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(2) JOSÉ EDUARDO SALES DA COSTA. A COMUNICAÇÃO E A MEMÓRIA DO PEQUENO LAVRADOR DO MUNICÍPIO DE RIBEIRÃO GRANDE NO ESTADO DE SÃO PAULO. Dissertação apresentada em cumprimento às exigências do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da Universidade Metodista de São Paulo, para obtenção do título de Mestre.. Orientação: Profa. Dra. Cícilia Krohling Peruzzo. SÃO BERNARDO DO CAMPO 2016.
(3) FICHA CATALOGRÁFICA. C823c Costa, José Eduardo Sales da A comunicação é a memória do pequeno lavrador do município de Ribeirão Grande no estado de São Paulo / José Eduardo Sales da Costa. 2016. 252 p.. Dissertação (mestrado em Comunicação Social) --Escola de Comunicação, Educação e Humanidades da Universidade Metodista de São Paulo, São Bernardo do Campo, 2016. Orientação: Cicília Krohling Peruzzo. 1. Comunicação 2. Cidadania e cultura 3. Comunidade 4. Memória histórica I. Título. CDD 302.2.
(4) A dissertação de mestrado sob o título ― A COMUNICAÇÃO E A MEMÓRIA DO PEQUENO LAVRADOR DO MUNICÍPIO DE RIBEIRÃO GRANDE NO ESTADO DE SÃO PAULO”, elaborada por José Eduardo Sales da Costa, foi defendida e aprovada em 26 de abril de 2016, perante a banca examinadora composta por Profa. Dra. Cicília Maria Krohling Peruzzo. (Presidente/UMESP), Profa. Dra.. Marli. (Titular/UMESP), Prof. Dr. Luciano Victor Barros, (Titular/USP).. __________________________________________ Profa. Dra. Cicília Maria Krohling Peruzzo Orientadora e Presidente da Banca Examinadora. ___________________________________________ Profa. Dra. Marli dos Santos Coordenadora do Programa de Pós-Graduação. Programa: Pós-Graduação em Comunicação Social Área de Concentração: Processos Comunicacionais Linha de Pesquisa: Comunicação Midiática nas Interações Sociais. dos. Santos,.
(5) “Ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo, os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo”..
(6) AGRADECIMENTOS. Agradeço aos meus pais Luiz Laurentino da Costa e Floriza Sales da Costa, aos meus avós paternos e maternos e a família Capoeira. Meu especial agradecimento à Profa. Dra. Cicília Maria Krohling Peruzzo pelas suas orientações e a todos os meus mestres e professores com quem tive o prazer de conviver. E também aos mestres que me influenciaram com seus livros e histórias. E a Deus por ter me dado à vida..
(7) RESUMO. Estudo do processo comunicacional e o registro de fragmentos de memória do pequeno agricultor na localidade de Ribeirão Grande, região do Vale do Paranapanema, Estado de São Paulo. Esta pesquisa tem como objetivos mostrar a realidade do pequeno agricultor; investigar sobre os processos comunicacionais que influenciam na preservação dos valores ou na perda deles, conhecer a opinião dos pequenos agricultores e moradores do município de Ribeirão Grande no Estado de São Paulo, sobre sua realidade, sua comunicação, seu modelo de vida e de produção, entender como se produz a comunicação no dia a dia do pequeno agricultor, e se há uma relação de proximidade com o jornal regional, sobre a existência ou não de um meio de comunicação que trabalhe os sentimentos de pertencimento e os interesses da ― comunidade‖. A metodologia deste trabalho incorpora a pesquisa bibliográfica, pesquisa documental e o estudo do caso de um jornal regional local, além de entrevistas semiestruturadas com os lavradores. Conclui-se que o pequeno lavrador e seu estilo de vida na região tratada não possui perscpectiva de futuro, imersos nas circunstancias que se encontram.. Palavras-chave: comunicação, cidadania, comunidade, memória, cultura..
(8) ABSTRACT. Study of the comunicacional process and record of memory fragments from the small regional agriculturist established in Ribeirão Grande on the region of Vale do Paranapanema in the State of São Paulo. This research has set the objectives to present the reality of the small agriculturist; investigate communicational processes which influences in the preservation of values or their loss; comprehend the opinions of small agriculturists and the residents in Ribeirão Grande, State of São Paulo, concerned to their reality; their communication regarding their life style and production; comprehend how communication is produced throughout the small agriculturist daily routine, if there is a proximity relationship with the regional newspaper, concerning the existence or non existence of any mean of communication which relates the feeling of enrollment and the ― community‖ interests. The methodology of this project incorporates the bibliographic research, documental research and the case study of a local regional newspaper, aside from semi structured interviews with the farmers.. Keywords: communication, citizenship, community, memory, culture..
(9) LISTA DE TABELAS. Tabela 1 - Condição de Vida...............................................................................................43 Tabela 2 - Superfície e Eixos da edição nº 1228 - Data 01/ago/2015..............................164 Tabela 3 - Superfície e Eixos da edição nº 1229 - Data 08/ago/2015.............................165 Tabela 4 - Superfície e Eixos da edição nº 1230 - Data 15/ago/2015..............................165 Tabela 5 - Superfície e Eixos da edição nº 1231 - Data 22/ago/2015...............................166 Tabela 6 - Superfície e Eixos da edição nº 1233 - Data 05/set/2105.................................167 Tabela 7 - Superfície e Eixos da edição nº 1234 - Data 12/ set /2015...............................168 Tabela 8 - Superfície e Eixos da edição nº 1235 - Data 19/ set /2105...............................168 Tabela 9 - Superfície e Eixos da edição nº 1236 - Data 26/set /2015................................169 Tabela 10 - Superfície e Eixos da edição nº 1237 - Data 03/ out /2015............................169 Tabela 11 - Superfície e Eixos da edição nº 1238 - Data 10/out/2015..............................170 Tabela 12 - Síntese da Superfície ocupada por eixos-temáticos no período de 01/08/2015 a 10/10/2015..........................................................................................................................171 Tabela 13 - Síntese da Superfície ocupada por eixos-temáticos em %.............................172.
(10) LISTA DE GRÁFICOS. Gráfico 1 - Do valor total - eixos-temáticos - texto por cm/col........................................173 Gráfico 2 - Do valor total - eixos-temáticos - texto por cm/col........................................174 Gráfico 3 - Do valor total - eixos-temáticos - imagem por cm/col...................................174.
(11) LISTA DE QUADROS. Quadro 1 - Classificação da Categoria Eixos Temáticos.................................................161 Quadro 2 - Manchetes do jornal ―OExpresso‖ - período de 01/08/2015 a 10/10/2015...162.
