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Novo Tratado, reformulação ou res nullius?

4. Capítulo IV Os Desafios Políticos do Espaço Exterior no século XXI

4.3. Novo Tratado, reformulação ou res nullius?

«sopram no iogurte os que se queimaram na sopa» (Grego, p. s/p)

As tentativas de não vigorar uma ‘res nulius’ no ‘EE’, não são novas393. Se atentarmos

a Resolução 1721 (XVI), de 20.12.1961, da Assembleia da ONU, concluímos:

(…)nasceu dos esforços do COPUOS para afastar argumentos de que o Espaço ultraterrestre constituía ― res nullius(…)afirma a aplicação do Direito Internacional(...)ao Espaço ultraterrestre.Ato contínuo, dispõe que o Espaço ultraterrestre e os ‘Corpos Celestes’ estão abertos à livre exploração e uso dos Estados, em conformidade com o Direito Internacional, não estando sujeitos à apropriação soberana(Bittencourt Neto, 2011, pp. 61-32).

A UE/EU, devido à tecnologia espacial, às escolas de pensamento politico e jurídico e ao potencial financeiro, poderá contribuir para a solução, surgindo três cenários possíveis, onde Ana Baltazar afirma: «primeiro, pode tornar-se uma participante activa na corrida ao armamento; segundo, pode comportar-se como um actor passivo(…)terceiro cenário, tornar-se uma protagonista no desenvolvimento tecnológico espacial e no desenvolvimento de normativos que advoguem a prevenção» (2009, p. 118).

A diversidade dos direitos de propriedade privada no ‘EE’ na relação Estado versus Privados, outorgou várias soluções: dependendo da opção pelo Common Law ou pelo Direito Romano Germânico, subsiste a doutrina que defende os actuais Tratados sem necessidade de revisão; existe a doutrina que reitera ligeiras alterações satisfatórias para responder ao solicitado, e existe a doutrina que defende revisões profundas ou mesmo novos Tratados394.

Seja qual for a solução, esta é premente.

O Direito anda um passo atrás da realidade, e isso tem implicações directas nas Leis e Tratados assinados no Planeta Terra. Porém, ao falarmos do ‘EE’ e, aqui «O essencial é invisível para os olhos» (Saint-Exupéry, 1943, p. 61), o andar um passo atrás da realidade, poderá ter consequências desastrosas para a Humanidade395.

393 São sempre tentativas para não entrarmos em anarquia política, o que não implica

necessariamente se tal acontecer que se entre em anarquia económica.

394 Caberá ao poder político definir a ‘SP’ a adoptar em relação a estas 3 soluções, sabendo que

qualquer que seja a escolha terá consequências e epílogos diferentes.

395 Para existir legislação, a Doutrina do Direito aguarda instruções do Poder Político, de modo a

poderem elaborar as leis e os Tratados tecnicamente de acordo com as orientações dos actores Políticos. Sem o poder político definir atempadamente qual a ‘SP’ adoptada para o ‘EE’, a parte instrumental que é o Direito (a ‘SL’, neste caso) não pode avançar.

Jorge Paulo Napoleão Garcia Inácio - 2017/8 87

Ao centrar a exploração dos recursos espaciais, defendendo um regime específico que contemple a IISL, demonstra que as UN/NU, têm consciência da urgência da reformulação do TEE.

Os Seres Humanos acompanham o mundo na inexorável marcha em redor do Sol396

e não ficam imutáveis, evoluem. Assim, adaptam-se Leis e Tratados e passados 50 anos da assinatura do TEE é previsível a criação de um novo Tratado em consonância com o novo viver da Sociedade Mundial, sob pena dos Estados se retirarem do Tratado já assinado397.

A proposta de uma terceira via, é a assinatura de um Tratado multilateral, idêntico aos Tratados de Direito Espacial, onde se trata os Direitos de Propriedade dos actores Privados398.

A nível internacional seria uma solução, mas as relações entre Estados não são fáceis. As agendas escondidas, a segurança, as ideologias e as lógicas de mercado contribuem para a inexistência de um parecer ideal.

Acabaremos por assistir, possivelmente, a um entendimento que se obterá através da negociação entre os Estados.

Embora a convicção de que se ultrapassaram as objecções (por motivos ideológicos) dos países de ideologia Comunista quanto à aceitação de um Tratado que contemple a propriedade privada, o problema surge através dos países mais pobres399.

