10 Corporificação e Enação 25
01.11. A nuvem fundacional de Varela 39
10.11.10. O Cognitivismo 42
O pensar como as pessoas pensam é algo que intriga o ser humano há muito tempo, e cada vez mais surgem novos arcabouços, teorias, modelos e propostas de arquiteturas cognitivas para tentar explicar algo que parece aos leigos algo muito difícil de explicar, e que provoca ares de indignação e desconfiança, pois para quem não está no meio científico, a tarefa parece de fato extremamente complexa.
A inovação propiciada pelo Cognitivismo tem suas origens remotas nos modelos S-‐R (estímulo-‐resposta) de Pavlov e tem em Neisser (1967) e Von Neumann (não considerado no gráfico inicial de Varela e seus colegas) importantes representantes, pelo fato de terem desenvolvido a Teorias dos Sistemas e Processamento da Informação para computadores (1953), respectivamente.
Pavlov defendia que o comportamento geralmente é definido por meio de unidades analíticas, respostas e estímulos, investigadas pelos métodos utilizados pela ciência natural chamada Análise do Comportamento. O investigador acreditava que, por meio do estudo dos processos mais simples de aprendizagem, poderia vir a compreender os processos mentais superiores e elaborar, a esse respeito, uma teoria estável, baseada em dados exclusivamente experimentais (Cardoso, 1993).
Estímulo Absoluto → Reflexo Absoluto (incondicionado)
Estímulo Indiferente + Estímulo Absoluto → Reflexo Absoluto (incondicionado)
Estímulo Indiferente → Reflexo Condicionado
A forma esquemática anterior resume o descobrimento do reflexo condicionado de Pavlov, que observou que o estímulo absoluto (desencadeador natural de alguns reflexos) era o gerador do reflexo incondicionado (que o autor nomeava também como instinto), enquanto a soma desse com o estímulo indiferente (não natural), levava também ao mesmo tipo de reflexo. Ao se separarem os estímulos, entretanto, algo diferente acontecia, depois de certo tempo de tal combinação, o estímulo indeferente usado de forma independente do absoluto outrora combinado, propiciava um outro tipo de reflexo, condicionado a ele. (Cardoso, 1993)
Neisser, por sua vez, ao lançar seu Cognitive Psychology (1967), foi decisivo para tornar conhecido o Cognitivismo ao difundir tais informações a estudantes e a professores universitários. Neisser propunha uma análise cognitiva da percepção, da atenção, da linguagem, da memória e do pensamento, não apenas considerando estímulos e respostas, mas também os processos que intervém entre o estímulo e o comportamento. Assim, o autor (1967) definiu Psicologia Cognitiva como o estudo da maneira como as pessoas aprendem, estruturam, armazenam e usam o conhecimento.
Finalmente Von Neumann tem sua importância no surgimento do Cognitivismo, pois teve grande contribuição para a Ciência da Computação. Ele tinha “interesse em fundamentos da computação e suas relações com o cérebro humano. Sua principal motivação foi a tentativa de unificar ideias existentes na época” (meados do século XX, entre 1940 e 1948) “relativas ao processamento de informações por organismos vivos e por dispositivos artificiais” (Kowaltowski,1996:01).
O Cognitivismo nasceu, oficialmente, em 1956 a partir de duas conferências realizadas em Cambridge e Darthmouth. Nelas, novos pesquisadores formularam ideias que se
tornaram linhas mestras da Ciência Cognitiva dos anos 1990.
“Defino a Ciência Cognitiva como um esforço contemporâneo com fundamentação empírica para responder questões epistemológicas de longa data – principalmente aquelas relativas à natureza do conhecimento, seus componentes, suas origens, seu desenvolvimento e seu emprego” (Gardner, 1985).
Para Varela (et al., 2001), a concepção central por trás do Cognitivismo é que a inteligência – inclusive a inteligência humana – assemelha-‐se de tal modo à computação em suas características essenciais que a cognição pode realmente ser definida (processos computacionais baseados em representações simbólicas).
O argumento cognitivista é que o comportamento inteligente pressupõe a capacidade de representar o mundo como sendo exato, isto é, partir do princípio de que um agente atua representando aspectos relevantes das situações, e que na medida da maior ou menor
precisão da representação de uma situação, o comportamento do agente terá maior ou menor sucesso.
O argumento cognitivista é que esse paralelismo nos mostra como a inteligência e a internacionalidade são física e mecanicamente possíveis, sendo assim, surge a hipótese de que os computadores fornecem um modelo mecânico de pensamento, ou que o pensamento consiste em computações físicas de natureza simbólica. Dessa forma, a ciência cognitivista se transforma em um estudo de sistemas de símbolos cognitivos físicos.
