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6.1.1 O espaço próximo

No documento U NIVERSIDADET ÉCNICA DEL (páginas 123-131)

Partindo de uma abordagem fenomenologica, Christensen (2003) procurou entender como as crianças vivenciam um lugar e como adquirem o sentido de lugar. A criança, ajusta a sua biografia pessoal num local espacial particular – porque ninguém vive num mundo em geral (Geertz, 199627

citado por Christensen, 2003).

Entendamos a vida das crianças como um processo de relação da identidade pessoal de crescimento, com o uso e compreensão do envolvimento físico. Para seu interesse, a criança entrecruza a sua biografia e as relações sociais, com a exploração, o uso e o domínio do lugar; a aquisição de conhecimento do seu envolvimento local é realizada através dos encontros diários.

Os lugares devem ser estáveis, descobertos em idades baixas, através da brincadeira. Devem conter características que lhes dêem uma identidade forte que é a essência do lugar. Ao mesmo tempo, os lugares devem ser flexíveis para permitirem a exploração da criatividade. Devem ser altamente diferenciados, nas suas partes componentes, para estimularem formas diferentes para todos os tipos de crianças; devem suportar as necessidades das crianças, especialmente em termos de escala e diversidade; devem ser suficientemente seguros, física, social ou psicologicamente. As crianças desenvolvem as suas competências espaciais movimentando-se, explorando e descobrindo os “tesouros”, construindo cultura. Todos os lugares, todos os componentes dos lugares têm uma história, uma personalidade, uma substância – um significado (Cosco & Moore, 2002).

Apesar da decrescente utilizaç~o do espaço público, O’Brien (2003) sugere que as crianças contemporâneas expressam o desejo de fazerem parte do envolvimento próximo, de participarem e viverem num espaço público alargado;

Num estudo realizado em Londres, a mesma autora (2003) verificou que as crianças apreendem a realidade e denunciam todos os pormenores, como observadores perspicazes do envolvimento urbano – as crianças mostraram, através de fotografias, os lugares degradados, o lixo nas ruas, as pinturas de grafites nas paredes.

Van der Spek & Noyon (1995) que conduziram um estudo de análise das diversas causas que podem explicar a diminuição da independência de mobilidade nas crianças Holandesas, consideraram uma perspectiva temporal, ao estudarem as alterações da mobilidade das crianças desde há uma geração atrás. Em relação ao espaço, tiveram em consideração as diferenças resultantes das características físicas das zonas residenciais estudadas. O método utilizado implicou: (1) uma pesquisa realizada aos pais de crianças em idade escolar, com o propósito de conhecer o modo como as crianças utilizam as ruas, que actividades realizam, até que distância podem ir, a partir de que idade começaram a ir para a escola sozinhas, se visitam amigos, se vão a clubes, etc. (2) diálogo com crianças de 6 a 12 anos, para falarem da sua própria liberdade, o que fazem quando não estão em casa e o que pensam das suas actividades, e ainda, até onde é que se sentem limitadas e restringidas (as crianças com mais de 8 anos executaram algumas tarefas num mapa da sua localidade); (3) diálogos em grupo, com os pais das crianças, com o objectivo de determinar as alterações, em termos de mobilidade, entre as duas gerações, e as razões dessas alterações.

Foram escolhidos quatro locais que tinham, como pré-requisito, o facto da área ou a região existir há mais de 30 anos e possuir uma escola primária. De acordo com as afirmações feitas pelos pais, todos concordaram que na sua infância, as crianças podiam brincar mais livremente nas ruas. Nessa altura ficavam em casa até aos 5 ou 6 anos e depois podiam ir a todo o lado dentro da sua localidade. Do ponto de vista das crianças de hoje, elas não parecem estar realmente conscientes da limitação da sua mobilidade. A frequência com que brincam na rua varia muito, não só em relação ao número de vezes que brincam por semana, mas também, ao local onde brincam, verificando-se variações muito acentuadas entre as várias localidades. As crianças que não costumam brincar na rua, também não brincam em casa dos amigos e se o fazem, os pais acompanham-nos. Verificou-se também que as crianças não vão normalmente sozinhas às compras e metade das constituintes da amostra são levadas à escola pelos pais. No que se refere ao envolvimento construído, concluíram que as características das habitações não parecem influenciar a mobilidade das crianças. O comportamento lúdico é mais influenciado pelas características da área residencial do que pela própria casa. Os factores que foram referidos e parece terem contribuído para a diminuição da mobilidade das crianças foram os seguintes: o perigo do tráfego e o facto das crianças preferirem brincar em casa, pela não adequação dos espaços exteriores às brincadeiras. Os autores salientam a importância crucial de todas as áreas residenciais serem acessíveis às crianças, até porque, elas gostam de brincar em todo o lado, principalmente na rua e nos passeios próximos do lugar onde vivem.