Os 88 países integrantes do COPOUS constituem, em relação ao ‘EE’, conforme refere

396 Cfr. GG, GA e Anexo V Nota V Secção II.

397 A retirada dos Estados do ‘TEE’, poderá implicar que cada Estado passe a fazer as suas leis espaciais.

Assim sendo, os esforços para que o ‘EE’ seja pacífico, desmilitarizado e ‘bem comum da humanidade’, terá sido em vão e, para além disso, o ‘EE’ passaria a ser uma espécie de anarquia legalizada, o que originaria as múltiplas e difusas leis a regular o ‘EE’, correndo o risco de a maioria delas serem contraditórias entre si, o que é o mesmo que afirmar que não existe nenhuma regulamentação.

398 A proposta de uma terceira via, é a assinatura de uma Adenda multilateral, que faça parte dos

Tratados de Direito Espacial, onde sejam consagrados os Direitos de Propriedade, no qual se incluam os actores Privados.- Na nrp constará dever-se-á compilar todos os Tratados de Direito Espacial, regulamentos e demais legislação extravagante, num código o “Codex Spatiales” elaborado sob a égide do COPUOS, e simultaneamente sob os auspícios da UNOSA, criar uma Agência que administre e supervisione o Espaço Exterior, como defende Mirzaee Siavash, e que nós subscrevemos. O nosso primeiro pensamento foi idealizar o COPUOS, como sendo esse o organismo a assumir o papel principal e fiscalizador, visto ser o comité da ONU com mais países, mas isso implicaria a mudança da carta das Nações Unidas, pelo que para nós a proposta de Mirzaee parece ser a mais prática e exequível, mas da nossa análise e opinião este organismo deverá ser supervisionado pela UNOSA.

399 Os países menos avançados tecnologicamente e os mais pobres, vão confrontar os países

tecnologicamente mais avançados e ricos, pressionando-os a assinarem Tratados que diminuam ou eliminem esse desfasamento ou, então, recusar-se-ão a assinar Tratados que lhes são desfavoráveis, pois colocam em causa a Soberania e Segurança Interna.

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Dalton: “would be the optimal forum for any revisions or debates regarding a new treaty

given its role as the implementer and overseer of the outer space treaties(…)providing a ready forum for discussion” (Dalton, 2010, p. 27), estando dotado de meios para um futuro acordo

ser alcançado, faltando apenas a vontade política para um novo Tratado e se evite uma ‘res

nullius’, e uma “guerra dos mercadores” no ‘EE’.

Análise Crítica

"I'm going to make him an offer he can't refuse." (Ruddy, 1972, p. s/p).

Os mestres da Antiguidade começaram a perscrutar o céu e até aos dias de hoje o conhecimento Humano evoluiu muito. Os avanços tecnológicos levaram-nos mais além, saímos do nosso bioma e conseguimos chegar ao ‘EE’.

Chegados ao ‘EE’, regulamos a sua exploração e num clima de Guerra Fria transformámos o ‘EE’ em «Província de toda a Humanidade». Passados 50 anos, assistimos a uma evolução tecnológica que condicionou o nosso viver em sociedade.

Os acontecimentos da década de 70 do século XX, influenciaram os paradigmas existentes, e, com o tempo, sofreram modificações, revelando Lacunas nos Tratados e Convenções do ‘EE’, resultantes nos avultados investimentos que os Privados têm vindo a protagonizar em matéria de ‘EE’ já no século XXI.

Contribuíram também para a alteração dos paradigmas, a vitória política dos EUA ao conseguirem colocar o primeiro Homem na Lua em 20 de Julho de 1969 e não terem sido acompanhados pela URSS. Também no Vietname e a crise Energética de 1972/73; (a URSS, estava já em declínio, envolvida à época na guerra do Afeganistão), que terá sido a estocada final para a queda da Iron Courtain400 (Churchill, 1946, p. s/p.), tudo isto influenciaram as prioridades políticas, tendo as potências optado pelo abrandar dos investimentos no ‘EE’, favorecendo o aparecimento de novos actores, os Privados, que foram ganhando Poder

Espacial.

Foi assim tornado evidente, pela política do facto consumado, que as responsabilidades começavam a ser partilhadas e como «Com grandes poderes vêm grandes

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responsabilidades» (Lee, 1962, p. s/p), isso implica que estas devem ser respaldadas em Tratados. Aqui entra a UNOOSA, que, com o seu Kow-how e experiência, venha a concretizar o enquadramento jurídico-político das responsabilidades no ‘EE’.

