à política, não é uma referência exclusiva ao Estado, como muitos pensam, mas sim à coisa pública, ou seja, de todos, sob a defesa de uma mesma lei e o apoio de uma comunidade de interesses. Portanto, embora as políticas públicas sejam reguladas e frequentemente providas pelo Estado, elas também englobam preferências, esco- lhas e decisões privadas podendo e devendo ser controladas pelos cidadãos. A política pública expressa, assim, a conversão de decisões privadas em decisões e ações públicas, que afetam a todos. Uma política pública, necessariamente deve possuir três bases claras e interdependentes: (1) arcabouço legal; (2) base filosófica; e (3) instrumentos (SOTERO, 2008).
A Educação Ambiental tem se mostrada como um dos caminhos a seguir para superar estes desafios e pode ser definida como um processo permanente no qual os indivíduos e as comunidades adquirem consciência do seu meio e aprendem os conhecimentos, os valores, as competências, a experiência e também a determinação que os capacitará para atuar, individual ou coletivamente, na resolução dos problemas ambientais presentes e futuros (NOVA, 1994).
A trajetória da Educação Ambiental no Brasil passou muitos percalços para sua implan- tação e desenvolvimento no ensino formal, não-formal e informal. Ela foi citada pela primeira vez na Constituição Brasileira em 1988, através do inciso IV do artigo 225, do capítulo IV referente ao meio ambiente. Assim concluíram que ela foi tratada apenas no capítulo de Meio Ambiente, dissociada de sua dimensão pedagógica, o que poderia induzia a uma percepção res- trita excluindo uma visão holística da Educação Ambiental (PEDRINI, 2002).
O artigo 225 da Constituição Federal, ao estabelecer o “meio ambiente ecologicamente equilibrado” como direito dos brasileiros, “bem de uso comum e essencial à sadia qualidade de vida”, também, atribui ao “Poder Público e à coletividade o dever de e preservá-lo para as presentes e futuras gerações”. A partir do conceito de sustentabilidade onde Carlowitz afirma que, a natureza deve ser obrigatoriamente utilizada com base nas suas características naturais para o bem esta da população, manejada e conservada com cuidado e com a responsabilidade de deixar um bom legado para as futuras gerações, pode-se entender “gestão ambiental” como ad- ministração dos recursos ambientais com o objetivo de conservá-los e garantir que as gerações futuras encontrem um ambiente compatível com as suas necessidades (FLORIANO, 2007).
A gestão ambiental pública é a ação do Poder Público, conduzida segundo uma política pública ambiental. É o conjunto de objetivos, diretrizes e instrumentos de ações que o Poder Público dispõe para produzir efeitos desejáveis sobre o meio ambiente. Os instrumentos de po- líticas públicas ambientais podem ser explícitos, onde são criados com o objetivo de alcançar efeitos ambientais benéficos específicos, ou implícitos, onde alcançam efeitos pela via indireta, pois não foram criados para isso (TRIGO, 2012).
Quando se fala em instrumentos de política pública ambiental, geralmente se quer in- dicar aquele instrumento que visa diretamente às questões ambientais, ou seja, os instrumen- tos explícitos, que podem ser classificados em três grandes grupos: comando e controle onde encontraremos padrões, licenciamentos ambientais e estudo de impacto ambiental; econômico onde encontramos tributações e incentivos fiscais para reduzir emissões e conservar recursos; e outros onde encontramos o apoio ao desenvolvimento científico e tecnológico, e Educação Ambiental (TRIGO, 2012).
Neste sentido, trata-se da defesa e da preservação pelo Poder Público e pela coletividade, de um bem público (o meio ambiente ecologicamente equilibrado), cujo modo de apropriação dos seus elementos constituintes, pela sociedade, pode alterar as suas propriedades e provocar
danos ou, ainda, produzir riscos que ameacem a sua integridade. A mesma coletividade que deve ter assegurado o seu direito de viver num ambiente que lhe proporcione uma sadia quali- dade de vida, também precisa utilizar os recursos ambientais para satisfazer suas necessidades. Na vida prática, o processo de apropriação e uso dos recursos ambientais não acontece de forma tranquila. Há interesses em jogo e conflitos (potenciais e explícitos) entre os atores sociais, que atuam de alguma forma sobre os meios físico-natural e construído, visando ao seu controle ou à sua defesa (QUINTAS, 2002).
