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O “lugar” da sexualidade: ordenando o caos?

No documento Masculinidades disponíveis.com (páginas 185-192)

5 Notas pornográficas

5.3 O “lugar” da sexualidade: ordenando o caos?

corpos que estão escondidas em outros contextos; pornográficas representanções que têm como efeito a interpelação erótica dos demais usuários.

Nesse sentido, a pornografia é exatamente obscena porque carrega consigo todos esses atributos. Ela é uma efusão e uma provocação, ela diz a sedução e (...) trai todas as regras porque quer penetrar nos segredos. Transgressiva por definição, sua força mobilizadora, no universo das representações, é a revelação: trazer para a máxima visibilidade tudo que puder encontrar. Operando na ambigüidade fora de cena/dentro da cena, a pornografia possa ser entendida como um discurso veiculador do obsceno: exibe o que deveria estar oculto. (...) A sexualidade fora de lugar. (idem, p. 19) [grifos meus]

Mas qual seria o “lugar” da sexualidade?

5. 3. O “lugar” da sexualidade: ordenando o caos?

Nuno César Abreu, citando Linda Williams, escreve que para reconhecermos um artefato pornográfico, ele deve ter duas características marcantes: a primeira seria “uma certa função ou intenção de despertar sexualmente sua audiência” combinada com “um certo conteúdo, representações explícitas de material sexual (órgãos, posturas, atividade etc.)”

(grifo meu). A autora então diz que “um trabalho tem de ter ambos, esta função e este conteúdo, para ser uma peça de pornografia” (WILLIAMS apud ABREU, 1996, p. 32-33)98. Mais uma vez, expressões como “representações explícitas” apontam para a qualidade eminentemente obscena da pornografia que des-venda (tira a venda) e des-cobre (tira o que cobre) tudo quanto possível (dos corpos, das falas, das escritas) no sentido de produzir o desejo (erotizar) na sua audiência. Nesse sentido, Abreu faz uma contextualização histórica da problematização das representações pornográficas na sociedade ocidental: segundo ele, foi sobretudo à época da expansão da produção industrial da mercadoria pornográfica – com filmes e revistas, principalmente, entre as décadas de 1960 e 1970 – que se deram as condições de discussão social sobre o que viria a ser o conceito de “pornografia”. O autor salienta a dificuldade de achar uma definição precisa do termo, e tentativas no sentido de fixá-lo sempre acabam recorrendo à metáforas, adiando sua significação. Como escreveu um juiz da Suprema Corte estadunidense em 1954: “Eu não sei o que ela é, mas reconheço quando

98 Aqui, Abreu cita a obra de Linda Williams (1989), que por sua vez resume o conteúdo do Report of the Comitee on Obscenity and Film Censorship, relatório produzido por uma comissão inglesa que se ocupou sobre o tema da pornografia em filmes no final da década de 70 do século passado.

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vejo uma” (idem). “Com o desenvolvimento da indústria cultural, a pornografia se traduz em produtos de acordo com os princípios de produção em massa”, escreve Abreu. (idem, p. 39).

Esses produtos são basicamente imagens – fotografias e filmes, mas também textos presentes em livros e revistas – que versam sobre as sexualidades e sobre os corpos de maneira explícita, obscena, ao relatar e mostrar para o público cenas sexuais entre os indivíduos. “De qualquer maneira”, propõe Abreu, “a emergência da representação pornográfica como um

‘problema’ social contemporâneo e sem precedentes diz respeito à cultura de massa”. O autor localiza por volta da década de 1960 o surgimento e a organização da “produção massiva de publicações, filmes e vídeos dirigidos a um público amplo e (in)discriminado,

‘democratizando’ o obsceno” (idem, p. 40-41).