Os cognitivistas, na época da feitura do livro de Varela e seus colegas, não defendiam que fosse necessário abrir a cabeça de alguém e o olhar para o cérebro buscando encontrar pequenos símbolos a serem manipulados, de outro lado, sua hipótese implicava um argumento muito forte sobre a relação entre a sintaxe e semântica, fazendo um paralelo entre mentes e programas de computador, nos quais a sintaxe do código simbólico reflete ou codifica a sua semântica.
Já na linguagem humana está muito longe de ser óbvio que todas as distinções semânticas relevantes em uma explicação do comportamento possam ser refletidas sintaticamente.
“Embora saibamos de onde vem o nível semântico das computações de um computador (...), não temos qualquer ideia de como as expressões simbólicas supostas pelo cognitivista como tendo sido codificadas no cérebro podem adquirir o seu significado” (Varela et al., 2001:72).
Sendo assim, pode-‐se dizer que a cognição consiste no processamento de informações como computação simbólica, ou seja, manipulação de símbolos com base em regras, e funciona por meio de instrumentos que possam suportar e manipular elementos funcionais discretos (os símbolos), e é possível averiguar se um sistema cognitivo está funcionando adequadamente quando os símbolos usados representam de modo apropriado algum aspecto do mundo real e o processamento da informação conduz a uma solução bem sucinta do problema apresentado ao sistema”. (Varela et al., 2001:72)
Manifestações do Cognitivismo
Varela (2001) aponta que o Cognitivismo pode se manifestar em diversos fluxos. Dentre esses destacam-‐se a Inteligência Artificial, o cérebro, a Psicologia, a Psicanálise, a experiência humana e a mente computacional.
Dentre eles, é na Inteligência Artificial que as manifestações de Cognitivismo são mais visíveis, pois essa é a interpretação literal da hipótese cognitivista. Nesse campo, ao longo dos anos, importantes avanços foram feitos, entre os quais destacam-‐se interessantes avanços teóricos, desenvolvimento de aplicações em sistemas periciais, robótica e processamento de imagens, entre outros.
Outro efeito do Cognitivismo é o modo como esse moldou pontos de vista sobre o cérebro. Na teoria, o Cognitivismo é compatível com muitos pontos de vista acerca do cérebro, na prática quase toda a Neurobiologia se deixou infiltrar pela perspectiva do processamento de informação cognitivista.
Segundo os autores (2001:75) “a Psicologia é a disciplina que para a maior parte das pessoas se ocupa de estudo da mente. Ela precede a Ciência Cognitiva e o Cognitivismo e não é o coextensiva com nenhuma delas”. De qualquer forma, pode-‐se, segundo os autores, mapear influências do Cognitivismo sobre a Psicologia no que diz respeito à:
• Relação de meditação de atenção;
• Desenvolvido pela tradição de meditação da Índia;
• Comportamento “as ações falam mais alto que as palavras”;
• O behavorismo9, que dominou totalmente a Psicologia Experimental norte-‐ americana desde 1920.
Deve-‐se destacar também o surgimento dos primeiros sinais de uma psicologia cognitiva experimental pós-‐behavorista, a partir de 1950. O “truque desses primeiros
9 "Os homens agem sobre o mundo, modificam-‐no, e, por sua vez, são modificados pelas consequências de
sua ação". (Skinner, 1978:15). Ou: "A Psicologia (...) é o estudo da interação entre organismo e ambiente". (Harzem e Miles, 1978:47). Ou ainda: "Na ausência de uma distinção arbitrária, o termo comportamento deve incluir a atividade total do organismo -‐ o funcionamento de todas as suas partes" (...) "A definição do objeto de estudo de qualquer ciência (...) é determinado em grande parte pelo interesse do cientista (...) Estamos interessados primariamente no movimento de um organismo em algum quadro de referência" (Skinner, 1961:337).
investigadores (...) era encontrar meios experimentais para a definição e medida do efeito de um dado fenômeno mental proibido” (Varela et al., 2001:76).
Nesse sentido, pode-‐se mapear a influência que teve o Cognitivismo na investigação experimental da mente pois esse, na sua forma explícita, estabelece limitações à teoria e gerou inicialmente um debate filosófico: no Cognitivismo as imagens mentais, tal como qualquer outro fenômeno cognitivo, podem ser explicadas não mais que pela manipulação de símbolos por regras computacionais, no entanto, experiências como as de Shepard e Kosslyn, demonstram que as imagens mentais se comportam de um modo contínuo.
