Foto 9 – Tapo: tas mil em 1971.
2.4 O Bunak: saber oral e oratória, bem e poder
anos noventa esta participação incluía a obtenção de alimentos e munições para os guerrilheiros. Uma rede clandestina assegurava a reunião destes bens e a sua entrega. Em 1999 um reduzido número de pessoas deslocou-se para a Indonésia; tratou-se, sobretudo, de famílias de funcionários públicos e, em particular, de militares. A aldeia preparou-se para o pior e os que ficaram organizaram-se em estruturas paramilitares (da resistência / indonésias e tradicionais) e bloquearam a estrada de acesso à povoação, enviando as mulheres e crianças para a retaguarda em Tas Golo’, tal como em 1976.
No princípio dos anos oitenta são refeitas as Casas Sagradas no tas, seguindo a ordem hierárquica das casas. No entanto, situam-se um pouco a jusante das originais.
No mês de Setembro de 1999, enquanto por todo o vale de Bobonaro se viam as colunas de fumo provenientes de povoações a serem queimadas até Oeleu, nada aconteceu à povoação, pois as milícias não se aproximaram. Durante esta fase somente uma pessoa da povoação foi morta pelas milícias, mas em Oeleu. Uma determinação comum tomada foi a de que nenhuma casa dos que tinham fugido para a indonésia seria destruída.
2.4 O Bunak: saber oral e oratória, bem e poder
O Bunak que se fala em Tapo é diferente, do ponto de vista lexical e semântico, de outras áreas Bunak. Mesmo entre Tapo e Oeleu ou Ai Asa, povoações situadas a curta distância, há diferenças dialécticas assinaláveis (ex.: Deu (casa) diz-se Dou em Ai Asa).
A comunicação diária no suco é efectuada em Bunak. No entanto, há mais línguas em presença que concorrem com a sua utilização ou contribuem para o próprio léxico Bunak. O Tétum e o Português são as mais relevantes (a primeira, sobretudo pelos mais novos; e o português, entre as gerações mais velhas, e na escola). Segue-se o
Bahasa Indonésio, que é falado sobretudo pelas gerações mais novas, em particular pelas suas músicas. O Japonês ainda é conhecido por alguns idosos. O Inglês é a língua em expansão, pelo interesse que desperta, nomeadamente entre aqueles que fizeram o ensino secundário. Na escola o ensino é feito em Português e Tétum, embora certas explicações se realizem em Bunak.
Numa perspectiva sociolinguística, a importância da língua nesta comunidade oral é, justamente, a sua síntese, como veículo de transmissão de saber e fonte de poder. Assim, a língua, a palavra, é não só um veículo poderoso de transmissão de cultura – facto associado comummente à sua dimensão diádica (Fox, 1988a, 2, Therik, 2004), mas, igualmente, uma arena de definição e confronto de estatutos e funções sociais.
A língua Bunak, tal como entendida localmente, divide-se em Bunak de “comunicação”, língua usada diariamente por todos os falantes, e em Bunak adat, língua usada prioritariamente por quem detém um cargo político-religioso e, em alguns casos, por alguém que, não possuindo um cargo, obteve as palavras, mas está impedido de as dizer, a não ser que para tal seja convocado. As palavras são, na sua maioria, coincidentes em ambos os contextos, mas o seu significado pode ser diferente. No entanto, no domínio adat, há palavras que apresentam um carácter exclusivo e raramente são usadas no dia-a-dia. Esta opacidade ou obscuridade da língua, no plano ritual e mitológico, está sobretudo relacionado com a sua dimensão metafórica, cuja chave se encontra na posse de alguns.
A palavra em Bunak, tal como frase, designa-se lal. A “palavra” é associada nos versos rituais com “ferro”: lal1 gomo2 besi3 gomo2 – o senhor2 da palavra1, o senhor2 do ferro3 (lança). A palavra é entendida como uma potência capaz de desencadear eventos. O uso de certas palavras, em determinados locais, e a execução de determinadas actos, são fonte de poder e legitimidade.
