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PARTE II – ESTUDO DE CASO

CAPÍTULO 5. EXERCÍCIO DE BENCHMARKING

5.1. O MODELO AMERICANO

O modelo de gestão aplicado nos Estados Unidos da América consiste num modelo muito singular e de grande projeção, diferente do que se promove nas cidades europeias.

Este modelo surgiu no final dos anos setenta, com a situação de degradação das áreas tradicionais de comércio, em muito afetadas pela expansão comercial para a periferia,

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dando origem aos gabinetes denominados de “Special Assessment Districts” (SAD), uma espécie de primeira versão dos “Business Improvement Districts” (BID).

Os BID, cuja tradução significa “Áreas de Desenvolvimento Económico” e os “Main

Street Program” (MSP), “Programa de Rua Central”, são os dois exemplos a merecer

referência, pela relevância prática que têm assumido, ao nível de modelos de gestão de centros urbanos nos Estados Unidos.

Quanto aos primeiros, consistem em organizações semi privadas, sem fins lucrativos, legitimadas para definir e cobrar uma taxa aos proprietários de imóveis comerciais, de uma determinada área, com o propósito de prestar, em contrapartida, um conjunto de serviços complementares àqueles que são assegurados habitualmente pela administração pública (local). Consistem num importante meio para a revitalização dos centros urbanos, que atua como um instrumento financeiro que, permitindo o fornecimento de um conjunto de serviços complementares à atividade empresarial, resulta da cobrança de um imposto ou taxa sobre os proprietários comerciais.

O BID carateriza-se pela obtenção de recursos através da tributação extra sobre imóveis valorizados aquando do processo de intervenção, estratégia bem aceite pelos proprietários que assim vêem diretamente reconhecido o valor da propriedade pelo meio que a rodeia (Balsas, 2002).

Enquanto que os BID têm por objetivo garantir um mecanismo através do qual os proprietários podem contribuir financeiramente para serviços adicionais nas áreas públicas que circundam os seus edifícios, o ‘The Main Street Program’ tem por objetivo principal auxiliar as comunidades locais a desenvolverem a estratégia de revitalização comercial integrada que estimule o desenvolvimento económico num contexto de preservação histórica. O objetivo último do “Programa da rua central” é a criação de um espaço agradável e atrativo que estimule os visitantes a voltarem ao centro (Balsas, 2002:65).

A International Downtown Association (IDA)25 reconhece as seguintes atividades

principais dos BID’s: planeamento estratégico; realização de pesquisas sobre a área de intervenção; procura e obtenção de recursos financeiros; regulamentação dos espaços públicos e do desenho urbano; intervenção física nas fachadas, passeios e praças públicas; manutenção e limpeza; segurança; contratação de guias; serviços de inclusão social; promoção de eventos e campanhas publicitárias; gestão de estacionamento e transportes privados (Balsas, 2000).

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(25) A International Downtown Association foi fundada em 1954, com o objetivo de incentivar a melhoria dos centros urbanos

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Importa realçar que os BID são um importante meio para a revitalização dos centros urbanos que, atuando como um instrumento financeiro, permitem o fornecimento de um conjunto de serviços complementares à atividade empresarial, conforme se pode comprovar da leitura do quadro 13.

Os fundos obtidos são canalizados para melhorar serviços básicos ao público e vão desde o mobiliário urbano, iluminação pública, espaços verdes, limpeza de ruas e das fachadas, a segurança e o estacionamento, incentivos ao desenvolvimento económico ou utilização comum de serviços e campanhas de marketing.

Quadro 13 - Principais benefícios dos BID

SERVIÇOS PUBLICOS ADICIONAIS  Recrutamento de pessoal de segurança; Limpeza e manutenção de parques e outros espaços públicos;

OUTROS SERVIÇOS  Limpeza de passeios; Remoção de neve;

 Publicidade, promoções e anúncios;

 Captação de investimentos

DEFESA DOS INTERESSES DO CENTRO  Tomada de posições coletivas; Desenvolvimento e promoção de posições de consenso;

 Monitorização/acompanhamento dos serviços públicos;

COOPERAÇÃO  Publicidade conjunta; Financiamento de serviços;

 Apoio a necessidades específicas;

FINANCIAMENTO  Possibilidade de contrair empréstimos para financiar melhoramentos no espaço público; INVESTIGAÇÃO E DESENVOLVIMENTO  Recolha e análise de dados demográficos e económicos;

 Monitorização de progresso;

 Estabelecer e rever objectivos;

 Conceber programas de desenvolvimento plurianuais.

Fonte: Adaptado de Barreta, (2009:127).

