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Necessidades de financiamento do setor público

O superávit primário do setor público não financeiro totalizou R$106,6 bilhões de janeiro a outubro de 2007, representando 5,1% do PIB. A distribuição desse resultado por esferas do setor público evidencia aumentos nos superávits dos governos regionais e do Governo Central e redução no relativo às empresas estatais.

O desempenho do superávit do Governo Central refletiu o crescimento de 12,7% das receitas, em relação ao mesmo período de 2006, cuja participação no PIB passou de 23,3% para 24%, no período. A evolução das receitas, consistente com o dinamismo da atividade econômica, foi favorecida, ainda, pelos programas de parcelamento de débitos em atraso junto à Secretaria da Receita Federal, à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional e ao Instituto Nacional de Seguridade Social.

A receita bruta do Tesouro Nacional cresceu 12,8%, na mesma base de comparação, enquanto as demais receitas, evidenciando recuos nas arrecadações relativas à cota parte de compensações financeiras e a dividendos –

Tabela 3.5 – Necessidades de financiamento do setor público – Resultado primário – Janeiro-outubro

Segmento 2005 2006 2007

R$ % R$ % R$ %

bilhões PIB bilhões PIB bilhões PIB

Governo Central -59,8 -3,4 -57,2 -3,0 -63,7 -3,1 Governos regionais -20,8 -1,2 -19,2 -1,0 -28,6 -1,4 Empresas estatais -14,5 -0,8 -14,6 -0,8 -14,6 -0,7

essa última decorrente da redução no volume de recursos distribuídos pelas empresas financeiras federais, registraram elevação de 2,9%.

A arrecadação conjunta do Imposto de Renda – Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido cresceu 18% nos dez primeiros meses do ano, em relação ao período correspondente de 2006, impulsionada pela elevação no nível de atividade e pelo aumento nos processos de abertura de capital e ofertas de ações, resultando em crescimento no volume global de negócios realizados no mercado acionário. Esse último fator, em conjunto com a intensificação no controle de operações e atividades imobiliárias, contribuiu, ainda, para que a arrecadação do Imposto de Renda – Pessoa Física aumentasse 46,4%, no período.

As receitas associadas ao Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) cresceram 19% e 11,4%, respectivamente, beneficiadas pelo dinamismo dos setores metalurgia e fabricação de veículos. O desempenho da arrecadação do IPI esteve relacionado, adicionalmente, às elevações de 29,9% no valor em dólar das importações tributadas e de 11,5% na alíquota média do imposto.

As despesas do Tesouro, que cresceram 12,4% em relação aos dez primeiros meses de 2006, passaram a representar 9,81% do PIB. As despesas com pessoal e encargos sociais, refletindo o processo de reestruturações de carreiras específicas de servidores públicos civis e militares, cresceram 13,1% no período.

Os gastos associados a custeio e capital elevaram- se 15,3%, registrando-se aumentos de 21% nas despesas com o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e 16,9% com benefícios assistenciais (Lei Orgânica da Assistência Social – LOAS/Renda Mensal Vitalícia). A evolução dessas despesas refletiu tanto o crescimento do número de beneficiários quanto o reajuste do salário mínimo, que sensibiliza os valores dos benefícios pagos.

Os gastos com investimentos do governo federal, traduzindo o impacto das diretrizes adotadas para a retomada da capacidade de investimento do governo federal, aumentaram 27,5%, atingindo R$14,2 bilhões nos dez primeiros meses do ano. Desse total, R$3,2 bilhões encontram-se no âmbito do Projeto Piloto de Investimento (PPI), passível de ser deduzido do superávit primário, ante R$2 bilhões no mesmo período de 2006.

Tabela 3.6 – Despesas do Tesouro Nacional

Janeiro-outubro

Discriminação 2006 2007

R$ milhões % PIB R$ milhões % PIB

Total 179 754 10,20 204 146 10,72 Pessoal e encargos 83 208 4,72 93 107 4,89 Custeio e capital 96 035 5,45 110 713 5,81 FAT 12 466 0,71 15 084 0,79 Subs. e subv. 5 275 0,30 5 815 0,31 Loas/RMV 9 566 0,54 11 183 0,59 Outras 57 556 3,27 64 386 3,38 Transf. ao Bacen 511 0,03 326 0,02 Fonte: STN 3,2 2,0 0,0 0,5 1,0 1,5 2,0 2,5 3,0 3,5 Acum. 2007 Acum. 2006 R$ bilhões