Huttenmoser (1995) comparou dois grupos de crianças que residiam em dois envolvimentos distintos: grupo A, residentes em zonas com espaços exteriores que permitem brincar livremente; grupo B, residentes em zonas onde só podem sair de casa acompanhadas por adultos. Tratou-se de um estudo intensivo a 20 famílias com a utilização de métodos qualitativos e quantitativos; incluiu também entrevista por telefone a 1726 famílias de Zurique (Suiça) e entrevistas a 926 famílias com crianças de 5 anos que estavam habitualmente em casa.

O autor concluiu que o tipo de envolvimento da área residencial pode influenciar: 1. O tempo passado pelas crianças fora de casa, em actividades de jogo livre;

7. O número de contactos sociais, quer das crianças com outras crianças, quer dos pais com outros adultos;

8. A ajuda mútua entre vizinhos, nomeadamente tomar conta dos filhos menores; 9. A existência de baby-sitters disponíveis para tomar conta das crianças;

O estudo desenvolvido por Prezza et al. (2001) pretendeu investigar (1) as características demográficas das crianças (idade, sexo, ordem de nascimento); (2) as características psicossociais das mães (medo de crimes, relações de vizinhança, sentido de comunidade percepção do risco de tráfego); (3) os factores do envolvimento (viver num bairro antigo ou novo, com condomínio fechado, perto de um parque ou em ruas sem transito) e (4) a influência na independência de mobilidade em crianças com 7-12 anos.

Os autores pretenderam, assim, confirmar se as crianças que tinham maior independência de mobilidade se encontravam mais frequentemente com os pares dentro e fora de casa para brincar. Foram aplicadas 251 entrevistas semi-estruturadas a mães que vivem em Roma. Os resultados indicaram que: (1) as crianças com mais independência de mobilidade vivem em prédios com pátios, em bairros novos, perto de parques; (2) as suas mães tinham mais relações de vizinhança; (3)

verificou-se também que as crianças com mais independência brincavam mais frequentemente com os seus pares dentro e fora de casa.

Karsten (2005) realizou um outro estudo, em Amesterdão (Holanda) onde pretendeu analisar a natureza da mudança de vida diária nas crianças em contexto urbano. Trata-se de um estudo histórico de carácter interdisciplinar, evidenciando áreas de abordagem diversas: sociologia, antropologia, história e geografia. Os resultados do estudo referem-se ao comportamento do espaço/tempo diário das crianças e particularmente à mudança de relação entre os espaços interiores e exteriores e a relação de liberdade de movimento, em três ruas distintas, existentes na cidade. Utilizaram-se como instrumentos de recolha, as histórias orais, a pesquisa estatística e de arquivo e realizaram-se observações para comparar o uso do espaço pelas crianças durante os anos 1950 e princípios de 1960 até à actualidade. O trabalho realizado nessas três ruas, diferentes entre si, teve por base relatos históricos do presente e do passado. Fizeram-se entrevistas a pessoas que viviam desde a infância naquelas ruas (desde 1950 e 1960) tendo uma longa história de vida naqueles lugares. Foram feitas longas entrevistas com crianças e pais de cada rua. Foram entrevistadas 99 crianças na totalidade. Cada entrevista foi complementada com um pequeno questionário referindo determinadas características: a idade, o género, o agregado familiar, os pais e sua profissão e as condições da casa. Para complementar o trabalho de campo realizaram-se 21 observações específicas nas três ruas e no seu envolvimento imediato. Em Amesterdão, cerca de 14% da população global é constituída por crianças com idade até aos 12 anos; a mudança nas condições sócio-espaciais das cidades, onde crescem as crianças, pode ter diversas explicações históricas. A autora identifica três possíveis explicações: (1) o aumento do espaço interior das casas; (2) o decréscimo do espaço exterior e (3) a diminuição do número de crianças.