Shepard & Metzler (1971) introduziram o conceito de rotação mental em Ciência Cognitiva com o que se tornou uma das experiências mais conhecidas da área. Além de apresentar bonitas imagens, produziu resultados muito claros que refutavam a doutrina behaviorista, que ainda representava uma influência considerável entre psicólogos, ao indiciar que os processos de pensamento dependiam inteiramente da linguagem. Ao sugerir que as representações analógicas têm um papel importante a desempenhar no pensamento, os resultados também levantaram dificuldades, à primeira vista, para o modelo de computador (digital) da mente que está no cerne da Ciência Cognitiva.
Kosslyn é conhecido principalmente por suas pesquisas e teorias sobre imagens mentais. Sua teoria é que, ao contrário do senso comum, a visualização e percepção das imagens não são um fenômeno único e unificado. Ao contrário, elas consistem de uma coleção de funções distintas, cada qual é responsável por um aspecto diferente da imagem.
Em seus estudos ele decompôs tais funções em quatro conjuntos de processos, responsáveis pela geração da imagem: ativação de informação armazenada na memória de longo prazo e a construção de uma representação em memória a curto prazo; a inspeção do objeto na imagem (reinterpretação, por exemplo), manutenção da imagem ao longo do tempo; e a transformação da imagem (se desejado) (Kosslyn, 1980).
Sua investigação, que incluiu imagens de ressonância magnética e técnicas semelhantes, localizou algumas dessas funções em diferentes redes neurais, algumas, inclusive, se encontravam em diferentes hemisférios do cérebro. Por exemplo, o seu laboratório
demonstrou que a metade esquerda do cérebro é melhor para codificar categorias e gerar imagens mentais com base nelas, enquanto a metade direita é melhor para codificar exemplos específicos ou distâncias contínuas e para a geração de imagens que têm tais características.
De outro lado, a teoria psicanalítica refletiu grande parte do desenvolvimento da Ciência Cognitiva. Para Freud, nada podia afetar o comportamento, a não ser que fosse mediado por uma representação, ou mesmo um instinto. Para ele, um instinto nunca pode constituir o objeto de uma consciência – é apenas a ideia que representa o instinto. Mesmo o próprio inconsciente apenas pode ser representado pelas ideias.(Varela et al., 2001)
Freud entendia as representações como entidades analógicas e imagéticas que se originam da percepção, interna (os traços mnésicos10 das excitações internas) ou externa (as imagens mnésicas dos objetos), e são concebidas como unidades mentais — fundamentalmente imagens psíquicas de objetos e sensações exteriores ao aparelho psíquico. Como não são entidades isoladas, mas estão relacionadas em redes associativas que espelham sua ocorrência na realidade externa, são capazes de representar também relações e eventos.
Segundo os Varela (et al.,2001), para Freud nem todas as apresentações eram acessíveis à consciência; ele nunca pareceu ter qualquer dúvida de que o inconsciente, por tudo aquilo que poderia operar em um sistema simbólico diferente da consciência, era inteiramente simbólico, intencional e representacional.
O conceito de inconsciente está intrínseco à Psicanálise, de modo que se fosse resumir em uma palavra todo o saber psicanalítico, essa palavra seria o inconsciente. Tal conceito entranha-‐se na Cultura Ocidental e na Ciência, sendo usado ora para entender os múltiplos sinais do comportamento humano, ora sendo considerado corriqueiro e ignorado pela psicologia da consciência.
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Relativo à memoria. Freud usavaestaexpressãoparadesignar a forma comoosestímulos se inscrevemnamemória.
Já a fim de questionar a influência do Cognitivismo na experiência humana, Varela e seus colegas (2001) destacam inicialmente dois argumentos:
• “o Cognitivismo postula processos mentais ou cognitivos dos quais não só não damos conta como dos quais não podemos dar conta;
• o Cognitivismo é, desse modo, levado a abraçar a ideia de que o eu ou o sujeito cognoscente é fundamentalmente fragmentado ou não unificado”.(Varela et al., 2001:80)
Segundo os autores (2001), não podemos diferenciar na tomada de consciência atenta ou em introspecção autoconsciente nenhuma das estruturas e processos cognitivos que são postulados para explicar o comportamento cognitivo, ou seja, na realidade, se a cognição é uma computação simbólica, há uma discrepância entre pessoal e subpessoal11, uma vez que se presume que nenhum de nós está ciente de uma computação em um meio simbólico interno. Afinal, se tais sistemas subpessoais pudessem se tornar processos conscientes, então não poderiam ser rápidos e automáticos, e portanto, não poderiam funcionar adequadamente.
