Observa-se, atualmente, que o enorme crescimento populacional, a ocupação das mais variadas áreas do Planeta e, principalmente, o desejo inesgotável de consumo da sociedade capitalista provocaram e continuam a provocar, no ambiente, golpes cada vez mais profundos. O modelo econômico capitalista degradou o ambiente de forma nunca antes vista. Os impactos da exploração econômica sobre a natureza, a destruição ecológica e o esgotamento dos seus recursos não são problemas produzidos por processos naturais, mas determinados pelas formas sociais e pelos padrões tecnológicos de apropriação e exploração econômica da natureza, temas em debate no atual contexto social.
No Direito brasileiro, o conceito de meio ambiente foi concebido pela Lei nº 6.938/81 – Política Nacional do Meio Ambiente – configurando-se como sendo: “o conjunto de condições, leis, influências, alterações e interações de ordem física, química e biológica, que permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas” (art. 3º).
A Constituição Federal de 1988 (CF/88) alterou essa compreensão e inseriu de forma incisiva o conteúdo humano e social no interior do conceito, como está previsto no seu art. 225, que dispõe:
todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se o Poder Público e à coletividade o dever de defende-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.
Com isso, meio ambiente pode ser categorizado em meio ambiente natural: a atmosfera, as águas interiores, superficiais e subterrâneos, os estuários, o mar territorial, o solo, o subsolo, os elementos da biosfera, a fauna, a flora, o patrimônio genético e a zona costeira (art. 225 da CF/88); meio ambiente cultural: os bens de natureza material e imaterial, os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico, paleontológico, ecológico e científico (arts. 215 e 216 da CF/88); meio ambiente artificial: os equipamentos urbanos, os edifícios comunitários (arquivo, registro, biblioteca, pinacoteca, museu e instalação científica ou similar) (arts. 21, XX, 182 e s. e 225 da CF/88); meio ambiente do trabalho: a proteção do homem em seu local de trabalho, com observância às normas de segurança (arts. 200, VII e VIII, e 7° XXII ambos da CF/88).
A CF/88 expressa em vários dispositivos a tutela do meio ambiente. A dimensão dada ao meio ambiente não se limita aos dispositivos centrados fundamentalmente no Cap. VI do Título VIII, dirigido à Ordem Social, e sim abrange um alcance bem maior, agregando vários outros regramentos insertos ao longo do texto. Configura-se, assim, de fundamental importância ao identificar o meio ambiente ecologicamente equilibrado como sendo um bem autônomo e legalmente protegido, de uso comum do povo.
Salienta-se que, quando se fala em meio ambiente ecologicamente equilibrado, trata-se do meio com condições de permitir a existência, a permanência, a evolução e o desenvolvimento de todos os seres vivos. Ter direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, para Machado (2010, p. 58), significa que “há um direito a que não se desequilibre5 significativamente o meio ambiente.”
O Direito contemporâneo sente a necessidade de estabelecer normas que assegurem o equilíbrio ecológico. Este equilíbrio será encontrado em comunidades pela estabilidade – que pode ser medida inclusive pelo tempo que determinada comunidade leva para se recuperar de um dano. Isso quer dizer que o meio ambiente não pertence a indivíduos isolados, e sim a toda sociedade, qualificando- se como patrimônio público que necessita ser assegurado e protegido, em decorrência do uso coletivo.
Machado (2010, p. 60) leciona que:
a especial característica do princípio é a de que o desequilíbrio não é indiferente ao Direito, pois o Direito Ambiental realiza-se somente numa sociedade equilibrada ecologicamente. Cada ser humano só fruirá plenamente de um estado de bem-estar e de equidade se lhe for assegurado o direito fundamental de viver num ambiente ecologicamente equilibrado. A Constituição do Brasil, além de afirmar o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, determina que incumbe ao Poder Público proteger a fauna e a flora, interditando as práticas que coloquem em risco sua função ecológica ou provoquem a extinção de espécies.
