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“Nada acontece na sua vida sem a sua participação”.

No documento Empreender Symon-hill eBook (páginas 123-128)

– Lair Ribeiro.

Para que este conceito fique claro, lembre-se de Francesco Schettino, capitão do navio turístico Costa Concordia, que naufragou junto à ilha italiana de Giglio, na noite do dia 13 de janeiro de 2012. Após uma manobra imprudente desconsiderando

as regras de navegação ele literalmente ―pulou fura do barco‖ deixando a tripulação e os passageiros para trás, e posteriormente, desacatou as ordens claras da Guarda Costeira para que voltasse à bordo. Acusado de ser o responsável pelas 30 vítimas do naufrágio, ele se diz ―vítima do sistema‖, alegando inocência por que não teve a intenção de afundar o navio. Durante o julgamento, a justiça italiana afirmou que ele ―não estava apto para controlar situações de crise e garantir a integridade das pessoas sob seu comando‖.

O paralelo que faço aqui é o seguinte: você na posição de futuro empreendedor, precisa entender que seu trabalho tem e sempre terá um impacto na sociedade. É claro que, se você quebrar após abrir uma empresa, este fato terá menos cobertura da mídia (se tiver) do que um navio que naufraga matando 30 pessoas. Muitos candidatos a empresários quebraram porque não eram capazes de conviver com a crise e gerenciar pessoas, ou porque não assumiram o comando da empresa e depois se queixam, de que foram vítimas do sistema, dos impostos. Sentem-se injustiçados quando o Juiz do Trabalho os condena a pagar indenizações aos funcionários, o que confirma que eles não são capazes de comandar uma empresa...

Entenda que se você quer empreender, terá que arcar com as responsabilidades que isso traz. E se der errado, a última coisa que você pode cogitar é arrumar desculpas e alegar ser vítima do sistema.

AUTO RESPONSABILIDADE

Assumir a responsabilidade pelos resultados obtidos sejam eles positivos ou negativos e agir prontamente para garantir o

resultado esperado.

As pessoas com esta atitude empreendedora: a) expressam fidelidade a si mesmas e em sua capacidade de superar desafios e tarefas difíceis; b) buscam autonomia em relação a normas pré- estabelecidas; c) possuem autoconfiança para manter-se em atividade constante e mantém seus pontos de vista diante de oposição ou resultados desanimadores.

Agora vamos esclarecer como esta competência se manifesta na prática. Como é mais fácil enxergar aquilo que está errado (do que perceber o procedimento correto), apresentarei a você exemplos do que não fazer. Assim, você aprenderá por observar o erro dos outros, ou seja, não precisará cometer os mesmos erros e, melhor ainda, aprenderá a identificar os sintomas da falta de responsabilidade pessoal, comportamento antônimo à auto responsabilidade.

Ele falava na primeira pessoa

Às vezes me pergunto por que certas pessoas se tornam ícones em seus seguimentos. Transformam-se em verdadeiros mitos por sua atuação. Pense por exemplo em Ayrton Senna da Silva, piloto de Fórmula 1, falecido em 1994. Senna se tornou um herói brasileiro, porque seu ápice ocorreu durante um tempo em que o povo brasileiro se via sem esperança, mergulhado em dificuldades financeiras e sem perspectiva. Quando se via um atleta que levava o nome de seu país para o primeiro lugar no pódio, é óbvio que isso mexia com a autoestima de muitos brasileiros que esperavam ver novamente um líder como Pelé. As pessoas sempre buscam alguém por quem torcer. O curioso é que Senna torcia por ele mesmo.

No Grande Prêmio de Mônaco, em 1984, Ayrton Senna ainda não era tão popular como quando faleceu dez anos depois. Naquele ano, ele partiu da 13ª posição e fez ultrapassagens fantásticas, até chegar ao primeiro colocado, um piloto francês chamado Alain Prost. Era só uma questão de tempo para que ele o deixasse para trás também. Mas, com as fortes chuvas, a corrida de 76 voltas foi encerrada na 31ª. Assim, Senna ficou com o segundo lugar. Após o fim da corrida, o repórter da Rede Globo de Televisão entrevistou Airton e perguntou sua opinião sobre a corrida. Ele disse:

- “Foi a primeira vez que usamos pneus iguais aos dos outros. Eu larguei mal, fiquei atrás de uma nuvem de fumaça o tempo todo e não consegui ver nada na minha frente. Foi uma

corrida difícil, mas Deus ajudou e os brasileiros fizeram bastante força!”