Assistimos ao investimento no ‘EE’ por parte de Privados, iniciado timidamente nos anos ‘70 e ‘80 do século XX, consolidando-se no limiar do ano 2000, estando a sofrer um incremento desde 2009.

A Realpolitik do facto consumado faz-se sentir, adaptando-se às novas realidades da conjuntura internacional, sendo necessário compatibilizar os interesses e as relações entre Estados e Privados e entre diferentes actores destes grupos.

Face a esta realidade, é posta em causa a formulada doutrina dos Direitos de Propriedade e Exploração no ‘EE’. Assiste-se a ‘SP’ diversas sobre o alcance e permissão das regras vigentes, desde a posição do «Não, não é possível existirem direitos de propriedade e exploração», até, ao «Sim, sem restrições».

Aqui identificámos as palavras do livro “A guerra dos mercadores” onde o autor, nos anos ‘70 do século XX, tendo imaginado um cenário idêntico àquele que actualmente conhecemos, escreveu que, no intuito de controlar o Poder na Terra, se transferiram para o

‘EE’ as batalhas de poder e controlo da supremacia na Terra. E a inexistência de regras para

a exploração de recursos minerais permitiu um crescimento descontrolado das multinacionais que, no intuito de conquistar o Planeta, se guerreavam no ‘EE’.

Já se assiste a parte dos acontecimentos imaginados por Pohl no seu livro401, essa

possibilidade leva-nos a reforçar o alerta para a elaboração de um novo Tratado. Na nossa hipótese, aliamos a teoria à prática, demonstrámos estatisticamente que estamos a ser ultrapassados pela realidade, caminhando para a visão profética do livro402. Apresentámos

as formas, os montantes e as áreas de investimento, que são avultadíssimos por parte das Empresas Privadas Terrestres.

Estes pressupostos colocam em causa o futuro da Autoridade no ‘EE’. Será que esta penderá para o Estado ou, cairá para o lado de Privados?

Evidenciámos que estamos a assistir a um facto consumado: transformar o «bem comum da Humanidade» em exploração económica, sendo isto o oposto do que está

401 Referimo-nos ao livro “A guerra dos mercadores”. 402 Idem.

Jorge Paulo Napoleão Garcia Inácio - 2017/8 90

previsto no TEE.

Para uma solução, procurámos comparar três Tratados semelhantes (por estes regularem meios inóspitos): a CNUDM, o ‘TSB’ e o ‘TA’.

Aqui chegados, identificámos os Desafios Políticos do ‘EE’ no século XXI, colocando a hipótese de vencer esses desafios e equacionando, se estamos na direcção da concepção de um novo Tratado, com a sua reformulação/renegociação, ou na de uma res nullius.

Identificámos a existência de obstáculos que dificultam o caminho para o consenso. Os Estados, os 50 anos do TEE, a queda do muro de Berlim, a mudança de paradigmas nas sociedades mundiais, a entrada de Privados na exploração do ‘EE’, as sucessivas crises económicas, os interesses militares que querem sobrepor-se aos civis e vice-versa.

Estabelecendo um paralelismo com a realidade actual, poder-se-á dizer que começam a reunir-se as condições enlencadas nas obras “Os mercadores do Espaço” e “A

guerra dos mercadores”.

Os actuais avanços tecnológicos permitem explorar meteoritos próximos do Planeta Terra e muitos contêm minérios valiosos e água. Esta exploração vai ter impacto na economia Terrestre, pois os Privados já a lideram. O alcance real desta é algo que os economistas ainda não vislumbraram.

A NASA, a ESA, o Roscosmos403 e empresas como a Space X e outras, já anunciaram

o interesse em estabelecer colónias na Lua, realizar missões tripuladas a Marte e explorar e minerar asteróides.

Salientando o tema ‘Direitos de Propriedade e Exploração’ sobre os ‘CC’ e a entrada de Privados nas ‘RI’, existem defensores de uma solução provisória que consiste em adaptar o ‘TSB’ ao ‘EE’.

A nossa posição é a não aplicação de um Tratado deste tipo a título provisório, até se encontrar uma solução política definitiva. Esta, não será a ideal, pois os ‘factos consumados e os direitos adquiridos’ decerto, falarão mais alto.

Mesmo sendo esse o caminho pelo qual se venha a querer enveredar (aplicar os princípios do ‘TSB’ ao TEE) realçamos diferenças substanciais que são de ‘per se’ impeditivas à aplicação desta solução.