(12) SUMÁRIO INTRODUÇÃO ................................................................................................................. 13 CAPÍTULO I - A CIDADANIA COMO RESPOSTA E COMO ENFRENTAMENTO AS CRISES QUE SE ACELERAM NO MEIO SOCIAL E AMBIENTAL ................ 18 1. Cidadania e o princípio – O ser humano como valor central ....................................... 18 2. O hedonismo, seu modelo mental e suas consequências ............................................. 31 CAPÍTULO II - A COMUNICAÇÃO, EDUCAÇÃO E COTIDIANO ....................... 42 1. A comunicação como processo de pertencimento e a incomunicabilidade como processo discriminador .................................................................................................... 42 2. A educação e a comunicação como processos de convivência e pertencimento ........ 70 3. A história oral a educação e a memória ....................................................................... 78 CAPÍTULO III - O COTIDIANO E A HISTÓRIA DE VIDA DO PEQUENO LAVRADOR ...................................................................................................................... 82 1. O cotidiano do lavrador ............................................................................................... 82 2. A cultura e a comunicação como manifesto da declaração do morador e do pequeno lavrador .......................................................................................................................... 113 3. Os valores da cultura, reforçados pelos meios de comunicação ................................ 125 CAPÍTULO IV - O MUNDO GLOBALIZADO, O RETRATO DO PEQUENO LAVRADOR E A FORMA DE MANIFESTAR A SUA CULTURA ........................ 133 1. A cidadania como princípio constitutivo e a cidadania universal como processo revolucionário ................................................................................................................ 133 2. Das tensões globalizadas para as tensões de uma microrregião. Da influência do poder econômico do todo para as partes. ................................................................................. 145 3. O retrato cultural da região do alto do vale do Paranapanema município de Ribeirão Grande, Estado de São Paulo. ........................................................................................ 151 4. Os meios de comunicação na região de Ribeirão Grande.......................................... 159 CONSIDERAÇÕES FINAIS .......................................................................................... 176 REFERÊNCIAS .............................................................................................................. 179 REFERÊNCIAS ELETRÔNICAS ................................................................................ 184 ANEXOS...........................................................................................................................185.
(13) 13 INTRODUÇÃO A escolha sobre fazer uma dissertação de mestrado necessita, no meu ponto de vista, uma reflexão sobre essa escolha e também sobre esse exercício de realizar esse trabalho. É verdadeiramente um exercício em toda sua trajetória de tirar do corpo, da mente e da alma. É um despir-se para outros e é abrir o jogo na mesa. Por pra mim é fundamental ter um bem querer e um amor para superar as pedras no caminho como poeticamente Carlos Drummond de Andrade apresenta em sua poesia Tinha uma pedra No meio do caminho tinha uma pedra Tinha uma pedra no meio do caminho Tinha uma pedra No meio do caminho tinha uma pedra Nunca me esquecerei desse acontecimento Na vida de minhas retinas tão fatigadas Nunca me esquecerei que no meio do Caminho Tinha uma pedra Tinha uma pedra no meio do caminho No meio do caminho tinha uma pedra (CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE). O mestrado é um acontecimento que eu nunca esquecerei, pois é um exercício de olhar para si e ver suas imperfeições, onde o narciso que alimentamos não se apaixona por si, mas desperta para uma realidade. As pedras são as próprias convicções que precisam ser confrontadas. As pedras são as horas de leitura e de fichamento que fadigam as retinas, a própria falta de organização, de experiência e por isso não me esquecerei. O amor pelo que se escolhe é fundamental. O amor é a fonte que alimenta o corpo e a alma nesse caminho. Quando se ama o objeto do seu trabalho, as orientações são como estrelas que guiam o caminho. As críticas são luzes que clareiam as áreas sombrias do pensamento. Por isso, o amor é necessário para o exercício do neófito. Esse amor eu tenho por essas pessoas que quero retratar nesse estudo. Meu pai que nasceu no município de Garanhus, Estado de Pernambuco, perdeu seus pais aos cinco anos, foi separado de seus irmãos e viveu de favor na casa de amigos e parentes distantes. Ele só aprendeu a ler e a escrever aos 34 anos, e por isso, toda a sua sabedoria me são ricas e saborosas. O seu testemunho e seu depoimento sobre a sua vida e sua realidade no interior.
(14) 14 de Pernambuco me marcaram. Minha mãe nasceu em Ribeirão Grande município do Estado de São Paulo em 1933, meus avós já moravam nesta região. Meus avós foram lavradores e viveram de subsistência durante a vida toda. Minha mãe até hoje preserva a última parte do sítio de meus avós. Trabalhou como lavradoura, uma mulher com força de uma guerreira. Cuidava de 4 alqueires de terra, plantava, colhia, tinha suas vaquinhas, e ia de sol a sol nesse trabalho. Seus irmãos, alguns mudaram para a cidade por não quererem viver naquelas condições, os tios tentaram manter o estilo de vida, mas não obtiveram sucesso nesse trabalho, um deles em consequência de uma má lavoura perdeu as terras para o banco. Por isso o município de Ribeirão Grande no Estado de São Paulo é uma inspiração, mas também motivo de tristeza para a minha vida. Sua cultura está fortemente presente em mim, o sertão, os rios e riachos de águas transparentes também. O amor que recebi de meus familiares, as belezas da mata atlântica me influenciaram e determinaram minha forma de ser. Escolhi essa região para o estudo dessa pesquisa que realizei que leva o titulo de “A comunicação e a memória do pequeno lavrador de Ribeirão Grande no Estado de São Paulo”. As histórias de vida de meus pais sensibilizaram-me sobre a vida das pessoas simples, suas dificuldades e também sua força e vontade de vencer. Eles são as essências desse trabalho, dessa luta, do enfrentamento dessa realidade. Viver com eles foi uma grande experiência humana, ao qual valorizo e me orgulho. Enfim nesta trajetória meus anseios e objetivos sempre foram de entender e compreender o mundo ao redor. O porquê de tanta dificuldade, de tanta limitação e misérias. Em Ribeirão, apesar de tanta riqueza em fauna e flora existia muitas famílias que viviam em condições extremas de pobreza, sem acesso a escolas que fossem luzes para a vida dessas pessoas. Estava lá quando comentaram sobre a chegada da fábrica de cimento e dos empregos que ela criaria, todos diziam, o desenvolvimento está chegando. Nesse período eu estava na minha adolescência e presenciei a chegada dos geólogos das mineradoras e ouvi-os dizerem aos meus familiares, nós queremos fazer uma análise das suas terras e isso vai ser bom para todos. Hoje sei que todos são o dono da mineradora, que já faz divisa com o pedaço de terra de minha mãe e na palavra de algumas pessoas, a mineradora já possui quase 68% do território de Ribeirão. Território que possui uma.
(15) 15 grande área de terras devolutas, e de todas as formas tentei encontrar documentos para esclarecer pontos que apresento nesta dissertação, porém até agora não os obtive. Neste território muitas famílias de lavradores ― venderam‖ suas terras para a mineradora. O município parece que está perdido no tempo, muitas questões sociais se deterioraram durante esses anos conforme os depoimentos dos lavradores e moradores do município. Atualmente uma grande parte dos pequenos lavradores não possuem recursos para comprar veneno para combater as pragas, e em função dos custos acabam por desistir de viver da lavoura. Outra situação limite para o lavrador além do problema da lavoura é reconhecer e perceber que seus filhos estão vulneráveis a outras influências como: a dos meios de comunicação que de forma indireta (eu prefiro de forma subjetiva) influenciam a vida dos jovens. As drogas e o desemprego afetam de forma direta a vida dos jovens e dos mais velhos. Para isso, essa pesquisa buscou tratar como objetivo geral, específico e hipótese as seguintes formulações: O objetivo geral foi investigar e identificar os tipos de comunicação que se formam no cotidiano e na vida do pequeno lavrador do município de Ribeirão Grande, Estado de São Paulo. Nos objetivos específicos busca-se mostrar a realidade do pequeno agricultor no final do século XX; a relação do morador e do pequeno lavrador do município de Ribeirão Grande no Vale do Alto do Paranapanema, Estado de São Paulo com os meios de comunicação; registrar as memórias dos lavradores, seus costumes e cultura; investigar os processos comunicacionais que influenciam na preservação dos valores ou na perda deles; pesquisar a produção comunicacional de um jornal da região; identificar os temas publicados os elementos de mídias utilizadas pelo jornal; conhecer a opinião dos pequenos agricultores e moradores do município de Ribeirão Grande sobre sua realidade, sua comunicação, sobre seu modelo de vida e de produção; verificar se há politicas públicas e programas de governo sócio econômico no município que efetive a permanência do pequeno lavrador no campo. A hipótese que trabalhei foi a de que o pequeno lavrador parece acreditar que suas forças e seu destino dependem unicamente de sua Fé. Ele percebe que a realidade que o cerca é limitante e sem perspectiva, está acuado por políticas que desconstroem seu modo de vida e o seu núcleo familiar..
