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O hedonismo, seu modelo mental e suas consequências

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CAPÍTULO I A CIDADANIA COMO RESPOSTA E COMO ENFRENTAMENTO

2. O hedonismo, seu modelo mental e suas consequências

O modelo mental e comportamental do hedonista parte do principio de que tudo ao seu redor está disponível para satisfazer seus desejos e o outro é um brinquedo para sua

satisfação, um objeto a ser explorado, e o meio ambiente tem a mesma finalidade. O mundo começa e termina em seus desejos e satisfação.

O modelo mental e o comportamento hedonista como centro das motivações e interesses sócios políticos, religiosos, etc., exclui o outro da equação e é certo que em consequência dessa atitude aumentam as desigualdades sociais e também o descontrole da violência ilegalizada e legalizada. A violência procede como metodologia de ação em todos os níveis sociais e institucionais. Um exemplo deste modelo é a especulação financeira como forma de apropriação da riqueza. Esse fato tem um ápice em 2008 causando prejuízos de trilhões de dólares que até agora comprometem a vida de bilhões de pessoas. Neste continuo financeiro os promovedores são os que concentram a riqueza, e que acreditam nesta postura mental e comportamental.

Uma reflexão sobre o poder que um megainvestidor como afirma Piketty no seu livro O capital no século XXI tem para gerar instabilidade, verá que uma ação sua pode gerar crises incalculáveis. Estes investidores são endeusados e até agora foram preservados pelos países e pelas leis. Eles são os mesmos que dirigem e regulamentam os sistemas financeiros, influenciam as leis através dos financiamentos de campanha eleitorais, e determinam a publicidade nos meios de comunicação como forma de ação.

A concentração da riqueza por sua capacidade financeira, contrata lobistas que influenciam os meios, e essa condição possibilita o controle e a metodologia dos mecanismos financeiros, produtivos e sua influencia concebe, normatiza e regulamenta os próprios interesses. Esse é outro círculo vicioso que vulnerabiliza a cidadania.

A injustiça cresce na maioria dos meios sociais e ampliam-se as posturas radicais de violência como resposta à essas injustiças. Este é um processo repetitivo na história humana, amplia-se em valores exponenciais pela conexão em que vivemos. Não há nada de novo neste ato contínuo, pelo contrário, fica claro a lentidão de como os avanços humanos para a qualidade de vida e a igualdade de direito caminham devagar. Esse processo de desigualdade compromete o momento atual e comprometerá em maior escala as próximas gerações, se não mudarem a forma pela qual ―desenvolvemos‖ a nossa suposta ―civilização‖.

A cidadania é respeito ao próximo e ao meio ambiente e a nossa ―civilização‖ está na contramão dessa direção. O padrão mental ―do meu em primeiro lugar‖. Essa maneira

de agir produziu e produz injustiças de todos os tipos e níveis e suas consequências, um prejuízo incalculável ao meio ambiente e a bilhões de seres humanos.

O pensamento do ―o meu em primeiro lugar‖ é comportamento que fundamenta e justifica o modelo exploratório e fortalece os dogmas das crenças hedonistas.

Nos anos 1960 e 1970, Daniel Bell percebeu muito bem que em sociedades cuja chave moral é o individualismo hedonista é impossível superar as crises. Os indivíduos, movidos unicamente pelo interesse de satisfazer todo tipo de desejos sensíveis no momento presente, não sentem a menor afeição por sua comunidade e, em última estância, não estão dispostos a sacrificar seus interesses egoístas em nome da coisa pública (CORTINA, 2005, P.18).

Saber que estamos contaminados pelas crenças hedonistas e como resultado desse comportamento, reconhecer que estamos destruindo o meio ambiente, não é a consciência do hedonista.

No desenrolar desse movimento centrado no ―eu‖ fica difícil imaginar que seja possível a transformação dessas atitudes em comportamento voltado para o bem estar. Na consciência de uma cidadania voltada para o século XXI, compreende-se a necessidade das cidades se organizarem com projetos diferentes como a necessidade de maiores espaços verdes, como um dos métodos para evitar a queda do aquecimento global, uma consciência que transforme-se em ação e bem estar para todos e para o meio ambiente, como exemplo os mananciais, etc. Esta consciência parece uma utopia (para o hedonista uma utopia como romantismo como um lugar que não se pode chegar) esse é o ponto de vista do hedonista.