A sexualidade encontra na pornografia um veículo para se expor publicamente e uma indústria se desenvolve para produzir e comercializar as representações interditas, assegurando sua circulação no espaço permissivo instituído na encruzilhada das incertezas, do moralismo, da liberação dos costumes e de seus amparos legais. (idem, p. 38)

Nesse sentido, a pornografia talvez exista para “ordenar esta desordem (...) como uma forma de transgressão organizada” (apud Moraes e Lapeiz). (...) A pornografia (...) faz aparecer aquilo que se tem vergonha (...). (ABREU, 1996, p. 25-26)

Termos usados pelo autor como “interditas”, “espaço permissivo” e “transgressão” nos fazem pensar, então, se seria a pornografia o lugar e o modo explícitos de publicação da sexualidade. Seria a sexualidade “interdita” em todo o resto da sociedade de tal modo que encontrasse seu “espaço permissivo” apenas nos artefatos pornográficos? Seria a pornografia o ponto de escape das ‘repressões morais’ acerca da sexualidade?

Para aqueles que concordam com essa perspectiva, em primeiro lugar caberia aceitar a ideia de que a sexualidade – enquanto o modo de experimentar prazer através dos corpos por meio de relações sexuais – é alvo de um conjunto de interdições sociais, e assim estaria também correto afirmar que há repressões constantes ao seu respeito. A produção da pornografia, nessa perspectiva, situar-se-ia de modo mais ou menos confortável como uma zona de permissividade, como uma região de tolerância, constituindo-se como uma estratégia escapista às interdições e às proibições sexuais da nossa sociedade. Assim, diz Abreu, “a exposição do obsceno seria uma verdadeira celebração do prazer (...) que, preso nas armadilhas das interdições, e liberta na forma de transgressão” (idem, p. 25).

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Como já discuti no capítulo anterior, Michel Foucault questiona esta proposição, a que ele deu o nome de “hipótese repressiva”, e argumenta a favor de uma explosão discursiva acerca do sexo e da sexualidade na sociedade ocidental desde um determinado período histórico. “As dúvidas que gostaria de opor à hipótese repressiva têm por objetivo muito menos mostrar que essa hipótese é falsa”, e como alternativa ele propõe “recolocá-la numa economia geral dos discursos sobre o sexo no seio das sociedades modernas a partir do século XVII” (FOUCAULT, 2003, p. 16). A partir disto, soçobra a ideia de que a pornografia possa meramente funcionar como lugar de escape às proibições do sexo. Pois ao problematizar exatamente estas tais “proibições”, se lançam dúvidas sobre o caráter “permissivo” daquilo que Abreu chamou de produção industrial em massa de artefatos pornográficos. Mesmo sem negar que, de fato, possa existir um certo conjunto de proibições e repressões sobre a sexualidade e tudo mais o que ela envolve dentro de cada sociedade, Foucault propõe ir além desta ideia “repressiva” ao formular a ideia de “explosão discursiva” sobre o sexo nas sociedades ocidentais modernas. Então, seria possível redimensionar a pergunta: não questionar se a pornografia é o lugar ‘permissivo’ da sexualidade, de sua publicação e de sua veiculação – de seu escape, de seu desvendamento e de sua transgressão –, mas perguntar se é a própria sexualidade e os discursos a ela associados que dão condições para a emergência da pornografia; se é a própria sexualidade e os discursos a seu respeito que produzem aquilo que reconhecemos – mesmo sem saber exatamente o que é – como sendo da ordem do pornográfico; se é a própria sexualidade e todo seu arcabouço discursivo que instituem a pornografia como um de seus lugares de publicação e veiculação.