Como se pode observar, o art. 225 da CF/88 estrutura-se como sendo a essência do sistema constitucional de proteção ao meio ambiente. É nele que está configurada e efetivada a interseção entre a ordem econômica e os direitos individuais. Quanto à ordem econômica, o art. 170 dispõe que:
A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social, observados os seguintes princípios:
[...].
VI – defesa do meio ambiente, inclusive mediante tratamento diferenciado conforme o impacto ambiental dos produtos e serviços e de seus processos
5Para Machado (2010), o conceito de equilíbrio não é estranho ao Direito. Muito pelo contrário, a
busca do equilíbrio nas relações sociais e pessoais tem sido um fim a atingir nas legislações. O estado de equilíbrio não visa à obtenção de uma situação de estabilidade absoluta, em que nada se altere. É um desafio científico, social e político permanente.
de elaboração e prestação. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº. 42, de 19 de dezembro de 2003).
A CF/88 ainda tutela a qualidade do ar, do solo, da água, o meio ambiente marinho, o gerenciamento costeiro, o patrimônio florestal e a fauna. Apresenta também outros temas, como a caça (art. 24, VI, CF/88), educação ambiental (art. 225, § 1º, VI, CF/88), garimpo (art. 174, § 3º, CF/88), irrigação (art. 225, § 2º, VI, § 3º, CF/88), manipulação de material genético (art. 225, II, CF/88), forma de exploração da mineração (art. 225, § 2º, CF/88), questões nucleares (arts. 21, XXIII e 22, XXVI, CF/88). É importante destacar que muitos desses temas não constavam nas Constituições anteriores, como a educação ambiental e a proteção do material genético.
A tutela do meio ambiente impõe aos poderes públicos e à coletividade o dever de preservação, sendo, inclusive, um dos embasamentos da política econômica e social para o qual a ordem econômica, que é fundamentada no trabalho humano e na livre iniciativa, tem como finalidade a existência digna e a justiça social.
Constata-se que, quanto aos instrumentos processuais para defesa dos interesses difusos, a legislação progrediu. No que diz respeito ao objeto de ação popular, esta ampliou-se, conforme se vê no artigo 5º, inciso LXXIII, da CF/88:
Qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência.
Incluiu-se ainda a participação e a função do Ministério Público, conforme dispõe o artigo 129, inciso III, da CF/88, “promover o inquérito civil e a ação civil pública, para a proteção do patrimônio público e social, do meio ambiente e de outros interesses difusos e coletivos”, sem prejuízo da legitimação concorrente de terceiros, previstas na Constituição ou em lei (artigo 129, § 1º).
Com a CF/88, a defesa do meio ambiente recebeu um extenso tratamento ao dispor desde os estudos do impacto ambiental, perpassando pela responsabilização penal da pessoa jurídica até a preservação do patrimônio público.
No Brasil, há ainda outras leis, decretos e medidas provisórias que são favoráveis à preservação do meio ambiente e à instauração da educação ambiental: a que organiza a proteção do patrimônio cultural, Decreto-lei nº 25/37; Proteção das florestas – Código Florestal, Lei nº 4.771/65; Proteção da fauna silvestre, Lei nº 5.197/67; responsabilidade civil e controle das atividades nucleares, Lei nº 6.453/77; Regulação do parcelamento do solo urbano, Lei nº 6.766/79, lei de Zoneamento Industrial nas Áreas Críticas de Poluição, Lei nº 6.803/80; Estações ecológicas e áreas de proteção ambiental, Lei nº 6.902/81; Ação Civil Pública, Lei nº 7.347/85; Institui o Plano de Gerenciamento Costeiro, Lei nº 7661/88; Agrotóxicos, Lei nº 7.802/89; Cria regime de exploração mineral, Lei nº 7.805/89; lei da Política Agrícola, Lei nº 8.171/91; Engenharia Genética, Lei nº 8.974/95; Recursos Hídricos, Lei nº 9.433/97; Lei de Crimes Ambientais, Lei nº 9.605/98.