(16) 16. Nesse processo no qual está imerso, ele transmite por meio da oralidade a sua história e as suas experiências para os filhos e para os membros da ― comunidade‖. O sofrimento e a frustração, que por sua vez desacredita o sentido e o seu estilo de vida, e dessa maneira os filhos e a ― comunidade‖ perdem a esperança e desistem da terra e da lavoura. Desta forma a realidade do dia a dia e do processo econômico em que vivem fecham o futuro. E neste meio se insere também a comunicação produzida pelo jornal local que se apóia no poder econômico e nos partidos políticos para sobreviverem e acabam reféns dessa estrutura da qual dependem e estão aprisionados. Para confirmar minhas percepções sobre a realidade do pequeno lavrador decidi juntamente com a minha orientadora realizar entrevistas semiestruturadas visando verificar e registrar por meio dos depoimentos as histórias de vida dos pequenos lavradores. Também realizei um estudo de um jornal regional para verificar os temas tratados em suas edições. A construção dos caminhos a serem percorridos e as verificações a serem realizadas foram se fechando em um corpo biográfico e se tornaram a sustentação teórica para sobrepor as minhas premissas e inquietações. Na metodologia o estudo fundamentou-se em pesquisa bibliográfica e documental, bem como no estudo de caso do principal jornal regional, em suas matérias e manchetes de primeira página. A pesquisa de campo foi realizada com (10) pequenos lavradores e (10) moradores do município de Ribeirão Grande e os registros foram gravados em áudio. Os critérios para seleção dos pequenos lavradores foram: propriedades de até 15 alqueires; que sejam herdeiros da terra ou que trabalhem como arrendatários; agricultores (cooperados ou não). Os critérios para os moradores foram: que sejam herdeiros e filhos de lavradores de Ribeirão Grande e que morem e trabalhem no município. Com base nessa metodologia construí os quatro capítulos que formam essa dissertação. No primeiro capítulo “A cidadania como resposta e como enfrentamento as crises” que se aceleram no meio social e ambiental procurei tratar da questão da cidadania e do meio ambiente que são temas que acredito serem importantes para todos e principalmente para os que vivem no campo, por uma razão simples, preservar áreas.
(17) 17 verdes e possibilitar a permanência do homem no campo. No segundo capítulo “A comunicação, educação e cotidiano” o foco se estabeleceu na comunicação, na educação e na história de vida dos lavradores. Temas que no meu ponto de vista são tramas de um tecido que nos envolve e nos forma. No terceiro capitulo “O cotidiano e a história do pequeno lavrador” o foco apontou para a história de vida do pequeno lavrador e para o depoimento dos entrevistados. O quarto capítulo “O mundo globalizado, o retrato do pequeno lavrador e a forma de manifestar sua cultura” trata da cidadania como processo revolucionário, o estudo do jornal regional e os pontos de convergência entre as realidades de um pequeno município e o mundo globalizado..
(18) 18 CAPÍTULO I - A CIDADANIA COMO RESPOSTA E COMO ENFRENTAMENTO AS CRISES QUE SE ACELERAM NO MEIO SOCIAL E AMBIENTAL 1. Cidadania e o princípio – O ser humano como valor central Todos os homens nascem livres e iguais em dignidade e direitos. Mas, como observou Hanna Arendt, os homens não nascem iguais, tornam-se iguais como membros de uma coletividade em virtude de uma decisão conjunta que garante a todos direitos iguais. A igualdade não é um dado, é um construído, elaborado convecionamente pela ação dos homens, enquanto cidadãos, na comunidade política (ARENDT, apud LAFER, 1991; VIEIRA, 2000, P.21).. Para o ser humano ser o valor central no planeta tenho que concordar com Arendt, que afirma que a igualdade não é um dado, é construída, e a partir desse ponto de vista o mundo globalizado e os diversos problemas que enfrentamos como: econômicos, sociais e ambientais não parecem maiores do que construir uma cidadania para todos os seres humanos. Construir uma cidadania em um mundo globalizado está cada vez mais fragmentado por interesses de mercado e por um grande acirramento de diferenças. A assembleia das Nações Unidas também formou a seguinte declaração: Artigo 1º Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotadas de razão e consciência e devem agir em relação umas às outras com espírito de fraternidade. Adotada e proclamada pela Resolução nº 217 A (III) da Assembleia Geral das Nações Unidas em 10 de dezembro de 1948, assinada pelo Brasil na mesma data. A cidadania principia no respeito a vida. Ela se estende de um campo da ordem mais elementar que é o direito a vida e prossegue na conquista de direitos que garantam a dignidade de qualquer ser humano, em qualquer lugar, tornando todos os seres humanos em cidadãos do mundo. A cidadania parte de um principio básico do direito a vida e se estende a um campo mais amplo e sutil, que é o que trata das questões do ecossistema ou holísticas, que envolvem todos os seres humanos e o planeta, que é a mudança climática. Ambos os campos o do direito a vida e o do direito a viver seguro onde se vive, são fundamentais e estão intrinsecamente relacionados, sendo que os dois campos são de vital importância..
(19) 19 No direito a vida o enfrentamento da pobreza é fundamental. E esta limitação envolve e encerra grande parcela dos seres humanos que em toda parte vivem em condições anti humanas e sem um mínimo de dignidade. Essa grande parcela humana que vive em condições limitantes, faz parte de uma das equações que estão em pauta na Organização das Nações Unidas – ONU e que urgem serem superadas e que necessitam retrocederem por ampliar as diferenças sociais, as injustiças sociais e os desequilíbrios que estas condições estabelecem. A outra questão também de alta prioridade é a mudança climática (porque a situação se agrava como informa relatório sobre o clima) e todos os riscos que ela trás à vida, principalmente para as populações sem recursos onde o tema principal é o direito a vida, o qual não está assegurado devido às condições de extrema pobreza e desigualdade social, e por não possuírem qualquer grau de privilégio e direito. O direito a vida não está garantido. E se o direito a vida não está garantido este ser humano, não possui o direito a cidadania. A cidadania é uma questão geográfica? Last but not least, cabe lembrar que os problemas que afetam a humanidade e o planeta atravessam fronteiras e tornam-se globais com o processo de globalização que se acelera neste final do século XX. Questão como produção, comércio, capital financeiro, migrações, pobreza, danos ambientais, desemprego, informatização, telecomunicações, enfim, as grandes questões econômicas, sociais, ecológicas, e políticas deixaram de ser nacionais, tornaram-se transnacionais. É nesse contexto que nasce hoje o conceito de cidadão do mundo, de cidadania planetária, que vem sendo paulatinamente construída pela sociedade civil de todos os países, em contraposição ao poder político do Estado e ao poder econômico do mercado (VIEIRA, 2000, P.32).. Ficar exposto à guerra, à fome, à falta de água, sem possuir recursos ou condições de ir e vir, de manter o direito à vida e a sua dignidade é aterrorizante. Ser exposto a radicais, extremistas e a facções de qualquer tipo como: religiosa, política, financeira, econômica ou de qualquer outro tipo, sem ter de fato a garantia ao direito a vida, só o desespero ou a morte como futuro é desanimador. A outra radicalização a que fomos expostos decorre do nosso processo de desenvolvimento que alterou o clima no qual vivemos e que coloca o nosso modelo de civilização e à vida no planeta em risco..