Ao saber das palavras associa-se o conhecimento de actos e de locais. Este trinómio do saber é essencial para se compreender o processo de aprendizagem local. Trata- se de um processo complexo, no qual se tece uma das mais complexas redes de relações interpessoais de poder e de status na comunidade, de subjugação ou de dominação. A palavra é uma prerrogativa dos indivíduos que detêm cargos
socialmente reconhecidos. Assim, é expectável que quando um indivíduo é indigitado para assumir um cargo, deve “fazer escola” isto é, deve aprender as palavras.
Conhecer somente as palavras pode não ser o suficiente para dominar a potência que elas envolvem. O conhecimento dos pan1 giral2 muk3 gug4 – os olhos2 do céu1, o nódulos4 da terra3 – os locais de encontro entre o céu e a terra, é igualmente determinante e pode funcionar como uma forma de ascensão social perante os outros, pelo respeito e temor que implica. Por outro lado, em determinadas situações, para além das palavras e dos locais, há que saber desempenhar determinadas acções. Estas são, por norma, realizadas por quem tem legitimidade reconhecida, mas podem ser executadas por delegação. Assim, um indivíduo, numa terminada Casa, embora não desempenhe um cargo, pode ter uma ascendência perante os restantes, pela sua capacidade em dominar o trinómio referido.
No campo das palavras, este saber implica o conhecimento da origem do mundo e da humanidade, dos seres animais e vegetais, dos eventos que marcaram a formação do espaço e do tempo do tas. No contexto da Casa é necessário saber exactamente a origem dos seus fundadores e dos seus aliados – facto importante para dirimir conflitos ou dúvidas, em caso de disputas. O conhecimento destas conexões é uma fonte de legitimidade pessoal e de valorização social.
O processo de aprendizagem é complexo, porque é percepcionado como uma demanda individual. Todos os membros da comunidade, sobretudo os que sempre viveram na montanha, passaram por cerimónias – sobretudo da Casa – nas quais experienciaram a fruição das palavras a ser proferidas. No entanto, o apelo para a aprendizagem é fruto de um desejo interior e de uma capacidade que não é reconhecida a todos, para o ser, há que ter: gubul1 ati2 – cabeça1 capaz2, ou “inteligente”. Reter toda a informação é um processo lento e moroso, pelo que há que buscar a estrutura, que só pode ser obtida junto dos “mestres”.
Os principais mestres que o neófito educando pode ter são os pais ou tios, que desempenham, ou desempenharam, um cargo. Muitos reconhecem que o facto de os terem acompanhado nas tarefas da Casa os ajudou a absorver a informação. Mas, por vezes, há que procurar activamente este saber, contactando com os mestres em
causa, e combinado com estes sessões de aprendizagem que decorrem, por norma, à noite. Para a sessão, o educando deve levar bens comestíveis, vinho e alguma oferta extra, como um cobertor. Como alguns me confidenciaram, ao fim de horas de conversa, pouco se conseguia extrair.
Na realidade, os mestres bunak são ciosos do seu saber acumulado (palavras, locais e actos) e dificilmente facultam toda a explicação solicitada (Berthe, 1972; Friedberg, 1982). O seu discurso é, muitas vezes, comparado a um labirinto: kleuk, em que o caminho dificilmente encontra o objectivo final; rodeia-o. Por outro lado, como me explicou um lal gomo, não pode dizer-se tudo, pois, caso contrário, as pessoas perderiam o respeito. Durante a estadia pude, ainda, presenciar encontros semi- públicos, em que jovens matas tentaram (algumas vezes devido à minha presença) questionar um matas mais velho. Embora quase todos os detentores de cargos com quem conversei reconheçam que o seu percurso de aprendizagem foi feito desta forma, alguns reivindicam, ainda, uma inspiração interior.
Ao contrário do que afirmam certos autores (Hoskins, 1998; Therik, 2004) os meus interlocutores não se mostraram, em momento algum, dispostos a assoberbar-me com as suas narrativas. Pelo contrário, o “segredu” da palavra, prevalece. No entanto, tal como foi algumas vezes referido, a recusa de falar pode esconder outras razões, como a ignorância e o desconhecimento. Neste sentido, eu não estava numa situação muito diferente do matas, que é investido num cargo e que tem que procurar as palavras.