O número médio de pessoas que viviam em cada casa, em Amesterdão, era de 3.75 em 1950 e 1.98 em 2000. O número de metros quadrados de residência aumentou consideravelmente nas últimas décadas. A perda do espaço exterior a favor de parques de estacionamento e tráfego motorizado (sobretudo entre 1950 e 1975) aconteceu paralelamente ao aumento do número de automóveis e a diminuição do número de crianças.

No quadro 5 podemos observar a evolução ao longo do tempo, do número de automóveis e do número de crianças na cidade de Amesterdão (Holanda).

Quadro 5 – Número de automóveis e de crianças ao longo do tempo na cidade de Amesterdão (Holanda)

Ano 1950 1975 2000

Número de automóveis 16.143 192.436 227.540 Número de crianças (0-12 anos) 186.245 113.139 102.742

Fonte: de Graaf, 2003 (cit. Karsten, 2005)

Actualmente há mais de dois automóveis por criança em Amesterdão e, muitos desses veículos, estacionam na rua de residência onde as crianças poderiam brincar. Como já referimos, as mudanças do espaço – dentro e fora de casa – foram estudadas ao pormenor em três ruas da cidade de Amesterdão. As três ruas foram escolhidas, sendo cada uma representativa de um tipo de envolvimento (espaço próximo/vizinhança). Um bairro (A) localiza-se a norte de Amesterdão e é habitado pela baixa classe média. Outro bairro (B) localiza-se a leste de Amesterdão e integra também uma população de classe media baixa, mas é mais multicultural. O bairro (C) é habitado por classes sociais mais elevadas. Esta é uma rua com grandes árvores, bancos, vasos de flores que criam uma atmosfera familiar. Tem pequenas praças onde costumam jogar futebol. A amostra é constituída por 45 sujeitos na rua A, 60 na rua B e 96 na rua C.

Todos os testemunhos dos respondentes, em relação às rotinas, nos anos de 1950 e 1960, mencionaram o predomínio de jogos de rua, a existência de grandes grupos em idades diversas e uma larga variedade de actividades exteriores. Nesses anos, o acto de brincar no exterior, dominava em absoluto, em todas as ruas alvo do estudo. Muitas lojas e pequenos negócios fecharam as portas na década de 1970; funcionavam antes como “bons velhos lugares” para as crianças do bairro (espaço próximo). Havia contactos inter-geracionais na relação entre as crianças, os donos das lojas e os clientes. A liberdade de movimento e a expansão do território era uma forma notável de crescimento. Ir para a escola sozinho, ou muitas vezes com colegas e amigos era uma prática comum. Muitos referem que eram apenas vigiados e instruídos no primeiro dia de aulas (com 5 ou 6 anos). Muitos entrevistados contam histórias sobre grandes grupos a atravessarem o bairro quatro vezes por dia. As crianças exploravam outros envolvimentos, quase sempre a pé, porque a bicicleta era um luxo. É

interessante notar que a liberdade de movimento referida, era acompanhada por um controlo exercido por várias pessoas, como vizinhos, membros da família, colegas mais velhos ou até polícias. As crianças usavam o espaço da rua para diferentes actividades e o espaço público urbano era apropriado para os seus próprios jogos. Construíam tendas e cabanas no chão e defendiam-se de intrusos de todas as idades. Brincavam na rua com poucos brinquedos, de muitas formas e com elevado nível de criatividade. Em contraste, o espaço interior privado da casa dificilmente era usado para brincar. A casa era para estar limpa e para as tarefas domésticas. As crianças evitavam estar em casa porque aumentava a possibilidade de serem implicadas em tarefas domésticas. Geralmente, era em casa que os pais (pai ou mãe) exerciam firme controlo. A aventura era criada pelas próprias crianças e isso só podia ser feito fora de casa.

