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1.2. Trabalho, Emprego e Desemprego

1.2.2 O desemprego

D’Intignano (1999)17, entende o desemprego se reportando às crises do petróleo nas décadas de 1970 e 1980 como definitivas para a gênese do desemprego na França e o crescimento de empregos nos Estados Unidos da América (EUA).

Segundo a autora, a Europa, passou por três outros momentos igualmente importantes a reunificação alemã (1990), a Guerra do Golfo (1991) e o Tratado de Maastricht (1992), cujos principais impactos foram a adoção de uma política monetária restritiva, em especial no contexto francês foi acompanhada de uma forte proteção social e altos salários. No entanto, a crise do petróleo não pode ser considerada como a única causa do desemprego europeu, pois sua ‘irrupção’ também se fez sentir de forma semelhante nos EUA. Nos EUA, assim como na Europa, o desemprego em 1980 era de 10%, a diferença é que os EUA, após cada crise, o reabsorviam rapidamente, tornando-o a partir desta década, cíclico. Para a autora, a supressão do desemprego americano deve-se primeiramente à progressão da população ativa que foi acompanhada pela criação de empregos, conforme se pode observar no quadro:

Tabela 1: Comparação EUA e França 1970 – 1996 EUA França População Ativa + 60% + 15% Emprego + 60% - 6% Desemprego inalterado + 9% Fonte: D’Intignano, 1999, p. 29.

Cabe ressaltar que esta leitura tem como pressuposto a idéia de pleno emprego nos EUA, condição esta que pode ser questionada quando se toma como exemplo o desemprego entre os negros de Nova Jersey.

A Europa e os EUA reagiram de forma diferente à desaceleração provocada pelas crises do petróleo o que vai definir os números do desemprego em ambos os continentes. Enquanto que

A América desembaraçou-se da inflação com rapidez e sucesso a partir de 1983, impondo uma política monetária bastante restritiva; relançou sua produção adotando uma política de redução de impostos inspirada em Arthur Laffer e destinada a estimular a oferta e a procura; inspirada nos neoclássicos, estimulou a concorrência com a desregulamentação. Uma poderosa retomada Keynesiana implícita acompanhou este dispositivo durante todo o período de 1980. [...] Em principio da década de 90, a América de Clinton conseguiu sair da recessão graças a uma política monetária bastante flexível, com o FED fazendo descer a taxa de juros reais

17As reflexões que seguem sobre o desemprego nos EUA e Europa são realizadas a partir da leitura da obra

a curto prazo ao nível zero durante vários anos consecutivos, estimulando assim o investimento produtivo, os consumidores e os financiadores, e com isto o crescimento e,in fine, o emprego (D’INTIGNANO, 1999, pp.72-73). De 1983 até a década de 1990 a política macroeconômica dos EUA18foi redirecionada para promover o crescimento econômico, o que foi possível com a disposição de mais homens trabalhando, com um número de jovens e de mulheres adentrando no mercado de trabalho e ainda o trabalho de imigrados. As medidas para reabsorver os avanços do desemprego e criar duradouramente empregos foram a flexibilização e os baixos salários.

As funções terceirizadas pela grande indústria para melhorar sua produtividade e jogar com a concorrência suscitaram atividades novas de todo tipo: de planejamento, de consultoria jurídica e financeira, logística [...], que vêm se acrescentar aos bancos, às finanças, à segurança tradicionais. Uma fábrica de semicondutores moderna, que custa um milhão de dólares e cria menos de mil empregos, fará se erguerem em torno dela de 3 a 5 mil empregos induzidos. Pouco então, que a grande máquina demande poucos efetivos. O grosso das tropas irá prosperar em sua periferia (D’INTIGNANO, 1999, p. 88).

Este é um dos aspectos observáveis da transformação no mundo do trabalho investido pelos EUA: os novos tipos de emprego que vêm sendo criados. Desde 1994 a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), em seus recentes estudos, afirma que o trabalho não vai desaparecer e o volume de empregos não é limitado. Dessa forma, percebe-se a emergência do setor de serviços na primeira metade do século XX e, atualmente, os serviços imateirais (comunicação). Este cenário observado nos EUA no qual seu setor de serviços, de 1975 a 1997, teve uma crescente de +60%(D’INTIGNANO, 1999, gráfico, p. 82).

A Europa como um todo foi marcada por um período de estagnação do crescimento econômico, entre as décadas de 1970 e meados de 1990. Na França, esta situação foi agravada pela retomada Keynesiana baseada no estímulo à demanda (percebida com o aumento da renda mínima e dos salários), o que gerou um desequilíbrio das contas externas facilitado pelo momento de recessão nos outros países, resultando na necessidade de desacelerar o seu crescimento. As demais investidas de retomada do crescimento também foram ineficazes diante do contexto mundial, sendo até 1996, insuficientes. Seu crescimento atual é de 1 a 2%, tardando a retomada do crescimento e assim, mantendo o desemprego.

A experiência comparada de nossos dois continentes mostra que é preciso uma política de retomada a partir da demanda para reabsorver o

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desemprego, mas que ela tem que vir acompanhada de uma flexibilização do mercado de trabalho e de capital para criar de maneira duradoura os empregos esperados. Os dois têm que estar ligados (D’INTIGNANO, 1999, p. 75).

Segundo a autora, os paises desenvolvidos parecem submetidos, desde 1975, a um dilema: optar pela “criação de emprego” ou pela “proteção social aos trabalhadores”. Dessa forma os paises acabam, no contexto da economia capitalista globalizada, obrigados a escolher entre criar empregos e isto significa automaticamente optar pelo rebaixamento dos rendimentos dos trabalhadores menos qualificados. O contrário, a proteção social e/ou aumento de salários significa não criar empregos para os que estão chegando na idade economicamente ativa, negar o acesso ao emprego aos trabalhadores (na maioria sem qualificação) e aumentar a pobreza.

D’Intignano (1999), aponta para a conclusão de que o desemprego é uma questão de estagnação do crescimento econômico e de decisões políticas sobre a economia de mercado nacional, o que de acordo com a autora possibilita uma aproximação com o desemprego em outros países. Entretanto, entende-se que explicar a questão social pautada numa visão economicista é próprio deste sistema para que o mecanismo do capital prospere, afastando o risco de ruptura com o modo de produção capitalista.