III O PRODUTO EXPOSITOR REFRIGERADO
IV ESTUDO DE CASO DO EXPOSITOR REFRIGERADO
4.1 O Expositor Refrigerado Aberto Baixo de Auto-serviço no Mercado
No total foram analisados 13 supermercados sendo 09 da região de Curitiba, 01 na Capital de São Paulo e 03 de Mogiguaçú no estado de São Paulo. A amostra em questão foi caracterizada por estabelecimentos com até um ano de atividade comercial e que apresentavam mais de uma unidade do expositor refrigerado baixo aberto em uso contínuo. Durante a coleta de dados foram analisados 06 produtos das principais marcas encontradas no mercado brasileiro.
O quadro apresentado a seguir é constituído pelo agrupamento dos dados colhidos durante as visitas ao ambiente de auto-serviço dos açougues. Uma forma de organização dos dados coletados que permite serem examinados e avaliados, transformando-se em material útil a verificação
comparativa entre os principais fabricantes de expositores refrigerados. O instrumento de coleta de dados é denominado neste trabalho como “Checklist para expositor aberto baixo para auto-serviço”. Esta lista de verificações, que foi preenchida pelo próprio autor durante cada visita, apresenta três partes distintas. A primeira delas tem o objetivo de coletar as principais dimensões externas e internas do produto, ou seja, a medida da altura frontal, do tampo traseiro e da largura. A segunda parte tem a função de identificar as características do tipo de material, a forma, a cor e outros aspectos observados dos seguintes componentes: tampo traseiro, cabeceira, revestimento interno, pára-choque, base e corpo do produto. Por fim, a terceira parte analisa o tipo e a localização dos acessórios como, por exemplo: o termômetro, as bandejas e o porta-etiqueta.
O presente trabalho denomina as marcas analisadas por letras maiúsculas em ordem alfabética o que não indica grandeza ou grau de qualidade das mesmas.
Quadro 5 – Dados comparativos entre expositores refrigerados encontrados no mercado brasileiro. Parte B
O produto A é desenvolvido por uma empresa européia e produzido no Brasil por uma unidade local. Porém, mesmo sendo comercializado no mercado brasileiro o seu estilo ainda parece herdar algumas peculiaridades advindas de seu país de origem. Tais características podem ser observadas nas formas retilíneas e que não possuem preocupação com a harmonia entre os produtos de mesma linha. Como afirma Baxter (2000) a harmonia das formas visuais também pode ser explicada por uma combinação das regras de simplicidade com as dos padrões visuais. A repetição de formas no mesmo produto ou em produtos da mesma linha transmite ao usuário uma sensação visual de maior coerência e de composição, do que a repetição de diferentes formas. Além disso, a regra da continuidade abordada pelo mesmo autor propõe que a percepção visual tende a dar trajetória e prolongamento aos componentes do produto, sendo por fim, interpretados como uma coisa contínua.
Os fabricantes A e D aplicam as cores em seus produtos de acordo com as necessidades de seus clientes. Esta alteração abrange somente a face externa do corpo do gabinete. As mesmas marcas oferecem a opção bicolor, onde o corpo se difere por uma cor e as bases do produto pelo tom escuro. Da mesma forma que os fabricantes D e F possuem pára-choques também com opções bicolor, enfatizando o produto como um efeito decorativo. Alguns fabricantes utilizam o preto no interior dos gabinetes, a fim de estabelecer contraste e realçar a cor avermelhada do produto exposto, transmitindo ao consumidor sensação de frescor. Para Pegler (1996) os tipos de materiais usados e suas cores são fatores de design muito importantes, em seu conceito
os tons das cores cinza, branca ou preta permitem realçar os produtos no ponto de venda.
Em outras situações, para obter o mesmo resultado, o supermercadista é orientado a colocar luzes fixadas no teto com distâncias menores de um metro do expositor. O mesmo autor diz que a aplicação da iluminação ao longo da área de produtos congelados e resfriados, através de lâmpadas especiais de luz fria, pode adicionar um brilho apropriado aos produtos. Para Parente (2000) pode-se adotar a combinação de estilos, utilizando a iluminação indireta para as áreas de circulação da loja e iluminação direta para dar destaque aos produtos. Entretanto Lima (2001) alerta que o processo de iluminação exagerado ou inadequado pode prejudicar os produtos, causando, entre outros, descoloração e excesso de calor que diminui a vida útil do mesmo durante a exposição.
Quando o fabricante não possui um departamento responsável pelo sistema interno de pintura, muitas vezes, este procedimento pode ser terceirizado e a cor aplicada é geralmente branca. Desta forma a chapa pré- pintada torna-se uma opção representativamente de menor custo em relação às outras técnicas e, além disso, apresenta características similares a chapa de aço inox.
Observou-se que 04 dos gabinetes apresentam termômetro do tipo analógico, sendo que 50% destes estão situados abaixo do perfil de proteção, conhecido também como perfil pára-choque, e a outros 50%, acima deste. As experiências realizadas em laboratório por Nason e Bennett (apud Iida, 1995, p.197), demonstraram que os contadores digitais são superiores aos
analógicos para leitura quantitativa, tanto no tempo como na precisão das leituras. Estes resultados podem ser explicados porque para a leitura no contador, basta uma fixação visual, enquanto que no analógico é necessário primeiro localizar o ponteiro e depois escolher a porção da escala a ser lida.