Nas décadas de pós-guerra (II Guerra Mundial – 1939/45) a sociedade Holandesa assentava em pilares muito bem definidos; havia uma divisão vertical que se baseava na religião, ideologia e politica. Diferentes escolas, diferentes clubes resultavam em mundos segregados. Depois da escola, no entanto, era tempo de brincar na rua e o carácter de segregação desaparecia. Era no espaço público da rua que todas as crianças brincavam juntas (e discutiam e lutavam, se necessário, para defender a sua rua). As crianças de ruas próximas protegiam-se. A rua era um lugar de encontro para todos. De certa forma, o exterior pertencia às crianças.

No início de 1960 a relação entre o interior e exterior começou a mudar, primeiro devagar e depois rapidamente nos anos 1970. Verificou-se a diminuição do número médio de pessoas por casa e consequentemente o aumento do espaço por casa. A importância da casa para as crianças como lugar onde gastavam o seu tempo tornou-se maior com o consumo de brinquedos. A vulgarização da televisão e do automóvel foram acontecimentos importantes. As primeiras televisões fortaleceram o sentimento de pertença na comunidade. As casas com televisão eram ponto de encontro para grupos de amigos. Também os primeiros automóveis nas ruas foram considerados algo especial, porque não tomavam muito espaço. As crianças continuavam a brincar na rua até que a situação se alterou com o carácter perigoso do tráfego automóvel. Todas as alterações espaciais, culturais e sociais tiveram consequências no comportamento espacio-temporal das crianças apesar do impacto ter sido desigual e diverso. Para Karsten (2005) o comportamento do tempo/espaço nos anos 1950 e 1960 pode ser caracterizado de um tipo – “inf}ncia de exterior”- com as crianças a brincarem fora de casa quase todo o dia.

A autora inaugura a ideia da diversidade contemporânea na geografia da infância: coexistem as “crianças de exterior”, as “crianças de interior” e as crianças da “geraç~o do banco de tr|s”:

1. As “crianças de exterior” que brincam na rua quase todos os dias ainda existem nas cidades (e mesmo em Amesterdão). As condições espaciais e culturais explicam a cultura de rua. É nas ruas sossegadas, com pequenos espaços verdes e grandes campos de jogos, mais atractivas para gastar o tempo no exterior. Nestes locais, as crianças podem facilmente atravessar a rua ou espaços verdes e tomar contacto com outras crianças que vivem próximo na sua rua. Mas os automóveis e o tráfego tornam-se perturbadores, o número de brincadeiras em grupo diminuiu e o limite de mobilidade em relação a casa desceu, principalmente em criança com menos de 10 anos. Apareceram novas formas de ocupar o tempo após o horário escolar e todas as crianças brincam com mais frequência em casa. Num resultado parcial do estudo, constatou-se que numa das ruas, as crianças que brincavam na rua eram todas oriundas de famílias imigrantes (Marrocos). Jogam futebol a toda a hora, praticando actividades diversas. Mas eles não têm outras alternativas de ocupar os tempos livres (fazem-no de uma forma muito parecida com os anos 1950). São famílias pobres, vivem em pequenos apartamentos e não frequentam clubes. Só poucos rapazes são membros do clube de futebol. A grande diferença com o passado é que eles já não têm muitos amigos para brincar.

