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CAPÍTULO II – A FUNDAÇÃO DA SIM E SEU ENGAJAMENTO POLÍTICO

2.6 O início da repressão contra a SIM (1940-41)

No cenário externo, houve alguns sucessos dos Aliados no fronte do Deserto Ocidental, seguidos de calmaria durante a primavera de 1940 no Hemisfério Norte. A relativa tranquilidade foi quebrada pelo golpe de Estado promovido no Iraque em janeiro, com suposto auxílio nazista351. O golpe contra

um governo que havia sido instalado por Londres revelou que o poderio britânico nos países árabes estava sob ameaça de ações instigadas pela Alemanha. Imediatamente, em uma iniciativa coordenada, vários aliados de Ali Mahir foram exilados pelo governo egípcio, sob a pressão da embaixada. O próprio ex-primeiro-ministro foi mantido em prisão domiciliar durante o resto da guerra, com o surpreendente apoio do rei Faruq –que provavelmente preferiu

and organisations which were notoriously working against Great Britain. The National Islamic party (Young Egypt), the Moslem Brethren, the Young Men’s Moslem Association, and other reactionary Moslem societies, consistently worked against us with Palace encouragement. The Azhar, under Palace inspiration and with the connivance of Sheikh Al Maraghi the Rector, played a similar part. Ali Maher Pasha, though forced to work behind the scenes, was notoriously the spider in this web of anti-British intrigue. As long as His Majesty remained under the influence o this evil symbol of anti-British activity in his country, it was hopeless to expect that any Government under the existing regime could act whole-heartedly with us.”

350 LIA, 2006, p. 260-1.

351 O golpe, promovido por militares, instalou Rashid Ali al Gaylani como primeiro-ministro. Os

militares cercaram a base aérea britânica em Bagdá, que mais tarde recebeu reforços. Em maio de 1941, a rebelião já havia sido debelada e os britânicos mantiveram o Iraque sob ocupação militar durante toda a guerra (CLEVELAND e BUNTON, 2013, p. 196-7).

concordar com a punição sob a ameaça de ele próprio ser enviado para o exterior352. O general Al Masri, por sua vez, tentou resistir.

Os serviços secretos da Alemanha e da Itália souberam explorar a ideia de que, se ganhassem a guerra, o Oriente Médio ficaria livre do domínio britânico, projeto a que aderiram nacionalistas egípcios e de outros territórios, como o Mufti de Jerusalém, na Palestina, e Rashid Ali, no Iraque. Depois do contato intermediado por al-Banna, o general al-Masri passou a colaborar com o grupo clandestino de Sadat e, através dele, foi contatado por espiões alemães. Com o apoio logístico dos Oficiais Livres, que também mantinham contato frequente com o serviço secreto alemão, al-Masri tentou embarcar em um avião nazista para se juntar a Rashid Ali no Iraque. A operação não deu certo e os responsáveis pelo plano de fuga se dispersaram. Alertados, os britânicos prenderam todos os envolvidos, incluindo o general egípcio.

O líder da SIM já era visto como um potencial elemento perturbador, especialmente por suas conhecidas posições políticas e relações com Ali Mahir, Salih Harb e o general al-Masri. Agora, sem a proteção de um primeiro- ministro aliado e sob um clima de tensão promovido pelos britânicos, ele seria punido. Em fevereiro de 1941353, Hasan al-Banna, que era funcionário público,

foi transferido pelo Ministério da Educação para uma escola em Qena, no Alto Egito, cidade localizada a cerca de 500 quilômetros do Cairo. O número dois da organização, Ahmed al-Sukkari, foi enviado alguns meses depois para o Baixo Egito. O líder do Misr al-Fatat, também um eloquente antibritânico, foi preso em julho. Um relatório britânico descreve qual teria sido a falta de Al- Banna:

No começo de 1941, al-Banna cometeu a imprudência de escrever criticando o governo conservador de Hussein Sirri Paxá por sua distância dos princípios corânicos. Isso era mais do que o primeiro- ministro, um engenheiro ocidentalizado de considerável força de caráter, podia tolerar. Al-Banna foi relegado do Cairo para uma escola em Qena, a 300 milhas distante no Alto Egito, uma cidade onde oficiais refratários do governo eram transferidos para expiar seus delitos.354

352 GOLDSCHMIDT, 2000, p. 117-8

353 Mitchell afirma erroneamente que a prisão ocorreu em maio. O fato foi citado em carta

escrita em abril por Lampson.