O município de Iranduba é banhado pelos dois rios que formam o encontro das águas, Rio Negro e Rio Solimões. Segundo o IBGE, o município possui uma população com 44.503 habitantes. Dentro da região metropolitana de Manaus, é o município mais desmatado do esta- do em proporções. Além da preocupação em conservar o que ainda resta, há a necessidade de transmitir a população, a importância da educação ambiental para que assim possa haver uma mudança na vida dessas pessoas e no ambiente em que elas vivem. Por esse motivo, prefeitura de Iranduba criou em 1997 a Secretaria Municipal de Turismo e Meio Ambiente, tendo como Secretario Cleison D’Oliveira. Somente em 2009, através da lei nº 151 de 16 de julho de 2009, na gestão do então Secretario José Oster, a secretaria de Meio Ambiente foi desmembrada da secretaria municipal de Turismo, passando a ser Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável. Atualmente a secretaria possui um quadro com 13 funcionários, sendo 09 funcionários efetivos, 03 funcionários contratados e o atual secretario Raimundo Is- rael de Araújo.
Desde sua fundação, a SEMADS possui atribuições relativas à gestão da política am- biental e inicialmente teve com o turismo no município. Sempre focou principalmente no licen- ciamento ambiental onde é expedido certidões de viabilidade ambientais como conformidade e quando ocorrem crimes ambientais as pessoas físicas e jurídicas são apenas notificadas e assim assinam termos de compromissos juntamente com a secretaria para que não ocorram novamen- te tais crimes. Sempre ocorreram palestras, divulgações de trabalhos de órgãos ambientais esta- duais, mas nunca a secretaria de meio ambiente foi ativa e destacada no município de Iranduba como deveria ser. O meio ambiente e os cuidados que deveríamos ter não era visto como uma prioridade.
Antes da criação da coordenação de Educação Ambiental não havia um grande foco na busca pela conscientização da comunidade com atividades que busquem a melhor qualidade no ambiente inserido. Na gestão da Secretaria Enilda Lins, o professor Roberto Mano foi o responsável pela elaboração de projetos mais nada especificamente para a educação ambiental. A SEMADS sempre executou projetos voltados para essa temática somente na semana do meio ambiente e em 2006 ocorreu no município o evento “show das águas” onde a secretaria fez parceria com a empresa rede amazônica, responsável pelo projeto.
Prefeito Xinaik Medeiros, ocorreram mudanças positivas para a secretaria de meio ambiente. Neste mesmo ano foi criada a coordenação de Educação Ambiental e ocorreu a contratação de novos funcionários qualificados com o intuito de fortalecer a temática, em parceria com a secretaria municipal de educação, dentro das escolas, e na comunidade irandubense como um todo. A educação Ambiental é um processo continuo e a criação da coordenação visou propor- cionar melhorias voltadas para o meio ambiente através de elaboração e execução de projetos socioambientais constantemente para assim podermos tornar a educação ambiental presente na vida dos moradores desse município buscando não só atingir um público alvo, mas sim todos os públicos possíveis, desde crianças até idosos. Por este motivo, o seguinte trabalho tem como intuito transmitir o funcionamento da política pública no município de Iranduba e como são executados projetos voltados para a Educação Ambiental através de um estudo de caso para que possa ser utilizado em outros trabalhos voltados também para Iranduba.
