5 MARXISMO E CULTURA
5.3 AGENDA MARXISTA
5.3.1 O legado hediondo do coletivismo
Serão apresentados, na sequência, uma série atualizada de estatísticas brasileiras que se propõem a realizar um sobrevoo nas áreas econômica, fiscal, educacional, sanitária e de segurança pública. Os dados a seguir pretendem demonstrar o inchaço da máquina pública, a queda no padrão de vida do brasileiro, a ineficiência e o aparelhamento estatal gerados pela força devastadora do socialismo em sua busca por objetivos impossíveis. O primeiro gráfico apresenta um histórico do
Índice de Liberdade Econômica do Brasil e do mundo, a partir do ano de 2002.
FIGURA 2 – índice de liberdade Econômica (Brasil – Mundo). Fonte: Heritage Foundation (2019).
Como se observa, o ápice recente do índice brasileiro de liberdade econômica ocorreu no final do governo Cardoso, entre os anos de 2002 e 2003. Observa-se que desde o mandato de Lula, o Brasil vem fechando sua economia, promovendo intervenções por meio de burocracia e regulações. Houve uma queda de mais de 10% no índice, demonstrando uma clara aplicação da cartilha econômica socialista.
Quando comparado com a média mundial de liberdade econômica, que vem aumentando progressivamente, conclui-se que o Brasil caminha na contramão. Dos 180 países analisados na pesquisa, o Brasil ocupa a posição de número 150, atrás até de países como Egito, Camarões e Gâmbia. Na América Latina, fica à frente apenas de Cuba, Bolívia e Equador. (HERITAGE FOUNDATION, 2019). O resultado não poderia ser outro, senão o colapso financeiro, uma multidão de mais de 13 milhões de desempregados (março/2019) e um índice de endividamento familiar recorde que atinge mais de 62% dos lares brasileiros. (BRASIL, 2019c).
Mundo Brasil 63,4% 59,6% 60,8% 51,9%
O Tesouro Nacional emitiu o resultado das contas do governo federal e, pelo 5º ano seguido, apresentam déficit bilionário. (MARTELLO, 2019). Ou seja, o governo vem gastando mais do que arrecada há cinco anos, mergulhado numa espiral extremamente perigosa produzida por um estado inchado e ineficiente. As políticas econômicas liberais do atual Ministro da Economia, Paulo Guedes, são a esperança da recomposição do cofre federal.
FIGURA 3: Desempenho das contas públicas. Fonte: Martello (2019).
A carga tributária, entretanto, continua subindo. Um estudo realizado pelo Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação mostrou que no ano de 1988, o brasileiro trabalhava, em média, o equivalente a 73 dias por ano para pagar impostos. Atualmente o número mais que dobrou, alcançando os 153 dias, ou cerca de 40% do seu esforço laborativo. Quando comparado ao PIB, o volume tributário arrecadado responde por mais de um terço do total, ou cerca de 33,5%. (UOL, 2019). Em relação ao tamanho do Estado, o crescimento é incontestável. Para ratificar a afirmação, pode-se verificar o levantamento realizado pelo IPEA, o qual apontou um aumento de 83% no número de servidores públicos das 3 esferas do país em 20 anos, alcançando quase 11,5 milhões de funcionários no ano de 2016. (NENDER, 2019). Só no governo do PT (2003 a 2015) houve um aumento de mais de 300% (ou 158%, descontando a inflação) nas despesas de pessoal do Poder Executivo, alcançando a cifra de R$ 92 bilhões por ano. (BORTOT, 2016).
O atual Secretário de Desestatização e Desinvestimento do Ministério da Economia, Salim Mattar, apresentou em palestra dados econômicos que demonstram a situação trágica das contas públicas e atestam a incompetência do governo de Dilma Rousseff, que estava conduzindo o Brasil literalmente à falência. Os principais indicadores apresentados por Mattar mostram um crescimento vertiginoso da dívida bruta do governo, que alcançou 78,8% do PIB, ante 51,5% apurados há cinco anos. A recessão na qual o país se encontra fica caracterizada pelo aumento da dívida pública federal, que passou de 1,4 trilhão em 2009 para 3,7 trilhões em 2018, o que representa um aumento de mais de 160% em dez anos. Mattar (2019) informa que o governo do PT aumentou o número de empresas estatais federais controladas pela união em 48%, saindo de 106 (em 2002) para 154 (em 2016).
Os serviços públicos, por sua vez, estão em perceptível agonia. Na área da educação, por exemplo, os números são alarmantes. O Programa Internacional de Avaliações de Estudantes, o Pisa, foi aplicado no ano 2015 em alunos do ensino fundamental a partir do 7º ano (na faixa dos 15 anos) em 70 países membros e convidados da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), englobando provas nas áreas de ciências, matemática e leitura.
FIGURA 4: PISA - Desempenho escolar OCDE (Ciências, Matemática e Leitura, respectivamente). Fonte: Martins (2016).