354 FO 141/838, 305/37/42. Islamic Societies: reports on by British Intelligence and Egyptian police. The Ikhwan al Muslimin reconsidered. Cairo, 14 de dezembro de 1942. Ver documento

A intenção do primeiro-ministro era livrar-se da oposição de grupos que contavam com o apoio de Ali Mahir. Tanto a SIM quanto o Misr al-Fatat eram considerados ameaças à ordem social, como revela informe de Lampson para o novo chefe do Foreign Office, o trabalhista Anthony Eden, em que qualifica o movimento islâmico liderado por al-Banna de “disseminada organização fanática”.

Sirri Paxá também atacou Ali Maher Paxá através de suas organizações islâmicas, particularmente ao exilar para Kena [sic] Hasan Al-Banna, o líder da Sociedade dos Irmãos Muçulmanos, e ao gradualmente empreender um ataque contra o “Jovem Egito”, de cujo presidente, Ahmed Hussein, ele espera conseguir se livrar em breve355.

...a ofensiva do primeiro-ministro contra Ali Maher Pasha foi perseguida com vigor. Hasan El Banna, o líder da Akwan al Muslimin [sic], uma disseminada organização fanática apoiada por Ali Mahir, foi banido para Qena, no Alto Egito, e um ataque foi iniciado contra a Sociedade Jovem Egípcia, cujo presidente, Ahmed Hussein, foi finalmente preso em julho.356

Sem alternativas, al-Banna transferiu para Qena a sede da SIM e continuou com suas atividades mesmo longe do Cairo. Ali, provavelmente, teve mais liberdade para agir do que na capital egípcia, onde os britânicos tinham mais influência entre as forças de segurança. Mas a reação ao seu exílio foi ampla. Até os wafdistas, com o objetivo mais provável de intimidar o governo do que defender al-Banna, interpelaram o primeiro-ministro no Parlamento sobre a transferência do líder da SIM. Sirry argumentou que al-Banna havia sido punido pelo Ministério da Educação por não comparecer ao trabalho. A

the conservative government of Hussein Sirri Pasha for its departure from Koranic principles. This was more than the Prime Minister, a westernized engineer of considerable force of character, could tolatrate. Al-Banna was relegated from Cairo to a school at Qena, 300 miles away in Upper Egipt, a town where refractory government- officials are commmonly transfered to expiate their offences”.

355 FO 407/225, J 1509/18/16. De sir Miles Lampson para Anthony Eden. Cairo, 29 de abril de

1941. Tradução livre para: “Sirri Pasha has also attacked Ali Maher Pasha in the latter’s Islamic organizations, particularly by exiling to Kena Hasan el-Banna, the head of the Moslem Brethren Society, and by gradually developing an attack on ‘Young Egypt”, whose president, Ahmed Hussein, he hopes to be able to dispose of shortly”.

356 FO 403/466, J 1111/38/16. De sir Miles Lampson para Anthony Eden. Review of Political

Developments in Egypt of the year 1941. Cairo, 12 de fevereiro de 1942. Tradução livre para: “...the Prime Minister’s offensive against Ali Maher Pasha had been prosecuted with vigour. Hasan El Banna, the leader of the Akwan al Muslimin, a widespread fanatical organisation and supported by Ali Maher, had been banished to Qena in Upper Egypt, and an attack had been started on the Young Egyptian Society, whose president Ahmed Hussein, was eventually arrested in July.

informação foi desmentida por relatórios do próprio ministério, levantados por membros da SIM. Como resultado de toda pressão, al-Banna e al-Sukkari foram liberados para voltar ao Cairo em junho357.

