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B. Ensino secundário e superior

2 JUSTICIABILIDADE DIREITO À EDUCAÇÃO: ASPECTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS

2.1 EXIGIBILIDADE DOS DIREITOS ECONÓMICOS, SOCIAIS E CULTURAIS

2.1.2 Natureza dos Direitos Económicos, Sociais e Culturais

sociais:

“[…] Foi ativamente contestada nacional e internacionalmente no final do século XX. Muitas constituições europeias e da América Latina e do Europa do Leste após a queda dos regimes militares e da dissolução da União Soviética, concedendo aos direitos sociais status jurídico equivalente aos direitos de liberdade. Formas constitucionais sucessivas na América Latina - Brasil (1988), Colômbia (1991), Peru (1993), Argentina (1994), Venezuela (1999), Equador (2008), Bolívia (2009) - e na Europa Oriental reconhecem implicitamente os direitos sociais fundamentais. Por seu lado, a Declaração e Programa de Acçãode Viena (1993) exige uma interpretação dos direitos humanos de acordo com os princípios de universalidade, indivisibilidade e interdependência.”

(ARANGO, 2015, p. 1682)

2.1.2 Natureza dos Direitos Económicos, Sociais e Culturais

Desenhado o contexto histórico, é importante notar, assim como Victor Abramovich e Cristian Courtis, que o uso dos termos "económicos, sociais e culturais" (DESC) e "direitos sociais" pode ser interpretado como sinónimo, especialmente para os efeitos práticos deste capítulo.

Neste sentido, os professores Abramovich e Courtisdizem que:

“Os primeiros viriam do direito internacional dos direitos humanos, constituindo o nome que adotou a construção jurídica internacional, onde o devedor é o Estado. Os últimos, viriam sobre o direito constitucional e da matriz disciplinar do direito social, o qual os devedores também vêm são os indivíduos. (ABRAMOVICH Y COURTIS, 2002, p 25).

Reafirmando o postulado, o Professor Comparato em seu trabalho A Afirmação

Histórica dos Direitos Humanos, destaca a origem dos direitos sociais como direitos

humanos, determinando em sua concretude a mesma percepção do princípio da dignidade humana, quando ele diz que:

“com base no princípio da solidariedade, passaram a ser reconhecidos como direitos humanos os chamados direitos sociais, que se realizam pela execução de políticas públicas, destinadas a garantir amparo e proteção social aos mais fracos e mais pobres; ou seja, aqueles que não dispõem de recursos próprios para viver dignamente. Os direitos sociais englobam, de um lado, o direito ao trabalho e os diferentes direitos do trabalhador assalariado; de outro lado, o direito à seguridade social (saúde, previdência e

assistência social), o direito à educação; e de modo geral, como se diz no Pacto Internacional sobre Direitos Econômicos, Sociais e Culturais de 1966 (art. 11), “o direito de toda pessoa a um nível de vida adequado para si próprio e sua família, inclusive à alimentação, vestimenta e moradia adequadas, assim como a uma melhoria continua de suas condições de vida”. (COMPARATO, 2010, p. 65)

Nesta declaração, nós também podemos citar o Mestre da Universidade de Turim, Norberto Bobbio, quando diz que:

"A razão de ser dos direitos sociais, como a educação, o direito ao trabalho, o direito à saúde, é uma razão de igualdade. Todos os três tendem a fazer menos grande desigualdade entre os que têm e os que não têm, ou para colocar um maior número de indivíduos sempre condições menos desiguais sobre indivíduos mais sortudo por nascimento ou condição social.” (BOBBIO, 1962, p.353)

Neste sentido, a realização dos direitos sociais pode ser interpretado como uma garantia de sociedades mais justas e eqüitativas, dada a sua ordem axiológica se destina a minimizar a lacuna de desigualdade material.

Mesmo John Rawls, em sua Teoria da Justiça, sugere que:

“Como lidar com as desigualdades sociais com o objectivo de alcançar a igualdade material, é a aplicação da discriminação positiva, ou seja, que estabelece outras desigualdades que equilibram a vulnerabilidade dos sujeitos. Esta discriminação positiva teria como objetivo abordar os direitos sociais daqueles que não têm os meios econômicos para fazê-lo por conta própria” (RAWLS 1971, apud VALBUENA, 2006, p.8)

Nesta base, os direitos económicos, sociais e culturais não são mais postulados normativos e tornar-se normas que medem a justiça social. Para a melodia de Professor Luciano Oliveira e parafraseando o ex-presidente da Corte Interamericana de Direitos Humanos Antônio Augusto Cançado Trindade, em particular reforça de uma forma quase lírica, este aspecto:

De que vale o direito a vida sem o provimento de condições mínimas de uma existência digna? De que vale o direito a liberdade de locomoção sem o direito a moradia adequada? De que vale o direito a liberdade de expressão sem o acesso à instrução e educação básica? De que valem os direitos políticos sem o direito ao trabalho? De que vale o direito ao trabalho sem um salário justo, capaz de atender as necessidades humanas básicas?” (OLIVEIRA, 2002, p. 155)

O próprio Ronald Dworkin lembra, reforçando este novo paradigma:

“[…] a proposição que descreve uma lei é um argumento de princípio. Este é um parâmetro que exige aplicação devido a uma exigência de equidade, justiça ou qualquer outra dimensão da moral, independentemente de qualquer circunstância para favorecer ou prejudicar a realização de um objetivo coletivo de aspecto econômico, político ou social. (DWORKIN, 1977, p. 91)

Isso não significa que os direitos são absolutos no sentido de que, para ter sucesso, deve sempre enfrentar qualquer situação ou contexto. No entanto, é notável que quando são direitos por parte do Estado, o peso que tais prerrogativas assumem face a face com outros objectivos políticos é particularmente forte.

Dworkin só consegue propor três cenários em que um direito dessa natureza poderia sofrer uma limitação:

“[…] Quando for demonstrado que os valores protegidos pela lei não são realmente ameaçada; quando esse direito pode prejudicar o exercício de outros direitos de igual importância; ou, finalmente, quando a sua realização é capaz de gerar um custo elevado e totalmente excepcional para a comunidade” (DWORKIN, 1997, p. 200)

Isto é, quando os direitos humanos estão em jogo, a presunção é por causa de sua prevalência em considerações de outra ordem. Esta própria constatação equivale a um princípio sem o qual não se pode compreender a prática política de uma comunidade que decidiu incorporar seriamente o ideal dos direitos humanos.

2.1.3 A exigibilidade política dos Direitos Sociais, Económicos e