Daí o fato de que o ponto essencial (pelo menos em primeira instância) (...) [é] levar em consideração o fato de se falar de sexo, quem fala, os lugares e os pontos de vista de que se fala, as instituições que incitam a fazê-lo, que armazenam e difundem o que dele se diz, em suma, o “fato discursivo” global, a “colocação do sexo em discurso”. Daí decorre também o fato de que o ponto importante será saber sob que formas, através de que canais, fluindo através de que discursos o poder consegue chegar às mais tênues e mais individuais das condutas. Que caminhos lhe permitem atingir as formas raras ou quase imperceptíveis do desejo, de que maneira o poder penetra e controla o prazer cotidiano – tudo isso com efeitos que podem ser de recusa, bloqueio, desqualificação, mas também de incitação, de intensificação, em suma, as “técnicas polimorfas do poder”. Daí, enfim, o fato de o ponto importante não ser determinar se essas produções discursivas e esses efeitos do poder levam a formular a verdade do sexo ou, ao contrário, as mentiras destinadas a ocultá-lo, mas revelar a “vontade de saber” que lhe serve ao mesmo tempo de suporte e instrumento. (idem, p. 16-17)

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Como Foucault propõe, indagar-se sobre as relações entre pornografia e sexualidade na sociedade contemporânea tem um caminho fértil quando as perguntas não são formuladas apenas com base nas proibições, interdições e repressões morais, mas sim procurando questionar as condições gerais em que se dão tais relações, em que momentos são construídas tais relações, quem as constrói e a partir de que perspectiva o faz. Desse modo, a produção de artefatos pornográficos não se traduziria como estratégia de transgressão às proibições de ordem sexual, constituindo por excelência o “espaço permissivo” da sexualidade. Pelo contrário, os materiais pornográficos responderiam à incitação e ao estímulo do sexo; a pornografia seria um efeito produtivo da sexualidade enquanto maneira de publicizá-la e de colocá-la em evidência; os artefatos pornográficos seriam modos de veiculação pública da sexualidade, em certos contextos e sob determinadas condições, com vistas a torná-la explícita e visível.

Nesse sentido, o poder atua constantemente na regulação da sexualidade que é mostrada de maneira intensa – através de fotos, vídeos, escrita – e aqui cabe perguntar-se sobre como acontece a publicação da sexualidade, através de quais materiais pornográficos ela é publicada, como a sexualidade é representada nestes artefatos, como ela é produzida, quem participa da sua produção e a quem esses artefatos são endereçados. Isso porque, se concordarmos que a pornografia é também obscena, os modos pelos quais a sexualidade é representada através da pornografia colocam a sexualidade – e tudo mais que a compõe: os corpos, os gêneros, os espaços em que ela circula, os sujeitos aos quais fala, que interpela – numa zona de constante visibilidade. Aqui visibilidade não se traduz tão-somente como sinônimo de visualidade (daquilo que pode ser visto pelos olhos), mas adquire outras significações a mais. Aquilo ou aquele que é visível nem sempre é visibilizado, isso porque “a visibilidade de uma época é o regime de luz, e as cintilações, os reflexos, os clarões que se produzem no contato da luz com as coisas”, nos diz Gilles Deleuze (DELEUZE, 2008, p.

120). A visibilidade, neste sentido, relaciona-se com o poder: é a relação do poder com algo ou com alguém que faz com que este algo ou este alguém surja, levante-se, torne-se visibilizado. O poder é, para Foucault, aquilo que Deleuze chamou neste trecho de “regime de luz”. É a partir de um atravessamento sofrido por algo ou por alguém do/no poder que produz a sua visibilidade.

Para analisar os perfis mais “favoritos” do disponível.com, é importante propor que os elementos publicados pelos usuários em suas páginas pessoais são pornográficos – enquanto

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veiculação de certos elementos textuais, imagéticos e audiovisuais que publicam cenas de sexualidade com vistas a erotizar seus corpos. Mas a esta definição de pornografia se faz necessária a articulação de outros conceitos, como o de erotismo e, sobretudo, o de obscenidade, isso porque os limites entre eles aparecem confundidos e porque eles são importantes para a operacionalização do próprio conceito de pornografia. Pensar a pornografia como modo de “ob-scenização”, ao colocar em cena algo que não deveria ali estar, possibilita a problematização das próprias condições daquilo que está na cena e daquilo que não está na cena – uma discussão moral, mas também ética, como expus no capítulo um e no início deste capítulo. É nessa perspectiva que venho problematizando as partes do corpo mais mostradas em detrimento daquelas que estão sombreadas nas páginas pessoais do sítio, procurando estabelecer vínculos entre elas e procurando mapear as condições históricas e sociais que as fazem estar inseridas nisto que chamei de projeto mostrar-sombrear.