Essa transferência forçada para Qena em 1941 teve um efeito direto sobre a SIM: o movimento passou a adotar uma postura mais discreta, evitando atritos que pudessem levar seus líderes para o exílio ou a prisão. Segundo relatório detalhado realizado sobre a SIM pela embaixada britânica em 1942 e intitulado “Sociedades Islâmicas: informes da Inteligência Britânica e da Polícia Egípcia. A Ikhwan al Muslimin reconsiderada”, depois que al-Banna voltou do Alto Egito, “relatos da polícia sobre a Ikhwan diminuíram de forma significativa”358.

Contatos realizados entre emissários de al-Banna e agentes britânicos, entre eles Heyworth-Dunne, indicaram que o Guia-Geral estava preparado para cooperar com os britânicos e que receberia dinheiro em troca desse apoio. Contudo, isso não se concretizou: “Ele não tinha intenção de receber dinheiro de infiéis; ele deu muito destaque a esta questão de terem oferecido dinheiro durante a guerra em seu jornal, al-Ikhwan al-Muslimun (especialmente em 1946)”, afirma Heyworth-Dunne em seu livro sobre a SIM359.

Ainda em Qena, al-Banna ordenou que todos os membros da SIM se mantivessem “completamente quietos”. Disse ainda que não iria tolerar “mesmo uma única petição ou protesto contra o governo” e ameaçou os que não o obedecessem: “serão excluídos da Sociedade se de alguma forma forem além das ordens da Sociedade”360. Segundo Abd al-Halim, um integrante

veterano do grupo, a estratégia foi “evitar o confronto direto com o inimigo”, “abster-se de assuntos políticos” e concentrar-se na “proliferação e formação de diretórios”361. A justificativa atribuída foi emular a ação do Profeta

Muhammad entre a batalha de Hudaybiyya e a batalha de Badr –quando houve

357 FO 141/838, 305/37/42. Islamic Societies: reports on by British Intelligence and Egyptian police. The Ikhwan al Muslimin reconsidered. Cairo, 14 de dezembro de 1942 (ver documento

em Anexo C) e LIA, 2006, p. 263. Em MITCHELL, Richard P., 1993, p. 22, a data indicada é setembro.

358Ibid. Tradução livre para: “police reports about the Ikhwan dried up in a significant manner”. 359 HEYWORTH-DUNNE, 1950, p. 38-

9. Tradução livre para: “He had no intention of receiving the money from infidels; he gave much prominence to this question of being offered Money during the war in his paper, Ikhwan al Muslimun (especially in 1946)”.

360 AL-BANNA apud LIA, 2006, p. 263. 361 ABD AL HALIM apud LIA, op. cit., p. 258.

uma conciliação temporária com os inimigos em Meca até a batalha que levou à vitória final362.

Ao mesmo tempo, a insatisfação popular vinha aumentando. A guerra era vista como uma contenda que interessava apenas aos europeus, mas que vinha causando grande impacto negativo na vida dos egípcios comuns. De acordo com o embaixador Miles Lampson, em relato ao chefe do FO: “... o alto custo de vida, a escassez de comida fornecem excelentes queixas para serem exploradas contra nós”363. O panorama foi descrito em relatório enviado ao

Foreign Office pela embaixada britânica, que culpa somente o governo de Sirry Paxá pela crise econômica e desordem social, que levou a greves e manifestações:

