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3 REDE RECORD DE TELEVISÃO

3.4 O fazer compartilhado

A regra de compartilhar resultados das redes sociais e ferramentas que circulam no meio digital foi absorvida a fim de mostrar para o telespectador o que acontece antes, durante e depois que o jornal Rio Grande Record foi ao ar. Uma dessas maneiras e que foi apresentada anteriormente neste trabalho é através do Facebook do telejornal ilustrado nesta pesquisa, com chamadas do programa do dia e ainda exibição das reportagens do dia anterior, como uma forma de reprise para mostrar às pessoas que não assistiram, mas também para aquelas que querem

rever algo: “Hoje não é mais possível ignorar estas ferramentas, mas também é fundamental confirmar a veracidade dos fatos apresentados.”, afirma Luiz Horácio Duarte.

A informação, base fundamental do jornalismo, continua sendo essencial e primordial para nortear os trabalhos em uma redação. O profissional continua com o papel de mostrar a realidade e dar a ela dimensão necessária, seja em veiculação estadual, nacional e até internacional, com objetivo de manter seu telespectador sempre bem informado.

Neste “novo” telejornalismo percebe-se a importância da participação das comunidades dentro da construção da notícia, como forma de enviar conteúdos, comentar e compartilhar. Opções ao alcance do telespectador na página do Rio Grande Record no Facebook, onde há espaço para ele interagir e, além disso, acompanhar a construção do telejornal durante o dia.

Imagem 16 - O editor-chefe e a apresentadora na produção do telejornal

Fonte: Facebook/ Rio Grande Record (2015)

Na imagem acima, a apresentadora Simone Santos e o editor-chefe Horácio Duarte preparam o telejornal, revisando textos e elaborando chamadas. A fotografia foi postada na rede social, a fim de mostrar ao telespectador que de certa forma contribuiu naquele dia com a construção de uma das reportagens. Mas, mais importante do que isso, está o propósito de dar

oportunidade de “fala” ao receptor, que quer servir como personagem das reportagens, mas também como produtor de conteúdo.

Todas estas evidências se fundem a estes novos formatos dos telejornais que primam pela qualidade na informação, aliado a formas de garantir uma boa audiência e, também, aumentá-la de forma gradativa. É na gravação externa que está o contato direto entre o telespectador e o repórter. Agora, com as mídias digitais mais próximas das pessoas, esta relação entre ambos também mudou. Para o jornalista e repórter do Rio Grande Record Cristiano Dalcin11, os elementos trazidos na rua ajudam ainda mais na construção da história:

Cada vez é mais comum recebermos vídeos que ajudam a ilustrar a reportagem. São ingredientes que não contávamos e que sempre acrescentam muito no produto final. Na maioria das vezes, as pessoas se aproximam para oferecer materiais como vídeos. Em alguns casos, quando chegamos tarde demais ao local onde aconteceu um acidente/incêndio/briga, é o repórter quem vai atrás destes elementos. A tv vive da imagem e qualquer um pode fazer imagem com as câmeras dos celulares atuais. Uma facilidade que sempre contribui.

A facilidade em gravar e registrar os fatos conforme destacou o jornalista Cristiano Dalcin na citação acima tem sido aproveitada pela Rede Record, que tem colhido os bons resultados de trabalhar com o propósito do fazer compartilhado. Em maio deste ano, o balanço médio de audiência do Rio Grande Record apresentado por Simone Santos com as principais notícias do dia, era de seis pontos e meio (6,5).

Já em agosto deste mesmo ano a TV Record divulgou na internet um novo balanço com a audiência naquele período. O Rio Grande Record registrou oito pontos de audiência média e 17% de share domiciliar, pouco abaixo da maior audiência (RBS TV) naquele mês, que foi nove pontos de audiência média com a exibição nacional da novela “Os Dez Mandamentos”.

Para o jornalista Luiz Horácio Duarte o crescimento nos índices de audiência simboliza a resposta positiva do telespectador ao trabalho minucioso tendo a internet como aliada.

