3.2.1 Brasil, Tocantins e Palmas
O Brasil (Figura 16) é um dos importantes países da América Latina. É formado por 26 estados e um Distrito Federal, onde se localiza sua Capital, a cidade de Brasília. O mais novo estado criado no país foi o Tocantins, estabelecido
por meio da Assembleia Nacional Constituinte, em outubro de 1988, com o desmembramento e a emancipação política da porção norte do Estado de Goiás (Brasil, 1988) e instalado, na Região Norte, em 1º de janeiro de 1989 (BESSA et al., 2017, p. 316)
Figura 16 - Mapa político do Brasil
Fonte: IBGE, 2021a.
Para sediar a estrutura político-administrativa do estado, foi projetada a cidade de Palmas, hoje, capital do Tocantins (Figura 17). Ela foi inaugurada em 20
de maio de 1989, momento em que houve o lançamento da pedra fundamental da cidade. Menos de um ano depois,
Em 1º de janeiro de 1990, foram instalados os governos estadual e municipal em Palmas, que, desse momento em diante, assumiu posição como centro do poder político, antevendo as perspectivas como centro do poder econômico e identitário no novo estado (BESSA et al., 2017, p. 317).
Figura 17 - Mapa do ordenamento do solo urbano do Plano Diretor de Palmas10
Fonte: Geopalmas, 2016, apud GARCIA, 2017.
10
O Plano Diretor mencionado foi arregimentado pela lei complementar n° 14, de 07 de novembro de 2006, que buscou realizar o aproveitamento socialmente justo e racional do solo, distribuindo de forma sistemática onde se instalará seus diferentes tipos de ocupações.
Até 1988, o território que hoje compõe o Tocantins pertencia ao antigo norte de Goiás e à Região Centro-Oeste, tendo como capital política a cidade de Goiânia, por isso, as referências culturais e sociais dos primeiros tocantinenses
eram goianas e as pessoas se reconheciam enquanto tal. Porém, diante da emancipação política, [...] as identidades e as experiências ganharam novos contornos [...], pois, [...] da noite para o dia, de 31 de dezembro de 1988 para o dia 1º de janeiro de 1989, todos amanheceram tocantinenses [...], mas sem um passado que os identificasse como tocantinenses, sem um conjunto de símbolos que os representasse como pertencentes ao Tocantins e não ao antigo norte goiano (BESSA
et. al., 2017, p. 317).
Dessa forma, a identidade do povo tocantinense foi sendo construída, e ainda o é, juntamente com a construção do novo estado, tanto pela população que já residia no ―antigo norte goiano‖, como pelos milhares de imigrantes que vieram de todos os lados do país para ―gestar‖ um estado pujante e uma capital promissora.
Em 2021, com mais de 32 anos de existência, o Tocantins é formado por 139 municípios (Figura 18), tem uma área de 277.466,763 km2, com população estimada de 1.590.248 habitantes (2020) e densidade demográfica de 4,98 hab./km2 (2010). Além disso, possui IDH de 0,699 (2010) e rendimento nominal mensal domiciliar per capita de R$ 1.056,00 (2019) (IBGE, 2021b).
Figura 18 - Mapa do Tocantins com a divisão dos 139 municípios
Por sua vez, a cidade de Palmas, capital construída durante o governo de Siqueira Campos, primeiro governador do estado, possui área de 2.277,444 km2, população estimada de 306.296 habitantes (2021) e densidade demográfica de 102,90 hab./km2 (2010). É uma moderna cidade, onde o PIB per capita é de R$ 32.293,89 (2018), tendo IDH de 0,788 (76º posição nacional no ano de 2013) (IBGE, 2021b). Vem sendo considerada uma cidade marcada pelo crescimento e por uma boa condição de vida, o que pode ser observado na citação a seguir:
Em 2018, o salário médio mensal era de 3.9 salários mínimos. A proporção de pessoas ocupadas em relação à população total era de 48.3%. Na comparação com os outros municípios do estado, ocupava as posições 1 de 139 e 1 de 139, respectivamente. Já na comparação com cidades do país todo, ficava na posição 36 de 5570 e 64 de 5570, respectivamente (IBGE, 2021b).
3.2.2 Os PECs e o acesso ao desenvolvimento pessoal e profissional dos imigrantes qualificados africanos
Segundo dados do Ministério das Relações Exteriores - MRE, dos 62 países participantes dos programas de cooperação estudantis, a África participa com 26 países, representando 42% do total de estudantes. A América Latina e Caribe com 25 países, a Ásia com 8 países e a Europa com 3 países participantes (BRASIL, 2020d).
Os PECs são os principais instrumentos de cooperação educacional oferecidos pelo MRE a outros países em desenvolvimento e se dividem em dois programas básicos: o Programa de Estudantes-Convênio da Graduação (PEC-G) e o Programa de Estudantes-Convênio da Pós-Graduação (PEC-PG). Eles visam proporcionar o intercâmbio de estudantes internacionais com a Academia brasileira, principalmente aqueles de baixa renda e que encontram dificuldades em encontrar vagas para ter uma boa formação profissional, seja por dificuldades financeiras ou por poucas possibilidades em seus países de origem.
Os dois programas existem desde 1965, e, especificamente, o PEC-G tem convênio com 118 Instituições de Ensino Superior - IES brasileiras, públicas e privadas, que ofertam bolsas de estudos, segundo dados do MRE (BRASIL, 2020d). As bolsas são ―condicionadas ao mérito acadêmico ou à necessidade financeira extrema, mas todos os participantes devem, necessariamente, contar com responsável financeiro ao longo de toda sua estadia no Brasil‖ (BRASIL, 2020b).
Do continente africano, 12 países participam nestes Programas de Convênio: África do Sul, Angola, Argélia, Benin, Botsuana, Cabo Verde, Camarões, Costa do Marfim, Egito, Gabão, Gana, Guiné Bissau, Guiné Equatorial, Mali, Marrocos, Moçambique, Namíbia, Nigéria, Quênia, República Democrática do Congo, República do Congo, São Tomé e Príncipe, Senegal, Tanzânia, Togo e Tunísia (BRASIL, 2020e).
Dados apontam que os maiores contingentes de estudantes africanos vindos para o Brasil pelos PECs são provenientes de Cabo Verde, Angola, Guiné-Bissau e República Democrática do Congo, em ordem decrescente, ou seja, todos países da África Subsaariana (Figura 19).
Dos listados na figura citada, apenas quatro países não estão na região da África Subsaariana: Argélia, Egito, Marrocos e Tunísia, o que evidencia o fato de ser a África Subsaariana a região com maior número de convênios culturais e educacionais com o Brasil (MIR, 2020), bem como, ser o Brasil um país que investe no desenvolvimento da África.
Figura 19: Estudantes da África do PEC-G de 2000-2019
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