Assim, o Cognitivismo desafia a convicção de que a consciência e a mente ou tendem para um mesmo fim ou existe uma ligação essencial ou necessária entre elas. Para eles, a cognição e a intencionalidade (representação) são o par inseparável, e não a cognição e a consciência.
“De acordo com o Cognitivismo, a cognição pode acontecer sem a consciência, pois não existe uma ligação essencial ou necessária entre elas, visto que o desafio cognitivista não consiste simplesmente em declarar que não podemos encontrar o eu. Consiste, pelo contrário, na implicação de que o eu não é necessário para a cognição”. (Varela et al., 2001:83)
Para aprofundar essas questões, os autores lançam mão do trabalho de Ray Jackendoff. Sua pesquisa foca a relação entre esses dois aspectos, que chama de mente computacional (raciocínio) e mente fenomenológica (mundo experiencial, ou, em termos da fenomenologia, para um mundo vivido). O autor conclui que a Psicologia não tem
agora apenas dois domínios para se preocupar (o cérebro e a mente), mas,sim, três: o cérebro, a mente computacional, e a mente fenomenológica. (Varela et al., 2001)
Figura 2: representação da mente computacional (Jackendoff, 1987)
“The upshot is that psychology now has not two domains to worry about, brain and mind, but three: the brain, the computional mind and the phenomenological mind (…)The “phenomenological mind-‐body problem” (…) is how can a brain have experiences? The “computational mind-‐body problem” is how can a brain accomplish reasoning? In addition, we have the mind-‐mind problem, namely, what is the relation between computational states and experience?12” (Jackendoff, 1987:20).
A intenção de Varela e seus colegas, ao tomar partido pelo trabalho de Jackendoff, está fortemente ligada à necessidade que Jackendoff tem de uma “complementação da Ciência Cognitiva com uma abordagem da experiência humana ilimitada, pragmática e atenta, tal como encontramos na tradição da Atenção/Consciencialização” (Varela et al., 2001:86).
Eles apontam para o fato de Jackendoff considera toda distinção fenomenológica como “causada por /sustentada por/, projetadas a partir de uma distinção computacional correspondente” (Jackendoff apud Varela et al., 2001:86), ou seja, ele explica que qualquer modelo computacional da mente que vise a elucidar a mente fenomenológica
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“O ponto aqui é que a Psicologia passa a ter a partir de agora não dois domínios de interesse, cérebro e mente, mas três: o cérebro, a mente computacional e a mente fenomenológica. (...). Então há agora o problema “mente fenomenológica-‐corpo” (...) que investiga como pode um cérebro ter experiências? O problema “mente computacional-‐ corpo” que investiga como pode um cérebro desenvolver o pensamento racional? Além desse há também o problema mente-‐mente, isto é, qual a relação entre estados computacionais e experiências?”
deve apresentar os recursos que possibilitem explanar todas as diferenciações que as pessoas fazem em sua experiência consciente.
10.100. O “eu da tempestade”
Ao defender uma via intermédia entre o abandono da experiência e sua inquestionada aceitação, Varela (et al., 2001) passa a se dedicar à exploração dessa via, que tem como tema a experiência do eu. Parte então para uma reflexão sobre mentes sem eu e experiência humana (o “eu da tempestade” ou “I of storm”, no texto original). Nesse ponto de seu trabalho é possível perceber que a desunião do eu e da consciencialização, descoberta pelo Cognitivismo, é ponto focal da tradição Atenção/Consciencialização. O self
“Somos apanhados por uma contradição. Por um lado, mesmo uma observação apressada de nossa experiência mostra-‐nos que esta se está a modificar continuamente e, além disso, está sempre dependente de uma situação particular. (...). Não temos experiência de qualquer coisa que seja permanentemente e independentemente dessas situações. No entanto a maior parte de nós está convencido das nossas identidades: (...) personalidade, memórias e recordações, planos e antecipações, que parecem vir formar um ponto de vista coerente, um centro a partir do qual contemplamos o mundo, o terreno no qual nos encontramos.” (Varela et
al., 2001:91)
Em seu livro, A Mente Corpórea, Francisco Varela (et al., 2001) discorre sobre as mentes sem um self, que, em conformidade com Hegel, ao afirmar que self se funde com aquele conceito de autoconsciência em que: “a consciência primeiro encontra a si mesma na autoconsciência”, parece reportar-‐se a uma discussão sobre as mentes sem um ego. Os autores apontam para o fato de que nunca houve, “em todas as tradições reflexivas da história da humanidade – Filosofia, Ciência, Psicanálise, Religião, Meditação – (...) alguma que tivesse pretendido descobrir um self independente, fixado ou unitário no âmbito do mundo da experiência”. (Varela et al., 2001:92)
O autor apresenta a terminologia Abhidharma13
que surge como um estudo da formação emergente de experiência direta sem a base de um ego-‐self. É uma preocupação contemporânea científica a respeito das propriedades emergentes das sociedades da mente. Com base nos textos do Abhidaharma examina-‐se o surgimento do sentido do self que não é examinado como categoria ontológica, mas como descrições da experiência e indicadores para a investigação.