O Brasil apresentou a 8ª pior educação média entre os 70 países avaliados. A melhor colocação dos alunos brasileiros foi em leitura, na 59ª posição. Em ciências o resultado foi o 63º lugar. Em matemática, o pior desempenho, ficou em 65º lugar. De acordo com a pesquisa, 70% dos alunos brasileiros não demonstraram conhecimentos básicos de matemática, ou seja, não são capazes de realizar operações aritméticas simples. De modo geral, os alunos brasileiros só conseguem resolver questões de baixa exigência cognitiva.
Os resultados da expressão científico-tecnológica também são anêmicos. Em 2018 a Organização Mundial da Propriedade Intelectual classificou oBrasil no 64º lugar (6º na América Latina, atrás de Chile, Costa Rica, México, Uruguai e Colômbia) no ranque global de inovação, avaliando itens como instituições, capital humano, pesquisa, infraestrutura e sofisticação de mercado e negócio. (MELO, 2018).
Na área da saúde, os números também não são otimistas. Uma pesquisa divulgada pela Fundação Oswaldo Cruz mostra que no período de 2009 a 2017 houve uma redução média de 8% no número de leitos por mil habitantes. Em relação aos leitos de cuidado curativo (de curta e média permanência), houve uma redução nacional de mais de 11%. Do mesmo modo, quando analisada a quantidade de hospitais públicos ou privados disponíveis ao SUS, observa-se uma queda de 5,5% em seu número total. (PORTELA, 2019). Outro estudo na área, promovido pela Confederação Nacional de Municípios, aponta que nos últimos dez anos houve uma redução de mais de 40 mil leitos SUS no país, colocando a média nacional em 2,1 leitos para mil habitantes, contra uma taxa ideal entre 2,5 a 3. (ROCHA, 2018).
De modo trágico, os índices brasileiros de violência urbana seguem em crescimento. Como se observa na figura abaixo, nos últimos 10 anos houve um aumento de 36,1% nos casos de homicídios no Brasil, saltando de cerca de 48 mil para mais de 65 mil por ano.
FIGURA 5: Atlas da violência - Número e Taxa homicídio Brasil. Fonte: IPEA (2019).
No Atlas da Violência de 2019 do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) também se observam os dados sobre mortes causadas por arma de fogo. Nesse quesito, só nos últimos 10 anos, a despeito da polêmica “Lei do Desarmamento”, houve um aumento de 39,1% no número de mortes. Se o cálculo for feito tomando-se os últimos 30 anos, o número é ainda mais assustador, com um salto de mais de 400% no número de mortes por arma de fogo. (IPEA, 2019).
Sobre o tema, Gordon revela as causas políticas e psicossociais que ocupam os bastidores das estatísticas caóticas na segurança pública nacional:
[...] quando toda uma cultura que celebra o criminoso como colaborador de uma dívida social, ajuda a colocar o país no topo da lista dos mais violentos do mundo, com mais de 60 mil homicídio ao ano, a esquerda faz-se inocente, preferindo acusar abstrações – “o sistema”, “a desigualdade”, “o capitalismo” – ou pior ainda, as vítimas. (GORDON, 2017, p. 260).
Houve, entretanto, um setor que foi bastante beneficiado pelo governo do PT e que observou seus lucros se multiplicarem prosperamente. Os bancos passaram os anos da administração socialista batendo recordes sucessivos, saindo do lucro anual na casa dos R$ 20 bilhões no início da gestão Lula e alcançando o recorde histórico de R$ 98,5 bilhões em 2018. (G1, 2019).
Após a análise dessa sequência perturbadora de indicadores negativos, percebe-se concretamente o legado lastimável das políticas de esquerda. É oportuno, encerrando esta seção, abordar o principal instrumento de propagação do criminoso projeto de poder da esquerda latino-americana: o Foro de São Paulo.
O Foro de São Paulo é a mais vasta organização política da América Latina e, sem dúvida, uma das maiores do mundo. Fundado em 1990 por Lula e Fidel Castro, o Foro reúne todos os governistas de esquerda do continente, mais de uma centena de partidos políticos e diversas organizações criminosas e terroristas ligadas ao narcotráfico e a sequestros, como as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) e o Movimento de Esquerda Revolucionário (MIR) chileno. Por esses laços estreitos, pode-se afirmar que nunca se observou no mundo uma convivência tão íntima, organizada [e declarada] da política com o crime (CARVALHO, 2018b, p.114). O objetivo do Foro de São Paulo é promover, desenvolver e manter, no continente, governos socialistas, (intervencionistas e repressivos, como sempre o são), viabilizando uma rede inimaginável de corrupção, lavagem de dinheiro e tráfico de influências. Raul Reyes, antigo comandante das FARC, assumiu publicamente
contatos estreitos com Lula e com o PT, além de grande admiração por Hugo Chávez, em entrevista à Folha de São Paulo, em 24 de agosto de 2003. (BARRICELLI, 2014). O Instituto Internacional de Estudos Estratégicos britânico divulgou em 2011 um dossiê que revelou íntimas relações de líderes latino-americanos (Hugo Chávez, Lula e Rafael Correa) com as FARC, inclusive com envolvimentos financeiros (Ibidem). O mais perturbador é o fato de o Foro de São Paulo continuar a ser simplesmente ignorado pela grande imprensa brasileira, num ato de omissão dolosa que presume cumplicidade com o projeto de poder criminoso da esquerda latino-americana.
