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CAPÍTULO II A IGREJA PORTOVELHENSE NA PESQUISA DE CAMPO

2.5 O local e o perfil das pessoas envolvidas

Assim, depois que iniciamos o trabalho de campo nas paróquias escolhidas, sejam pelo seu diversificado perfil ou pelo locus e gênero, elas demonstraram um número de participantes menor que o esperado, o que gerou uma redução no número de entrevistados.

Nas oitenta e três pessoas questionadas, percebemos de uma forma ou de outra, a disponibilidade e a generosidade. Conseguimos atingir um número expressivo de respostas, confiável para os resultados.

Frente a essa natureza optamos, posteriormente, em não distribuir mais questionários para devolução posterior e, para que tivéssemos essa confiabilidade e qualidade nos dados obtidos, efetuamos questionamentos, um a um, com devolução imediata, em 12% de mulheres e homens freqüentadores das três comunidades escolhidas da Arquidiocese de Porto Velho. Estas pessoas foram por nós escolhidas e algumas delas indicadas por agentes locais, por causa das atividades pastorais que exercem em suas paróquias. Completando essa etapa, praticamente o nosso campo estava delimitado e pronto. Daí iniciou-se uma série de

60 Cf. site www.ibge.gov.r/ in Censo 2000-plano amostral “A comissão consultiva do Censo 2000 recomendou a manutenção

das frações adotadas em 1991 e sugeriu a avaliação do aumento da fração de 20% para 50% nos municípios mais populosos. No entanto, calcular os efeitos da fração de 10% para 5% nos municípios com mais de 100.000 habitantes. Verificou-se que tal redução não causaria perda expressiva de precisão para as estimativas. 2% nas pessoas a sem investigadas com ‘questionário básico’

tentativas, muitas vezes em vão, mas que iam servindo de testes para detectarmos se exatamente era, ou não, o objeto de trabalho a que desejávamos estudar.

Havíamos detectado, anteriormente, que nem todas as frases do questionário eram bem interpretadas pelas pessoas e muitas delas não entendiam do que se tratava o estudo, relações de gênero nas atividades da Igreja Católica. Muito menos, como era de se esperar, conseguiam com facilidade captar a nossa intenção. Nessas horas a nossa intuição tinha que falar mais alto para que as vozes das mulheres fossem interpretadas como exatamente se expressavam o sentido.

Diante disso optamos em escolher duas questões significativas para o nosso objeto de estudo e buscamos contatar dois grupos para nortearem um outro tipo de estudo: a pesquisa qualitativa-interativa. Seja pela solidez e simplicidade das respostas ou pela relevância das revelações subjetivas, foi marcante a nossa experiência.

Algumas experiências dolorosas vividas por elas, tanto nos lares quanto nas paróquias, demonstraram-nos o quanto sacrificante são as suas vidas. Elas contribuíram de forma relevante nos resultados qualitativos que serão descritos no final do trabalho. São dados quantitativos conseguidos por uma “pesquisa participante”61 realizada num grupo de paroquianos, de forma mais simples, pelo perfil dos envolvidos, pessoas idosas e com dificuldades em relatar as respostas. Sugerimos duas perguntas feitas diretamente às mulheres e que podem ser verificada nas tabelas abaixo, e não merecem nossos comentários. Uma é sobre o machismo e outra sobre a expectativa de mudanças na Igreja. Vejamos:

Tabela 1. Estatística descritiva das classes de respostas (n=24) da pergunta 11, parte 1: Você acha que existe machismo na Igreja?

Respostas Freqüência % % Válida

Existe 60 72,3 80

Não existe 11 13,3 14,7

Existe um pouco 4 4,8 5,3

Não respondeu 8 9,6

Tabela 2. Estatística descritiva das classes de respostas (n=24) da pergunta 11, parte 2:

Você acha que existe machismo na Igreja?

Respostas Freqüência % % válida

A não consagração/a não missa por mulheres mostra 5 5,8 23,8 Mulher não participação no alto clero (quem manda) 6 7 28,6 Há falta de respeito pelas mulheres na Igreja 3 3,5 14,3 O machismo é resultante de um processo histórico 1 1,2 4,8

Há mais mulheres nas pastorais 1 1,2 4,8

Porque seguimos a palavra de Deus 1 1,2 4,8

Não aplicável 4 4,7 19

Não respondeu 65 75,6

As tabelas acima, por si só já demonstram a situação desse tipo de preconceito. Essa condição vivida pelas mulheres, em trabalharem em meio a locais machistas na maioria das vezes ajuda a não serem reconhecidas plenamente nas instituições. As pessoas percebem essa situação, mas nem todas gostam de se posicionar a respeito, pois o local possui um alto índice de mortalidade materna e infantil, ocasionada em parte por essas situações. Sabe-se que na Igreja rondoniense as mulheres convivem constantemente com situações machistas e talvez seja essa uma das razões que muitas delas não tenham respondido a essa questão.

Uma senhora ao responder essa pergunta disse:

Mesmo estando em pleno século 21, a mulher está cercada de preconceitos, entre eles o machismo. Apesar de termos as mesmas capacidades intelectuais que os homens, não somos reconhecidas e muitas vezes somos deixadas de lado. Muitas mulheres têm autoridade dentro da igreja, e precisam mudar e ser reconhecidas na instituição.

Com essa situação, vemos que há a necessidade de se repensar posturas e estabelecer novos critérios para a igualdade das condições. Perguntamos sobre a expectativa dessas mudanças e tivemos as seguintes respostas:

Tabela 3. Estatística descritiva das classes de respostas (n=24) da pergunta 12, parte 1:

Você acha que alguma coisa vai mudar na Igreja católica nos próximos anos? Respostas Frequência % % Válida

Sim 58 69,9 81,7

Não 8 9,6 11,3

Talvez 3 3,6 4,2

Não sei 2 2,4 2,8

Tabela 4. Estatística descritiva das classes de resposta (n=24) da pergunta 12, parte 2:

Você acha que alguma coisa vai mudar na Igreja católica nos próximos anos? (Como e por quê?)

Respostas Frequência % % válida

Com o novo papa será difícil 2 2,4 7,7

Mudará se aceitarem a opinião da mulher 3 3,6 11,5

Com o interesse das mulheres por cargos na Igreja 1 1,2 3,8 O tradicionalismo da Igreja dificulta as mudanças 5 6 19,2 O modo de agir das pessoas fará a Igreja mudar (geral) 2 2,4 7,7 As campanhas da Igreja estão ajudando a melhorar 1 1,2 3,8

O mundo vai melhorar (geral) 2 2,4 7,7

A Igreja está em processo de mudança 6 7,2 23,1

Haverá mais pessoas participando 2 2,4 7,7

NA - Não aplicável 2 2,4 7,7

Não respondeu 57 68,7

Portanto, com o auxílio das coordenações paroquiais e a experiência eclesial destas 83 pessoas participantes das pesquisas de campo efetuada nos anos de 2006 e 2007 trouxe-nos um enriquecimento acadêmico e uma mobilidade investigativa que só foram possíveis graças ao empenho desses agentes. Cada um desses sujeitos, com sua singular especificidade, se disponibilizou em ser protagonista desta pesquisa deixando transparecer nos diálogos orais e escritos a riqueza da sua experiência e os sinais ocultos da sua vida eclesial. Enfim essas pessoas revelaram a generosidade ímpar, a acolhida exemplar e o engajamento sério, impressos nas respostas aos questionários e na peculiaridade da vida daquela Igreja.