(20) 20 O aquecimento global, o avanço do mar, a desertificação e tudo quer for consequência do processo de mudança climática, impõe no momento atual a todos os países uma questão. Quem possui o direito a vida e quem não possui? E a todos os seres humanos a seguinte questão: quem merece viver e como queremos viver? Queremos privilégios para viver? Queremos ser superiores a outros seres humanos? Isso porque o meu Deus é mais poderoso na minha forma de pensar. Ou porque a minha cor de pele é mais divina, enfim porque eu sou superior a outros, portanto mereço viver e quem não possuir as mesmas ― qualidades ou características‖ não tem o direito a existência? O paradigma predominante em vigor e que gera tanta desigualdade e contradição exige um grande esforço de todos para que se possa mudar a direção do desenvolvimento vigente. Uma mudança nos processos de desenvolvimento se faz necessária para que ocorra um mínimo equilíbrio entre os seres humanos e o ecossistema que nos envolve. O momento deixa esses fatores cada vez mais explicitos. Estamos dentro de uma estrutura de conexões não lineares e cada ação reflete sobre o meio de forma contundente. Neste processo de desenvolvimento ao qual estamos imersos, e a forma pela qual somos organizados e classificados, determinam a condição do ser humano e do planeta. Os resultados dessas classificações são antigas e históricas. O desenvolvimento social anda a passos lentos, mas os riscos que são graves voam a velocidade da luz. Os riscos são de toda ordem, como: o direito a vida, o direito a água, o acesso a alimentação, ao emprego, a recursos que possibilitem a sobrevivência e a dignidade. O princípio da cidadania moderna fundado sobre a ideia de humanidade enfrentou muitas dificuldades de aplicação. A primeira refere-se ao tamanho das repúblicas modernas, que impede o exercício direto do poder pelo cidadão. O Estado se destaca da sociedade civil, o poder não pode ser mais exercido por todos (VIEIRA, 2000, P. 29).. Um exemplo dos problemas do século XXI é a concentração de riqueza e os riscos que esse processo trás sobre o meio social e ambiental que precisam ser reconhecidos. O processo de classificação financeira e econômica impõe violência econômica a grandes massas humanas limitando o direito e a dignidade..
(21) 21 O planeta não é um patrimônio humano? E a vida não é um direito? Quando as diferenças são imensas, o cinismo amplia-se e avança e nega por questão de interesses, modelos classificatórios e ideológicos, o direito de vida a outros. Somos iguais ou não? Quando existe o respeito ao próximo o princípio da igualdade está na convivência e se realiza em um exercício diário. É um bem espiritual e material. A especulação financeira como fator de crescimento de renda é um fato que pouco se questiona, e pouco se faz para refrear essa concentração. Poucos são os bilionários, poucos possuem influência sobre os modelos de produção, sobre os sistemas financeiros e sobre os governos, mas milhões sofrem com isso. Em todas as sociedades, seja a França de 1789 (onde a aristocracia representava 1% e 2% da população) ou os Estados Unidos do início dos anos 2010 (Onde o movimento Occupy Wall Street tomou como alvo de sua campanha o grupo dos 1% mais ricos), o centésimo superior representa uma população significativa o suficiente para ter grande influência na estruturação da paisagem social e da ordem política e econômica do pais (PIKETTY, 2013, P.248).. O reflexo desta condição está exposto nos meios de comunicação com grande volume de fatos e de repetições. A migração e a imigração (o êxodo), como um dos resultados deste processo, a exploração, a guerra e a fome são fatos comuns na imprensa. Assim a questão da cidadania, que em essência é o direito a vida, em sua razão mais básica, enfrenta neste momento os riscos ambientais como ameaça a vida. E para o conceito da cidadania o ser humano e o meio ambiente estão entrelaçados. O conceito do direito a vida e meio o ambiente transcende as fronteiras e este conceito deveria ser igual para todos, deveria ser objetivo universal. Enfim para que haja condições de viver com dignidade em qualquer lugar desse planeta. Esse conceito, creio ser o paradigma e a questão que precisamos enfrentar como seres humanos. A responsabilidade é de todos, mas é diferenciada pelo papel que ocupamos dentro das estruturas sociais. Para ser mais claro, a responsabilidade é de todos, porém é diferenciada. O papel que temos no meio social, está diretamente relacionado ao grau e ao papel que temos nesta estrutura social, a estrutura concede maior ou menor influência e poder, e essa influência possui diferenças de impacto sobre o meio em que vivemos..
(22) 22 Um lavrador tem responsabilidades, mas ela é rigorosamente diferente na forma e na ação, quando relacionada com o papel de um partido político, de um governo, de um juiz, de um senador, de um empresário ou uma corporação multinacional, etc. Como garantir a vida das pessoas mais humildes ou aquelas que não desejam ser beligerantes. Como garantir as vidas dos seres humanos que estão nas áreas ameaçadas gravemente pelas mudanças climáticas. Os problemas climáticos são resultados de um conjunto de ações, onde todas as nações possuem maiores ou menores responsabilidades, porém todos possuem responsabilidade. O avanço da desertificação e os riscos que ele trás é um dos fatores que fazem parte dos problemas climáticos. Essa situação avança sobre os seres humanos, afeta a forma de produzir alimentos, o acesso a água, a vida das florestas e a vida animal. Esta crise está em andamento e amplia a vulnerabilidade da vida. A participação é compartilhada e as responsabilidades são de todos e é necessária para que todo o conjunto humano influa na alteração da direção desses problemas e desses riscos. Os dois problemas citados, o direito a vida e a mudança climática, promovem impactos incontroláveis em todo o planeta. Colocando no momento presente e no dia a dia maior urgência sobre a questão: Quem tem o direito a viver? E é claro que as responsabilidades dessas mudanças necessitam ser diferenciadas em função das condições que possuímos como: educação, desenvolvimento, poder econômico, etc... Quem pode mais deve mais; não só pensando em poder econômico, mas principalmente em consciência. É um engano acreditar que possa escapar a essas circunstâncias. Não há como negar que os indivíduos que foram expostos a situações limites e precárias como o acesso a educação, ao alimento, a justiça, a saúde e dignidade, que viveram e vivem em realidades extremas, sejam capazes de mudar essa realidade. Os papéis sociais, as diferenças os contrastes refletem nossa maior ou menor responsabilidade. Se o direito a vida não for universal no processo humano a vida de muitos será rapidamente abreviada. Para os cínicos que negam sua responsabilidade as indiferenças deverão ser a forma pela qual esse direito não se confirmará e será retirado, talvez com o seguinte conceito. A vida não é para todos. Para os cínicos a gravidade das.