Para os hedonistas é inimaginável pensar em áreas verdes como parte de políticas públicas, ou como parte de um plano diretor para melhorar e promover a diminuição dos problemas ambientais, mas a resposta hedonista é básica e sempre muito repetitiva, ―não há verbas‖.

Hoje áreas verdes são fundamentais para a saúde pública. A falta dessas áreas será um problema grave para saúde, bem como estará relacionada a diversos problemas respiratórios. Para os que se interessam, as quantidades de partículas que estão presentes no ar crescem em função do modelo ―de progresso‖.

A OMS rotulou a poluição atmosférica como um dos cancerígenos do grupo 1, que engloba as principais substâncias que representam um risco para a doença, como fumaça do tabaco e radiação ultravioleta. Embora os níveis de poluição possam variar de um país para o outro, a OMS considera que a nova classificação vale para todas as regiões do mundo. Avaliação - A decisão da OMS de classificar a poluição como fator cancerígeno foi tomada após a revisão de uma série de dados sobre o assunto. "Nossa tarefa foi avaliar o ar que todo mundo respira, e não focar somente em poluentes específicos. Os resultados dos estudos revisados apontam para a mesma direção: o risco de desenvolver câncer de pulmão é significativamente aumentado com a exposição à poluição", disse Dana Loomis, vice-chefe da seção.

De acordo com a Agência Internacional para Pesquisa em Câncer (IARC, sigla em inglês), que faz parte da OMS, a poluição causou 223.000 mortes por câncer de pulmão em todo o mundo em 2010. "Há maneiras eficazes de reduzir a poluição do ar, e esse relatório deve enviar um forte sinal à comunidade internacional para que medidas sejam tomadas", diz Christopher Wild, diretor da IARC. OMS classifica poluição do ar como fator cancerígeno.3

Outro tema é a especulação imobiliária que produz uma verticalidade na cidade, sem planejar infraestruturas para os moradores que irão habitar esses conjuntos habitacionais. O que amplia os problemas de segurança, de saúde, de lazer, de transporte nas grandes cidades dos países em desenvolvimento.

Para as grandes corporações e empreiteiras, para as empresas de planos de saúde, para as indústrias automobilísticas, de seguros, para as indústrias químicas e seus acionistas, essas situações caóticas favorecem suas especulações e seus lucros. É comum observar que qualquer aumento de imposto, os empresários logo afirmam; teremos que repassar os custos aos consumidores, entretanto quando ou lucros são exorbitantes eles se calam.

Na ação que estabelece a concentração de riqueza estão também os governos que são financiados por essas fortunas, e também pelo capital especulativo. Neste processo reflete-se também o comportamento hedonista na manutenção de seu status quo.

O cínico nega as consequências desses modelos de ―desenvolvimento‖ e os riscos que esses empreendimentos e financiamentos causam.

3 Fonte: Disponível em: <http://veja.abril.com.br/noticia/saude/oms-classifica-poluicao-do-ar-como-fator- cancerigeno/> acesso em 28 set. 2014

O comportamento hedonista que está inserido nos meios sociais, fundamenta-se o lucro e se justifica no interesse do lucro imediato e nas oportunidades que as desigualdades promovem e refletem sobre o ser humano e sobre o meio ambiente. Esse comportamento hedonista não possui compromisso com o próximo e com o meio ambiente e quando a crise aparece logo vemos projetos faraônicos como resposta básica à crise. O Estado de São Paulo que possuía grandes quantidades de mananciais, hoje projeta transposições de rios e quem sabe até usinas de desalinização da água do mar com os recursos e dinheiro público. Para suprir as futuras estiagem e secas.

Pode-se citar, como exemplo e como protagonista da desertificação do Estado de São Paulo, o governo com sua incapacidade de investir adequadamente os recursos do Estado, mas com apetite voraz para gastar os recursos arrecadados. E a população que está centrada no próprio interesse é abandona a sorte. Negar que existiria uma diminuição de riscos com ações sustentáveis e políticas públicas responsáveis no meio social faz parte do jogo e dos interesses hedonistas.

