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3. METODOLOGIA

3.2. DELIMITAÇÃO E DELINEAMENTO DA PESQUISA

3.2.8. Fase Quantitativa-Descritiva

3.2.8.2. Procedimento Amostral

3.2.8.3.1. O instrumento de coleta de dados

Para a coleta de dados, foi adotado o questionário autoadministrado, ou seja,

ele é preenchido pelos respondentes indiferentemente da presença do pesquisador

(HAIR JR.; BABIN et al., 2005). Ele foi constituído de (1) apresentação breve da

pesquisa e pesquisador e instruções de preenchimento do questionário; (2) do termo

de consentimento para o uso dos dados; (3) da caracterização da empresa

fornecedora escolhida pelo respondente a qual esteve em foco nas suas respostas;

(4) do conjunto de escalas desenvolvidas e adaptadas a fim de testar empiricamente

o Modelo Teórico desenvolvido; (5) de uma caracterização da empresa (localização

da matriz, porte da empresa, atuação geográfica, formatos de loja da empresa por

propriedade e de varejos alimentícios com loja, quando rede o número de lojas,

dentre outros); e (6) da caracterização do respondente (gênero, cargo na empresa,

tempo na empresa, tempo no cargo, faixa etária, formação acadêmica, dentre

outros).

A (1) apresentação breve da pesquisa e pesquisador e as instruções de

preenchimento do questionário tornaram-se relevantes por informarem os

respondentes da origem da pesquisa, as intenções do pesquisador com os dados

pesquisados, a finalidade do estudo e instruções para que o questionário pudesse

ser validado para a pesquisa (APÊNDICE H)

O (2) termo de consentimento para o uso dos dados refere-se à autorização

do respondente para a utilização acadêmica dos dados coletados e para garantir ao

respondente o seu anonimato e da empresa na qual atua no desenvolvimento do

estudo. Este termo esteve presente juntamente com a apresentação da pesquisa e

pesquisador e as instruções de preenchimento do questionário. Caso o respondente

não concordasse, ele não daria continuidade à sua participação na pesquisa

(APÊNDICE H).

Ao iniciar o preenchimento do questionário, o respondente foi informado de

que deveria direcionar as suas respostas a uma decisão de negociação/compra de

que tivesse participado com uma empresa fornecedora específica (APÊNDICE H).

Essa situação ilustra um relacionamento interorganizacional entre o varejo no qual o

respondente atua e a empresa fornecedora. Assim corrobora com a teoria e a FASE

1 quando demonstra a dificuldade de caracterizar os relacionamentos de forma

generalizadas e segue a proposta de adaptação da escala de Cannon (1992),

Cannon e Perreault (1999) e Souza (2007).

Visto que foi acordado o anonimato dos participantes da pesquisa, também se

comprometeu em (3) preservar os nomes dos fornecedores citados. Desta forma,

apresentou-se no questionário uma série de fatores que auxiliariam a caracterizar os

fornecedores escolhidos pelos respondentes (porte, atuação geográfica,

departamentos aos quais ofertam produtos, localização da matriz, classificação

como membro do canal de marketing – empresa fornecedora ou atacadista). Estas

são vistas como escalas categóricas, utilizadas frequentemente para caracterizar os

respondentes ou objeto (HAIR JR; BABIN et al., 2005).

O (4) conjunto de escalas desenvolvidas e adaptadas a fim de testar

empiricamente o Modelo Teórico desenvolvido é o ponto chave do questionário. A

coleta de dados com as escalas em conjunto permitiu verificar a validação e as

relações entre elas, visto o modelo proposto (CHURCHIL, 1979). As escalas que

compõem o questionário advieram da adaptação de modelos construídos e testados

teórica e/ou empiricamente (QUADRO 3.1), exceto o bloco de variáveis ‘Risco para o

Relacionamento Interorganizacional que incitou o desenvolvimento e validação de

uma escala (CHURCHILL, 1979).

Estudos para fundamentação Cannon (1992) e Cannon e Perreault (1999)

Aspectos Técnicos que Caracterizam os Tipos de Relacionamentos Organizacionais

Cannon (1992), Cannon e Perreault (1999), Souza (2007)

Aspectos Comportamentais que Caracterizam os Tipos de Relacionamentos Organizacionais

Viana, Cunha e Slongo (1999), Jap e Ganesan (2000) e Souza (2007)

Satisfação dos Compradorescom o

Relacionamento

Cannon (1992), Cannon e Perreault (1999) e Souza (2007)

Valor Percebido do Relacionamento

Cannon (1992), Ulaga e Eggert (2006); Cannon e Perreault (1999), Souza (2007)

A va lia çã o do s R el ac io na m en to s E st ru tu ra d o R el ac io na m en to O rg an iz ac io na l Bloco de Variáveis Determinantes Situacionais e de Mercado

QUADRO 3.1 – Relação dos estudos que fundamentaram as escalas das variáveis

que compõem o Modelo Teórico.

FONTE: Ribeiro (2010).

A escala para mensurar o Bloco de variáveis Risco para o Relacionamento

Interorganizacional originou-se da FASE 1 deste estudo. Ao correlacionar a análise

dos resultados auferidos com as temáticas e objetivos em estudo, procurou-se

abordar na escala: 1) o nível de ruptura do varejo no qual o respondente atua; 2) o

nível de ruptura dos departamentos e categorias aos quais o fornecedor citado

atende; 3) o nível de ruptura de dois principais itens (produtos específicos/SKU)

ofertados pelo fornecedor citado; 4) o nível de ruptura em contextos específicos que

relacionam o giro do produto, a rentabilidade e o lead time de reposição; e 5)

causas de ruptura de produtos.