Este governo enfraquecido apenas pode restabelecer sua autoridade com um show de firmeza que, realmente, as circunstâncias exigem. Eu relatei os detalhes da campanha violenta contra nós tanto pelo Palácio como por elementos do Wafd. Nossa aberta vilificação em discursos no Parlamento sob o regime de estado de sítio e com forças inimigas no território egípcio afetaram nosso prestígio, que já se encontrava longe de estar intacto. O grande aumento no custo de vida, devido em boa parte à corrupção e à ineficiência do controle administrativo dos preços, tornou incrivelmente difícil para as classes mais simples sobreviver com os seus salários, que mal foram elevados desde o início da guerra. Greves e ameaças de greves estão no ar. Ao lidar com esse problema, o primeiro-ministro demonstrou a mesma inércia e falta de visão que caracterizaram sua gestão anterior dos elementos de desordem. O proletariado urbano e a pequena burguesia têm genuínas queixas econômicas e, à beira da fome, fornecem excelente material para o agitador inimigo ou o quinto-colunista. Há meses que se mostra evidente que esse problema deve ser atacado com um controle de preços mais drástico, algum aumento de salários, a criação de novos recursos financeiros para ir ao encontro do gasto governamental aumentado envolvido. Ainda, nada foi feito além de prolongadas discussões em comissões até pelo menos a primeira greve, a dos empregados dos bondes e ônibus, forçar a ação do governo, que induziu os grevistas a retornar ao trabalho com garantias que praticamente comprometiam o governo a apoiar o aumento de seus salários. Qualquer aumento como este deve inevitavelmente ser aplicado às demais categorias de empregados, do governo ou fora dele, os quais já estão demandando aumentos. [...] para tornar as coisas piores, um país como o Egito com fertilidade lendária está à beira da escassez de trigo e milho, devido em grande medida à relutância das egoístas classes de proprietários de terras e governantes em limitar os hectares de algodão. O trabalhador urbano vive principalmente de pão de trigo e o

fellah, de milho. O trabalhador da agricultura, diferentemente do

pequenos proprietário e do trabalhador urbano, mal pode, com seu

362 LIA, op. cit., p. 259.

363 FO 407/225, J 3265/649/G. De sir Miles Lampson para Anthony Eden. Cairo, 23 de

setembro de 1941. Tradução livre para: “... the high cost of living, the food shortage provide excellent grievances to exploit against us”.

salário já inadequado, comprar o suficiente de farinha de milho ou trigo para cobrir as mínimas necessidades deles e de suas famílias com os preços que prevalecem.364

Este cenário abriu caminho para que a SIM evitasse temporariamente os ataques contra os britânicos e passasse a criticar com mais ênfase a política socioeconômica do enfraquecido e impopular governo e o estilo extravagante de vida da elite egípcia, aparentemente com o apoio do Palácio, conforme relatório britânico “Sociedades Islâmicas: relatos sobre elas pela inteligência britânica e polícia egípcia”365. A tendência da organização islâmica era analisar

o chefe de governo e, ao observar sua falta de apoio tanto popular como partidário, atacá-lo em termos políticos. Do contrário, mantinha-se no discurso religioso, segundo observa Heyworth-Dunne366.

Ao mesmo tempo, durante os últimos anos da guerra, a SIM concedeu mais ênfase à expansão de seus programas de bem-estar social. O combate ao analfabetismo tradicionalmente promovido pela organização foi enfatizado,

364 FO 407/225, J 3265/649/G. De Sir Miles Lampson para Anthony Eden. Cairo, 23 de

setembro de 1941. Tradução livre para: “This weakened Government can only re-establish its authority by a show of fimness which, indeed, the circumstances call for. I have reported the details of the violent campaign against us by both Palace and Wafd elements. The open vilification of us in speeches in Parliament under a régime of état de siège and with enemy forces on Egyptian soil has affectd our prestige, which already was far from intact. The great increase in the cost of living, due in considerable part to corruption and the inefficiency in the administrative control of prices has made it increasingly difficult for the humbler classes to existo n their salaries, which have hardly been increased since the outbreak of the war. Strikes and threats of strikes are in the air. In dealing with this problem the Prime Minister has displayed the same inertia and lack of foresight which have characterised his previous handling of elements of disorder. The town proletariat and petite bourgeoise have genuine economic grievances, and, on the verge of hunger, provide excellent material for the enemy agitator or the Fifth Columnist. It has for months been evident that this problem must be tacked by more drastic control of prices, by some raising of salaries, by the creation of new financial resources to meet the increased governamental expenditure involved. Yet nothing was done beyond long- drawn-out discussions in comissions until at last the first strike, that of the tramway and omnibus employees, forced action on the Government, which induced the strikers to return to work by assurances practically comitting the Government to support the increase of their wages. Any such increase must inevitably be applied to other categories of employees, oficial and unofficial, more of whom are already claiming increases. [...] to make matters worse, a country of Egypt’s legendar fertility is in danger of shortages in wheat and maize, owing largely to the reluctance of the selfish landowning and governing classes to limit cotton acreage. The town worker lives mainly on wheaten bread and the fellah on maize. The agricultural laborer, as distinct from the small proprietor, and the town workman can hardly, from their already inadequate wages, buy enough flour of maize or wheat for the bare needs of themselves and their families at the prices prevailing”.364