(23) 23 crises facilitará suas ações de negação a vida, e será um vetor preponderante para poder agir e reafirmar sua intenção interna de excluir do mundo os que não merecem viver. As responsabilidades, reafirmo, precisam ser diferenciadas e compartilhadas pelos países conforme o nível de desenvolvimento ou a falta dele, necessitamos de uma ação conjunta. As grandes corporações industriais e financeiras que precisam corrigir seus procedimentos e seus interesses, já que na essência de uma grande corporação o seu interesse está vinculado ao lucro. A extrema indiferença que se impõe a toda sociedade através de um modelo de consumo, que se fundamenta em uma corrida por um ― pseudo” aspecto de inovação que promove a troca e o descarte como fator de inovação. Assim procede o modelo consumista atual, ― a troca e mais barato‖ e nesta ação continua os comprometimentos sociais e ambientais são enormes. Como exemplo o problema do lixo. O culto que possuímos pelo status quo e um elemento que revigora as diferenças. A possibilidade e a facilidade que o individuo possui a bens e serviços, o maior poder de consumo distingue, e quanto mais poder de consumo o individuo possui, mais ele é reverenciado, e esse procedimento consolida com vigor o egoísmo, a ignorância e o cinismo. Negar as consequências dessa origem facilita a resposta do cínico hedonista para todas as argumentações que se coloquem como solicitação para uma reflexão, e assim os modelos de produção continuam em direção a exploração irracional na busca pelo objetivo de concentrar riqueza. Modelo que se cristalizou como decorrência da exploração humana e do meio ambiente. O que para um pensamento hegemônico sem a exploração não é possível construir riqueza. Durante milênios e séculos a exploração é aceita como um condutor inevitável, e é um ponto cristalizado no principio estabelecido do ― desenvolvimento‖. Nega-se que é possível conciliar leis de desenvolvimento sem explorar, e o outro pilar no qual se sustentam, é que a ciência promoverá respostas para os conflitos e riscos ambientais sem ter que alterar a equação. O que significa buscar uma resposta diferente sem mudar o modo de agir. Para os cínicos, sem exploração não há desenvolvimento. Poderia se demonstrar em quantidade de milhar as diversas passagens históricas na qual a exploração é imperiosa e seus processos de controle e punição são hediondos para as pessoas e principalmente para.
(24) 24 seus opositores. Desestruturar culturas e povos foram as práticas utilizadas pelos exploradores, mas creio que ir por esse caminho só aumentará o confronto e as radicalizações, que só favorecem os interesses dos mais poderosos e possibilita aos extremistas de qualquer facção a repetição das práticas do extermínio como forma de garantir seu modelo de sobrevivência social e cultural. O acirramento das crises favorece as oportunidades e as razões para ações radicais, essa tática sempre fez parte das estratégias de domínio, e necessita um fato para colocar na prática sua estratégia e sua intenção deve ficar velada. A xenofobia não é exatamente uma novidade no continente europeu, muito menos na Europa do Leste, onde parece ter hibernado nos anos em que a região viveu sob o comunismo, para renascer com força depois da queda do muro de Berlim. Todos os países da região têm seu partido xenófobo de estimação, cujo sucesso tem crescido na medida em que as dificuldades econômicas tornam seu discurso mais atraente aos eleitores de menor escolaridade. QUEM é o premiê xenófobo da Hungria G11.. Para contribuir realmente e não formalmente para uma mudança de realidade, a que se transformar o conceito de exploração e a negação ou conformismo sobre as consequências dessa ação continua. No momento, a consciência sobre a condição humana é fundamental. Ou se tem consciência de que a vida é um direito ou se nega. A realidade exige uma resposta diferenciada, e o tempo e o cenário são graves e colocam todos os seres vivos em risco, mas para ser irônico, só os cínicos e os extremistas acreditam que tudo vai terminar bem, mesmo que muitos percam a vida. Assim, poderão prover serviços e bens para os que sobreviverem. O relatório sobre o meio ambiente aponta e determina graus de exatidão para os anos futuros. A seguir apresenta-se parte desse relatório e de suas consequências. Impactos: Efeitos sobre os sistemas naturais e humanos. No presente relatório, o termo impacto é usado principalmente para descrever os efeitos sobre os sistemas naturais e humanos dos episódios climáticos, eventos climáticos extremos e das mudanças climáticas. Impactos geralmente se referem aos efeitos sobre a vida, os meios de subsistência, saúde, ecossistemas, economias, sociedades, culturas, serviços e infraestrutura, devido à interação das alterações climáticas e eventos climáticos perigosos que ocorrem em um período de tempo específico que vulnerabiliza as sociedades e ou sistemas expostos a eles. Os impactos também denominam consequências e resultados. Os impactos das mudanças climáticas nos sistemas geofísicos, incluindo inundações, 1. Fonte: Globo.com. Disponível em: <http://g1.globo.com/mundo/blog/helio-gurovitz/post/quem-e-o-premiexenofobo-da-hungria.html > acesso em 07 set. 2015..
(25) 25 secas e elevação do nível do mar, são um subconjunto de impactos conhecidos como impactos físicos (ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS, DE 2014, P. 5) (TRADUÇÃO DO AUTOR).. Por isso, negar que existiram e existem situações diferenciadas no acesso a condições básicas de toda natureza expõe uma atitude muito grave que está presente na maioria das sociedades, não importando o sistema, a religião, o modelo de produção ou regimes a que estes grupos vivem ou viveram. A vida humana e o planeta exigem urgentemente uma ampla mudança de direção no modelo de produção, que claramente influencia o aumento das crises ambientais. O modelo econômico, o sistema financeiro, o modelo do capital aberto que as bolsas de valores praticam e negociam, fundamentam-se na especulação e na exploração. Só existe um objetivo, o de acumular e concentrar riqueza para pequenos grupos, o que custará a vida da maioria dos seres humanos. O modelo aplicado para o desenvolvimento promove condições sub-humanas e a instalação de todos os tipos de violências e com isso a inexistência de dignidade e muito menos a concepção mais básica de cidadania. O modelo financeiro que se pratica é entrópico e é fator relevante e exponencial nas crises atuais a que submetem grandes grupos de indivíduos e o meio ambiente ao ponto Máximo de gravidade. Nos diversos países que citei, assim como nas cidades brasileiras, os modelos de desenvolvimento e as formas de fazer política estão em questão. De acordo com Leonardo Sakamoto, a ―c ivilização representada por fuzis, colheitadeiras, motosserras, terno e paletó [...] mais cedo ou mais tarde terá de mudar‖. O velho modelo de república representativa, formulado no século XVIII e finalmente implementado como modelo único em praticamente todo o planeta, dá sinais claros de esgotamento (ROLNIK, 2012, P.19).. A mudança se faz urgente e necessária para que as práticas de controle e exploração que imprimiram e imprimem profundas desigualdades sociais e catástrofes ao meio ambiente, sejam redirecionadas e transfiguradas para que o ser humano e o meio ambiente sejam os valores centrais da estrutura social. Os prejuízos que essa reprodução impõe ao meio e a sociedade são astronômicos se medíssemos em valores monetários. O que provoca o aumento da pobreza, a cristalização das discriminações, a radicalização do individualismo em formas e concepções que alargam a violência econômica, religiosa, psicológica, cultural como uma endemia virulenta..