O MSP consiste num programa nacional, criado pelo National Trust for Historic

Preservation, em 1977, para a melhoria do aspeto dos centros históricos e comerciais das

cidades e ao mesmo tempo criar auto sustentabilidade económica, com vista a prescindir dos recursos públicos. Baseado em parcerias, este programa atua em quatro grandes áreas fundamentais, adaptando-se com facilidade às necessidades e às oportunidades locais: reestruturação económica; coordenação da associação junto dos diversos atores locais; planeamento; promoção, divulgação e desenho urbano.

É outro tipo de modelo de gestão, baseado numa visão mais próxima do desenvolvimento integrado, em que a comunidade pode implementar a sua própria estratégia de revitalização, baseada em quatro áreas principais: “reestruturação económica, organização, promoção e design” (Barreta, 2009:123).

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“O objetivo consiste em criar um espaço agradável e atrativo que estimule os visitantes a voltar ao centro, recorrendo a diversas formas e meios de fomentar a compra, o lazer e a permanência, usufruindo do espaço e das condições que o mesmo tem para oferecer” (Barreta, 2009:123).

Os MPS assentam em moldes distintos dos BID, são responsáveis pela definição da estratégia de intervenção a implementar, pela angariação de financiamentos e coordenação e participação de voluntários. Dispõem de uma estrutura jurídico organizacional adequada a cada realidade, com representantes locais que constituem o conselho de administração; um conselho executivo; um gestor de programa e quatro grupos de trabalho.

Procurava-se fortalecer a economia local atraindo novos investimentos, promover a área central, considerada de área de intervenção, por intermédio da história, da melhoria urbana e de projetos de recuperação e preservação do património (Balsas, 2000; Vargas, & Castilho, 2009).

Segundo Loescher (2000), os princípios fundamentais na implementação de uma gestão de centro urbano nos Estados Unidos, são cinco:

1. ‘Entender o centro mais como um meio de vida do que como um centro de negócios,

ordenando por ordem de prioridade os interesses da comunidade.

2. Apelar ao sentido de pertença dos residentes, entendendo que os seus valores culturais e identitários não estão só nos prédios mas também na existência das pequenas lojas com tradição.

3. Implementar um processo que chegue à raiz dos problemas e que não fique só em aspetos de lavagem de imagem.

4. Garantir os recursos financeiros. Estes são fundamentais, devendo estar bem orçamentados e ter procedências diversas de forma a garantir uma equipa de trabalho devidamente dimensionada às necessidades do BID a que se refere.

5. Não subordinar o funcionamento e a estabilidade do projeto à cor política. O pacto

publico privado deve garantir que a gestão do centro se sobrepõe às mudanças partidárias’ (cit. Chico, 2007:88).

O desenvolvimento comercial nos Estados Unidos passa atualmente pelo retorno ao centro da cidade. O principal objetivo dos formatos de gestão implementados é o contexto urbano ou citadino, denominado pelos americanos de “sense of place”.

De destacar, entre as novas soluções urbanísticas, os destinos comerciais, que conjugam, num mesmo quarteirão, áreas de recreio e lazer, restaurantes, lojas de retalho especializado, lojas alimentares e unidades residenciais (Barreta, 2002:20). Esta tendência deve-se à relevância que tem o comércio local para a habitabilidade do centro das cidades. As ruas principais de muitas cidades que outrora estavam vazias e em decadência urbana, estão hoje a ser revitalizadas e ocupadas com negócios lucrativos com capacidade de atração de muitos consumidores, residentes e visitantes. Várias cadeias de lojas, como por exemplo a GAP e Banana Republic estão a regressar às ruas principais dos centros das

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cidades. Vários são os motivos, desde o facto de as rendas serem mais baixas e sem os encargos adicionais dos centros comerciais (como custos com manutenção, segurança e outros serviços comuns), à identidade urbana da localização no centro da cidade.

Quadro 14 - Resumo do modelo de gestão americano

Forma jurídica Estrutura orgânica Financiamento  Entidade semi privada sem

fins lucrativos:

 BID’s eram cooperativas de comércio

 Composta por uma Junta Diretiva na qual estão representadas tanto a parte privada como a pública.

 As principais funções da Junta são: fixar objetivos, controlar a execução das atividades e colocar em funcionamento o gabinete técnico, com a figura do gerente;

 O MSP é composto por um conselho de administração com representantes locais (conselho executivo, gestor do programa e 4 grupos de trabalho vocacionados para: reestruturação económica, organização, promoção e desgin.

 Cobram um imposto obrigatório aos proprietários dos imóveis da sua área, garantindo o financiamento da instituição e a viabilidade do projeto;

 Geram recursos através da prestação de serviços;

 MSP: a comunidade implementa a sua própria estratégia de revitalização, angaria fundos e coordena

Fonte: Adaptado de Barreta (2009; Chico (2007) e Balsas (2002)