3.5
N˜ao linearidade em mol´eculas orgˆanicas
Os compostos orgˆanicos s˜ao constitu´ıdos por ´atomos de carbonos, que pertencem a fam´ılia IV-A da tabela peri´odica e apresentam valˆencia quatro e podem formar quatro liga¸c˜oes qu´ımicas covalentes envolvendo os orbitais 2s e 2p. Estes orbitais quando combi- nados formam orbitais h´ıbridos, sendo sua hibridiza¸c˜ao mais comum a sp3. O ´atomo de
carbono pode fazer quatro liga¸c˜oes simples com outros ´atomos numa geometria tetraedro [29, 48, 50]. Ao se ligarem com outros elementos para formar uma mol´ecula surgem os orbitais σ e π, devido a superposi¸c˜ao dos orbitais s e p.
Os compostos que cont´em as liga¸c˜oes do tipo π s˜ao chamados de insaturadas e as liga¸c˜oes σ s˜ao chamados de saturados. A alterna¸c˜ao dessas liga¸c˜oes ao longo de uma ca- deira estrutural formam os sistemas conjugados. A n˜ao linearidade em mol´eculas orgˆanicas ´e devido `as conjuga¸c˜oes presentes nas estruturas.
Quando uma mol´ecula ´e submetida a campos de radia¸c˜oes ocorre `a transferˆencia de el´etrons ao longo do sistema conjugado. Em vista disso, ocorre a gera¸c˜ao de um momento de dipolo induzido respons´avel pelo deslocamento dos el´etrons ao longo do comprimento do sistema conjugado [1, 48, 50]. De acordo com a Fig. 3.10, em ambas as extremidades do sistema conjugado π h´a grupos doadores e aceitadores de el´etrons adequados que pode melhorar a distribui¸c˜ao eletrˆonica devido a deslocaliza¸c˜ao dos el´etrons.
Figura 3.10: Sistema de compostos conjugados.
Na Fig. 3.11, exibimos as poss´ıveis transi¸c˜oes entre os n´ıveis eletrˆonicos de energia, sendo resultados da absor¸c˜ao de radia¸c˜ao eletromagn´etica na regi˜ao do UV-Vis [54]. As liga¸c˜oes π s˜ao mais fraca em rela¸c˜ao as transi¸c˜oes σ devido `a sobreposi¸c˜ao de orbital p e as deslocaliza¸c˜oes dos el´etrons das densidades eletrˆonicas. Geralmente, as transi¸c˜oes mais prov´aveis em orgˆanicos acontecem da transi¸c˜ao entre os estados ligantes π e n˜ao ligantes π∗
3.5 N˜ao linearidade em mol´eculas orgˆanicas 39
Figura 3.11: Espectro de transi¸c˜oes eletrˆonicas para compostos orgˆanicos. As transi¸c˜oes poss´ıveis em mol´eculas orgˆanicas est˜ao destacada em vermelho.
Na tabela 3.3 mostramos as ordens das transi¸c˜oes exemplificamos algumas classes de compostos orgˆanicos.
Tabela 3.3: Transi¸c˜oes eletrˆonicas para algumas classes de mol´eculas orgˆanicas
Transi¸c˜oes eletrˆonicas Classes de compostos
n→ σ∗ Oxigˆenio, Nitrogˆenio, Enxofre, Halogˆenios
n→ π∗ Compostos Carbon´ılicos
π→ π∗ Alcenos, Alcinos, Iminas, Carbon´ılicos e azo compostos
σ→ π∗ Compostos Carbon´ılicos
Cap´ıtulo 4
Materiais estudados e t´ecnicas de
caracteriza¸c˜ao
Neste cap´ıtulo ser˜ao descritas as t´ecnicas de an´alise utilizadas com o objetivo de carac- terizar as mol´eculas orgˆanicas estudadas nesta disserta¸c˜ao. Para obtermos a informa¸c˜ao sobre a estrutura cristalina, utilizamos a t´ecnica de difra¸c˜ao de raio-X m´etodo do p´o. As propriedades ´opticas lineares foram investigadas atrav´es das medidas de absor¸c˜ao linear. Para as propriedades ´opticas n˜ao lineares foram realizadas medidas de luminescˆenca exci- tada por laser, para identificar e caracterizar o processo de gera¸c˜ao de segundo harmˆonico e o uso t´ecnica do p´o de Kurtz e Perry para comparar os sinais obtidos.