(26) 26 A ação prolongada que estabeleceu as crises, os riscos para a vida e para o meio ambiente possui protagonistas, esse curso é complexo, grave e se faz necessário frear as consequências que esta forma de produção passada e presente projetam. As crises na mudança climática aumentam em velocidade vertiginosa e para citar um exemplo, o problema da água no Estado de São Paulo, 2014/2015, um fato concreto e grave, que coloca em risco um conjunto humano de 30 milhões de pessoas e compromete a saúde, o emprego, a produção de alimentos e o meio ambiente. Esse risco da falta de água deixa claro que a responsabilidade é de todos, mas é claro que a responsabilidade é diferenciada conforme o grau de acesso e de influência que cada indivíduo possui. O governo e o governador possuem maiores responsabilidades do que os cidadãos comuns, principalmente mais responsabilidade do que aqueles que vivem em condições limites de sobrevivência. Negar essa responsabilidade ou atribuir a esses problemas e riscos, a uma ordem divina, como o governo de São Paulo tem feito em relação a crise da água, demonstra o comportamento cínico do hedonista em relação ao ser humano e ao meio ambiente. Racionamento de água em São Paulo não é culpa de São Pedro, mas sim das autoridades, da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (SABESP) e da falta de investimentos. Quem faz o alerta é a relatora da Organização das Nações Unidas (ONU) para o direito a água, a portuguesa Catarina Albuquerque. ―Oculpado parece ser sempre São Pedro‖, ironizou em declarações ao Jornal O Estado de S. Paulo. RACIONAMENTO de água ‗não é culpa de São Pedro‘ 2.. Urge a necessidade de fortalecer as instituições e a transparência de como as decisões são tomadas, ampliando o acesso ao direito do cidadão e a cidadania, é necessário que o cidadão tenha instrumentos reais para interferir nos interesses que se estabeleçam pelo poder econômico de poucos, sobre o interesse e necessidade de muitos. Nesta equação do interesse econômico sobre a dignidade de muitos, encontra-se um dos entraves elementares ao acesso a cidadania e a justiça social. Como criar economias criativas, sociedades e cidades sustentáveis com acesso real a educação, saúde e habitação de qualidade, e que garanta igualdade e possam transformar a organização social vigente que pratica e se fundamenta na crença da superioridade e do 2. Fonte: Pedro Chade Jamil, Estadão 09 set. 2014. <http://www.estadao.com.br/noticias/geral,racionamentode-agua-nao-e-culpa-de-sao-pedro-diz-onu,1557296> acesso em 09/setembro/2014.
(27) 27 consumismo. Temas como: a preservação dos mananciais e acesso a água doce; as áreas verdes nas grandes cidades como ação contra o efeito estufa e também como espaços de lazer; a permeabilidade como uma das bases para o enfrentamento da seca; é urgente qualificar a vida nas médias e grandes cidades. Os temas são muitos: as florestas; os mares; o tratamento e reciclagem do lixo; a condição real de permanecer em seu lugar de origem com condições de trabalho e dignidade e a diminuição das grandes concentrações humanas, são exercícios básicos para o enfrentamento real e as atitudes futuras determinam qual direção e que retorno daremos ao meio social e ambiental. O enfrentamento desses problemas no momento presente são questões vitais a vida e a cidadania. É fundamental entender e compreender que existem para todos os habitantes do planeta responsabilidades diferenciadas, entretanto essas responsabilidades devem ser compartilhadas para ocorrerem àss mudanças de direção para a sobrevivência da vida, e ao mesmo tempo para que garanta uma sobrevivência digna. A compreensão sobre a teia que nos conecta a todos é fundamental, somos dependentes uns dos outros, os ecossistemas são dependentes uns dos outros e a vulnerabilidade de um ecossistema ou de uma sociedade repercutem planetariamente. A destruição de um fio dessa teia, que como exemplo, pode ser uma floresta que se destrói ou uma guerra civil em um país, compromete claramente a todos. O equilíbrio social e ambiental nunca foi tão necessário, os países e as sociedades demonstram atualmente que não estão preparados para os riscos aos quais estamos submetidos. As fórmulas com as quais se trataram as crises em outros momentos da história demonstram que o abandono, o extermínio e o genocídio foram os instrumentos para remediar os problemas aos quais as civilizações estavam submersas. Os movimentos de massas humanas espalham-se pelo mundo em função dos conflitos de todas as naturezas e a guerra faz parte dessas causas, com isso gera-se o aumento e a radicalização da discriminação e do hedonismo. Toda ação no meio promove ondas que se espalham em outros círculos e em outros pontos da teia, quanto maior a ação maior o efeito. Por isso, as ações políticas precisam ser coerentes com valores como: o ser humano como valor central, a solidariedade, a não.
(28) 28 violência e o respeito ao meio ambiente. Esses valores são fundamentais para uma mudança de direção e uma nova estrutura econômica e política, etc. As culturas necessitam ser respeitadas na sua diversidade, as econômicas necessitam de outros fundamentos e outros valores. Essas mudanças são determinantes para todos que desejam que as relações com a vida e com o planeta não sejam fundamentadas no conceito exploratório que estabelece todos os riscos aos quais estamos expostos. Estabelecer uma nova trama social e econômica, possibilitaria fortalecer o sentido de uma cidadania planetária, possibilitaria ao ser humano uma chance de reverter as crises de todos os tipos que estão em continuo e veloz andamento. A cidadania é um valor importante para coesão social e planetária, ela não é uma utopia, é o melhor lugar para se chegar. A cidadania como um sentimento que esteja no coração universal de todos os seres humanos, um planeta de pessoas e de culturas diversas que se respeitem e se admirem. A escuridão social que se estabelece pela especulação financeira, o avanço do poder militar, a miséria provocada por reprodução da exploração, promove a exclusão da cidadania e o agravamento dos conflitos sociais e dos riscos ambientais. Os erros de cálculos dos modelos praticados pelas instituições que organizam e regulamentam a vida social são simples de precisar. Por exemplo, canalizar rios, impermeabilizar grandes áreas territoriais, permitir a especulação imobiliária, mostram-se um grave erro organizacional e uma miopia endêmica, que só beneficiam oportunismos imediatos de pequenos grupos e a interesses estreitos e obtusos. Estamos condicionados a uma sociedade consumista, a vantagens e privilégios que se estabelecem conforme seu acesso ao poder estabelecido. As diferenças entre pessoas e grupos determinam o status ou extrato social ao qual você pertence e ele é realçado conforme sua capacidade de acesso a produtos e serviços. A satisfação do desejo imediato a qualquer custo e componente básico dessa conduta. A somatória de todos os desejos dessas pessoas e suas ações constrói velozmente a armadilha que comprometerá a todos. Os impactos dos recentes eventos extremos relacionados com o clima, como ondas de calor, secas, inundações, ciclones e incêndios florestais, realça uma grande vulnerabilidade e exposição de alguns ecossistemas e muitos sistemas humanos à variabilidade climática atual (nível de confiança muito alta). Os impactos desses eventos extremos relacionados com o clima incluem alteração dos ecossistemas, a interrupção da.
