• Nenhum resultado encontrado

Nomeado a 6 de janeiro de 1915 e exonerado a 30 do mesmo mês e ano Veja-ser Zero [Raul Xavier],

DO FIM DA REGENERAÇÃO À QUEDA DA I REPÚBLICA

47 Nomeado a 6 de janeiro de 1915 e exonerado a 30 do mesmo mês e ano Veja-ser Zero [Raul Xavier],

“Sábado”, Correio da Horta, 1960, novembro 12 (8 498), pp.1-4.

48 J.R.M., “O Doutor António Emílio Severino de Avelar”, O Telégrafo, 1917, fevereiro 8 (6 838), p.1. Em

1896, a Câmara da Horta daria o seu nome a uma artéria da cidade, cf. Luís Arruda, Toponímia da freguesia

da Matriz, já cit., pp.23-24. Apêndice – Capítulo II, Gravura 2.

11 cetro, o manto real, etc.! – clamam os republicanos. - Os governantes, que não sabem governar, e que se vendem às nações estrangeiras! – bradam uns que se dizem independentes. - Os progressistas! Afirmam os regeneradores. - Os regeneradores! –

contestam os progressistas. ... São todos, digo eu”49.

Por isso, não se tinha dúvidas em considerar que entrar “num centro político [era o mesmo que entrar] para uma casa de batota, com meia dúzia de tostões na algibeira e a esperança de sair carregado de prata”, graças às maiores tropelias, aos maiores abusos, às maiores baixezas, à sombra de uma política nefasta, sob o patrocínio de “políticos corruptos e corruptores” que medrejavam livremente perante a desorientação pública e a

indiferença e demissão da gente culta e séria50.

Todavia, não é notória que as dissidências locais tivessem levado à formação de novos partidos ou a deserções de partido para partido. Talvez a maior dissidência que ocorreu na Horta entre 1880 e 1910, foi quando José Maria da Rosa, após 19 anos de destacado e entusiástico membro do Partido Progressista, bateu “com a porta”, vindo depois a ingressar no Partido Regenerador, em discordância com a “forma de fazer política” do então líder progressista Miguel da Silveira, como se pode ler numa carta que lhe endereçara, com data de 10 de março de 1897, e que de forma desafiadora divulgou na

imprensa, quer independente quer regeneradora51, ao referir que “julg[ava] ser o chefe do

Partido Progressista no distrito”.

Da leitura da dita carta, verificamos que José Maria da Rosa explicava que, com a sua saída, havia recuperado a sua intemerata liberdade política, ao entender que o triunfo do “seu credo [a sua dedicação à causa progressista] e o prestígio do seu nome” eram mais do que suficientes para declarar que não podia concordar com os atos despóticos levados a efeito pelo “ditador” da política progressista, Miguel da Silveira, devido ao seu comportamento ser nefasto tanto para o Partido pelo alheamento daqueles que sentiam a causa progressista como para vexar os faialenses. Parte daí para declinar a honra de continuar a ser “redator político” d’ O Atlântico, órgão progressista.

Todavia, esta decisão de Rosa não o levou a afastar-se da política ou abraçá-la como independente. Cerca de um mês depois, a 5 de outubro, passava a integrar a família regeneradora, quando numa assembleia geral do Partido Regenerador, seria apresentado aos seus novos correligionários. Depois de ingressar no Partido Regenerador, José Maria

49 Henrique Dias, “O Nosso mal”, O Faialense, 1902, janeiro 12 (115), p.1. 50 Cf. “A nossa atitude”, O Telégrafo, 1906, janeiro 25 (3 621), p.1. 51 “Prezadíssimo Colega”, O Globo, 1897, março 11, pp.1-2.

11 cetro, o manto real, etc.! – clamam os republicanos. - Os governantes, que não sabem governar, e que se vendem às nações estrangeiras! – bradam uns que se dizem independentes. - Os progressistas! Afirmam os regeneradores. - Os regeneradores! –

contestam os progressistas. ... São todos, digo eu”49.

Por isso, não se tinha dúvidas em considerar que entrar “num centro político [era o mesmo que entrar] para uma casa de batota, com meia dúzia de tostões na algibeira e a esperança de sair carregado de prata”, graças às maiores tropelias, aos maiores abusos, às maiores baixezas, à sombra de uma política nefasta, sob o patrocínio de “políticos corruptos e corruptores” que medrejavam livremente perante a desorientação pública e a

indiferença e demissão da gente culta e séria50.

Todavia, não é notória que as dissidências locais tivessem levado à formação de novos partidos ou a deserções de partido para partido. Talvez a maior dissidência que ocorreu na Horta entre 1880 e 1910, foi quando José Maria da Rosa, após 19 anos de destacado e entusiástico membro do Partido Progressista, bateu “com a porta”, vindo depois a ingressar no Partido Regenerador, em discordância com a “forma de fazer política” do então líder progressista Miguel da Silveira, como se pode ler numa carta que lhe endereçara, com data de 10 de março de 1897, e que de forma desafiadora divulgou na

imprensa, quer independente quer regeneradora51, ao referir que “julg[ava] ser o chefe do

Partido Progressista no distrito”.

Da leitura da dita carta, verificamos que José Maria da Rosa explicava que, com a sua saída, havia recuperado a sua intemerata liberdade política, ao entender que o triunfo do “seu credo [a sua dedicação à causa progressista] e o prestígio do seu nome” eram mais do que suficientes para declarar que não podia concordar com os atos despóticos levados a efeito pelo “ditador” da política progressista, Miguel da Silveira, devido ao seu comportamento ser nefasto tanto para o Partido pelo alheamento daqueles que sentiam a causa progressista como para vexar os faialenses. Parte daí para declinar a honra de continuar a ser “redator político” d’ O Atlântico, órgão progressista.

Todavia, esta decisão de Rosa não o levou a afastar-se da política ou abraçá-la como independente. Cerca de um mês depois, a 5 de outubro, passava a integrar a família regeneradora, quando numa assembleia geral do Partido Regenerador, seria apresentado aos seus novos correligionários. Depois de ingressar no Partido Regenerador, José Maria

49 Henrique Dias, “O Nosso mal”, O Faialense, 1902, janeiro 12 (115), p.1. 50 Cf. “A nossa atitude”, O Telégrafo, 1906, janeiro 25 (3 621), p.1. 51 “Prezadíssimo Colega”, O Globo, 1897, março 11, pp.1-2.

da Rosa viria a integrar o corpo redatorial, assumindo mesmo a chefia da respetiva folha O

Globo, até 6 de março de 1899, dia em que se despedia dos seus leitores, alegando o seu

débil estado de saúde que não lhe permitia acumular esta atividade com outras que lhe

ocupavam o seu tempo52.

A par de regeneradores e progressistas, verificamos, até 1910, embora sem grande expressão, a existência do Partido Republicano Federal da Horta, do Partido Regenerador Liberal ou Franquista, chefiado em 1906, por Francisco Pereira Ribeiro Júnior e do Partido Nacionalista fundado em 1907 e chefiado pelo ouvidor eclesiástico do Faial, padre José Leal Furtado (1835-1914).

2. O debate político-ideológico: o surgimento e divulgação de novas correntes – o