Não foi possível apurar a variedade de géneros narrativos que parece existir noutros contextos (Therik, 2004). Embora a regra de base seja os versos diádicos, comuns ao estilo narrativo do Sudeste asiático, o que destaco na comunidade em estudo como mais pertinente são as posturas narrativas ou atitudinais perante os conteúdos discursivos. Temos, portanto, que discernir os actores e contextos em que as palavras são proferidas, para compreender o seu sentido.
A atitude mais comum perante as palavras é a de temor. As palavras têm um peso, uma densidade que resulta da sua ligação íntima com os antepassados. Proferir as palavras, tal como actuar de forma errada, acarreta consequências de carácter individual e colectivo – no âmbito da Casa ou da comunidade. Pronunciar as palavras,
nomeadamente nomes, pode desencadear a ira dos aludidos, cujos nomes não podem ser proferidos de forma inconsequente, excepto por alguém habilitado ou / e num lugar apropriado. Para proferir as palavras sagradas, é necessário proceder a uma oração preliminar e abrir uma garrafa de vinho. Nesta oração estabelece-se uma ligação com os antepassados (para os avisar que os seus nomes vão ser proferidos) e procura-se assegurar a integridade dos participantes. O exemplo seguinte ilustra esta situação; reporta-se à oração inicial que precedeu a segunda entrevista formal efectuada ao
matas Paulo Mota, em 2004:
1. hot o hul pan o mug
2. meterei lolo uen meterei hot mil 3. nei opi tata op bei gontiet
4. nei Lete Bele Mauk Sina Bau Mau Bau Mali Sina Mali Bele Mali
5. Tau Bele Luan Meta
6. Dasi Mau Lae Mali Mali Na Mau Na 7. nei atal olo no o lua no
8. ie dele ie zal
9. meterei lolo uen meterei hot mil 10. nei ibug tetu nei ua lal
11. hani hahei hani lag mag 12. isin na gita golo go na gita gial 13. tue hot a mug
14. ba’a na lake na ba’are apal na ba’are 15. isin gonion na gita golo go gonion na gita gal 16. si…Orlando, Lucio
17. isin na gita golo go na gita gial 18. gaga ni ata rapal gup ni ata debeg 19. sulat na gizi…papel na gita, lapis na hone 20. giri ata ho’on gon ata mimig
21. giri ni na site gon ni na kene 22. dene giri kina gon no kuen
23. masak mil solon solon gene taeg taeg gene 24. ie ata na gine hele kere ie ata na gini haula 25. tue kornel a maiol
26. tue hot a mug
27. ba’a na lake na ba’are apal la ba’are 28. si isin na gita golo gon na gita gal 29. dale gie ba’are bote gie ba’are 30. pan na basin gie mug nabe ‘on gie na 31. nibe tie lon gene zap lon gene 32. tege dele ba’are tege tetu ba’are
33. si isin gonion gita golo gon gonion gita gal si 34. sena ni ati soul ni hono
35. ata hurug loi uga loi
sol e lua céu e terra
hoje neste local, hoje neste dia
nossos cinco grandes bisavós, enormes avós nossos Lete Bele Mauk Sina Bau Mau Bau Mali Sina Mali Bele Mali
Tau Bele Luan Meta
Dasi Mai Lae Mali Mali Na Mau Na
nós somos os vossos netos, os vossos descendentes
levamos o vosso [caminho] hoje neste local, hoje neste dia
falamos da nossa origem, do nosso caminho não se assustem, não se surpreendam para estes corpos, para estas sementes o vinho [de palma] do sol, a comida da terra com ele vamos abrir, com ele vamos iniciar para estes corpos, para estas sementes assim… Orlando, Lucio
aqui está o corpo, aqui está a semente
para que a voz aumente, para que língua se desenvolva
o papel para escrever… com o papel pegamos no lápis
para descrever o percurso e os feitos realizados o percurso correcto os feitos dignos
o percurso completo, os feitos bons
de todos os grandes antepassados, um por um com o vosso acordo, com a vossa ajuda o vinho coronel a comida major
o vinho do sol, a comida da terra vão abrir, vão desvendar
assim o corpo está repleto e seguro estas histórias estas explicações do céu ainda oco da terra vazia até aos teus descendentes actuais
estas histórias, estas explicações que vamos dar assim para estes corpos, para estas três sementes
estas pessoas aqui presentes dar-lhes boa frescura e boa vida
36. tie gini ata pa’ zap gini ata og 37. Saude…
38. Viva Luaben, saude, saude
o galo vai cacarejar o cão vai ladrar Saúde…
Viva Luaben, saúde, saúde
Friedberg (1982) refere que, em Lamaknen, era igualmente necessário proceder ao sacrifício de determinados animais. Somente uma vez fui interpelado neste sentido, neste caso o animal a sacrificar seria um búfalo (o animal mais prestigiado).