(29) 29 produção de alimentos e abastecimento de água, os danos à infraestrutura e assentamentos, morbidade e mortalidade, e as consequências para a saúde mental e o bem-estar humano. Para os países, independentemente do seu nível de desenvolvimento, esses impactos são consistentes com uma significativa falta de preparação para a variabilidade climática atual em alguns setores (CÂMBIO CLIMÁTICO. 2014, P. 14) (TRADUÇÃO DO AUTOR).. O lucro em si não é mal para as pessoas e as empresas, mas o lucro que se fundamenta na especulação e no objetivo de concentrar cada vez mais riqueza, determina a ganância que temos e aprisiona a todos, e as sociedades a um círculo de vícios que comprometem o meio social, lesa a cidadania e compromete a vida em sua raiz última. Quando se fala em equilíbrio ambiental e social os mais sedentos por riquezas os racionalistas ― libertinos‖ extremistas dizem: isto é romantismo.. Para matar qualquer. possibilidade de mudança, além de desqualificar outras possibilidades de organização social e produtiva. Com a crença racionalista ― o meu em primeiro lugar‖ cristalizada, nega-se o dialogo e a existência de outros modelos de produção e também a existências de outra formação social fundamentada em valores de igualdade e justiça. O processo filosófico que estabeleceu a razão como um Deus e o racionalismo radical como uma religião é a força matricial das crises atuais. As crenças de que o capital financeiro e a ciência poderão solucionar todas as crises, e todos os problemas é em si, uma das aberrações dessa religiosidade racionalista que entrega um poder divino ao mercado e a ciência, como se a ciência não cometesse equívocos. Eles se esquecem de uma premissa básica da ciência racionalista que é a dúvida, e não questionam suas crenças a partir dessa premissa. Os resultados financeiros mundiais apresentam um grande acumulo de riqueza em pequenos grupos. Esses grupos possuem diversas razões para não abandonar essa conduta. Essa razão é o segundo mandamento dessa crença racionalista que é ― se não fizermos outros farão‖. Nesta ação continua está outro circulo vicioso desse padrão mental. Esse padrão mental está presente, dentro do modelo financeiro atual, no modelo de produção econômica, na ação especulativa e o condicionamento desse padrão avança com determinação sobre o meio social e ambiental. Este condicionamento e a organização sócio econômica em andamento, produzem equívocos que também causam o efeito da vulnerabilidade que estamos expostos. O pensamento radical e a ação extremista racionalista que fundamenta suas ações no lucro.
(30) 30 imediato, no acúmulo de riqueza como premissas de sua ação, é a base do desvalor que alimenta toda a sociedade. A religião racionalista que em seu dogma fundamenta-se na especulação financeira, é reflexo de um pensamento vitoriano que acredita na superioridade de uns sobre outros, essa crença avança e se desenvolve com determinação sobre o meio social e ambiental. Obter vantagens, mesmo que essas comprometam a vida e negue o direito básico dos indivíduos de viverem com dignidade e a fronteira a ser superada. Com esta postura morre a noção de pertencimento a uma sociedade e muito menos a uma cidadania universal ou mais além, a de se viver em uma comunidade mundial. O ato da mentalidade exploratória e hegemônica não permite um sentido mais amplo e digno sobre o que significa viver em comunidade; o que é ser um cidadão universal; e não acredita na possibilidade de criar uma sociedade fundamentada no ser humano como valor central. Em suma, ―c omunidade‖ é o tipo de mundo que não está, lamentavelmente, a nosso alcance — mas no qual gostaríamos de viver e esperamos vir a possuir. Raymond Williams, atento analista de nossa condição comum, observou de modo cáustico que o que é notável sobre a comunidade é que ―e la sempre foi‖. Podemos acrescentar: que ela sempre esteve no futuro. ―Com unidade‖ é nos dias de hoje outro nome do paraíso perdido — mas a que esperamos ansiosamente retornar, e assim buscamos febrilmente os caminhos que podem levar-nos até lá (BAUMAN, 2001, P. 9).. O conjunto de crenças e valores que fundamentam atualmente o nosso meio e constituem e organizam os modelos econômicos, produtivos, financeiros, políticos e culturais promovem todo o tipo de risco e vulnerabilidade a vida. O padrão mental atual é obtuso, imediatista e egocêntrico e considera que o ser humano e o meio ambiente são objetos para satisfação de seus desejos e seus prazeres. Todo ser humano consciente dos riscos e comprometimentos aos quais estamos imersos necessita compreender as circunstâncias em que vivemos para decidir, agir e transformar a realidade em que vive. A cidadania contemporânea necessita ser holística e exige do cidadão consciente ações multidirecionais e convergentes que atuem pelos direitos básicos de todos os seres humanos, como também exigem ações que enfrentem os problemas que as mudanças climáticas impõem à nossa realidade..
(31) 31 Os problemas atuais são de toda a ordem e são gravíssimos, pode-se afirmar que temos diversas camadas de crises nos meios sociais e ambientais e todos eles urgem, pois estão em andamento e já apresentam sintomas em todas as camadas. A exploração humana, a exploração do meio ambiente, a escravidão de pessoas e de animais são impostas por modelos produtivos agressivos. Estamos comprometidos em função de uma crença ― progressista e consumista‖ e esse comportamento individualista condicionado pelos modelos econômicos e reforçados pelos modelos de comunicação, dinamizam o impulso é atribui uma diferença de status conforme a capacidade de consumir que se acredita eficiente e perene. Faz-se nesessário gerar políticas e indivíduos responsáveis, e também criar uma comunicação que espelhe uma percepção fundamentada em outra escala de valor. É fundamentalmente básico criar instrumentos que fortaleçam a fiscalização e os acessos às informações públicas, como também reconhecer e solidarizar-se com as ações daqueles que lutam por uma realidade mais digna. Não podemos cair na armadilha e no vício que se observa em alguns meios da imprensa que são indiferentes a essas realidades e que atualmente estigmatizam religiões em função dos interesses financeiros dos seus empresários. Políticas e economias criativas e sustentáveis; meios de comunicação comprometidos com valores humanos, culturas que aceitem a diversidade humana e não imponham a outros sua forma de viver, uma nova relação econômica e financeira para que os meios de comunicação possam contribuir com o processo de difusão e de uma nova forma de educar, são fundamentais para uma transformação real que garanta a vida e a cidadania. Essa opção deixaria de ser uma utopia como um lugar que não existe, para ser a solução viável que se faz necessária para evitar os desastres que se aproximam e que já apresentam efeitos em todos os continentes. 2. O hedonismo, seu modelo mental e suas consequências O modelo mental e comportamental do hedonista parte do principio de que tudo ao seu redor está disponível para satisfazer seus desejos e o outro é um brinquedo para sua.
(32) 32 satisfação, um objeto a ser explorado, e o meio ambiente tem a mesma finalidade. O mundo começa e termina em seus desejos e satisfação. O modelo mental e o comportamento hedonista como centro das motivações e interesses sócios políticos, religiosos, etc., exclui o outro da equação e é certo que em consequência dessa atitude aumentam as desigualdades sociais e também o descontrole da violência ilegalizada e legalizada. A violência procede como metodologia de ação em todos os níveis sociais e institucionais. Um exemplo deste modelo é a especulação financeira como forma de apropriação da riqueza. Esse fato tem um ápice em 2008 causando prejuízos de trilhões de dólares que até agora comprometem a vida de bilhões de pessoas. Neste continuo financeiro os promovedores são os que concentram a riqueza, e que acreditam nesta postura mental e comportamental. Uma reflexão sobre o poder que um megainvestidor como afirma Piketty no seu livro O capital no século XXI tem para gerar instabilidade, verá que uma ação sua pode gerar crises incalculáveis. Estes investidores são endeusados e até agora foram preservados pelos países e pelas leis. Eles são os mesmos que dirigem e regulamentam os sistemas financeiros, influenciam as leis através dos financiamentos de campanha eleitorais, e determinam a publicidade nos meios de comunicação como forma de ação. A concentração da riqueza por sua capacidade financeira, contrata lobistas que influenciam os meios, e essa condição possibilita o controle e a metodologia dos mecanismos financeiros, produtivos e sua influencia concebe, normatiza e regulamenta os próprios interesses. Esse é outro círculo vicioso que vulnerabiliza a cidadania. A injustiça cresce na maioria dos meios sociais e ampliam-se as posturas radicais de violência como resposta à essas injustiças. Este é um processo repetitivo na história humana, amplia-se em valores exponenciais pela conexão em que vivemos. Não há nada de novo neste ato contínuo, pelo contrário, fica claro a lentidão de como os avanços humanos para a qualidade de vida e a igualdade de direito caminham devagar. Esse processo de desigualdade compromete o momento atual e comprometerá em maior escala as próximas gerações, se não mudarem a forma pela qual ― desenvolvemos‖ a nossa suposta ― civilização‖. A cidadania é respeito ao próximo e ao meio ambiente e a nossa ― civilização‖ está na contramão dessa direção. O padrão mental ― do meu em primeiro lugar‖. Essa maneira.
