P1 JRM P3 JRM P2 JRM CB-1 (Bolonini 2013) KS 692 (Squisato 2013) Kn 141 - (Renner 2011) Kn 161 (Renner 2011)
O local do ponto 2 do reservatório de Jurumirim é o que está mais suscetível a influência dos basaltos, pois é o ponto mais próximo à barragem e territorialmente inserido dentro da Formação Serra Geral. Isto explica sua maior razão Eu/Eu* (Tabela 5.5) muito mais compatível com os dados da amostra KS-692 de Squisato et al. (2009), enquanto os pontos 1 e 3 (mais distantes da barragem e fora do domínio territorial direto da Formação Serra Geral) já apresentaram uma característica maior de mistura das fontes, com a anomalia positiva de európio menor que no ponto 2. Por outro lado, o ponto 2 está mais perto – vide o rio Taquari (Figura 1.2 do Capítulo 1) – dos granitos, o que explica as razões La/Yb e Sm/Yb mais elevadas para este ponto.
A mistura das fontes provoca o formato de padrão normalizado convexo observado nos três pontos de Jurumirim, visto que tanto os granitos observados por Bolonini et al. (2013) quanto às demais amostras de Squisato et al. (2009) e Renner et al. (2011) apresentaram padrões de ETRM superiores a unidade. O Ponto 3, o mais a montante no reservatório e portanto com mais influência dos granitos, foi o ponto que apresentou a menor anomalia de európio e o formato convexo mais suave dentre os pontos observados, com a maior razão Sm/La e menor valor de Eu/Eu* entre os pontos aqui observados. Este padrão convexo e com menor pico do Eu é característico das misturas das fontes graníticas, das rochas sedimentares pré-vulcânicas da Bacia do Paraná e com pequena influência dos basaltos da Formação Serra Geral. O ponto 1, com mais influência dos basaltos e menor dos granitos, evidenciou uma maior anomalia de európio, com o formato convexo mantido. O ponto 2, por outro lado, apresenta composição muito similar aos basaltos analisados por Squisato et al. (2009), com anomalia positiva de Eu e razões La/Yb maiores que a unidade.
5.3.1.2 Extração sequencial
Em Jurumirim, a extração sequencial para os ETRs apresentou resultados sem tendências, com os ETRs mantendo suas concentrações dentro das fases e ao longo dos perfis.
As Figuras 5.7 e 5.8 apresentam a distribuição percentual dos ETRs nos pontos 1 e 3 distribuídos pelas frações agrupadas – Carbonatos e trocável; matéria orgânica e sulfetos; associada a óxidos de Fe/Mn; e residual. Para o ponto 1, os resultados refletem a média dos três perfis coletados.
Figura 5.7 – Distribuição dos ETRs nas fases associadas aos sedimentos (óxidos de Fe/Mn e residual) em Jurumirim.
Figura 5.8 – Distribuição dos ETRs pelas fases associadas aos sedimentos (matéria orgânica e sulfetos; carbonatos e trocável) em Jurumirim.
Na fase associada a carbonatos e trocável, os ETRs ficaram no limiar de 10%, com os ETRM>ETRL>ETRP. A fase associada a sulfetos e matéria orgânica também apresentou percentuais baixos, ao redor dos 10-15% para todos os ETRs, com os ETRM > ETRP > ETRL.
A fração associada aos oxi-hidróxidos de Fe/Mn foi a mais significativa para todos os ETRs. Contudo, foi observada a tendência de os ETRM estarem em proporção superior a 50% em ambos os perfis, enquanto que os ETRP mostraram proporção ao redor dos
15 20 25 30 35 40 45 50 55 60 65 Y La Ce Pr Nd Sm Eu Gd Tb Dy Ho Er Tm Yb Lu
%
Distribuição percentual dos ETRs - fases residual e associada a oxidos de Fe/Mn
oxidos Fe/Mn P1 oxidos Fe/Mn P3 Residual P1 Residual P3 4 6 8 10 12 14 16 18 Y La Ce Pr Nd Sm Eu Gd Tb Dy Ho Er Tm Yb Lu %
Distribuição percentual dos ETRs - fases associada a carbon/trocavel e mat. org.
Carbonatos e trocavel P1 Carbonatos e trocavel P3 Mat. Org e sulfetos P1 Mat. Org e sulfetos P3
40 – 50%. Cério, La e Pr proporcionaram efeitos distintos nestas extrações, enquanto cério foi o elemento com maior afinidade com os oxi-hidróxidos de Fe/Mn, o praseodímio e o La foram elementos que apresentaram menores proporções dentre os ETRL para esta fase. O inverso foi observado na fase residual, na qual, o Pr foi encontrado em maiores proporções, assim como o La e os ETRP.
Conforme já demostrado por Davranche et al. (2008) e Laveuf & Cornu (2009), os oxi-hidróxidos Mn têm ação preferencial de sorção pelo Ce, em virtude do seu estado de oxidação +4. Isto justifica o comportamento diferenciado deste ETR frente aos demais, em relação ao maior percentual presente na fase dos oxi-hidróxidos de Fe/Mn notadamente quando comparado aos seus pares mais leves (La e Pr), devido à redução que pode ocorrer nestes ambientes, proporcionando a formação de anomalias positivas de Ce.
Sobre os ETRP, eles formaram um padrão de decréscimo de percentual bem escalonado na fase de óxidos de Fe/Mn, como pode ser observado na Figura 5.7. E de forma oposta, na medida em que ocorreu o aumento da massa, aumentou o percentual da fase residual destes elementos.
Pode-se concluir que em Jurumirim os ETRM e Ce mostraram maiores afinidade com fases de óxi-hidróxidos de Fe/Mn, enquanto os ETRP apresentaram tendência de correlação negativa (diminuição) com estas em função do incremento de suas massas atômicas. Neste caso, aumento percentual de ETRP na fase residual foi verificado. Para o Lu, particularmente, estas fases foram praticamente iguais. Lantânio e Pr apresentaram comportamento mais similar aos ETRP, com maior afinidade à fase residual do que aos oxi- hidróxidos de Fe/Mn, quando comparados aos demais ETRL. Cério e Y apresentaram comportamento bem mais voltado às fases mais lábeis do que quaisquer outros ETRs, com os menores percentuais na fase residual semelhante aos ETRM.
5.3.1.3 Água intersticial e coluna de água
As águas intersticiais de Jurumirim apresentaram os ETRs na amostra filtrada (<0,20 µm) em valores muito próximos a 40% da amostra total (não filtrada). Isto é um indicativo de que a maior parte das concentrações dos ETRs está presente no material coloidal/particulado em Jurumirim.
A Figura 5.9 apresenta o padrão das concentrações de ETRs normalizados por PAAS para as concentrações determinadas na fase dissolvida.
Figura 5.9 – Normalização por PAAS dos ETRs em águas intersticiais extraídas em