Por outro lado, as palavras e a sua revelação são parte das funções de determinados indivíduos que detêm a prerrogativa de falar ou comentar determinado tema, seja ele da Casa ou da comunidade. Assim, falar sem “direitu” é interferir na ordem estabelecida e pode ser punido com multa: tues.
Porém, é possível falar sobre determinados assuntos sem se estar para isso habilitado. Basta que, para tal, se tenha o cuidado de não desvendar muito, deixando- -o muito incompleto, ou em aberto, o discurso. Esta situação pode ocorrer numa situação dual ou em grupo, nomeadamente aquando de cerimónias fúnebres em que, paralelamente ao “holon” – o cântico ritual (individual e colectivo) – se cavaqueia, em pequenos grupos.
Esta conversa, em prosa, denominada koalia halimar, em Tétum, significa “conversar a brincar”. No entanto, no calor da conversa e do debate aceso que muitas vezes se gera na discussão de eventos particulares, testemunhei, em algumas situações, ao recurso aos versos diádicos como forma de legitimar um argumento e, algumas vezes, à designação de um nome tutelar. Mas estes casos ocorrem, sobretudo, entre pessoas que desempenham cargos e têm, por isso, a autoridade para o fazer. Há assim, uma arte oratória própria, que destaca indivíduos que, pelas suas capacidades de presença, conseguem impor respeito ou temor (que está sempre associado aos responsáveis).
A diferença estatuária entre este tipo de discurso em prosa e o discurso mais oculto e restrito em que são referidos eventos e nomes é marcada pela necessidade de introduzir, previamente, uma pequena oração, que alerta as entidades para o facto de os seus nomes irem ser proferidos, salvaguardando, desta forma, a saúde dos interlocutores. A oração preliminar é, como veremos, um elemento essencial na garantia de continuidade da comunidade. Esta situação ocorre, principalmente,
aquando da enunciação de narrativas como a magalia, o bei gua, em situações públicas e privadas (todas as reuniões que tive foram previamente objecto desta salvaguarda).
Numa situação intermédia entre estes dois tipos de postura encontra-se o campo vasto das hamula’ ou hamulak – do Tétum, orações, preces. Estas orações são proferidas em variadíssimas circunstâncias, em momentos privados ou públicos – da Casa e da comunidade – em rituais agrícolas, cerimónias da Casa, eventos do ciclo de vida ou nos processos divinatórios. No contexto da Casa, as preces devem ser asseguradas pelos matas, ou alguém por ele designado. No âmbito de questões comunitárias, podem ser proferidas por um bei ou um deu gonion: responsáveis que se analisaram, de seguida. No entanto, as preces podem, também, ser proferidas por qualquer pessoa, homem ou mulher, sobretudo no contexto dos trabalhos agrícolas.
Embora não sejam indicadas nos géneros narrativos há, ainda, uma quarta forma de proferir palavras: no contexto da divisão de bétel e areca, o pronunciamento das quantidades respectivas é um processo simulador dos reais nomeados e, como tal, pode-se considerar este facto como um processo narrativo, eminentemente performativo na sua essência.