Ele poderia alegar que a chuva o atrapalhou. Que Prost era melhor e corria mais rápido. Que o pneu não era o certo. Que os engenheiros o perseguiam. Que ele tentou, mas não teve jeito. Mas, não foi o que ele fez. Ao invés de procurar desculpas, ele assumiu que não conseguiu. Ele falou da derrota na primeira pessoa. O ponto alto é que ele não perdeu a esperança de novas vitórias.

Outro estudo de caso no automobilismo: Áustria, 2002. Durante a última volta do GP, Rubens Barrichello, até então em primeiro lugar, deu passagem para seu ‗companheiro‘ de equipe, Michael Schumacher, que brigava pelo título mundial. Em entrevista à repórter global, Patrícia Poeta, Rubinho explica: - “Eu entrei na penúltima curva decidido a não deixar ele passar. Mas tinha um preferido lá dentro, não tinha jeito. Eles falaram que eu deveria repensar no meu contrato. Aquilo para mim foi uma ordem: Melhor você tirar o pé ou você vai acabar sendo mandando embora”.

O detalhe interessante para nós é a forma como ele se expressou. É como se ele não estivesse no controle, embora tivesse a vantagem na pista. Esta era a oportunidade de ele acabar com a fama de segundo colocado de uma vez por todas. Infelizmente, o desejo de permanecer no emprego o levou a abandonar a decisão de vencer deixando o Schumacher passar e conquistar mais uma vitória.

Comparando as duas situações você tem condições de entender qual dos dois atletas agia com uma postura auto responsável. Não se tratava apenas de ganhar a corrida e sim, de viver à altura do sonho. É uma questão de estilo de vida. Senna acreditava em sua capacidade de vencer mesmo diante da derrota como no caso do GP de 1984. Quando você se vê como o responsável pelos seus resultados, tanto na vitória como na derrota,

as portas se abrirão para você. No entanto, mesmo diante de portas abertas, quem terá que passar por elas é você.

Não peça permissão para fazer, faça.

Se você está decidido a empreender um estilo de vida próprio, terá que buscar mais autonomia diante das regras que lhe forem impostas. As grandes mudanças exigem a quebra de certos paradigmas limitantes. É preciso romper certas normas para crescer. Em 1819, um homem pôs em prática um plano para expulsar colonizadores espanhóis de Nova Granada (hoje Colômbia). Seu plano incluía a condução de mais de 2000 homens por uma planície inundada em meio a fortes chuvas, com o objetivo de passar pelas altitudes dos Andes até Bogotá, onde pegariam de surpresa os inimigos. Convencido de que seu exército conseguiria, este homem partiu com 1300 soldados de infantaria e oitocentos de cavalaria. A situação era tão difícil, que os soldados marchavam debaixo de uma chuva torrencial que, segundo historiadores, fazia com que ―suas roupas apodrecessem sobre seus corpos‖. A determinação deste homem é o que fez com que estes soldados desejassem segui-lo. Seu nome era Simón Bolívar, o Libertador da América do Sul. Talvez você esteja se perguntando: O que faz dele um exemplo para o empreendedor?

Naquele tempo, as ideias do Iluminismo europeu do século 18 produziram intelectuais em diversas colônias pelo mundo afora. Influenciado pelas ideias iluministas que afirmavam que a razão e a experiência eram mais importantes que o dogmatismo, Simón Bolívar então com 24 anos, chefiou o movimento pela independência. Partiu para Londres em 1810, em busca de apoio político e educação, onde conheceu Francisco de Miranda, líder venezuelano combatente na Revolução Francesa, que o persuadiu a lutar pela independência. Suas ideias foram sistematizadas enquanto estava foragido na América Central, onde escreveu o livro Carta da Jamaica. Quando voltou do exílio, iniciou uma campanha de 12 anos para libertar a América do Sul.

O exemplo de Bolívar nos serve aqui para ilustrar a busca pela autonomia que o empreendedor deve ter. Ele não pediu licença para ninguém para libertar seu país da mão dos espanhóis. Ele nem pediu autorização para defender os interesses de outros países que foram beneficiados por suas ações. Ele simplesmente agiu de acordo com seus princípios, seu estilo de empreender e sua maneira de ver a vida. Com isso, muitas pessoas se beneficiaram de sua atitude. Ninguém deu a ele uma autorização formal ou uma procuração para falar em nome dos moradores da Colômbia, do Equador ou do Peru. Ele foi lá e fez. Assumiu a responsabilidade e ajudou muita gente a ser livre.

“Você está quase terminando o maior empreendimento que

No documento Empreender Symon-hill eBook (páginas 123-128)