O Rio Grande Record é hoje uma das maiores audiências da grade de programação da emissora. E isso muito se deve ao entendimento de que temos que ouvir o desejo do telespectador e oferecer a ele conteúdos que digam respeito ao seu dia a dia. A linguagem utilizada na hora de dar a notícia também passou por mudanças dentro do Rio Grande Record. As cabeças, que resumem a matéria que será veiculada na sequência, precisam estar dinâmicas e falar diretamente com o telespectador. O “TP”, Teleprompter, é um

equipamento conectado às câmeras do estúdio e por ele são exibidos todos os textos que vão ser lidos pelo âncora do telejornal.

Na foto a seguir está a jornalista Simone Santos com o “TP”, para ilustrar como é a visão dos apresentadores, já que os telespectadores não conseguem ver as “letras”, pois o texto é refletido apenas para quem está na frente da câmera.

Imagem 17 - Simone Santos ao lado do teleprompter.

Fonte: Facebook/ Rio Grande Record (2015)

Considerado uma forma eficiente e que torna o telejornalismo mais ágil, o teleprompter também passou por alterações na TV Record RS. A apresentadora do Rio Grande Record, Simone Santos12, destaca que na hora de escrever as cabeças busca a aproximação com as pessoas.

Eu sempre procurei estar muito atenta ao que o telespectador quer ver e tenho um cuidado muito especial na forma de "comunicar" as notícias! Eu penso que a aproximação facilita, sim. Pois, ela sugere uma maior interação e um comprometimento verdadeiro com quem está do outro lado. Eu não gosto de ler "TP", eu gosto mesmo é de passar a notícia como se estivesse conversando... dialogando... com quem está me assistindo!! E, as pessoas sentem isso!!!

Com base nisto, o Rio Grande Record constrói um telejornal feito com apoio das pessoas, seja na sugestão de pauta (com reclamações e destaques para os bairros), durante a construção da notícia (concedendo entrevista e cedendo vídeo e/ou foto) e ao final deste processo compartilhando nas suas redes sociais a reportagem. É uma relação estreitada diariamente, depois que a emissora definiu o posicionamento de estar mais próxima das pessoas.

O jornalismo colaborativo e participativo se torna fundamental e concreto a partir do momento em que emissoras veem a sua importância. É o caso dos telejornais da TV Record e mais especificadamente neste trabalho o Rio Grande Record. Fazer telejornalismo deixou apenas de ser para as pessoas e se tornou um fazer com todas estas pessoas, sejam elas da cidade da emissora, do mesmo bairro ou de qualquer lugar do estado em que chegue o sinal.

Os trabalhos nas redações a fim de absorver as tecnologias sem abandonar os tradicionais preceitos do jornalismo estão mantidos ao analisar este telejornal, que está inserido em um novo contexto o qual as emissoras estão ligadas, como destaca Amorim.

O jornalismo participativo [...] consiste na modalidade em que cenas cotidianas são registradas por pessoas que não possuem qualquer vínculo ou formação jornalística e são utilizadas pelos veículos na cobertura do dia a dia. A presença dos receptores nos produtos jornalísticos, seja por meio da fala, texto, ou imagem não é advento da contemporaneidade (AMORIM, 2009, p. 6-7).

Com base no que foi apresentado acima pelo autor sobre a midiatização da notícia e as possibilidades de criação que o telespectador tem ao assistir uma reportagem, este hoje não está bitolado apenas a acompanhar, mas, agora, a interagir com o fato. Algo que tem sido utilizado e proporcionado aos receptores pelo Rio Grande Record, que não exibe apenas matérias factuais, mas também conteúdos produzidos e elaborados com mais tempo e que destacam as comunidades. É o caso de séries especiais e reportagens que envolvem denúncias e problemas de várias regiões.