(33) 33 de agir produziu e produz injustiças de todos os tipos e níveis e suas consequências, um prejuízo incalculável ao meio ambiente e a bilhões de seres humanos. O pensamento do ― o meu em primeiro lugar‖ é comportamento que fundamenta e justifica o modelo exploratório e fortalece os dogmas das crenças hedonistas. Nos anos 1960 e 1970, Daniel Bell percebeu muito bem que em sociedades cuja chave moral é o individualismo hedonista é impossível superar as crises. Os indivíduos, movidos unicamente pelo interesse de satisfazer todo tipo de desejos sensíveis no momento presente, não sentem a menor afeição por sua comunidade e, em última estância, não estão dispostos a sacrificar seus interesses egoístas em nome da coisa pública (CORTINA, 2005, P.18).. Saber que estamos contaminados pelas crenças hedonistas e como resultado desse comportamento, reconhecer que estamos destruindo o meio ambiente, não é a consciência do hedonista. No desenrolar desse movimento centrado no ― eu‖ fica difícil imaginar que seja possível a transformação dessas atitudes em comportamento voltado para o bem estar. Na consciência de uma cidadania voltada para o século XXI, compreende-se a necessidade das cidades se organizarem com projetos diferentes como a necessidade de maiores espaços verdes, como um dos métodos para evitar a queda do aquecimento global, uma consciência que transforme-se em ação e bem estar para todos e para o meio ambiente, como exemplo os mananciais, etc. Esta consciência parece uma utopia (para o hedonista uma utopia como romantismo como um lugar que não se pode chegar) esse é o ponto de vista do hedonista. Para os hedonistas é inimaginável pensar em áreas verdes como parte de políticas públicas, ou como parte de um plano diretor para melhorar e promover a diminuição dos problemas ambientais, mas a resposta hedonista é básica e sempre muito repetitiva, ― não há verbas‖. Hoje áreas verdes são fundamentais para a saúde pública. A falta dessas áreas será um problema grave para saúde, bem como estará relacionada a diversos problemas respiratórios. Para os que se interessam, as quantidades de partículas que estão presentes no ar crescem em função do modelo ― de progresso‖..
(34) 34 A OMS rotulou a poluição atmosférica como um dos cancerígenos do grupo 1, que engloba as principais substâncias que representam um risco para a doença, como fumaça do tabaco e radiação ultravioleta. Embora os níveis de poluição possam variar de um país para o outro, a OMS considera que a nova classificação vale para todas as regiões do mundo. Avaliação - A decisão da OMS de classificar a poluição como fator cancerígeno foi tomada após a revisão de uma série de dados sobre o assunto. "Nossa tarefa foi avaliar o ar que todo mundo respira, e não focar somente em poluentes específicos. Os resultados dos estudos revisados apontam para a mesma direção: o risco de desenvolver câncer de pulmão é significativamente aumentado com a exposição à poluição", disse Dana Loomis, vice-chefe da seção. De acordo com a Agência Internacional para Pesquisa em Câncer (IARC, sigla em inglês), que faz parte da OMS, a poluição causou 223.000 mortes por câncer de pulmão em todo o mundo em 2010. "Há maneiras eficazes de reduzir a poluição do ar, e esse relatório deve enviar um forte sinal à comunidade internacional para que medidas sejam tomadas", diz Christopher Wild, diretor da IARC. OMS classifica poluição do ar como fator cancerígeno.3. Outro tema é a especulação imobiliária que produz uma verticalidade na cidade, sem planejar infraestruturas para os moradores que irão habitar esses conjuntos habitacionais. O que amplia os problemas de segurança, de saúde, de lazer, de transporte nas grandes cidades dos países em desenvolvimento. Para as grandes corporações e empreiteiras, para as empresas de planos de saúde, para as indústrias automobilísticas, de seguros, para as indústrias químicas e seus acionistas, essas situações caóticas favorecem suas especulações e seus lucros. É comum observar que qualquer aumento de imposto, os empresários logo afirmam; teremos que repassar os custos aos consumidores, entretanto quando ou lucros são exorbitantes eles se calam. Na ação que estabelece a concentração de riqueza estão também os governos que são financiados por essas fortunas, e também pelo capital especulativo. Neste processo reflete-se também o comportamento hedonista na manutenção de seu status quo. O cínico nega as consequências desses modelos de ― desenvolvimento‖ e os riscos que esses empreendimentos e financiamentos causam.. Fonte: Disponível em: <http://veja.abril.com.br/noticia/saude/oms-classifica-poluicao-do-ar-como-fatorcancerigeno/> acesso em 28 set. 2014. 3.
(35) 35 O comportamento hedonista que está inserido nos meios sociais, fundamenta-se o lucro e se justifica no interesse do lucro imediato e nas oportunidades que as desigualdades promovem e refletem sobre o ser humano e sobre o meio ambiente. Esse comportamento hedonista não possui compromisso com o próximo e com o meio ambiente e quando a crise aparece logo vemos projetos faraônicos como resposta básica à crise. O Estado de São Paulo que possuía grandes quantidades de mananciais, hoje projeta transposições de rios e quem sabe até usinas de desalinização da água do mar com os recursos e dinheiro público. Para suprir as futuras estiagem e secas. Pode-se citar, como exemplo e como protagonista da desertificação do Estado de São Paulo, o governo com sua incapacidade de investir adequadamente os recursos do Estado, mas com apetite voraz para gastar os recursos arrecadados. E a população que está centrada no próprio interesse é abandona a sorte. Negar que existiria uma diminuição de riscos com ações sustentáveis e políticas públicas responsáveis no meio social faz parte do jogo e dos interesses hedonistas. As vulnerabilidades e os efeitos que o clima produz, faz parte da preocupação dos Japoneses, mas todas as contenções são superadas pela força da instabilidade climática, e isto se sobrepõem a todos os investimentos que foram realizados até agora. Não quero dizer que não sejam necessários esses investimentos, porém sem uma ação conjunta e em bloco entre países, este processo continuará a se repetir. O governo japonês estuda construir 440 muros de concreto ao longo de 370 quilômetros de praia, protegendo as cidades mais propensas a tsunamis, entre as quais Fukushima, Miyagi e Iwate, destruídas pelo fenômeno sísmico do início desta década. O projeto causa polêmica e é repudiado por ambientalistas, que acusam que as megaobras irão acabar com o litoral japonês e prejudicar uma das principais atividades econômicas do país: a pesca. Mesmo assim, o investimento já está reservado e é estimado em US$ 10 bilhões. Cada muralha teria 20 metros de altura e o volume de concreto estimado para construí-las pode chegar a 8 milhões de m³. JAPÃO projeta megaobra para conter tsunamis4.. Se não ocorrer uma mudança de consciência e uma coesão global, os avanços do modelo econômico e da especulação financeira avançarão e atingirão investimentos estratosféricos. Isto porque os fundamentos que estruturam nosso desenvolvimento. 4. Fonte: SANTOS, Altair. Portal Itambé. 13 ago. 2014. Disponível <http://www.cimentoitambe.com.br/japao-projeta-megaobra-conter-tsunamis/ > Acesso em 5 jan. 2015. em:.
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