Como se pode observar, a proteção jurídica do meio ambiente é extensa. A Constituição Federal, além de destinar um capítulo próprio para as questões ambientais, traz ainda outros temas, além de elencar as obrigações da sociedade e do Estado brasileiro para com o meio ambiente. O que a Constituição fez, portanto, foi prever uma norma jurídica capaz de estabelecer a todos quantos se utilizem de recursos naturais uma obrigação de cuidado para com o meio ambiente.
O Direito Ambiental é um ordenamento relativamente recente no Direito brasileiro, e é pela Lei nº 6.938/81 que teve sua autonomia fundamentada na legislação. O Direito Ambiental surgiu em decorrência da necessidade de se ordenar e sistematizar os ordenamentos relativos ao meio ambiente com a finalidade de se obter uma boa qualidade de vida. Sua existência se justifica devido ao seu alcance em duas etapas: a) objetiva impedir ou corrigir uma crise entre o homem e seu ambiente; b) tem como finalidade estabelecer um novo sistema de relação entre o homem e seu ambiente.
Com isso, pode-se dizer que o Direito Ambiental tem como objetivo regular a apropriação econômica dos bens ambientais, considerando a sustentabilidade dos
recursos, o desenvolvimento econômico e social, garantindo aos interessados a participação na elaboração das diretrizes a serem implantadas, bem como padrões adequados de saúde e renda.
O Direito Ambiental vem questionar os valores de uma sociedade que promove o lucro e o progresso técnico como foco central e que tem gerado uma relativa riqueza material associada a uma grave situação de desperdício de recursos e contaminação do meio ambiente. Sob este viés, o Direito Ambiental é um regulador das ações dos homens em relação ao uso dos diversos recursos naturais do meio em que vivem. Isto significa que o meio ambiente, como qualquer outro bem jurídico, provoca conflitos em torno de si, o que faz com que necessite de um tratamento tanto preventivo quanto reparatório e repressor.
Os princípios do Direito Ambiental centram-se no objetivo básico de proteger a vida, seja pela forma que se apresenta, seja pela finalidade de garantir um padrão de existência digna para os homens, tanto da geração presente quanto das futuras.
Alguns autores, como Milaré (2005), explicam que há dificuldades em se aplicar o Direito Ambiental, em decorrência da falta de sistematização de suas normas, que são dispersas e muitas vezes difusas. Necessita-se de uma codificação capaz de conferir a elas uma melhor ordenação e estruturação, extinguindo antinomias e harmonizando-as com o ordenamento jurídico global, para assim conferir a essas normas maior eficácia e efetividade.
Nesse contexto, o Direito Ambiental necessita tornar-se mais claro, acessível, coerente e codificado. A codificação configura-se como a melhor forma de implementação e eficácia das normas ambientais, pois oportuniza a possibilidade de contemplar as novas necessidades impostas pela ciência e pela gestão ambiental. É importante ainda destacar que se oriente a legislação dos Estados e dos municípios para facilitar a coordenação de ações e incentivar novas atitudes em conjunto com toda a sociedade. É necessária, além do ordenamento jurídico, a participação de todos para se obter uma legislação ambiental eficaz e efetiva.
Com a regulamentação jurídica do meio ambiente, fica clara a intenção da legislação brasileira em adotar de vez a tendência mundial de comprometimento de todos em prol da preservação ambiental e do combate à degradação do meio ambiente. Institui-se assim o meio ambiente como um bem fundamental, apesar de não constar no rol dos bens fundamentais do art. 5º da CF/88. Pertence à denominada “terceira geração” de direitos fundamentais, a qual contempla também a paz, a autodeterminação dos povos, o desenvolvimento, a conservação do patrimônio histórico e cultural e o direito de comunicação.
