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O Interaccionismo Simbólico em perspectiva

A Sociofenomenologia do Jornalismo

2. O Interaccionismo Simbólico em perspectiva

Originária da Escola de Chicago e com particular relevância para a micro-sociologia e para a Psicologia Social, o interaccionismo simbólico é uma abordagem sociológica das relações humanas que considera ser de suma importância, na interacção social, a influência dos significados particulares que cada indivíduo fornece em cada interacção, bem como os significados que vem a obter a partir dessas interacções, através de um processo de interpretação pessoal. Por outras palavras, as pessoas agem em relação às coisas baseando-se no significado que essas coisas têm para elas; e esses significados são resultantes da sua interacção social e modificados pela sua interpretação (Blumer, 1969).

De uma forma simplificada podemos dizer que o interaccionismo simbólico tem por base, quatro pressupostos fundamentais:

1) É uma perspectiva que se preocupa como o sujeito chega à construção de significados. Para os interaccionistas, o grande distintivo entre os seres humanos e os restantes animais é a complexa capacidade dos primeiros para gerar símbolos, permitindo-lhes produzir uma história, uma cultura e intrincadas teias de comunicação.

8 O interaccionismo simbólico é uma corrente teórica considerada heterogénea, dadas as suas múltiplas

abordagens e tem sido, ao longo do século XX, umas das correntes sociológicas de maior longevidade, com fases de crescimento e outras de esmorecimento científico. De uma forma muito discreta, podemos dizer que a preocupação fundamental da sociologia interaccionista tem que ver com a forma como o ser humano leva a cabo a tarefa de construção de significados. Esta perspectiva sociológica está muito bem desenvolvida por Ken Plummer, na obra O Interaccionismo Simbólico no Século XX: A Emergência da

Teoria Social Empírica (2002). O interaccionismo simbólico deu azo a uma extensa literatura e tem sido,

desde sempre, o corpo e a alma da sociologia norte-americana (Young, 1990).

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A pós-modernidade, como o próprio nome deixa adivinhar, resulta de uma avaliação do que seria a noção de “identidade cultural” no período moderno. Stuart Hall em A Identidade cultural na Pós-

Modernidade (2003) questiona se estaria a ocorrer uma crise com a identidade cultural, em que consistiria

tal crise e qual seria a direcção da mesma na pós-modernidade. Assim, faz a análise do processo de fragmentação do indivíduo moderno enfatizando a emergência de novas identidades, sujeitas agora ao plano da história, da política, da representação e da diferença. Hall também manifestou preocupação com o modo como se alterou a percepção de como seria concebida a identidade cultural. Trata-se de um procedimento analítico que intenta descrever o processo de evolução das estruturas tradicionais ocorrido nas sociedades modernas e pós-modernas, bem como a descentralização dos quadros de referências que ligavam os indivíduos aos seus mundos sociais e culturais. Tais mudanças teriam sido ocasionadas, na contemporaneidade, principalmente, pelo processo de globalização.

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Então, os “mundos humanos” para lá de uma vertente material possuem uma forte natureza simbólica;

2) Integra uma visão bastante dinâmica do mundo social. Apesar do homem criar significados relativamente estáveis, rotineiros e partilhados, está envolvido num sistema de relações de reciprocidade com os outros, promotor de um processo contínuo de (re)construção do mundo social;

3) Centraliza a sua preocupação nos “comportamentos colectivos”; i.e., como as pessoas “fazem coisas juntas” (cf. Becker, 1986). O indivíduo ou a sociedade não têm importância per se; o relevante são as acções conjuntas através das quais as vidas se organizam e as sociedades se constituem. O “Eu” – Ego (Self) na terminologia de Mead – sendo um conceito base impõe, necessariamente a presença do outro, uma vez que a própria noção de Ego (cada indivíduo) é construída através do outro;

4) Tendo por referência o mundo social, preocupa-se que todas as suas “descobertas” sejam fruto de investigação empírica10. Isto porque todos estes pontos da teoria se misturam. Os próprios significados provêm de processos interactivos (emergem da interacção). O “eu” é um processo construído com base em encontros e caracterizado pelos seus significados mutáveis. Os objectos sociais assumem o seu significado de acordo com a forma como são manipulados no contexto das acções colectivas. Os agrupamentos sociais são incessantemente envolvidos em processos de negociação de significados. As sociedades são construídas através de interacções simbólicas entre o ‘eu’ e os ‘outros’. Só no mundo empírico concreto, que se abre à observação, podem o ‘eu’, o ‘encontro’, o ‘objecto social’ ou o ‘significado’ ser investigados.

Não é por acaso que o pilar mais significativo do interaccionismo simbólico seja o Pragmatismo11. George Herbert Mead é um dos autores mais referenciados quando se aborda a relação entre Interaccionismo e Pragmatismo, por ter referido que o método científico para tratar dos assuntos humanos seria o “método do progresso social”,

10 A este propósito Blumer (1969) categoriza o interaccionismo simbólico de «abordagem terra-a-terra do estudo científico da vida dos agrupamentos humanos e das condutas respectivas. O seu universo empírico é o mundo natural da vida e da conduta dos grupos» (p.47)

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O Pragmatismo é a filosofia central da América do Norte que rejeita a busca de verdades fundadoras fundamentais e repudia a construção de sistemas filosóficos abstractos. Em alternativa, propõe uma pluralidade de verdades mutáveis, assentes na experiência concreta e na linguagem, onde determinada verdade é avaliada em termos das suas consequências ou valor utilitário (cf. Dunn, 1992; Joas, 1993)

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defendendo uma posição designada, algumas vezes, de “relativismo objectivo”, já que a única realidade objectiva era a das “perspectivas”. De acordo com Mead são possíveis inúmeras versões da realidade, dependendo do ponto de vista adoptado na sua construção. Ele próprio salientava que permanecia receptivo a múltiplas e díspares interpretações e reinterpretações, bem como as suas teorias. Uma atitude científica que fez com que Fine e Kleinman (1986) apresentassem o ensaio crítico «”Verdadeiro”

significado de Mead», onde sugerem que Mead pode ser percebido como um

interaccionista simbólico, behaviorista social, psicofuncionalista, fenomenólogo, corporativista liberal, pragmatista, neo-kantiano, monista, idealista, hegeliano, realista, nominalista, estruturalista e empirista.