O estudo de caso foi realizado na Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvol- vimento Sustentável que está localizada na Avenida Auton Furtado, bairro Cidade Nova, no município de Iranduba, estado do Amazonas. Inicialmente foi solicitada à Secretaria Municipal de Meio Ambiente a autorização para o estudo de caso analisado e apresentação de todo mate- rial disposto referente a projetos realizados até o ano de 2013 e inicio de 2014. A metodologia utilizada neste trabalho foi o estudo de caso composto por análise documental e informações pessoais dos responsáveis dos setores, visando apontar melhorias da política ambiental voltada para o município de Iranduba. Este estudo analisou a carência e lacunas de projetos que come- çaram a ter prioridade a partir da criação da coordenação de educação ambiental na Secretaria de Meio Ambiente- SEMADS no ano de 2013. Foi realizado um levantamento de dados por meio de análise documental de relatórios técnicos, ofícios, memorandos, protocolos de de- núncias e processos de certidão de viabilidade ambiental. Levantamento de dados referentes a projetos voltados para questões ambientais já realizados no município de Iranduba até a insti- tuição da coordenação de educação ambiental. Identificação de causas relacionadas à carência da política ambiental e projetos executados pela coordenação de educação ambiental a partir da sua criação em 2013. Após esta análise foram identificadas as fraquezas da política ambiental do município de Iranduba e proposto melhorias como a criação de novos projetos voltados para a comunidade urbana e rural do município de Iranduba.
A realidade de Iranduba sobre questões ambientais é preocupante. O município possui uma população na sua maioria ribeirinha mais com a expansão urbana, consequência da cons- trução da ponte Rio Negro em 2011, houve um aumento bastante significativo de moradores urbanos. Juntamente com esses novos moradores, veio os impactos ambientais como o mau gerenciamento de resíduos sólidos, o descarte incorreto do lixo, o desmatamento acelerado e consequentemente desaparecimento de espécies de animais e plantas. A população parece não se preocupar com problemas que podem acarretar em doenças, pragas, e assim a má qualidade de vida.
Diariamente, o município recolhe 40 toneladas de resíduos. Esses resíduos são coleta- dos pela Secretaria de Infraestrutura que também é responsável pela limpeza pública enquanto que a Secretaria de Meio Ambiente é responsável pela fiscalização da coleta e gerenciamento desses resíduos. O município apresenta um lixão a céu aberto localizado na Estrada do Janauari, onde trabalham 10 catadores não cooperativados. O Iranduba apresenta um plano municipal de Resíduos Sólidos através da lei nº 265/13. Segundo o PLANSAM (Planos de Saneamento Básico do Estado do Amazonas), o município tem até agosto de 2014 para implantar um aterro sanitário que será construído próximo ao lixão. Até o momento, não houve contratação de uma empresa responsável para construir este aterro o que tornará a Prefeitura de Iranduba inadim- plente. Todo material recolhido por esses catadores tem como destino final empresas especiali- zadas no município de Manaus.
O crescimento desordenado está trazendo consigo todos aqueles problemas que pode- mos encontrar na capital. Lixos jogados nas ruas, pessoas jogando esses resíduos sem a preo- cupação de achar uma lixeira, o surgimento de lixeiras viciadas, escolas que não se preocupam com a importância da educação ambiental. Os docentes não conseguem administrar atividades ambientais com seus alunos justamente por se tratar de um tema transversal, o que deveria ser ao contrario já que a educação ambiental pode ser tratada em toda e qualquer atividade, pois é a educação que temos que ter com o ambiente em que vivemos.
Com a criação da lei referente ao plano diretor do município de Iranduba, observa-se já uma preocupação com políticas voltadas para o meio ambiente. Desta forma, o capítulo III deste plano busca estratégias para que haja um respeito da população com o ambiente em que vivem. O plano diretor estabelece normas que visam coibir a ocupação humana de áreas de proteção ambiental, exceto quando for de forma sustentável por planos de manejo. Alem disso, há a necessidade de recuperar áreas degradadas urbanas e rurais com uma atenção especial a área de várzea do município e articular a integração das políticas socioambientais voltadas para comunidades irandubense.
No dia 11 de março de 2014, a Prefeitura Municipal de Iranduba juntamente com a SE- MADS, deu entrada na câmara municipal de vereadores, o projeto de lei nº201/2014 juntamente com a mensagem nº 022/2014 – GAB/PMI, que institui a lei da política de meio ambiente do município. A mesma já foi aprovada em 29 de Abril de 2014 pela Câmara de Vereadores do município, estando somente aguardando a 1ª Reunião do Conselho Municipal de Meio Am- biente. Este projeto de lei marca um grande avanço da secretaria municipal de meio ambiente para com população, pois somente após 17 anos o mesmo foi elaborado e agora aprovado pela câmara municipal, estando mais próximo de ser executado juntamente com a secretaria de Meio Ambiente.