Luiz Horácio Duarte destaca a importância da relação da emissora com as redes sociais tendo como base o apoio do telespectador para construir a notícia:

A televisão é um veículo onde as pessoas querem se ver. Querem ver as necessidades da comunidade dela mostradas e debatidas. O futuro da televisão aberta é se voltar para a comunidade servindo de ponte entre ela e o poder público. Nenhuma emissora tem equipes suficientes para atender toda esta demanda. Quanto mais as pessoas utilizarem as redes sociais para trazer esta informação para mídia, mais rapidamente poderá encontra eco na solução dos problemas. A televisão é feita para o telespectador e cada vez mais ele será agente participativo na elaboração das pautas. Desta maneira, o repórter, como Cristiano Dalcin que está na rua acompanhando os assuntos do dia de perto se torna os olhos da comunidade dentro da redação.

A TV tem um grande diferencial em relação ao jornal e o rádio. O repórter de TV é reconhecido nas ruas. O público se sente conhecido da gente porque entramos todos os dias na casa das pessoas. É muito importante saber aproveitar esta intimidade para fazer um trabalho ainda melhor com a ajuda deles.

Para que o trabalho da emissora e do telejornal aqui em análise siga trazendo efeitos positivos, a emissora investe nesta relação com o público. Um dos exemplos são os vídeos postados nas redes sociais em que a própria Simone Santos traz alguns dos destaques do programa do dia.

Imagem 18 - Vídeo postado na fanpage com os destaques do telejornal

Fonte: Facebook/ Rio Grande Record (2015)

Na foto acima nota-se com mais clareza a mudança na linguagem da emissora ao estreitar a relação com seu telespectador. A pergunta, logo no começo da frase em anos anteriores era pouco utilizada nas reportagens de televisão porque denotavam mais sentidos e poderiam fazer o receptor mudar de canal ao não se sentir atraído pelo assunto. Agora, a forma de se comunicar com as pessoas permite uma pergunta clara nas reportagens, como “Você pratica exercícios físicos diariamente? ”. Ao longo da reportagem são apresentados argumentos suficientes para responder tal questão.

No caso do Rio Grande Record a pergunta abre a frase do post acima “Quer começar a semana bem informado? ”, ou seja, as redes sociais e a televisão estão dialogando ainda mais com o telespectador, que deixa de ser espectador para ser personagem na construção da história. Uma sugestão de pauta enviada por e-mail, no Facebook ou por telefone, podem ao longo do

dia se tornar a principal daquela edição do telejornal, o olhar do jornalista e de toda equipe são aliados ao apoio essencial da comunidade, assim como afirma Samuel Vettori:

As sugestões que os telespectadores nos passam são situações que podem ser vividas por uma comunidade toda. Mostrando o problema de um estamos ajudando a revolver o problema de muitos. Cito um exemplo para ficar mais fácil a compreensão: se um telespectador denuncia que em determinada região da cidade os carros estacionam sobre a calçada, isso prejudica vários outros que moram naquela região. Comunicar-se nunca esteve tão fácil e ao alcance de tantas pessoas, é a interação sem limites de cidades ou estados. Para Simone Santos, as ferramentas digitais aproximam relações e tornam o imediatismo algo fundamental para o telejornalismo.

Essa interação já é uma realidade, e penso que a tendência é de que cada vez mais essa forma de "comunicar" vai se fundindo, mas, ao mesmo, tempo, vejo com cuidado e restrições tudo isso. Hoje em dia, todo mundo sabe de tudo e estar "informado" é cada vez mais fácil e rápido. Tudo está ali, na rede, de maneira imediata. Só que, para nós jornalistas, informar é mais do que isso. Envolve responsabilidade, consciência, comprometimento com as fontes e respeito. São necessários o cuidado e o compromisso de não basearmos nossas reportagens ou comentários em boatos, pois boatos não são notícias. E, antes de relatar um fato é preciso ter certeza do que está sendo dito!

Desta forma o telejornal Rio Grande Record tem apostado nas novas ferramentas como forma de mostrar os acontecimentos em todas as regiões do estado, criando canal de comunicação e diálogo mais aberto com as pessoas, proporcionando que elas se vejam e compartilhem os fatos. A construção da notícia passa agora pela redação, pelos bairros e retorna em um conteúdo de qualidade durante o jornal.