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3. Gestão da Qualidade

3.1.2. Norma ISO 9001:2015

A ISO 9001:2015 (International Organization for Standardization) é um documento de referência que não contendo requisitos endereçados para nenhum setor em particular, visa melhorar o desempenho global das organizações ao proporcionar uma base sólida de iniciativas e regras que dão continuidade às exigências de qualidade das partes interessadas.

No quadro do alinhamento com outras normas, a ISO 9001:2015 cancela e substitui alguns conceitos e secções da 4ª edição da ISO 9001 (ISO 9001:2008), mas mantém uma forte ênfase na Abordagem por Processos, a qual envolve a compreensão

de que todas as atividades são geridas por processos que se inter-relacionam e funcionam como um sistema coerente. Ordenados com o foco da organização, o seu resultado varia em função dos riscos, ou seja, em garantir que cada processo recebe a entrada necessária e entrega a saída esperada (figura 10).

Figura 10 - Principais elementos de um processo simples (Fonte:(ISO, 2015).

Através da abordagem por processos, esta norma acaba por funcionar como um modelo que planeia e tira vantagem das oportunidades dos seus processos produtivos. A procura de excelência de um produto exige uma filosofia comum a todos os colaboradores de uma organização em que, com a criação de uma cultura proactiva onde a ideia de qualidade está assente em todos os níveis e unidades, a gestão de topo garante a diminuição dos desvios e a reposição dos processos nas condições desejadas.

Ao ser gerida desta maneira, acaba por incorporar uma metodologia científica que utiliza a iteração como um fundamento que auxilia a execução estratégica e a melhoria contínua de uma organização, o Ciclo PDCA ou Ciclo de Deming1.

Com o intuito de simplificar os processos de gestão, este ciclo divide-se em quatro etapas: aquela que consoante as metas almejadas, estabelece os objetivos e os processos do sistema (Plan); após implementação (Do), avalia e compara a eficácia dos mesmos com as especificações desejadas (Check); e por fim emprega ações corretivas para aprimorar o plano traçado (Act) (figura 11).

1 William Edwards Deming (1900-1993) é um dos principais nomes associados ao desenvolvimento da cultura da Qualidade. Desafiou um modelo que acrescentava custos e que afetava negativamente a produtividade (Modelo Tradicional da Qualidade) e propôs uma abordagem orientada para a melhoria de processos, segundo o conhecimento do negócio e do poder de satisfação dos envolvidos na organização (Os 14 Princípios de Deming para a Transformação).

Figura 11 - Ciclo PDCA (Fonte:(ISO, 2015).

O pensamento baseado no risco é algo que se faz espontaneamente e continuamente ao longo de todos os processos de gestão. Embora o conceito de risco tenha estado presente nas normas anteriores, a ISO 9001:2015 torna-o transversal a todo o sistema de gestão. A “prevenção” passa a ser tratada como uma cláusula integral e inerente do planeamento estratégico e operacional, através do qual, com o empreendimento de ações preventivas, se diminui a recorrência de efeitos de não conformidade e a probabilidade de atingir os objetivos propostos é melhorada.

A melhor forma de tratar o risco é evitá-lo ou considerá-lo como uma oportunidade. No entanto, todas as oportunidades têm riscos associados, mas isso não significa que todos os efeitos positivos de um risco se traduzam em oportunidades.

A implementação de um SGQ não visa substituir a legislação vigente. Em linhas gerais, pretende adotar as regras e os princípios da ISO 9001:2015 (foco no cliente, liderança, comprometimento das pessoas, abordagem por processos de melhoria, tomada de decisões baseada em evidências e na gestão de relações) e formalizar um grau de rigor e de confiança na tomada de decisões e na execução de tarefas. Embora condicionadas pela mudança e pela demanda do segmento do mercado, as diretrizes desta norma estimulam a construção de uma política organizacional aberta à inovação, à reorganização e à mudança disruptiva.

Sistema de Gestão da Qualidade e Ambiente

Num ambiente cada vez mais dinâmico e complexo, os sistemas de gestão são os canais de resposta e de interpretação dos problemas estruturais e de planeamento da política e da cultura de uma organização. Cientes de que a sua posição competitiva está comprometida sem um, muitas organizações vêm na integração de vários sistemas a abordagem que formaliza e que permite que todos os componentes e processos de uma organização permaneçam transparentes. Pretendendo ser mais do que uma ferramenta de marketing, os Sistemas Integrados de Gestão (SIG) permitem integrar vários processos já implementados, tanto em termos de qualidade, como meio ambiente, energia, entre outros (Maier et al., 2015). (Maier, Vadastreanu, Keppler, Eidenmuller, & Maier, 2015).

O Sistema Integrado de Gestão de Qualidade e Ambiente (SIQA) é um desafio máximo para muitas organizações e um exemplo da combinação dos modelos de gestão das normas ISO 9001 e ISO 14001 (Sistema de Gestão Ambiental).

Tendo como referência a norma do SGQ, a norma ISO 14001 é uma ferramenta orientada para gerir de forma eficiente e sistemática os aspetos ambientais. Com diferenças óbvias no foco, objetivos e campos de aplicação, a semelhança na escrita e estrutura de alto nível, bem como compatibilidade nos princípios subjacentes à melhoria contínua (Ciclo PDCA), potenciam com esta união, entre outras coisas o(a) (Marimon Viadiu et al., 2006): (Marimon Viadiu, Casadesús Fa, & Heras Saizarbitoria, 2006):

 melhoria do desempenho ambiental para com os stakeholders;  quebra de barreiras comerciais;

 cumprimento das obrigações de conformidade;

 eficiência operacional perante o envolvimento de todos os colaboradores, independentemente das funções desempenhadas;

 redução de custos, riscos e tempo.

Todavia, integrar um sistema não é combinar processos, mas antes gerir um mecanismo de defesa que, com a flexibilidade e a adaptabilidade oferecidas, dá continuidade à política, ao planeamento, à operação e às ações de um mercado cada vez mais globalizado (Maier et al., 2015).

Integração da Gestão da Qualidade na Gestão de

Resíduos Urbanos

O setor do RU compreende métodos e habilidades práticas que, em conjunto com ferramentas de gestão da qualidade, priorizam os interesses dos

utilizadores/cidadãos ao garantirem uma boa adequabilidade do serviço prestado e ao contribuírem para o cumprimento de legislação cada vez mais restritiva.

Visto que a otimização de processos e a criação de valor permanecem dependentes da maturidade, da inovação e do conhecimento crítico da entidade de gestão, são várias as alternativas que potenciam benefícios na qualidade deste serviço, entre as quais, as mais relevantes, serão descritas a seguir.

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