As vulnerabilidades e os efeitos que o clima produz, faz parte da preocupação dos Japoneses, mas todas as contenções são superadas pela força da instabilidade climática, e isto se sobrepõem a todos os investimentos que foram realizados até agora. Não quero dizer que não sejam necessários esses investimentos, porém sem uma ação conjunta e em bloco entre países, este processo continuará a se repetir.

O governo japonês estuda construir 440 muros de concreto ao longo de 370 quilômetros de praia, protegendo as cidades mais propensas a tsunamis, entre as quais Fukushima, Miyagi e Iwate, destruídas pelo fenômeno sísmico do início desta década. O projeto causa polêmica e é repudiado por ambientalistas, que acusam que as megaobras irão acabar com o litoral japonês e prejudicar uma das principais atividades econômicas do país: a pesca. Mesmo assim, o investimento já está reservado e é estimado em US$ 10 bilhões. Cada muralha teria 20 metros de altura e o volume de concreto estimado para construí-las pode chegar a 8 milhões de m³. JAPÃO projeta megaobra para conter tsunamis4.

Se não ocorrer uma mudança de consciência e uma coesão global, os avanços do modelo econômico e da especulação financeira avançarão e atingirão investimentos estratosféricos. Isto porque os fundamentos que estruturam nosso desenvolvimento

4 Fonte: SANTOS, Altair. Portal Itambé. 13 ago. 2014. Disponível em: <http://www.cimentoitambe.com.br/japao-projeta-megaobra-conter-tsunamis/ > Acesso em 5 jan. 2015

proporcionam o avanço dos riscos aos quais estamos submetidos e que o relatório sobre as mudanças climáticas aponta e chama atenção dos governos.

Está é uma consequência atual da produção e da economia vigente. Ação que condiciona todos os níveis sociais e institucionais definindo procedimentos e condicionando a rotina do fazer em todos os níveis governamentais não governamentais salvando se poucas exceções. Agora no inicio do século XXI, urge entender que o avanço dessa organização produtiva coloca em cheque a vida e o meio ambiente e criam-se as armadilhas que comprometem a vida de milhões de pessoas.

Os especialistas do governo por trás do relatório notam um ―agravamento do problema econômico e ecológico‖ que terá efeitos negativos sobre os animais marinhos, assim como ―custos imensos‖.

Eles também alertam para várias consequências sérias de saúde para os seres humanos. Por exemplo, partículas de plástico poderiam desequilibrar completamente nosso complexo equilíbrio hormonal, segundo um estudo publicado no ano passado pelos cientistas do Hospital da Universidade Charité de Berlim. Da mesma forma, segundo Richard Thompson, um biólogo marinho da Universidade de Plymouth, no Reino Unido, pedaços de plástico podem se transformar em armadilhas de veneno, nas quais substâncias insolúveis causadoras de câncer, como o DDT, ficam contidas. Um estudo recente coloca a concentração desses venenos nesses pedaços de plástico como sendo um milhão de vezes maior do que o normal. E, como alerta Gross, ―quando as pessoas consomem peixe, elas ingerem esse veneno‖. CHEIOS de lixo: ambientes costeiros e marinhos sob ameaça. 5

Neste momento atual o estilo de vida diária está multifacetado em uma variedade de vulnerabilidades e riscos à vida, como também de ordem planetária. Se o individuo está em risco como poderá agir nas questões de ordem planetária?

No meio multifacetado o pensamento hedonista se arraiga e se viraliza revigorando a atitude de satisfazer os próprios desejos, que estão acima de qualquer outro valor. Com essa atitude e condicionamento, ―o próximo e o meio ambiente são coisificados para serem consumidos e descartados como objetos sem valor‖, esta forma de pensar, de sentir e de agir enraíza-se na educação, na criação dos indivíduos e põe-se acima dos diversos regimes e ideologias. É o egoísmo que se estabelece e que é indiferente a tudo o que o cerca.

A postura cidadã necessita urgentemente que o respeito ao próximo e ao meio seja um fato real para os seres humanos, e para todas as outras espécies das quais dependemos.