O direito a um meio ambiente ecologicamente equilibrado adquiriu status de direito ambiental após intensivos movimentos sociais apoiados por organizações não governamentais, como o Greenpeace. Também foi incentivado por encontros governamentais, como o Encontro de Estocolmo e o Rio-92. O direito ao meio ambiente foi reconhecido internacionalmente pela Declaração do Meio Ambiente, na Conferência das Nações Unidas, em Estocolmo, na Suécia, no período de 5 a 16 de junho de 1972. No entanto, ao longo desses anos, os efeitos concretos de tal Declaração pouco se fizeram conhecer. A industrialização mundial crescia e prosseguia em ritmo acelerado, aumentando a destruição do meio ambiente e o uso indiscriminado de recursos naturais não-renováveis (MILARE, 2005).
Nos anos 80, diante dos limitados resultados da Declaração de Estocolmo, foi convocada uma nova Conferência pela Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas. No entanto, essa Conferência deveria ter sido precedida de medidas preparatórias. Dessa forma, foi constituída uma Comissão, presidida pela Ministra Gro Harlem Bruntland, da Noruega, e composta por 27 membros para conduzir os trabalhos preparatórios. A missão dessa Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, popularmente conhecida como Comissão de Bruntland, era organizar/preparar uma "Agenda global para a mudança". Estabeleceram-se relações visíveis não apenas entre os desequilíbrios ambientais e a pobreza, mas, destacadamente, entre o modo de organização social que leva à deterioração ambiental e política (ACSELRAD, 2009).
O conceito de desenvolvimento sustentável foi empregado como referência pelas Nações Unidas na Conferência sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento,
realizada no ano de 1992, no Rio de Janeiro. Este termo traduziu-se como “o direito dos seres humanos a viver e produzir em harmonia com a natureza” (Princípio 10 da Declaração), caracterizando-o como forma de manutenção de uma economia compatível com as “necessidades de desenvolvimento e ambientais das gerações presentes e futuras” (Princípio 3º da Declaração). Ainda nessa Conferência foi “criada” a Agenda 21. Nessa oportunidade, 179 países participantes da Rio 92 acordaram e assinaram a Agenda 21 Global, um programa de ação baseado num documento de 40 capítulos, que constitui a mais abrangente tentativa até então realizada de promover, em âmbito mundial, um novo padrão de desenvolvimento, denominado de “desenvolvimento sustentável”. Porém, o reconhecimento do Direito Ambiental como direito fundamental na legislação brasileira se deu somente com a CF/88. A CF/88 trouxe inúmeros dispositivos já abordados anteriormente.
As normas de Direito Ambiental econômico, previstas na CF/88, em especial nos artigos 170 e 225, incumbem o Estado de desenvolver políticas públicas capazes de orientar o mercado a promover o desenvolvimento de atividades econômicas que respeitem o meio ambiente. Ou seja, compete ao Estado desenvolver políticas públicas que, por exemplo, impulsionem o reaproveitamento do lixo e a educação ambiental, criem mecanismos eficientes que permitam a responsabilização das empresas pela inadequada destinação dos resíduos, a substituição de equipamentos industriais poluentes por equipamentos mais modernos que permitam uma produção limpa etc.
Da mesma forma que o Estado, o governo e sociedade em geral também devem assumir sua parcela de responsabilidade sobre as questões ambientais. Por mais que o Direito Ambiental imponha esse dever, observa-se que na prática ainda existe pouco comprometimento com a conservação do meio ambiente, e isso por parte do mercado e da sociedade. Considerando que a sociedade humana não se restringe apenas à nossa geração, mas também às futuras, incumbe à própria sociedade construir o mundo de hoje e o de amanhã. Assim, desenvolvimento sustentável/sustentabilidade e sociedade sustentável fundem-se, no dia-a-dia, como efeito e causa. Na verdade, o que se busca é um novo paradigma ou modelo de sustentabilidade em que o progresso se concretize em função de todos os homens e
não à custa do mundo natural e da própria humanidade que, com ele, está ameaçada pelos interesses de uma minoria.