Todas essas informações, sobre o Foro e sobre os indicadores negativos nacionais, foram sonegadas ou manipuladas, lançadas em matérias discretas e incompletas nos cantos de jornais, numa espúria tentativa de construção de narrativas. O jornalista Luciano Trigo apresenta em sua obra Guerra de Narrativas: a crise política e a luta pelo controle do imaginário, uma análise fundamentada desse fenômeno presente em nossa sociedade. Trigo demonstra, com farta referência bibliográfica, como o PT usou a corrupção, não apenas como uma ferramenta de enriquecimento ilícito, mas como um sistema de manutenção de seu projeto de poder.
Segundo Trigo (2018, p. 26 e 27), a chegada ao poder pelo PT foi apenas a concretização política de uma hegemonia que já tinha sido alcançada nas redações dos jornais, nas universidades, nos ambientes intelectuais e no meio artístico. Depois de diversas derrotas eleitorais, o Estado foi “tomado” pela via legal, embora amparado indecorosamente pelo controle da narrativa. Entre seus servos mais destacados, adoecidos pela deformidade moral, estavam intelectuais, artistas, professores universitários e jornalistas, sempre que possível assistidos por verbas governamentais, pela Lei Rouanet ou por doações de grandes empreiteiros e amigos banqueiros. Como profetizou Gramsci, o poder cultural foi tomado antes da vitória política.
A capacidade da máquina de propaganda Petista era assombrosa. Votar no PT passou a ser sinônimo de igualdade social, de distribuição de renda, de apoio aos direitos humanos, de promoção à diversidade cultural, de respeito às mulheres e às minorias, de defesa dos trabalhadores etc. Ao mesmo tempo, aqueles que criticavam o PT tornaram-se apoiadores da ditadura, racistas, homofóbicos, machistas, imperialistas e fascistas. (Ibidem, p. 28 e 29).
Segundo Trigo (2018, p.36 a 39) a estratégia de intimidação e repressão das ideias dissidentes foi muito bem-sucedida, graças à colaboração dos sindicatos, de ONG’s, de movimentos sociais e de boa parte da mídia. Os que continuavam a
levantar a voz contra o consenso eram estigmatizados e tornavam-se os instrumentos da espiral do silêncio19. Qualquer oposição era transformada em “preconceito”, em “ódio aos pobres” ou em “golpe”, mesmo que o abismo entre o discurso e a realidade aumentasse. Esse silêncio acabou convencendo o governo que sua permanência no poder seria eterna, o que desencadeou o aumento exponencial da mentira, do roubo, da calúnia e da corrupção.
Quando o colapso se tornou iminente, sobretudo com as manifestações que tomaram o país após os escândalos do Petrolão e do Mensalão20, o então presidente nacional do PT, Rui Falcão, chegou ao cúmulo de sugerir que a imprensa livre poderia levar o país ao nazismo e ao fascismo (Ibidem, p. 141). A guerra de narrativas se intensificou e buscou como nunca os seus objetivos: manipular, seduzir e cooptar a população, bem como constranger e intimidar a resistência. Apesar dos esforços, o
impeachment de Dilma Rousseff foi inevitável. A guerra de narrativas, entretanto, não terminou com o impedimento de Rousseff, mas continua sendo empregada largamente na desqualificação da Operação Lava Jato e na recente tentativa de desmoralização do Ministro da Justiça, Sérgio Moro, por meio de mensagens
hackeadas e adulteradas, obtidas por meios ilegais.
A guerra de narrativas, ademais, não investe apenas contra as operações e instituições que desmantelaram o esquema criminoso do PT. Não é preciso muito esforço para perceber que o atual governo liberal conservador é vítima de agressiva campanha difamatória. Não porque a esquerda possui compromisso com o progresso do país, muito pelo contrário, ela usa a sabotagem como método para viabilizar o seu projeto de poder, como visto nas já citadas palavras de José Dirceu: “é uma questão de tempo pra gente [PT] tomar o poder. Aí nós vamos tomar o poder, que é diferente de ganhar uma eleição” (O GLOBO, 2018b). Na esfera econômica, os socialistas atacarão qualquer medida econômica liberal que gere emprego e prosperidade, como fazem com a necessária reforma previdenciária. No campo dos valores sociais, continuarão a promover as pautas progressistas e anticristãs, erodindo os preceitos conservadores, como a família, a religião e o direito à propriedade privada.
19 Fenômeno descrito por Elisabeth Noelle-Neumann no qual as pessoas, mesmo sabendo que algo claramente está errado, mantêm-se em silêncio caso a opinião pública (ou consenso) esteja contra elas. (TRIGO, 2018, p. 39)
20 Sobre os escândalos do Mensalão e Petrolão, recomenda-se a leitura do editorial do jornal O Globo, de 05 de abril de 2016, disponível em <https://oglobo.globo.com/opiniao/mensalao-petrolao-evidenciam-organizacao-criminosa-19017036>.