Foram adotadas a escala Likert e a escala de Diferencial Semântico. A escala

Likert, também denominada de escala intervalar ou de classificação, envolve o uso

de afirmações em um questionário acompanhadas de categorias pré-codificadas,

uma das quais é selecionada pelo respondente para indicar até onde concorda ou

discorda com uma determinada afirmação. As diferenças entre os pontos na escala

podem ser interpretadas e comparadas de maneira a obter sentido. Assim, o

questionário em questão foi composto por 7 (sete) categorias pré-codificadas que

variaram de (1) Discordo totalmente a (7) Concordo Totalmente. O item (4) da escala

representa a resposta neutra ‘Não discordo, nem concordo’ (MATTAR, 2008; HAIR

JR.; BABIN et al., 2005). Já as escalas de diferencial semântico propõem que os

respondentes avaliem, em uma escala bipolar de 7 (sete) pontos, qual o espaço

entre um conjunto de adjetivos ou expressões bipolares melhor descreve seus

sentimentos em relação ao objeto (HAIR JR.; BABIN et al., 2005; MATTAR, 2008).

A (5) caracterização da empresa (localização da matriz, porte da empresa,

atuação geográfica, formatos de loja da empresa por propriedade e de varejos

alimentícios com loja, quando rede o número de lojas, dentre outros) foi

indispensável para o desenvolvimento da pesquisa. Ela ampliou a compreensão dos

dados coletados durante o desenvolvimento das análises e possibilitou classificar e

caracterizar a amostra do estudo. Estas são vistas como escalas categóricas (HAIR

JR; BABIN et al., 2005).

A (6) caracterização do respondente (gênero, cargo na empresa, tempo na

empresa, tempo no cargo, faixa etária, formação acadêmica, dentre outros) foi

utilizada para descrever o perfil dos respondentes do estudo e possibilitou classificar

e caracterizar a amostra do estudo. Estas são vistas como escalas categóricas

(HAIR JR; BABIN et al., 2005).

Após finalizada a estruturação do questionário e antes de sua aplicação,

fez-se uma validação de conteúdo com informantes-chave – (3) três professores e

pesquisadores da área - que tiveram como objetivo eliminar os itens considerados

desnecessários ou redundantes e validar cada definição, sob aspectos teóricos e

empíricos, para assim identificar os itens que melhor capturassem as respectivas

dimensões de cada variável (CRESWELL, 2007). Tal processo resultou na retirada

de alguns indicadores e adaptação de alguns termos. A estrutura final do

questionário é visível no Apêndice H e suas características no Quadro 3.2.

Variáveis Quantidade de

Indicadores Tipo de Escala

Localização da Matriz 1 Categórica

Porte da empresa 1 Categórica

Atuação geográfica do fornecedor 1 Categórica

Departamentos os quais ofertam produtos 1 Categórica

classificação enquanto membro do canal de marketing –

indústria fornecedora ou atacadista 1 Categórica

Dinamismo de Mercado 4 Likert

Disponibilidade de Alternativas 4 Likert

Importância do Suprimento 3 Likert

Complexidade do Suprimento 3 Likert

Troca de Informações 5 Likert

Integração Operacional 5 Likert

Acordos Contratuais 4 Likert

Acordos de Cooperação 6 Likert

Adaptações Específicas por parte do fornecedor 7 Diferencial Semântico Adaptações Específicas por parte do varejista 7 Diferencial Semântico

Comprometimento 5 Likert

Confiança 6 Likert

Nível de Conflito 3 Likert

Dependência de Poder 4 Likert

Comportamento Oportunista 8 Likert

Nível de ruptura de produtos nas gôndolas do varejo 1 Diferencial Semântico Nível de ruptura por departamento e categorias ofertadas

pelo fornecedor citado Variável* Diferencial Semântico

Nível de ruptura de dois principais itens (produtos

específicos/SKU) ofertados pelo fornecedor citado 2 Diferencial Semântico

Nível de ruptura em contextos específicos 6 Diferencial Semântico

Causas de ruptura de produtos nas gôndolas 23 Likert

Satisfação 5 Likert

Valor Percebido 6 Likert

Localização da Matriz 1 Categórica

Porte da empresa 1 Categórica

Atuação geográfica do varejo 1 Categórica

Formatos de loja da empresa (Propriedade) 1 Categórica

Número de lojas 1 Categórica

Formatos de loja da empresa (Varejo alimentício com loja) 1 Categórica

Gênero 1 Categórica

Tempo na empresa 1 Categórica

Cargo na empresa 1 Categórica

Tempo no cargo atual 1 Categórica

Faixa etária 1 Categórica

Formação Acadêmica 1 Categórica

Caracterização do respondente

Caracterização do Varejo o qual o respondente atua Resultados do Relacionamento Interorganizacional Risco para o Relacionamento Interorganizacional Estrutura do Relacionamento Interorganizacional Caracterização dos fornecedores citados

Determinantes Situacionais e de Mercados

QUADRO 3.2 – Estruturação e características do questionário final.

FONTE: Ribeiro (2010).