5 Fonte: Ciência Hoje - edição 313 abr. 2014. Disponível em: <http://cienciahoje.uol.com.br/revista- ch/2014/313> Acesso em 05 jan. 2015

Na questão da cidadania devemos perguntar: O que o próximo e o planeta merecem? A efetivação da cidadania implica uma sabedoria real e não de discursos contraditórios: como esses discursos que dizem uma coisa e na ação fazem o oposto, e jogam para as gerações futuras a solução. Assim, com essa postura nos governos, vemos populações carentes ou não como noticias nos meios de comunicação e as suas circunstâncias demonstram o limite em que estão e o sofrimento ao qual estão expostos. No sistema consumista o desejo é estimulado e impulsionado pelas propagandas e anúncios de felicidade e satisfação do ego e impelem a violência econômica e depois a outras formas de violências. Na sociedade de consumo René Dumond aponta que o mecanismo econômico utiliza a publicidade para estimular o consumo

No que se refere aos países desenvolvidos, estes congregam um quinto da população mundial. Esta minoria, porém, consome 80% de todos os recursos naturais consumidos. Em média, quinze vezes mais papel e dez vezes mais aço. Para os quatro quintos da população restante no mundo, sobram apenas 20% de recursos. Este dado é preocupante, uma vez que sabemos que esta população está adotando o mesmo estilo consumista pregado pelos norte-americanos. A conta ambiental simplesmente não fecha. O INSUSTENTÁVEL consumo norte-americano.6

Os desejos precisam ser satisfeitos e assim as pessoas partem com ―suas razões‖ para o meio social com um único objetivo, satisfazer seu desejo, sem refletir sobre suas consequências. Aqui também e necessário distinguir que existem responsabilidades que precisam ser compartilhadas, mas que são diferenciadas por graus de influências e de poder a que está submetido. Como levar a paz para outros se você não possui paz? Como ser cidadão se você não reconhece a necessidade do próximo?

Essas perguntas fazem parte do processo de cidadania e deveria refletir na realidade do nosso cotidiano. Negar que as formas que organizam a vida social e produtiva constroem uma realidade e um estilo de vida, é a negação máxima que o cínico hedonista pratica em seu dia a dia.

A cidadania é uma questão de ordem e de sobrevivência material e espiritual e é formadora de conduta. O conceito de cidadania deveria estar na base de um projeto social, nas escolas, nas empresas, na política, nas relações humanas, no comércio, nas ações

6 Fonte: GUSMAO, Ronaldo, Editorial, Techoje, Disponível em: <http://www.techoje.com.br/site/techoje/categoria/detalhe_artigo/11> Acesso dia 05 nov. 2015

públicas como uma referência ou premissa básica e essencial para a espécie e para o planeta.

[...] a tarefa da própria política consiste em elaborar uma teoria da justiça distributiva que possa ser compartilhada por todos os membros de uma sociedade com democracia liberal... o método filosófico consiste em tratar de descobrir na cultura política de uma sociedade o que os cidadãos consideram justo, construir com isso uma teoria da justiça e tentar encarná-la nas instituições básicas da sociedade (CORTINA, 2005, P. 21).

Como fundamentar uma conduta justa dentro de uma cultura que se desenvolve em cima de injustiças sociais? Creio que a forma é pela conscientização e educação, por uma maior participação dos indivíduos nas decisões, pelos movimentos sociais populares, por intermédio de políticas públicas responsáveis e instrumentos de poder descentralizados e horizontalizados que não se apoiem em diferenças, mas sim na igualdade, procurando equalizar e compreender que essa direção possibilitará uma mudança real de direção.

É fato que o hedonismo nesse caso está na contramão da possibilidade de uma cidadania universal. Um hedonista nas esferas de poder e de decisão, promovem danos de todas as ordens e também injustiças sociais incomensuráveis.