No entendimento perfilhado por Milaré (2005), esse novo modelo de sustentabilidade supõe estratégias bem diferentes daquelas que têm sido adotadas no processo de desenvolvimento sob a égide de ideologias reinantes desde o início da Revolução Industrial, estratégias estas responsáveis pela insustentabilidade do mundo de hoje, tanto no que se refere ao Planeta Terra quanto ao que interessa à família humana em particular. Em última análise, a humanidade protagoniza um modelo de desenvolvimento autofágico que, ao devorar os recursos finitos do ecossistema planetário, acaba por devorar-se a si mesmo.
Sustentabilidade implica necessariamente transformação social. É uma definição integradora e unificante, que proporciona a celebração da unidade homem/natureza na origem e no destino comum, um novo paradigma. O mundo está atingindo um ponto cada vez mais crucial, fazendo com que a humanidade se preocupe com a forma desenfreada do consumo irresponsável dos recursos naturais existentes no Planeta. Não se pode deixar de registrar que o incentivo ao consumo desenfreado, prática de uma cultura capitalista, tem deixado marcas profundas no Planeta Terra. “O potencial destrutivo gerado pelo desenvolvimento capitalista o colocou numa posição negativa com relação à natureza.” (GADOTTI, 2000, p. 31).
Dessa forma, fica claro que o enorme aumento populacional, a ocupação das mais variadas áreas do Planeta e, sobretudo, o desejo inesgotável de consumo da sociedade capitalista gerou no ambiente golpes cada vez mais profundos. O modelo econômico capitalista degradou o meio ambiente de forma nunca antes vista. A destruição ecológica e o esgotamento dos recursos não são problemas gerados por processos naturais, mas sim são determinados pelas formas sociais e pelos padrões tecnológicos de apropriação e exploração econômica da natureza.
O sistema econômico tem sido um dos principais fatores da degradação do meio ambiente. As formas de vida do mundo contemporâneo e os novos ajustes traçados pela economia e pela política vieram colaborar para que o homem, por meio da cultura predatória do capitalismo, da urbanização e da industrialização em
massa, de modo contínuo de acumulação de capital, causasse sérios desastres ambientas. Este modelo de desenvolvimento atual trouxe valores excludentes, discriminatórios, o esgotamento dos recursos naturais, a poluição do solo, do ar, da água, a destruição da biodiversidade animal e vegetal e o esgotamento das reservas minerais e demais recursos não renováveis. Neste contexto, depara-se, então, com problemas ambientais sérios, como a crescente poluição, o aumento da temperatura global, a destruição da camada de ozônio, o aumento exagerado do lixo, o desmatamento de extensas áreas verdes e o desaparecimento de inúmeras espécies de seres vivos.
Devido a um consumo desenfreado e à falta de articulação política, social e econômica, o homem tem sido ator e espectador da degradação ambiental e, por conseguinte, de si mesmo. O desequilíbrio intenso na exploração dos recursos e do capitalismo ecológico, a estrutura desigual no acesso e distribuição dos recursos do Planeta e a influência que desempenham as desigualdades dos poderes econômicos e políticos agravam o cenário social e ambiental, em decorrência da proximidade dos limites ecológicos que o sistema mundial vive.
Deste modo, para resolver, ou reduzir, os problemas ambientais, é necessária uma nova postura da sociedade, do Estado e dos governos, levando em conta o meio ambiente, e empregando concepções administrativas e tecnológicas para dar suporte ao Planeta. Nesse sentido, necessita-se de um Estado que se propõe a aplicar o princípio da solidariedade econômica e social para alcançar o desenvolvimento sustentável, orientado a buscar a igualdade substancial entre os cidadãos, mediante o controle e uso racional do patrimônio natural na sociedade contemporânea.
2 SOCIEDADE DE RISCO E A CRISE AMBIENTAL
2.1 A sociedade de risco como paradigma da sociedade contemporânea: a