Gráfico 3.26 – Despesas com o Projeto Piloto de Investimentos (PPI) 0 5 10 15 20 25

Impostos Contribuições Demais Total % do PIB

2006 2007

Gráfico 3.25 – Receita bruta do Tesouro Nacional

Janeiro-outubro 4,1 7,1 11,2 5,3 8,9 14,2 0 2 4 6 8 10 12 14 16

Despesas do exercício Restos a pagar de exercícios anteriores

Total R$ bilhões

2006 2007

Gráfico 3.27 – Governo federal: despesas pagas de investimentos até setembro

O déficit da Previdência Social, evidenciando crescimento mais acentuado das receitas relativamente às despesas, reduziu-se de 1,95% do PIB, nos primeiros dez meses de 2006, para 1,85% do PIB, em igual período de 2007. A elevação na arrecadação das contribuições, consistente com o aumento da formalização do mercado de trabalho, alcançou 13,7%, enquanto o crescimento das despesas com benefícios, resultante do reajuste do salário mínimo e do aumento na quantidade média de benefícios pagos, atingiu 10,8%.

As transferências constitucionais para estados e municípios aumentaram 14,1%, no ano, acompanhando o comportamento da arrecadação dos tributos partilhados com esses dois níveis de governo. Esse aumento correspondeu a 0,2 p.p. do PIB.

As receitas de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), favorecendo o crescimento do superávit dos governos regionais, cresceram 10,2% de janeiro a setembro de 2007, em relação ao período correspondente do ano anterior.

Os juros nominais apropriados totalizaram R$135,2 bilhões nos dez primeiros meses do ano, dos quais R$104,6 bilhões no âmbito do Governo Central e R$32,5 bilhões na esfera regional, enquanto as empresas estatais registraram receita líquida de juros de R$1,9 bilhão no período. A diminuição da taxa Selic, que passou de 12,8% no acumulado de janeiro a outubro de 2006 para 10% no mesmo período de 2007, contribuiu para que os juros apropriados apresentassem redução de 0,6% p.p. do PIB.

As necessidades de financiamento do setor público, que abrangem o resultado primário e os juros nominais apropriados, totalizaram R$28,7 bilhões nos dez primeiros meses de 2007, ante R$43,9 bilhões no mesmo período do ano anterior, representando, na ordem, 1,4% e 2,3% do PIB. O Governo Central e os governos regionais apresentaram reduções respectivas em suas necessidades de financiamento equivalentes a 0,8 p.p. e 0,2 p.p. do PIB, enquanto o superávit das empresas estatais recuou 0,1 p.p.

Com relação às fontes de financiamento do déficit nominal acumulado no ano, os recursos de origem interna expandiram-se em R$221,4 bilhões, resultado de elevações de R$238,7 bilhões na dívida mobiliária e de R$4,8 bilhões nas demais fontes de financiamento interno, que incluem a base monetária, e de retração de R$22 bilhões na dívida bancária. O financiamento externo líquido reduziu-se em

Tabela 3.7 – Resultado primário da Previdência Social R$ bilhões Discriminação 2006 2006 2007 Jan-out Jan-out Arrecadação bruta 133,7 104,2 120,5 Restituição/devolução -0,5 -0,4 -0,4 Transf. a terceiros -9,7 -8,1 -11,2 Arrecadação líquida 123,5 95,7 108,8 Benefícios previdenciários 165,6 132,8 147,3 Resultado Primário -42,1 -37,1 -38,4 Resultado Primário/PIB -1,81% -1,95% -1,85% 5,0 2,7 2,4 2,8 1 2 3 4 5 6 7

Auxílios Aposentadorias Pensões por morte

Benefícios totais do RGPS Percentual

Fonte: STN

Gráfico 3.28 – Crescimento da quantidade média de benefícios emitidos pela Previdência Social (Jan-out 2007/Jan-out 2006) (Jan-jul 2007/Jan-jul 2006) 57,4 2,1 1,8 12,8 65,3 3,4 1,8 14,1 0 10 20 30 40 50 60 70 Constitucionais LC 115/2002 Cide - Combustíveis Demais R$ bilhões 2006 2007

Gráfico 3.29 – Transferências para estados e municípios

Acumulado até outubro

Gráfico 3.30 – Arrecadação de ICMS

154,8 171,7 123,7 136,3 60 80 100 120 140 160 180 2005 2006 2007 R$ bilhões Ano Jan-set

R$192,7 bilhões, em função, principalmente, da elevação das reservas internacionais.