A primeira destas diferenças é o regime do ‘TSB’ ser mais sólido internacionalmente,

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menos dúbio e com menos lacunas. Se atentarmos ao acordo em 1994, na sua Parte XI, existem regras para lidar com os ‘Direitos de Propriedade Extraterritoriais’.

No TEE essa previsão é ambígua.

Ao utilizar o ‘TSB’ como Tratado de Emergência, é provável que as consequências sejam desastrosas. Se for feita uma adaptação do ‘TSB’, fecharia muitas portas facilitadoras do plasmar de novas soluções numa futura renegociação do TEE.

Esta indecisão poderá levar alguns Estados a optar por outro pensamento, e decidirem-se pela acção unilateral404. A prática demonstra, em relação a outras soluções

semelhantes, que as unilateralidades em ‘RI’ podem ser um “caminhar no fio da navalha”: se resultar, ter-se-á uma ideia brilhante que ajudou a Humanidade, se não, poder-se-á assistir ao início de um conflito.

Assim, são importantes as negociações políticas ao nível das UN/NU, particularmente na UNOOSA, que é a instituição em melhor posição para conversações multilaterais.

Optando-se pelo proposto por Rosanna Sattler, que defende “The Commercial Space Act”405dizendo que este é análogo ao ‘TSB’ e preenche as lacunas do TEE, exemplificando tal

posição com o Regime Jurídico Especial da Estação Espacial406 (IGA), não nos parece ser o

caminho mais indicado, pois esta proposta deixa de fora os Direitos de Propriedade.

A ambiguidade do actual regime deverá ser resolvida, sendo fundamental determinar se os ‘Direitos de Propriedade e Exploração’ sobre os ‘CC’ são possíveis, sendo inequívoco que este regime precisa de ser reformulado, para incorporar as novas realidades.

São imprescindíveis novos conceitos para os novos paradigmas, para não impedir a intenção das entidades, públicas ou privadas, de explorar o ‘EE’ e encontrar um compromisso, não prejudicando a comunidade internacional, entre a exploração de Privados e a segurança global.

Os princípios filosóficos gregos de Aristóteles, ultimamente esquecidos, com a sua noção de que os seres humanos são inerentemente sociais e dependentes uns dos outros,

indicar-nos-ão as linhas gerais que poderão orientar a elaboração ou

reformulação/renegociação de um Tratado para o ‘EE’. Numa tentativa de arranjar um

404 Optando por seguir a Teoria Neo-Realista em detrimento do Constitucionalismo Global.

405 42 U.S.C. § 14701 (1998). The Act emphasizes and promotes the importance of commercial enterprise in the use

and operation of the International Space Station.

Jorge Paulo Napoleão Garcia Inácio - 2017/8 92

equilíbrio, Dalton refere-o como “uma norma social obrigatória”(2010, p. 23).

Em todo o ‘EE’ a ‘Comunidade’, é toda a Humanidade e isto diferencia o TEE dos outros Tratados, por este motivo é difícil alcançar um paralelismo entre todos.

A disposição “bem comum da humanidade” no TEE é uma das razões que fazem com que um Privado esteja interdito de reivindicar para si qualquer ‘CC’, seja o que for que explore no ‘EE’, sem existirem regras estas acções podem afectar negativamente a ‘Comunidade’ em termos económicos e até a sobrevivência do Planeta Terra.

Com o actual Tratado, sem redefinição de regras, os países mais pobres irão ficar a perder e possivelmente não chegarão ao ‘EE’.

Exemplo disto é o lançamento do satélite Nigeriano, que a China desenhou, construiu e lançou em 2007407 «(…)custou cerca de 256 milhões de dólares, deveria melhorar as

comunicações(…)O resultado foi uma subida das vozes críticas(...)pelas ligações de comunicações pouco fiáveis e das mais caras na região» (Gomes V. , 2013, p. 70).

Assim, os Estados mais pobres poderão ‘ser obrigados’ a assumir um papel subalterno em parcerias, o que não lhes trará vantagens.

A solução para esta situação pode passar pelo ‘TSB’, com o fito de juntar todos os Tratados relativos ao ‘EE’ num só, e regulamentá-los, tudo sob a égide do COUPUOS408.

A previsão de resultados indesejáveis faz com que parte da doutrina defenda o “património comum da Humanidade”, que rejeita a abertura a Privados sem regras definidas409.

407 A Nigéria não possui capacidade espacial. A troco da exploração de recursos do território nigeriano,

a República Popular da China, propôs fazer e lançar um satélite de Telecom da Nigéria, apesar das débeis comunicações Nigerianas. Este satélite praticamente não tem aplicação, mas a Nigéria agora diz orgulhosamente que possui um satélite.

