PARTE I. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA Capítulo 2 Os Conceitos
Capítulo 5. A Oferta e a Competitividade dos Destinos 5.1 A Oferta
5.2. Modelos de Competitividade 1 Introdução
5.2.4. O modelo de Sirse e Mihalic
Sirse e Mihalic (1999: 37) realizaram um inquérito junto de especialistas de turismo da Eslovénia, tendo identificado, para este país as marcas positivas e as marcas negativas. As
marcas positivas são a “hospitalidade, a segurança das pessoas, a paz e o sossego, a
limpeza, o estado de qualidade do ambiente, os cuidados com as atracções naturais”; as
marcas negativas são “o estado do tráfego local, o estado das estradas, os eventos
culturais, as possibilidades de fazer compras, o entretenimento e o divertimento”.
Estes autores, citando Ritchie and Crouch, distinguem vantagem comparativa de vantagem competitiva: enquanto a vantagem comparativa é baseada na abundância de recursos
naturais de um país, a vantagem competitiva é “baseada na capacidade do país de acrescentar valor aos seus recursos (preço de venda menos o custo de compra das matérias primas)”. Em parte, este raciocínio é aplicável à actividade turística, embora se saiba que um excesso de exploração de locais turísticos poderá conduzir a externalidades negativas (danos ambientais). A distinção entre os dois conceitos acima referidos poderá remeter-nos para reflexões que se prendem com o atraso económico dos países. Assim, um determinado país poderá dispor de abundantes recursos naturais (vantagem comparativa), mas ainda não encontrou soluções eficazes para os explorar, transformar e comercializar, acrescentando-lhes valor.
Sirse e Mihalic (1999) estudaram os múltiplos factores que influenciam a competitividade da Eslovénia. Como vantagem competitiva primária, foram considerados: atractividade natural e qualidade; atractividade social; e atractividade cultural. Como vantagem
competitiva secundária, foram incluídos os seguintes factores: segurança; facilidades de
acesso; qualidade da alimentação e bebida; qualidade dos produtos turísticos; qualificação dos recursos humanos; qualidade do saber e instituições que operam nos serviços de turismo; qualificações na gestão do turismo; organizações governamentais e não-
governamentais de turismo; organização da indústria de turismo; reservas de recursos humanos; e cooperação com organizações internacionais.
Neste estudo, teórico e empírico, foi feita uma avaliação da competitividade do sector turístico da Eslovénia, tendo-se considerado o contributo de De Keyser e Vanhove, segundo os quais existem 5 conjuntos de factores que condicionam a posição competitiva deste país: factores macroeconómicos, factores da oferta, factores dos transportes, factores da procura e política de turismo.
1.Se considerarmos os factores macroeconómicos, teremos: taxa de câmbio; taxa de inflação; termos de troca importações/exportações; disponibilidade de capital estrangeiro; investimento directo estrangeiro; despesas de R&D; emprego de R&D; inovações e patentes; taxa de crime; limitação à mobilidade no caso de epidemias; segurança dos turistas; e estabilidade social e política.
2.No que concerne aos factores da oferta, foram incluídos os seguintes factores:
a)Atracções: nascentes minerais e termais; paisagens; montanhas; número de dias de sol; temperatura; número de dias com neve; língua comum e cultura; monumentos naturais; posição e características geográficas; e herança cultural.
b)Hospedagem: restaurantes; hotéis; taverns e bares; e gastronomia.
c)Factores complementares: casinos; desportos de verão (golfe, ténis); e teatros.
d)Nível de preços: rácio preço/qualidade dos produtos turísticos; custos de transporte da viagem até ao destino.
e)Oferta de mão-de-obra: Experiências internacionais; Nível das competências profissionais; Nível de educação; e Trabalho e hábitos de trabalho.
f)Infra-estrutura: telecomunicações; urbanização; infra-estrutura de transporte e tráfego; oferta de energia eléctrica; oferta de água; cuidados e tratamento médicos; estações de combustíveis; farmácias; serviços pessoais (cabeleireiros,...).
3.Foram também considerados três factores de transportes: infra-estrutura de transporte e tráfego (acima referido); proximidade geográfica dos mercados; e proximidade de tempo dos mercados.
4.Relativamente aos factores da procura, foram evidenciados os quatro seguintes: procura turística dos países europeus; rendimento disponível dos países europeus; despesas para actividades de lazer; e nível de preço/custo.
5.Finalmente, foram seleccionados as políticas de turismo, nos seguintes domínios:
Estatísticas e análise: estatísticas de turismo; análise qualitativa de turismo; análise de satisfação dos turistas; e previsões de turismo.
Educação e treino: educação em turismo e programas de treino; nível das capacidades e comportamento dos empregados em turismo; programas de treino especiais; programas de desenvolvimento de produtos e serviços turísticos; e programas de treino especiais para períodos não sazonais.
Turismo e população local: aceitação dos turistas pela população local; informação das relações turistas/habitantes; e programas para incorporar o local no turismo. Promoção do turismo (e. g., imagem do destino, informação turística) e outros
aspectos a considerar (e. g., vistos, eficiência do Ministério do Turismo, legislação, protecção do consumidor/turista).
Nas recomendações, Sirse e Mihalic (1999: 46) propõem apoios estatais ao investimento, nos seguintes programas: infraestruturas; promoção; actividades de educação e treino; projectos de I&D; hotelaria; telecomunicações, sistemas de reservas e sistemas de informação; desenvolvimento de novos programas turísticos e de novos produtos turísticos; cooperação internacional com as associações globais e de negócios; e cooperação intensa com a União Europeia, nomeadamente fazendo uso do Instrumento Europeu para as Políticas Estruturais de Pré-Adesão e, mais tarde, dos. Fundos Estruturais Europeus.
A estratégia deve assentar no desenvolvimento de um número limitado de produtos, altamente especializados e com elevada qualidade dos serviços; recomenda-se uma análise de custers desde que acompanhada por um desenvolvimento de produtos e serviços e outras actividades turísticas.
Impõe-se a necessidade de uma estratégia de marketing apropriada, com a selecção de “mercados-alvo, marketing de nichos e actividades promocionais activas. A promoção da imagem geral cabe ao Estado, enquanto a eficiência do marketing do produto e da promoção são objectivos das regiões e das empresas” (id., ibid.: 46). Esta perspectiva parece ser idêntica à de Portugal, no que concerne à promoção, embora a Eslovénia seja um país independente apenas desde 1991 (no passado, integrava a Jugoslávia).