4.1
Aspectos gerais dos compostos hidrazˆonicos
Os compostos hidrazˆonicos estudados nesta disserta¸c˜ao foram sintetizados pelo grupo de qu´ımica da Universidade Federal de S˜ao Jo˜ao Del Rei que obtiveram trˆes compostos distintos derivados de hidrazonas DBAs, os quais s˜ao candidatos a apresentarem n˜ao line- aridade de 2a ordem. Na figura 4.1, est˜ao esquematizadas as estruturas moleculares desses
compostos conhecidos na base de Claisen-Schmidt, seus respectivos nomes cient´ıficos se- gundo a IUPAC (Uni˜ao Internacional de Qu´ımica Pura e Aplicada) s˜ao expressos abaixo:
4.1 Aspectos gerais dos compostos hidrazˆonicos 41 • MSV1:[C23H20N2] → 1-(1E-4E)-(1,5-difenilpenta)-1,4-dien-3-ilideno -2- fenilhidra- zina. • MSV2:[C21H15N5O6] → (Z)-1-(2-4-dinitrofenil)-2-((E)-3-(4-nitrofenil)-1-fenilalilideno) hidrazina. • MSV3:[C23H18N4O4] → (Z)-1-(2-4-dinitrofenil)-2-((2E-4E)-1,5-dinitrofenilpenta- 2,4-dien-1-ilideno) hidrazina. (a) MSV1 (b) MSV2 (c) MSV3
Figura 4.1: Representa¸c˜ao estrutural dos compostos hidrazˆonicos. (a) MSV1: Grupo hidrazˆonico ligado por trˆes fen´ois com duas liga¸c˜oes duplas e quatro simples ao longo da cadeira principal. (b) MSV2: Grupo hidrazˆonico ligado a trˆes fen´ois por uma liga¸c˜ao dupla e 3 liga¸c˜oes simples ao longo da cadeia, no fenol 1 h´a dois substituintes nas posi¸c˜oes para e meta, no fenol 3 um substituinte NO2 na
posi¸c˜ao para. (c) MSV3: Grupo hidrazˆonico ligado a trˆes fen´ois por duas liga¸c˜oes duplas e 4 simples ao longo da cadeia e um substituinte NO2 no fenol 1 nas posi¸c˜oes nas posi¸c˜oes para e meta.
4.1 Aspectos gerais dos compostos hidrazˆonicos 42
4.1.1
S´ıntese orgˆanica das mol´eculas de hidrazona
A sintetiza¸c˜ao das mol´eculas estudadas, foram realizadas pelo grupo de qu´ımica da Universidade de S˜ao Jo˜ao del Rei, atrav´es de rea¸c˜ao por condensa¸c˜ao, sendo derivados de DBA dibenzalacetona e chalcona.
Hidrazona MSV1
O composto hidrazˆonico MSV1 ´e classificado como derivado de DBA e a descri¸c˜ao sua forma¸c˜ao segue abaixo:
• Em um bal˜ao de fundo redondo de 50mL em banho de gelo adicionou-se 3mL de etanol, 0,79mL (3 mmol) de acetona e 0,894g (6 mmol) de benzalde´ıdo. Em um b´equer de 50mL dissolveu-se 0,12g (3 mmol) de NaOH em uma solu¸c˜ao de 5mL de ´agua e 2mL de etanol. Ap´os a completa dissolu¸c˜ao do NaOH na solu¸c˜ao esta foi transferida ao bal˜ao sob agita¸c˜ao. A rea¸c˜ao foi acompanhada por CCD. Ap´os o t´ermino da rea¸c˜ao ( 24 horas) adicionou-se gelo `a solu¸c˜ao. Filtrou-se ent˜ao o s´olido formado e lavou-se com ´agua gelada. O produto foi obtido como sendo um s´olido com rendimento de ”93%”.
