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O acesso à rede e aos conteúdos informativos

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6 OS LIMITES PARA O JORNALISMO INDEPENDENTE NA REDE

6.1 O acesso à rede e aos conteúdos informativos

permanentes fluxos de informação e imagens que cotidianamente circulam pelo mundo inteiro.” (MORENO, 2013, p.42)59 são formados pela presença de um vetor tecnológico que possui força e direção. Moreno (2013, p.42) questiona até mesmo o conceito de sociedade de informação. Para a autora não é possível falar de sociedade de informação uma vez que o acesso não é homogêneo para toda a sociedade. A internet, explica a autora, sem dúvida, provoca transformações sociais, “mas os que não têm acesso à rede estão excluídos deste mundo de informação. Por outro lado as redes sociais sempre foram centros de lutas pelo domínio do mundo”. (MORENO, 2013, p .42)60.

6.1 O acesso à rede e aos conteúdos informativos

Um dos maiores gargalos de acesso à rede mundial de computadores está associado a questões socioeconômicas. Para estar na Web é preciso investimento em dinheiro, pagamento de uma operadora e compra de um computador, aparelho celular ou tablet. Há ainda necessidade de uma habilidade e familiaridade com a linguagem computacional. No Brasil, país de grande dimensão territorial, com culturas distintas, condições sociais, econômicas e educacionais desiguais entre regiões, há diferentes apropriações da tecnologia oferecida pela rede mundial de computadores. Resultados apresentados pela Pesquisa Brasileira de Mídia61, realizada em 2014, deixam evidente a divisão em dois grupos de pessoas: os conectados (49%) e os não conectados (51%). Os pesquisadores avaliam que no Brasil, condições geográficas, de escolaridade e financeiras criam este hiato:

Entre os entrevistados com renda familiar mensal de até um salário mínimo (R$ 724), a proporção dos que acessam a internet pelo menos uma vez por semana é de 20%. Quando a renda familiar é superior a cinco salários mínimos (R$ 3.620 ou mais), a proporção sobe para 76%. Por sua vez, o recorte por escolaridade mostra que 87% dos respondentes com ensino superior acessam a internet pelo menos uma vez por semana, enquanto apenas 8% dos entrevistados que estudaram até 4ª série o fazem com a mesma frequência. (PESQUISA BRASILEIRA DE MÍDIA, 2015, p.49).

59 Tradução nossa do original:“sobre la presencia de un vector tecnológico com fuerza y dirección del

que forman parte los permanentes flujos de información e imágenes que cotidianamente circulan por el mundo entero y de los contenidos de estos flujos”.

60 Tradução nossa do original: “sin embargo, para los que no tienen acceso a la red quedan excluídos de

este mundo de información. Por otro lado, las redes sociales siempre han estado em el centro de las luchas por el domínio del mundo”.

61 A pesquisa vem sendo feita há dois anos pela Secretaria de Comunicação Social ligada a presidência

da república, cujo objetivo é avaliar o consumo de mídia no Brasil. As pesquisas podem ser acessadas no site: www.secom.gov.br

A condição desigual, entre os que estão fora e dentro da rede, verificada em nível nacional é a mesma observada mundialmente. Segundo reportagem divulgada pela UOL, uma pesquisa da União Internacional de Telecomunicações (ITU, sigla em inglês) aponta que apesar do crescimento do acesso à web no mundo, “mais de 4 bilhões de habitantes do planeta ainda não têm acesso à internet. Na África, continente com a menor quantidade de usuários, apenas 19% da população utiliza a web.” (UOL, 25/11/2014). O levantamento confirma uma preocupação de teóricos e governos sobre a capacidade de inclusão digital. Dertouzos (1997, p.302) acredita que uma nação com mais poder financeiro, terá mais demanda por serviços de computadores, softwares e hardwares. Com mais serviços à disposição terá mais capacidade de processamento e desenvolvimento e, consequentemente, mais capacidade de pagar por mais serviços de informação. Um ciclo de quem é mais rico fica mais rico e quem é mais pobre fica mais pobre:

Com os ganhos de produtividade possíveis, graças à informação e aos instrumentos informáticos disponíveis, as nações e pessoas ricas do mundo aumentarão e expandirão seus bens e serviços econômicos, ficando portanto mais ricas. Conforme enriquecem, passam a usar o Mercado de Informação de modo ainda mais amplo, desfrutando de um crescimento econômico exponencial. Os países e as pessoas pobres, por sua vez, nem conseguem dar início ao processo de crescimento. Sua tendência é subutilizar os recursos de informação, pois não estão ao seu alcance. Assim não conseguem iniciar a curva do crescimento. Permanecerão na mesma situação, o que significa em termos relativos, ficar cada vez mais para trás, em relação aos ricos. A conclusão dolorosa é que, deixado por sua própria conta, o Mercado de Informação aumentará a brecha entre países ricos e pobres, e entre pessoas ricas e pobres. (DERTOUZOS, 1997, p.303).

Dizard (2000) cita Terry Curtis, crítico de mídia, para alertar para as duas novas classes sociais que podem surgir a partir da sociedade atual. Os possuidores de condições econômicas de acesso e de habilidades e os excluídos digitais, seja por questões financeiras ou por falta de conhecimento da linguagem dos computadores.

Devemos estar rumando para um sistema de castas gerado pelo computador. No topo da escala temos a elite da informação, que prospera porque sabe como usar os novos recursos. Bem abaixo na escala está o lumpem proletariado da informação que carece das habilidades e da vontade de lidar com as tecnologias de ponta. (DIZARD, 2000 p.274).

Por enquanto, a julgar pelos números de pesquisas sobre o volume e o perfil dos que estão conectados à rede mundial de computadores há uma clara relação assimétrica entre aqueles que conseguem acesso tanto para postar suas histórias e notícias como para ler o

conteúdo noticioso da mídia digital, seja de empresas, blogs, redes sociais, ou fóruns de discussão. Por isso, é possível imaginar que o valor ideológico e cultural das notícias e histórias da rede continua sendo definido por um grupo com poder econômico para financiar o equipamento e a infraestrutura necessários para compartilhar a tecnologia da informação e com suficiente conhecimento, tanto da linguagem de computador, como das linguagens escrita e verbal, para poder exercer a livre expressão comunicacional. “Este cenário ainda recorta a classe que já tinha acesso às fontes anteriores para acesso à informação (essencialmente, as classes A e B)”. (SQUIRRA, 2012, p. 13).

Utilizando como alicerce o desenvolvimento histórico dos veículos de comunicação no século XX é possível acreditar que a internet também será popularizada em um futuro próximo. Jornal, telefone, rádio, televisão foram primeiramente consumidos pela elite e posteriormente tiveram a produção barateada e popularizada. É uma questão de tempo a universalização do acesso à rede. Nos últimos anos o número de pessoas conectadas no mundo vem esticando. Segundo relatório da União Internacional de Telecomunicações publicado em uma reportagem da UOL (25/11/2014), a rede cresceu 6,6% em 2014. Um aumento impulsionado principalmente pelos países em desenvolvimento.

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