Os termômetros localizados na região abaixo da altura do pára-choque frontal podem dificultar a observação da temperatura por parte do cliente. Já os termômetros monocromáticos, em geral na cor branca, não apresentam singularidade no registro e acabam confundido-se com o corpo do produto. A presença de camada excessiva de umidade na saída de ar frio pode deturpar o funcionamento correto do expositor, causando pequenas geleiras e ou stalactites. Neste caso, estas barreiras físicas podem dificultar a visualização do mostrador digital como mostra a foto abaixo:
Foto 08 – A posição do termômetro (A) em região de formação de camadas de gelo (B).
A
B
Fonte: Registro particular do autor. Área de refrigerados e congelados no ambiente supermercadista. Curitiba, 2002. 1 fot.: color. Digital; 300 dpi; 14x10cm.
O módulo de comando elétrico situado na parte inferior do gabinete contém um controlador de temperatura, conhecido como micro-processador, cujas funções são: mostrar a temperatura no interior do expositor, controlar a temperatura desejada e controlar o degelo proveniente da circulação do ar frio. Este módulo auxilia o usuário a manter as taxas corretas, porém durante a pesquisa não se observou nenhuma tarefa relacionada com o registro ou controle periódico de temperatura. Estes dispositivos garantem qualidade ao produto e por isso merecem devida atenção por parte do expositor devendo ser constantemente aperfeiçoados e aferidos a fim de se adaptarem as necessidades do homem.
As promoções são geralmente divulgadas na frente do expositor refrigerado por meio de cartazes de papel cartão sendo preenchidas em letra de forma com tinta ou pincel atômico e fixadas com fitas adesivas. Estes anúncios promocionais podem causar obstáculos para a visualização do alimento por parte do cliente, bem como o excesso destes podem resultar na poluição visual do setor de açougue. A atuação da umidade sobre a superfície do papel, proveniente do deslocamento do ar refrigerado, pode manchar as informações apresentadas no cartaz quando este fica exposto neste ambiente por longos períodos.
Foto 09 - Os cartazes de oferta durante as promoções no interior da loja.
Fonte: Registro particular do autor. Área de refrigerados e congelados no ambiente supermercadista. Curitiba, 2002. 1 fot.: color. Digital; 300 dpi; 14x10cm.
Os detalhes evidenciados acima não interferem na qualidade da refrigeração, visto que diante destas situações podem acarretar problemas como, o excesso de produtos dificultando o serviço do repositor e restringindo- o de executar a sua tarefa com agilidade perante o cliente. Já em supermercados de porte médio, acima de 1500 m² e hipermercados o supermercadista evita expor produtos nesta área, pois o zelo pela rapidez e agilidade no atendimento é um fator importante não só para o cliente, mas também para o operador facilitando a rotina de trabalho.
As etiquetas de sinalização são em demasia pequenas, estreitas e fixadas em regiões do gabinete refrigerado, onde após lotação por parte dos alimentos desaparecem. A cor que em geral é vermelha ou amarela, e sua
indicação se dão por meio de setas e retas não uniformes com escrita na cor branca ou preta respectivamente. Foto 10 – A localização e detalhes do porta-etiqueta e da Etiqueta.
Fonte: Registro particular do autor. Área de refrigerados e congelados no ambiente supermercadista. Curitiba, 2002. 1 fot.: color. Digital; 300 dpi; 14x10cm.
No que diz respeito às dimensões externas, a variação encontrada entre todos os gabinetes analisados não ultrapassa 100mm. Esta margem no caso de comprimento é significativa para supermercados de pequeno porte onde o espaço é restrito devendo ser planejado com precisão. Consequentemente a altura da plataforma posterior pode dificultar o acesso do repositor aos produtos expostos no interior do gabinete. O tampo superior é uma plataforma de apoio, que serve para facilitar a troca das bandejas internas. Nestes mesmos estabelecimentos muitas vezes o espaço do tampo é utilizado como suporte para a balança e a exposição de alguns produtos, entre estes a farinha de rosca e temperos.
Pode-se observar que todas as marcas utilizam divisórias transparentes de vidro ou de plástico que separam as diferentes carnes e os vários tipos de cortes. Em geral estas divisórias são acessórios fabricados sob medida pela própria empresa e comercializados separadamente ao produto.
Foto 11 – Aspectos decorativos aplicados no interior do gabinete refrigerado e grades divisórias.
Fonte: Arneg Brasil. ASOLO – AS. São Paulo, 2000. Catálogo de produtos.
A maioria dos supermercados analisados apresentaram, na área de escolha do cliente, tapetes de material plástico com formato passarela e com mesma cor do gabinete refrigerado. Além disso, alguns locais utilizam barras de metal no piso em frente ao expositor para evitar que ocorra o impacto de carrinhos contra o equipamento. Estas barras são implantadas pelo próprio varejista.