A conduta dos hedonistas que ocupam os espaços de poderes estabelecidos è conhecido e reconhecido por aqueles que possuem uma postura contrária, ou pejorativamente chamada de ―romântica‖. Ideologizar e estigmatizar de romântica é o caminho para a justiça social e uma maneira de conduta que distorce intencionalmente as ações que se posicionam contrariamente aos interesses especulativos. No entanto, os conflitos sociais na maioria das vezes são tingidos com estigmas depreciativos, objetivando reprimir e levar as ações de determinados grupos para o campo das ideologias. Assim o poder estabelecido desorienta e desarticula as ações, e ao mesmo tempo promove seus valores e ideais. Neste caso, o instrumento de desorientação é muitas vezes divulgado e promovido pelos veículos de comunicação que são mantidos e estão aprisionados pela dependência financeira.

As instituições de uma sociedade necessitam apoiar-se no que é justo socialmente, e a sociedade necessita promover instituições justas.

Pensar justiça social através de um modelo econômico é outra forma de injustiça. O desenvolvimento econômico em si tem sua importância no mundo globalizado, mas não é

exclusivamente o modelo econômico que irá diminuir as injustiças sociais apesar de sua importância.

Se observarmos os processos humanos através de um olhar histórico poderemos perceber que os desvalores estiveram presentes na maioria das civilizações. No caso brasileiro pode-se citar a escravatura como um desvalor e um exemplo de injustiça praticada por uma crença, e por uma ação econômica que arrastou milhões de seres humanos e seus descendentes a graves injustiças nos últimos 120 anos.

A economia é um instrumento de poder e é dirigido por interesses de grupos. As forças políticas, as militares, e todas as instituições são dirigidas por pessoas que possuem valores ou desvalores, bem como intencionalidades e interesses. Nesta condição a realidade contemporânea reflete muito claramente os interesses que estão sendo praticados aqui e no mundo, e as crises são de proporções globais, não somos mais um pequeno grupo vivendo em um grande território, agora somos bilhões vivendo em um pequeno planeta.

Assim, a primazia do mercado oligopolizado, gerenciado por regras estatais, que estimulam e/ou retraem a economia formal e informal, segundo os interesses e os objetivos de maior lucratividade. O capital financeiro possui um setor que atua absolutamente desvinculado do processo produtivo, que é o capital especulativo, volátil que migra como as andorinhas em busca de melhores taxas de lucro e retorno imediato, sem o mínimo compromisso com os processos de desenvolvimento das nações onde investem (GONH,1997, P. 298).

A cidadania é um valor fundamental para todos os cidadãos do planeta. As questões como o equilíbrio entre o ser humano e o meio ambiente, urgem por uma mudança de conduta que carecem serer superadas.

Quando se trata de cidadania não é só o direito formal que garante cidadania, mas sim o acesso real ao direito. O direito real avança a passos lentos, e o modelo atual do direito fundamenta-se na lei formal, no castigo e na punição como forma educativa. Processo que é comum pesar na balança a favor dos privilegiados em detrimento dos menos favorecidos. As leis atuais controlam as estruturas sociais e a grande maioria é desprovida de recursos econômicos para defender seus interesses.

A realidade mostra que alguns cumprem as leis por medo ao castigo, mais do que pelo entendimento ou compreensão sobre o bem que se pode construir com o respeito ao próximo. No momento atual está presente nas ações e numa fé inabalável, o dogma de que

tudo podem em função do seu poder e do seu dinheiro, e não se importam em comprometer o meio imediato e não reconhecem o próximo.

O campo do direito aplicado contemporaneamente está gerando condutas que formam o comportamento. Enquanto o direito for para poucos e o acesso ao direito for restrito a um pequeno grupo, as distorções sociais continuarão crescendo e promoverão muitos conflitos e violências. Essa contradição está no centro da equação e do respeito a cidadania.

Se alguém se considera superior a outro, crê que merece receber o melhor, e se o outro não o é, ele que seja excluído do meio social. Infelizmente essa mentalidade persiste na mentalidade hedonista

Há um grande abismo social e também uma grande diferença nos modelos e correntes mentais que se se cristalizaram no decorrer do tempo ―os melhores sobrevivem, ou os mais adaptados sobreviverão‖. Impõem-se nessa crença uma religiosidade que impera na construção dos diversos conflitos estabelecidos e vigentes que veem se perpetuando nas condutas de todas as sociedades.

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