A palavra é proferida essencialmente por homens. No entanto, há mulheres que detêm, igualmente, o conhecimento das palavras mais ocultas. Todavia, o papel das mulheres na pronunciação das palavras é mais reservado ao domínio interior da Casa ou no campo. No domínio ritual comunitário, só houve uma ocasião em que as mulheres tomaram um lugar de destaque público: a e’, durante a il po’ ho’.
No entanto, no plano doméstico, no interior da Casa, a complementaridade dos géneros pode observar-se na execução do iel1 gie2 ‘on3 – fazer3 (com) que2 cresça1 , rito que se executa antes de cozinhar o arroz, aquando de rituais da Casa. Esta prece é um dos primeiros temas de estudo de qualquer novo matas. Trata-se da recitação das Casas aliadas, doadoras e tomadoras de mulheres, respectivamente: deu gomo,
nai mil e os aiba`a. A sua execução é feita pelo matas, que nomeia as Casas, no que é
posteriormente), que coloca simultaneamente um punhado de arroz cru no grande cesto.
A ligação entre a execução de actos e a pronúncia de palavras é tão estreita que uma das formas de distinguir o tipo de narrativa é designar lal1 guzu2 – palavras negras (do escuro), ou lal1 belis2 – palavras brancas (da claridade). As primeiras são enunciadas
aquando de cerimónias fúnebres, enquanto as segundas são declaradas no decurso de cerimónias que envolvem a construção / reconstrução da Casa sagrada. Outra forma de distinguir as palavras é através da separação dos discursos hurug e tinu. O primeiro, “fresco”, versa sobre o caminho dos antepassados, enquanto o segundo, “quente”, é o caminho da guerra. Em princípio, os discursos bei gua não integram, de forma clara, os conflitos armados.
O carácter restrito e inacessível da palavra não é somente de acesso delimitado ao antropólogo. Em conversas informais com os professores locais, este confronto de metodologias era claramente exposto: os professores devem procurar que os seus estudantes saibam tudo para o exame, devendo por isso ensinar bem (tudo) sem ocultar nada, o inverso do que ocorre com a leccionação dos matas. A consequência deste secretismo é, para muitos, a perda da palavra73.
Os matas, cientes do estatuto dos professores na comunidade, não se coíbem de os repreender, igualmente, por só saberem o que vem nos livros. Pude presenciar a prédicas dos matas, em relação aos matenek sira – os inteligentes, “intelectuais”, que ignoram ou desprezam o saber oral e as narrativas, não procurando ou não querendo perder tempo em conhecerem as palavras dos antigos.
73
Em privado, recebi este lamento de alguns jovens matas ou jovens com cargos rituais. Em duas ocasiões assisti ao desafio público dirigido aos mais velhos com o argumento de que, se eles não ensinassem as palavras e procedimentos correctos, o futuro da comunidade estaria em perigo para todos.
Foto 11 – Registo escrito da recitação da
magalia Namau Deu Gol. 2003.
Foto 12 – Pormenor do Bei Gua – Tata
Gibuk da Casa Dato Pou Tato Metan,
facultado por indicação do seu matas Julião. 2006.
No entanto, alguns dos matas mais jovens já sabem escrever e usam cadernos para registar as palavras. Noutros casos, a tarefa é efectuada por membros da família. É o caso da Foto 12, que ilustra o Bei Gua Tata Gibuk – “o itinerário dos antepassados o caminho dos avós”, da Casa Dato Pou Tato Metan74
. Outros, fizeram gravações de recitações guardando ciosamente estas cassetes. O recurso à fotografia e ao vídeo ocorre, igualmente, sobretudo por parte dos naturais que vivem em Díli e Maliana e que regressam nos dias dos grandes rituais.
74
Este exemplar foi-me facultado pelo seu matas Julião. Neste caso, o conhecimento e interesse de alguns dos membros desta Casa em elaborarem o seu “livro” foi incentivado pelo conhecimento do Bei Gua, de Berthe (1972). Vários exemplares encontram-se agora distribuídos por alguns elementos da família, embora a prerrogativa da sua utilização dependa do chefe da Casa.