2. Os resultados do estudo apontam para que a tipologia de “crianças do interior” seja predominante em todas as ruas analisadas; numa rua, as crianças brincam exclusivamente no interior (principalmente a ver televisão) e não participam em outras actividades. Em estudos anteriores (Karsten, 2005) verificou que cerca de um quarto de todas as crianças de Amesterdão estão nesta categoria. A rua não é valorizada como lugar de jogo e, certamente, não é vista como lugar seguro, onde se pode andar à vontade. Num dos casos, todos os pais entrevistados se referiam às pobres condições do seu envolvimento; mas os residentes nem consideram o espaço como o mais importante, mas a falta de segurança nas relações sociais. Com o aumento da diversidade entre residentes, o contacto e o controlo social desapareceram. A heterogeneidade a nível da rua restringiu seriamente a vida social. Cada vez mais, o comportamento das crianças e a sua relação com o espaço próximo é limitado pela organização e estruturação de actividades extra-escolares. Frequentam classes de música, lições de desporto e línguas; todas as semanas vão ao cinema ou a museus. Ao domingo, os pais consideram um óptimo dia para saídas culturais. Mas as crianças nem sempre estão motivadas para o fazerem; no entanto, conclui-se pelo estudo que muitas crianças apreciam a diversidade da vida de lazer.

3. A ideia de “geraç~o de banco de tr|s” est| associada ao movimento de vigilância. Para a “geraç~o de banco de tr|s” a cidade de Amesterd~o é um arquipélago de lugares diferentes, nos quais a própria rua é uma ilha. Brincar no exterior torna-se uma ocupação coordenada e controlada pelos adultos, uma actividade desenvolvida por pequenos grupos de amigos (por vezes apenas dois) da mesma idade, estrato social e escola.

O carácter de mudança para o espaço interior, como lugar para a criança brincar, mostra bem o contexto espacial e social do envolvimento em estudo (e.g, Karsten, 2005): (1) Quartos bem equipados que oferecem grandes possibilidades de escape ao controlo parental; (2) Negociações diárias para um acesso a outros espaços onde as crianças brincam. Nalguns casos, vimos exemplos de brincadeiras exteriores praticadas no interior (ex. esconde-esconde, construção de cabanas). Este fenómeno demonstra, o alargamento do espaço da casa para brincar, introduzindo brincadeiras tradicionalmente do exterior para o espaço da casa (ex. jogo com bolas), jogando/brincando jogos de rua no interior e vice versa – jogos de casa no exterior (ex. “playstation” port|til numa cabana em cima de uma árvore). As conclusões deste estudo adoptam a ideia que, ao longo do tempo, o espaço público como espaço da criança, tem vindo a transformar-se no espaço do adulto ou da criança acompanhante (Valentine, 199628 citada por Karsten, 2005). O impacto das limitações espaciais

relaciona-se com a segurança do tráfego automóvel e a falta de espaço para brincar. Contudo, a influencia das mudanças de condições sociais parecem mais importantes: (1) o decréscimo no número de crianças, (2) a forma como pais e crianças encaram a segurança e (3) uma cultura de classe média relacionada com a aquisição de recursos culturais durante a infância, tem levado a uma redução do tempo de brincadeiras no exterior.

Na an|lise do espaço próximo, a “rua” insere-se como elemento fundamental, cujo termo é usado como metáfora para todos os espaços públicos exteriores, onde a criança poderá estar: as estradas, as vielas, os passeios, jardins, praças, zonas comerciais, parques de estacionamento, terrenos baldios, etc… Observamos uma crescente desvalorização da importância da rua e do espaço próximo (vizinhança) como algo importante na identidade do estilo de vida das crianças. Há diversas razões para isso, mas prevalecem duas concepções relacionadas com a idade: (1) o medo construído, a partir da insegurança e das imagens de perigo do espaço público, onde as crianças são sempre apresentadas como vulneráveis e sob ameaça; esta perspectiva projecta as crianças como potenciais vítimas; (2) as crianças e jovens mais velhos são vistos também como um problema, em si, porque a sua presença no espaço público é desestabilizadora e, portanto, indesejável (Matthews et al, 2000).

O ambiente da rua urbana, vivido pelas crianças e jovens não se acrescenta ao mundo adulto, tratando-se de lugares especiais, criados por eles e investidos nos seus próprios valores (Holloway & Valentine, 2000).

28 ver em Valentine, G. (1996). Children Should Be Seen And Not Heard: The Production And Transgression Of Adults Public Space.

No documento U NIVERSIDADET ÉCNICA DEL (páginas 123-131)