Mais ainda, relacionando a pornografia com a sexualidade, tomando a pornografia como efeito do caráter produtivo do poder que perpassa os discursos sobre sexo, é possível instaurar uma discussão política sobre aquilo que é mostrado (visualizado, chamado a ser visto, olhado e consumido pelo olhar do público) como pornográfico nos perfis. Pois, se pensarmos a partir das proposições de Foucault no sentido de superarmos a “hipótese repressiva”, poderíamos questionar exatamente a pornografia como o ‘lugar por excelência’

das transgressões da sexualidade, em que esta última supostamente gozaria da suspensão de quaisquer normas proibitivas e que aí pudesse mostrar-se sem cerimônias ou sem regras.

Assim, cabe perguntar-nos, num primeiro momento, se a pornografia (nunca esquecendo que a reboque vêm o erotismo e a obscenidade) seria o ‘lugar’ somente da sexualidade, e não do gênero ou dos corpos. Uma vez que a pornografia investe na publicização intensa dos corpos generificados em atividades sexuais com vistas a produzir o desejo naqueles que vêem e assistem – tomando o conceito pela sua definição mais comum –, ela não seria apenas o

‘lugar’ da sexualidade, mas também seria o ‘lugar’ onde o gênero dos corpos estaria em situação “ob-scena”, exposto à visualidade e à visibilidade. O ‘lugar pornográfico’ seria aquele em que o gênero dos corpos pudesse ser lido de modo imediato exatamente por estar todo ele “dentro da cena”, constituindo-se como seu personagem principal. Da mesma forma, os corpos habitariam este ‘lugar pornográfico’ estando completamente nus, despindo-se de qualquer vestimenta e colocando-se neste ‘lugar’ de intensa visibilidade: os corpos vestiriam apenas seus próprios gêneros e seus próprios sexos, como se suas materialidades lhes fossem suficientes. Aceitar que a pornografia se constitui num “espaço permissivo” da sexualidade,

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significa também aceitar que ela é um ‘lugar’ para os corpos vestidos apenas com seus gêneros e seus sexos, o que supõe uma essencialização dos corpos.

Se, como diz Dagmar Meyer, o “gênero aponta para a noção de que, ao longo da vida, através das mais diversas instituições e práticas sociais, nos constituímos como homens e mulheres” (MEYER, 2005, p. 16), assumindo que o feminino, o masculino e seus corpos são construídos socialmente “num processo que não é linear, progressivo ou harmônico e que também nunca [estão] finalizado[s] ou completo[s]” (idem), a ideia de que os corpos, os gêneros, os corpos e as sexualidades teriam seus “lugares permissivos” nos intensos apelos da pornografia não se sustenta. Porque, ao acentuar o caráter construído dos corpos generificados, “inscreve-se nesse pressuposto uma articulação intrínseca entre gênero e educação”, uma vez que

(...) educar engloba um complexo de forças e de processos (que inclui, na contemporaneidade, instâncias como os meios de comunicação de massa, os brinquedos, a literatura, o cinema, a música) no interior dos quais indivíduos são transformados em – e aprendem a se reconhecer como – homens e mulheres, no âmbito das sociedades e dos grupos a que pertencem. (idem, p. 17)

