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constituindo processos

3. O ASSISTENTE SOCIAL E A GERAÇÃO DE RENDA

- Identificando agentes capacitadores para o trabalho ou promotores de renda -

No capítulo anterior, apresentamos o processo de constituição do espaço urbano da comunidade do Seringueiras I, II, III, ambiente físico onde vivem os indivíduos de nosso grupo de referência. Identificamos a contextualização histórica do município de Uberlândia fundamental para compreender a dinâmica sócio-econômica do nosso universo de investigação. Abordaremos, neste capítulo, a caminhada do nosso grupo de referência, confrontando o potencial individual do grupo, para a geração de renda, e o potencial das instituições existentes no município que poderiam atender a esses trabalhadores de baixa escolarização e sem qualificação profissional. Durante o processo investigativo, procuramos identificar o papel significativo do serviço social e a necessidade desta profissão, sentida em estruturas que hoje, não mais possuem em seus quadros nossa especialização profissional, sendo que, no passado, a tiveram.

Abordar o tema da geração de emprego e renda, a partir das instituições existentes no município de Uberlândia, tendo como foco de demanda trabalhadores de baixa escolaridade e sem qualificação, foi uma opção de nossa dissertação considerando algumas faces do processo de trabalho do serviço social neste município, no que se refere à questão do desemprego e seus desdobramentos sociais para trabalhadores de baixa escolaridade e sem qualificação técnica, que, em boa parte, vieram das zonas agrícolas das regiões centrais e pobres do país e de outros estados mais distantes e periféricos, quanto ao desenvolvimento econômico.

“O desenvolvimento da economia mercantil significa, ao mesmo tempo, que uma parte cada vez maior da população se afasta da agricultura, ou seja, que a população industrial cresce às expensas da população agrícola” (Lênin, 1989:15)

Conforme o processo sócio-histórico da constituição da sociedade brasileira nos demonstra, a estrutura de nossa sociedade tem herança colonial e teve sua base fora dos meios urbanos, nos primeiros anos da ocupação portuguesa; as cidades eram apêndices das regiões rurais. Nos dias de hoje, essa herança na política local ainda se faz muito forte, a mostra principal dessa presença é o alto nível de conservadorismo dos quadros políticos e a representação de classe dominante, predominantemente, no interior do Estado de Minas Gerais. Os reflexos desse processo verificam-se na dificuldade de

vislumbre de uma modernidade inclusiva para a população, permanecendo a exclusão como característica mais marcante nessa sociedade.

Para o serviço social, encontramos os assistentes sociais, progressivamente, ocupando espaços na comunidade em setores chave do campo social e político local, sendo um indicador que merece um trabalho de investigação. Não é nossa pretensão fazê-lo nesta dissertação, porém, algumas informações são importantes e merecem consideração para o conjunto da representação profissional. Na prefeitura municipal, o serviço social está presente com 183 profissionais empregados. Na Secretaria Municipal de Saúde, são 82 profissionais. Na Secretaria Municipal de Trabalho Ação Social, estão trabalhando 56 profissionais, quase todas em postos de gerência, a secretária municipal da pasta é uma assistente social e uma das professoras do curso de Serviço Social em Uberlândia. Também a vice-prefeita é uma assistente social e ex-candidata a prefeita no pleito de 1997. Só na cidade de Uberlândia há registrada a presença de, aproximadamente, 247 assistentes sociais empregados, excluindo aqueles que se formaram e estão atuando na região, graduados na escola de Uberlândia-MG.(Fonte: CRESS/Uberlândia 1999)

Acreditamos que um dos atributos históricos do serviço social como disciplina de intervenção é cooperar com a sociedade, apresentando uma atividade profissional de inclusão junto aos segmentos mais marginalizados. Nossa pesquisa nas instituições promotoras de renda e emprego busca levantar as possibilidades de inclusão desse segmento marginalizado, tomando como ponto de referência uma comunidade de periferia, onde encontramos um grupo de trabalhadores interessados em “melhorar de

vida” por uma alternativa de aumento da renda, criação de um negócio próprio e

rentável, ou capacitação profissional em algum campo de trabalho que produza a melhora da qualidade de vida1.

Ao chegarmos no Seringueiras em 1997, fomos recebidos com muita simpatia pelos trabalhadores do referido grupo em formação, de geração de renda. Na ocasião, estávamos atendendo a um convite da Pastoral da Moradia para intervir num processo que os populares estavam iniciando na comunidade de geração de renda.

O processo desencadeado no grupo do Seringueiras desdobrou-se em novas problematizações a serem investigadas. Metodologicamente, estabelecemos, naquele grupo, um centro de referência2: os trabalhadores desempregados, ou no sub-emprego do Seringueiras, que participavam do núcleo católico da Pastoral da Moradia. Adotamos essa microrealidade, ponto de irradiação das contradições sociais em torno da geração de renda, e a partir daí, como referência, emergiu a necessidade da compreensão de

como funcionam os processos oficiais no âmbito do município para a capacitação de renda e emprego.

Montamos um diagrama para demonstrar os níveis de dificuldade representados por círculos de acesso, em que cada círculo corresponde ao valor 1 e, somados, representam o conjunto de dificuldades para atingir o alvo, que seria a geração de renda. Cada indivíduo, ou grupo de indivíduos, soma um determinado conjunto de círculos, conforme suas dificuldades. Estabelecemos um diagrama para visualizar o nível de dificuldade em relação aos projetos do grupo. Cada círculo, somado, apresenta um número correspondente ao grau de dificuldade. Cada nível vale uma unidade, pois todos os níveis são considerados indispensáveis, portanto, não pode haver diferenças de valoração. Quanto menor o número para cada pessoa mais difícil será a inclusão no acesso à renda ou emprego.

X =7-∑(y); Onde x = coeficiente de potencial e ∑(y) = somatório das dificuldades (exclui-se o alvo).

São sete os níveis máximos de dificuldade, assim, quanto menor o coeficiente de potencial, maior a chance de sucesso no empreendimento.

Com base na experiência do grupo, construímos o diagrama de dificuldades acima: Aqui estão os sete níveis de dificuldade mais interferentes nas ações do grupo, definidos em confronto com os recursos e instituições presentes no município para qualificação e geração de renda.

Para termos um parâmetro norteador da investigação, chegamos a seis categorias

de análise, que balizaram, em nível de estrutura, o caminho dos trabalhadores na busca

de suas necessidades, são eles:

QUALIFICAÇÃO X=1