O papel desenvolvido pelo Estado na elaboração, avaliação e execução de políticas públicas voltadas para o meio ambiente e desenvolvimento sustentável é essencial para que se
possa efetivar o desenvolvimento como processo pleno de realização da cidadania para que os sujeitos sociais possam usufruir desses resultados (ARAÚJO, 2010).
O primeiro projeto elaborado e executado pela coordenação de Educação Ambiental foi a I Gincana do dia do Estudante que foi realizado com o objetivo de comemorar esse dia de forma dinâmica, levando a importância do melhor gerenciamento dos resíduos sólidos dentro das escolas e também nas residências da comunidade. A principal preocupação com a meta de atingir alunos e escolas municipais é o fato de serem os futuros cidadãos de Iranduba. Com a internalização da educação ambiental nessa geração poderemos colher um futuro melhor para o município com a mudança de hábito e costumes que são hoje preocupantes para o ambiente inserido. Nesse mesmo período, a coordenação buscou interar-se da IV CNIJMA- Conferên- cia Nacional Infanto Juvenil pelo Meio Ambiente, para realizar no ano de 2013 a conferência municipal que constava ser opcional. Pela carência de recursos para a realização desse evento, o mesmo não pode ser realizado. Em seguida foi elaborada uma ação que seria executada no dia da Árvore, realizado na praça dos três poderes com o intuído de atingir toda a sociedade de Iranduba, o mesmo novamente não pode ser executado.
Para intensificar os resultados almejados pela secretaria, foram criados perfis em redes sociais para que pudesse ser feita a divulgação da Educação Ambiental informal, buscando transmitir informações sobre diversos pontos que envolvem o meio ambiente. Ocorreram as pa- lestras que a SEMADS sempre realizada na semana do meio ambiente nas escolas municipais. Com a melhor estruturação, as palestras puderam ser realizadas num numero maior de escolas. Houve a 1ª feira do Pirarucu de manejo realizado na praça dos três poderes, realizada em par- ceria com a comunidade Bebe Amaro.
Alem desses projetos, a coordenação sempre está à disposição da população para qual- quer busca pelo conhecimento ambiental tendo a disposição matérias com conteúdos enrique- cedores. Para a gincana do dia do Estudante foi elaborada uma cartilha com assuntos referentes ao gerenciamento de resíduos sólidos. Esta cartilha serviu como fonte de conhecimento para a gincana e agora se encontra em cada escola que participou do evento e também na secretaria para consulta pública. Em 2014, além de várias atividades, ocorreu a Semana do Meio Ambien- te -2014, onde a Secretaria buscou trabalhar com uma programação durante toda a semana para que assim pudesse ser atingido o maior numero de pessoas para que todos pudessem participar. O Envolvimento da comunidade é essencial no combate a danos ambientais, quanto mais conhecimentos sobre o meio em que vivem, mais domínio terá sobre as técnicas menos destrutivas para o meio ambiente (ARAÚJO, 2010).
Após essa aprovação será necessário uma reestruturação na secretaria onde serão cria- dos setores para uma melhor gestão ambiental. A coordenação busca realizar outros projetos que não poderam ser executados pela carência de recursos fundamentais para sua realização.
Além disso, a população não busca aproveitar oportunidades para enriquecer seu conhecimento com o seu meio ambiente. A temática ambiental ainda é um processo lento e para funcionar precisa se tornar um exercício continuo dentro da cidade e na zona rural.
Com a aprovação do código ambiental, a secretaria espera que seja intensificada de for- ma positiva, o controle, fiscalização e ações para que assim possamos mudar a realidade na qual o município se encontra, focando ainda mais suas ações na melhoria da gestão administrativa, na atenção a população, em projetos direcionados ao descarte de resíduos sólidos, já que este último, atualmente, é o principal problema ambiental do município. A SEMADS, através da coordenação de Educação Ambiental, pretende atingir todos os públicos do município de Iran- duba principalmente alunos da rede pública, para que assim todos juntos, possamos melhorar o ambiente no qual vivemos para gerações futuras.