Fevereiro de 1943.
Na manhã do dia 7 de fevereiro, o navio hospital Aurora par- tiu de Nova York com destino a Liverpool, no Reino Unido. As amigas enfermeiras estavam de prontidão quando o navio par- tiu. Para Mila e Lulu, a noite anterior foi uma festa. Já para Bibi, aquele dia foi um tanto marcante pelos acontecimentos que, a seu ver, foram surreais.
Por volta das 15h, Mila apresentou Kevin Stuart a Bibi. O rapaz era o mesmo que havia chamado sua amiga para dançar.
— Amiga! — Mila tocou o ombro de Bibi, que estava en- costada no corrimão admirando o imenso mar. Eles estavam no convés dos botes salva-vidas.
— Oi! Olá! Tudo bem? — A morena olhou para os dois. — Esse é o Kevin! — Apresentou.
— Muito prazer! Eu lembro de você... foi ele quem te cha- mou para dançar, não foi? — Olhou para a amiga.
— Sim, sou eu! — O rapaz se pronunciou.
— Mas, vocês dois já estão... — Foi cortada pela amiga. — Não, não, ainda estamos nos conhecendo!
— Hum, então cuide bem dela viu! Não a decepcione! — Bibi alertou.
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— Amiga, para! — Mila segurou no antebraço de Bibi. — Não se preocupe senhorita... — Procurava-lhe o nome. — Abigail!
— Pronto! Não se preocupe, senhorita Abigail farei o pos- sível e o impossível para manter esse sorriso bonito no rosto da Camila! — Esse era o nome de Mila.
À noite, Bibi e suas amigas, juntamente com os seus acom- panhantes, foram jantar no Grande Salão do navio. Naquele mesmo momento, Andrew pediu Luísa em namoro. Esta ficou emocionada e acabou por aceitar o pedido do jovem com quem vinha se relacionando. Abigail sorriu, porém por dentro sentiu que algo de bom não viria a acontecer.
As horas passavam, o navio navegava ferozmente, no entan- to, com cautela, devido aos submarinos alemães que patrulhavam o atlântico sedentos pelo caos e desgraça causados pelo naufrágio de navios. O Aurora tomou uma rota pelo norte do atlântico, que o levava em direção à Irlanda do Norte. Os dias se passavam e o trajeto era realizado com sucesso. O navio passou pela Irlanda do Norte, depois pela Ilha de Man e, por fim, chegou em Liver- pool na manhã do dia 12.
Naquele dia, o majestoso navio aportou no porto da cidade, onde desembarcaram os soldados e a equipe médica. Segundo o iti- nerário do Aurora, na tarde daquele mesmo dia, o navio hospital es- tava marcado para rumar até a cidade Southampton, porém houve alguns problemas técnicos nas máquinas do navio, o que ocasionou a estadia do gigante em Liverpool durante todo o dia. Mesmo que a grande maioria dos soldados e médicos fossem embora, alguns re- solveram ficar por mais um dia, que foi o caso de Andrew e Kevin. À noite, as três enfermeiras haviam recebido uma pequena folga e marcaram para sair juntas.
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— O Andrew não vai? — Mila perguntou para Lulu. — Não, disse a ele que iríamos ter uma noite entre amigas! — Respondeu. — E o Kevin?
— Ele não vai! Disse que a noite era nossa e que não queria atrapalhar. Além disso, ele já se despediu de mim porque já iria se juntar aos demais do pelotão!
— Então vamos, não é? Já está na hora! — Bibi indagou. O trio se dirigiu para um pequeno estabelecimento que fi- cava na Bankfield Street. O local era uma cafeteria recomendada por Olavo Lima, um conhecido das garotas que havia feito inú- meras viagens à Inglaterra antes da guerra. As três entraram, Bibi era a última, porém a morena avistou um rústico restaurante que continha uma grande vidraça na fachada, pela qual pode observar uma cena que a deixou irritada e intrigada ao mesmo tempo.
As amigas se acomodaram em cadeiras de madeira de euca- lipto com detalhes em seus pés, e encostaram seus delicados bra- ços sobre uma mesa feita da mesma madeira e coberta com uma toalha branca com rosas estampadas ao seu redor. Fizeram o pedi- do, começaram a conversar sobre assuntos do seu dia, no entanto, Luísa notou Abigail um tanto estranha.
— Bibi, tudo bem? — Lulu adiantou-se. Ela permaneceu calada. — Ei, Abigail, estou falando com você! — Luísa insistiu.
— Tenho algo que preciso te falar! — Finalmente quebrou o silêncio.
— O que é? Fala! — A garota implorou.
— Diga o que aconteceu! — Camila também ansiava saber do que se tratava.
— Quando estávamos entrando na cafeteria, eu vi uma cena que me decepcionou, mas que ao mesmo tempo eu sabia que a qualquer momento isto iria acontecer! — Ficou com ar de suspense.
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— Anda Abigail! Conta logo de uma vez, para de enrolar! — Luísa ficou um pouco alterada.
— O Andrew é um cafajeste! — Declarou.
— O que? — Lulu impressionou-se, não entendia o que es- tava ouvindo.
— É isso mesmo que você ouviu! O seu namorado é um ca- fajeste! — Bibi acusou com toda a autoridade.
— Você não sabe o que diz! Está possessa de ciúmes! — De- clarou já chorando. —Você gosta dele, não é? Por isso está fazen- do isso!
— Não gosto daquele patife. Deus me livre! Mas, se você acha que eu estou mentindo, venha comigo! — Bibi levantou, deixou o pagamento na mesa e saiu apressada pela porta. Ambas as amigas a seguiram.
Abigail seguiu até o restaurante ao lado e entrando com as suas amigas, apontou para a mesa onde estava Andrew e uma jovem de olhos castanhos, madeixas louras, pele clara e que vestia um vesti- do rosa decorado. Luísa não acreditou no que viu e ficou furiosa ao ver o namorado beijando descaradamente outra mulher.
— E então? Tá esperando o quê? — Bibi atiçou a raiva da amiga que foi em direção a Andrew.
— Luísa? — O rapaz assustou-se e deu um pulo da cadeira onde estava.
— Não tem vergonha? Seu cafajeste! — A moça ergueu o braço direito e deu um tapa na cara do rapaz, que cambaleou para trás, derrubando a cadeira em que estava sentado e por fim cain- do. Lulu saiu correndo. Estava decepcionada. Mila saiu atrás dela.
— Espera, Luísa, não é o que você está pensando! — O rapaz gritou enquanto se levantava. Ele ainda andou até a porta, mas foi impedido por Bibi.
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letra
— Nunca mais chega perto da gente! — A morena avisou, e quando fazia um movimento para sair do local, deu um giro e acertou um chute nos genitais de Andrew que caiu instanta- neamente gemendo de dor. O rapaz foi totalmente humilhado na frente daqueles que estavam no local e observavam a situação. Após os acontecimentos no restaurante, Bibi seguiu suas amigas, que retornaram para o navio. No quarto, as três conversa- ram. Lulu pediu desculpas à sua amiga de infância pelo que tinha dito na cafeteria, e foi desculpada. Camila e Abigail ficaram com sua amiga até que ela dormisse. No dia seguinte, o trio partiu para Southampton.
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