365 FO 141/838, 305/37/42. Islamic Societies: reports on by British Intelligence and Egyptian police. The Ikhwan al Muslimin reconsidered. Cairo, 14 de dezembro de 1942. Ver documento

em Anexo C.

com a criação de cursos noturnos nos quais também se coletavam donativos. Também houve investimento em campanhas para atender as vítimas dos ataques aéreos do Eixo, sendo que muitos dos diretórios recebiam aqueles que ficaram desabrigados367. As iniciativas de assistência da SIM receberam reconhecimento da insuspeita, neste quesito, embaixada britânica: “não há engano na legitimidade do programa social do movimento”368.

Com o agravamento da situação sócioeconômica, a SIM promoveu manifestações contra o governo. Em uma delas, no mês de outubro de 1941, em Damanhur, al-Banna finalmente abandonou a postura circunspecta que vinha mantendo nos últimos meses em relação aos britânicos. É provável que a mudança de postura tenha sido resultado de uma exagerada autoconfiança na força do apoio conquistado do rei Faruq –que havia recentemente enviado ordens aos governadores de províncias para que não interferissem nas atividades da organização islâmica. A ordem dizia que a SIM “estava trabalhando sem qualquer ambição pessoal para o bem-estar do país”369. Tal

recado fez com que os britânicos concluíssem, segundo relatado em 1942 no informe “Sociedades Islâmicas”, que havia “pouca dúvida de que o movimento beneficiou-se consideravelmente do Palácio, e não há dúvida que estava obtendo apoio moral e material370 da poderosa facção antibritânica cujo líder

era Ali Mahir”371.

Com a garantia do apoio palaciano, al-Banna sentiu-se à vontade para criticar, diante de duas mil pessoas, “a política imperialista” no mundo islâmico. Na mesma manifestação ainda instigou a audiência a “se insurgir como se fosse um único homem para defender sua religião e sua honra” e afirmou que aquela era a hora de “demandar nosso direito porque o imperialista estava em

367 LIA, 2006, p. 259.

368 FO 141/838, 305/37/42. Islamic Societies: reports on by British Intelligence and Egyptian police. The Ikhwan al Muslimin reconsidered. Cairo, 14 de dezembro de 1942. Ver documento

em Anexo C. Tradução livre para: “There is no mistake of the genuineness of the movement’s social programme”.

369Ibid. Tradução livre para: “who were working without any personnal ambition whatsoever for

the welfare of the country”.

370 No mesmo documento, Sociedades Islâmicas (Ibid.), os britânicos afirmam, com grande

exagero, que a SIM recebia ajuda financeira da Delegação (corpo diplomático) afegã, persa, japonesa e de agentes do Eixo.

371 FO 141/838, 305/37/42. Islamic Societies: reports on by British Intelligence and Egyptian police. The Ikhwan al Muslimin reconsidered. Cairo, 14 de dezembro de 1942. Ver documento

em Anexo C. Tradução livre para: “There is little doubt that the movement benefitted considerably from this Palace favour, and no doubt tht it was drawing moral and material support from the powerful anti-British clique whose leader was Ali Maher.

uma situação de alta pressão”, referindo-se aos insucessos britiânicos no fronte der batalha.

Os principais líderes da SIM, al-Banna e al-Sukkari entre eles, foram presos logo em seguida à manifestação, por pressão britânica. O encarceramento não se deu apenas devido ao discurso desafiador. O principal motivo que os levou à prisão foi uma suspeita de que a organização islâmica estava preparando uma onda de sabotagens nas linhas de comunicação britânicas –em especial linhas de trens, segundo o relatório “Sociedades Islâmicas”:

A onda crescente de relatórios consistentes de propaganda contra nós e os não-confirmados, mas com sugestões mais preocupantes de