Hidrazona MSV2 e MSV3
Os compostos hidrazˆonicos MSV2 e MSV3 s˜ao classificados como derivados de chal- conas e a descri¸c˜ao da forma¸c˜ao segue abaixo:
• Em um bal˜ao de fundo redondo de 100mL contendo uma solu¸c˜ao de 0,4g (10 mmol) de NaOH e 1,17mL de acetofenona (10 mmol) em 15mL de etanol e 5mL de ´agua sob banho de gelo adicionou-se 1,51g (10 mmol) de benzalde´ıdo sob agita¸c˜ao. A rea¸c˜ao foi acompanhada por CCD. Ap´os o t´ermino da rea¸c˜ao (1 hora) adicionou-se gelo `a solu¸c˜ao. Filtrou-se ent˜ao o s´olido formado e lavou-se com ´agua gelada. O produto foi obtido como sendo um s´olido com rendimento de ”91%”.
4.1 Aspectos gerais dos compostos hidrazˆonicos 43
4.1.2
Difra¸c˜ao de raio X
Os raios-X s˜ao ondas eletromagn´eticas em que os comprimentos de onda s˜ao da ordem angstroms e foram descobertos em 1895 por Roentgen na Universidade de Wurzbug na Alemanha. Grande parte dos estudos para realizar a determina¸c˜ao da estrutura cristalina de materiais s´olidos ´e realizada atrav´es da t´ecnica de difra¸c˜ao de raios-X, a qual permite obter as informa¸c˜oes detalhadas sobre rede cristalina dos materiais na forma de monocris- tal ou policristal. A utiliza¸c˜ao do raios-X em cristais ´e devido ao fato desta radia¸c˜ao ter comprimento de onda pr´oximo aos valores das distˆancias entre os planos cristalinos. O feixe de raio-X deve ser monocrom´atico e estar em fase de modo `a satisfazer as condi¸c˜oes de simetria dos materiais e tamb´em a lei de Bragg [56].
Segundo a literatura [3-6], os derivados de hidrazonas tendem a formar cristais n˜ao centrossim´etricos, por isso s˜ao visados para o estudo de ONL. Neste trabalho, as amos- tras estudadas foram caracterizadas pelo difratˆometro Brucker D8 Advance situado no laborat´orio do Departamento de f´ısica da UFS. ´E utilizado uma tens˜ao de 40KV, corrente el´etrica de 40mA e uma fonte de radia¸c˜ao de CuKα. Os padr˜oes de difra¸c˜ao foram obtidos no passo 0,02o e o ˆangulo 2θ variando de 5◦
- 85o, a dura¸c˜ao do experimento foi de 1h e
o porta amostra uma lˆamina lisa de vidro, cantos em 45◦
, arestas lapidadas, dimens˜oes 25,4 × 76,2 mm, com espessura de 2 mm.
4.1.3
M´etodo do p´o Debye - Scherrer
O m´etodo do p´o foi introduzido em 1916 por Debye e Scherrer, com o intuito de estudar as estruturas dos cristais [57]. Esse m´etodo ainda ´e o mais utilizado e fornece informa¸c˜oes estruturais, tais como, parˆametro de rede, determina¸c˜ao de fase, etc. sobre o material que est´a sendo investigado. Basicamente esse m´etodo envolve a difra¸c˜ao de um feixe de raios- X monocrom´atico por pequenos cristais. A vantagem deste m´etodo ´e pelo fato de n˜ao destruir e nem necessitar de um preparo especial do material em quest˜ao. Neste m´etodo, o cristal est´a na forma de um p´o, o qual ´e colocado no feixe de raios-X monocrom´atico. Cada part´ıcula ´e um pequeno cristal, orientado aleatoriamente em rela¸c˜ao ao feixe incidente. Por causalidade alguns cristais estar˜ao orientados de tal maneira que seus planos ir˜ao reemitir o feixe incidente na forma semelhante a uma reflex˜ao. Como resultado, teremos que, cada conjunto de planos tamb´em ser´a capaz de reemitir o feixe e, para que isso