Segundo os textos, Varela, Thompson e Rosh (2001), apontam que há cincos agregados que constituem o complexo psicofísico que faz uma pessoa e cada momento da experiência. A saber: formas, sentimentos/sensações, percepções/impulsos, formações e consciência.
• Formas: Refere-‐se ao corpo e ao meio físico, os órgãos dos seis sentidos: olho, ouvido, nariz, língua, corpo e mente. Os órgãos do sentido referem-‐se ao mecanismo físico da percepção. A matéria é descrita experiencialmente, sendo o corpo o ponto de localização dos sentidos.
• Sentimentos/sensações: os nossos sentimentos são certamente auto-‐relevantes, modificam-‐se de momento a momento. Debatemo-‐nos interminavelmente na busca do prazer e na vontade de evitar da dor. Os sentimentos afetam o self. • Percepções (discernimento)/ impulsos: este agregado refere-‐se a uma ação na
direção do objeto discernido e é de extrema importância em um momento de experiência. Diz-‐se que existem três impulsos de raiz; paixão/desejo (pelos objetos desejáveis), agressão/ira (pelos indesejáveis), e delírio e ignorância (objetos neutros).
• Formações disposicionais: este agregado refere-‐se a padrões habituais de pensamento, sentimentos, percepção e ação. Ego-‐self; normalmente não identificamos os nossos hábitos como o nosso self.
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Abhidharma (em sânscrito) são textos budistas antigos (século IIIaC) que contêm detalhadas releituras doutrinárias de material escolástico e científico que aparece nos sutras budistas, segundo classificação esquemática. As obras Abhidhamma não contêm tratados filosóficossistemáticos, mas resumos ou listas abstratas. Segundo a Enciclopédia Macmillan de Budismo, Abhidhamma começou como uma elaboração dos ensinamentos dos suttas, mas depois desenvolveu doutrinas independentes.
• Consciências: é a experiência mental que acompanha os outros quatro agregados; tecnicamente, é a experiência que surge do contato de cada um dos órgãos dos sentidos com o seu objeto (juntamente com o sentimento, impulso, e hábitos que é suscitado).
Segundo os autores, a consciência refere-‐se ao sentido dualista de experiência na qual existe um sujeito experienciador, um objeto experienciado, e uma relação (ou relações) que os unem. A consciência é apenas um modo de conhecimento. A cada momento da experiência há um sujeito experienciador diferente, bem como um objeto de experiência diferente, ou seja, “à medida que os conteúdos da experiência surgem – pensamentos discursivos, tonalidades emocionais, sensações corporais – o meditador está atento (...) ao pensar e voltando sua atenção para o interminável processo dessa experiência” (Varela et al., 2001:95).
Dessa forma, percebe-‐se que não existe um self experienciado, portanto, pode-‐se pensar no próprio corpo como sendo esta ligação, tudo depende do nosso critério de identidade de cada um na situação em causa, positivo ou negativo, sim e não. Em suma não pode depender do modo como alguém escolhe para olhar para ele (um modelo).
Portanto, o que os autores (Varela et al., 2001) afirmam é que a cognição e a experiência não parecem ter um self verdadeiramente existente, mas também que a habitual crença em um ego-‐self, o contínuo apego a um tal self é a base da origem e continuação do sofrimento humano e dos padrões habituais. Ainda mais, que a experiência da mente pode ser profundamente transformativa, e não meramente certo self teoricamente construído, impessoal e hipotético.
10.101.Variedades de Emergência
Varela (et al., 2001), até este ponto de sua pesquisa apontou como a noção de agente cognitivo (como um conjunto de representações ) desempenha um papel central tanto no Cognitivismo atual como nos estágios iniciais do exame da experiência atenta e ilimitada. Nesta etapa da pesquisa, busca explorar o diálogo entre Ciência Cognitiva e exame da experiência humana segundo a tradição da meditação Atenção/Consciencialização: o tema dominante aqui é a noção de propriedades emergentes.
Auto-‐organização: as raízes de uma alternativa
A abordagem dominante da manipulação de símbolos em ciência cognitiva foi proposta e