O ‘lugar’ dos gêneros está pulverizado em todo o tecido social, multiplicado em uma série de instâncias, de instituições, de artefatos culturais e de representações sociais, e não apenas naquilo que reconhecemos como sendo pornográfico. Daí a importante implicação de que não há um lugar, permitido e permissivo, onde a publicação dos corpos, gêneros e sexualidades é tolerada, pois “as instituições sociais, os símbolos, as normas, os conhecimentos, as leis, as doutrinas e as políticas de uma sociedade” também participam da sua construção ao estarem “constituídas e atravessadas por representações e pressupostos de feminino e de masculino ao mesmo tempo em que estão centralmente implicadas com sua produção, manutenção ou ressignificação” (idem, p. 18). São inúmeras e contínuas as zonas sociais em que os corpos, os gêneros e as sexualidades encontram seu ‘lugar’. Pois se temos um corpo generificado e se nos reconhecemos como sujeitos de uma sexualidade, e se concordamos que corpo, gênero e sexualidade são construções sociais, seus “espaços permissivos” serão também eminentemente públicos. Ao contrário do que propõe Abreu e do que trazem os autores nos quais ele se apóia, a pornografia não é exatamente esse ‘lugar’ que ordena o ‘caos’ da sexualidade: a pornografia é uma linguagem, um modo de ver e um modo de mostrar os corpos, os gêneros e as sexualidades que foram produzidos como tais pelo

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caráter produtivo do poder que os atravessa. A pornografia pode ser, talvez, uma paisagem (visage, um rosto) que emoldura os corpos, os gêneros e as sexualidades de um modo peculiar, mas isso não significa assumir que ela se constitui num escapismo às interdições e proibições sociais. Os corpos são marcados socialmente pelo gênero, e gênero e sexualidade dependem um do outro mutuamente, marcam-se e implicam-se nos corpos de modo simultâneo.

Para que se efetivem essas marcas, um investimento significativo é posto em ação: família, escola, mídia, igreja, lei participam dessa produção. Todas essas instâncias realizam uma pedagogia, fazem um investimento que, freqüentemente, aparece de forma articulada (...). Se múltiplas instâncias sociais (...) exercitam uma pedagogia da sexualidade e do gênero e colocam em ação várias tecnologias de governo, esses processos prosseguem e se completam através de tecnologias de autodisciplinamento e de autogoverno que os sujeitos exercem sobre si mesmos. (...) há um investimento continuado e produtivo dos próprios sujeitos na determinação de suas formas de ser ou “jeitos de viver” sua sexualidade e seu gênero. (LOURO, 2007a, p. 25-26)

Tomando a pornografia como uma paisagem na qual aparecem publicados os perfis, tomando-a como um modo – entre vários outros – de representar o corpo e um modo de ver o corpo, esta paisagem provavelmente se constitui numa zona de luz, se não num ‘espaço permissivo’. É um spotlight, o lugar para onde se voltam a luz e os olhares de uma maneira específica, é o lugar onde se fala intensamente dos corpos e das habilidades sexuais desses corpos. A pornografia, nesse sentido, é uma das muitas instâncias sociais que investem nos corpos, nos gêneros e nas sexualidades. E a pornografia o faz usando a hipérbole: a intensidade, a extensão e a profundidade dos corpos. Nesses três aspectos que se apóia o caráter pornográfico dos registros dos perfis do disponível.com: na intensidade das práticas sexuais, na alta quantidade de vídeos e de fotografias publicadas (465 vídeos de sexo explícito em ‘Flaric’ e mais de 3.000 fotografias em ‘Andrejr’), no gozo farto prometido pelos ‘ativos’, na “boa trepada” procurada pelos internautas; na extensão dos corpos, na materialidade dos pênis (“roludos”, “pauzudos”, “picudos”, “cacetudos”), nas suas dimensões (vinte centímetros, vinte e dois centímetros, vinte e três centímetros), na superfície sem gordura dos corpos “malhados”, “sarados” e “definidos”; na profundidade dos ânus que se associam à extensão dos pênis, no profundo desejo de ser penetrado, na essencialização dos gêneros e na

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fixidez das sexualidades, fazendo do sexo (do sexo do corpo e do sexo praticado) ‘a verdade’

mais profunda dos internautas que ali publicam suas informações.

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