408 Como já referimos anteriormente poder-se-á compilar tudo num código de Tratados Espaciais, um

“Codex Spatiales” elaborado sob a égide e os auspícios do COPUOS, e simultaneamente sob os auspícios da UNOSA, criar uma agência que administre e supervisione o Espaço Exterior (vide nrp anteriores).

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Conclusão

"Roads? Where we're going we don't need roads” (Canton & Gale, 1985, p. s/p.).

Esta Dissertação revelou ser necessário reformular os Tratados para o ‘EE’ colmatando lacunas existentes ou optar por um novo Tratado.

O tema abordado é importante, pois está em causa o futuro das actividades da Humanidade; a exploração espacial vai “mexer” com a economia e com o sistema financeiro.

É por isso um problema transversal.

É necessária segurança jurídica e uma cooperação operativa entre a ‘SP’, a ‘SL’ e as

‘RI’, em consonância com os princípios do ‘DI’, na elaboração de novos Tratados que

beneficiem a Humanidade de modo a que os Usos e Usufrutos não se transformem em Abusos.

Estando em causa os Direitos de Propriedade e Exploração Privadas no ‘EE’, esses terão de ser funcionais, na concepção de um novo Tratado.

A desadequação dos Tratados vai além das matérias tratadas pela ‘SP’, ‘SL’ e das ‘RI’; em última análise, coloca-se a questão da sobrevivência das espécies do Planeta Terra.

A tarefa de mineração fora do Planeta Terra implica a entrada desses materiais no Planeta. Existe a hipótese, não remota, da possibilidade dos materiais explorados num qualquer asteróide ou colónia, conterem uma espécie410 que, introduzida, no Planeta Terra,

dizime o sistema biótico do nosso Planeta.

Os decisores políticos deverão ser aconselhados a optar por uma ‘SP’ que contemple além das matérias políticas, outro tipo de matérias, tais como: a previsão da descontaminação das mercadorias e minérios antes da entrada na Terra, esta é uma matéria que tem de constar num futuro Tratado contemplando, por exemplo, a existência de estações espaciais intermédias que realizem essa tarefa. Demonstrámos, assim, a importância de suprir as lacunas, pese embora os actuais Tratados responsabilizem os ‘Estados lançadores’ pelos objectos espaciais que lancem para/no ‘EE’, no caso de acontecer a introdução de uma espécie mortal no Planeta Terra, de que nos vale saber qual o Estado

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que irá ser responsabilizado411?

Outra questão preocupante é a do ‘Space Debris’, onde as informações reservadas contidas/armazenadas nos satélites (mesmo os desactivados) são uma das razões pela qual os Estados impedem outros Estados ou Privados de procederem à sua remoção e à reciclagem dos mesmos, provocando literalmente “uma lixeira a céu aberto”, estando a colocar em perigo os lançamentos de novos satélites, naves e a própria ISS412.

De elevada importância são também, as idas ao ‘EE’ e a exploração mineira, estando muito dependentes da energia e do reabastecimento, o que levanta a questão da necessidade de estações espaciais intermédias não estando estas previstas nos Tratados.

A exploração de novos Planetas iria beneficiar muito se os lançamentos não fossem feitos a partir do Planeta Terra, não estando sujeitos à Atmosfera e à Força Gravítica, para tal, são necessárias Bases e Colónias fora do Planeta. Seriam estações de combustível e lançamento, servindo de “alfândega” e de local de inertização dos materiais; poderão ser contempladas num futuro Tratado, considerando também a hipótese, de Privados operarem ou não em “roda livre”, e o poder dos Estados de fiscalizar ser delegado na ONU/COPUOS.

Será necessária uma dupla protecção, em que se beneficiem os Privados, que querem ver os seus investimentos protegidos, e a Humanidade que não quer ver o seu património comum devassado.

Os objectivos colocados no início desta dissertação foram alcançados. Levantámos diversas questões, cientificamente obtivemos a resposta correspondente, lançámos alguns ‘avisos à navegação’, salientámos e tivemos em conta que é necessário acabar com as ambiguidades e as lacunas existentes nos Tratados que são impeditivas de se progredir económica, científica e comercialmente.

Quando optámos pelo título «Tratados Internacionais e Espaço Exterior no Séc. XXI» reflectimos a nossa preocupação no aprofundar da pergunta: «Necessitará o Espaço Exterior de um Tratado no/para o século XXI?» coadjuvando-a com questões derivadas que