6.1 Caracterização do município de Bezerros
O município de Bezerros está localizado no estado de Pernambuco, possui 491 Km2, 3 distritos (Bezerros, Boas Novas e Sapucarana) e 7 povoados, com uma população residente de 58.668, segundo dados do IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística em 2010. Tem clima semi-árido e está situada na mesorregião do agreste pernambucano, microrregião do Vale do Ipojuca, distante da capital 107km, a uma altitude de 471 metros.
O município se limita ao norte com Cumaru e Passira; ao sul com São Joaquim do Monte e Agrestina; ao Leste com Gravatá, Sairé e Camocim de São Felix; e ao Oeste com Riacho das Almas e Caruaru.
De acordo com dados do IBGE24, o município de Bezerros possui 54 escolas de ensino fundamental, sendo 39 públicas municipais, 5 públicas estaduais e 10 escolas privadas. As 9.729 matrículas estão assim distribuídas: 3.022 nas escolas públicas estaduais, 5.767 nas municipais e 940 escolas privadas.
6.2 Manifestações culturais
Consultando sites e revistas (listados na bibliografia) sobre as manifestações culturais do município de Bezerros, vê-se a unanimidade em nomeá-la como Terra dos Papangus, devido às centenas de mascarados que invadem a cidade no período dos festejos carnavalescos. Durante o desfile pela cidade, os papangus bebem e comem angu de milho, uma comida típica da região. Em virtude do apetite exagerado de alguns foliões, originou-se o nome da festa - "papa angu". Com o intuito de ninguém ser reconhecido, a regra principal dessa tradição carnavalesca é manter o sigilo sobre as máscaras que serão usadas. Tornou-se uma tradição que passa de pai para filho e vem crescendo, contando com apoio e incentivo da Prefeitura Municipal, ganhando forças e surgindo no cenário nacional.
Segundo as fontes, a partir de 1990, os Papangus passaram a utilizar máscaras mais sofisticadas, confeccionadas em gesso e pintadas com tintas especiais. As fantasias e roupas luxuosas são desenhadas com temas criativos,
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Ministério da Educação, Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais - INEP - Censo Educacional 2009.
despontando aí os primeiros artistas plásticos do município. Com a evolução dos papangus, os artistas plásticos da região passavam a produzir, durante todo o ano, máscaras em diversos estilos para souvenirs, decorações e até exposições. Todavia, apesar da modernização, as características tradicionais na confecção das máscaras com papel machê e nos comes e bebes - angu e caipirosca - continuam preservadas.
Atualmente, existem mais de trinta oficinas de máscaras espalhadas pela cidade. O ofício é passado de pai para filho. Durante todo o ano, esse trabalho vem sendo incentivado pela Prefeitura municipal, que oferece oficinas de máscaras de papel machê para crianças carentes. A iniciativa garante para elas uma fonte de renda, além de colaborar para a manutenção da tradição do papangu, uma manifestação cultural singular, prevalecendo, assim, a herança cultural que passa de pai para filho desde o inicio da história da arte.
Além dos Papangus, a revisão bibliográfica é unânime também em destacar que, no município de Bezerros, em 20 de dezembro de 1935, onde vive até hoje, nasceu José Francisco Borges. J.Borges, como é conhecido mundialmente, é um dos mestres da literatura de cordel, um dos artistas folclóricos mais celebrados da América Latina e o xilogravurista brasileiro mais reconhecido do mundo. Ilustrou capas de cordéis, livros, discos, e já expôs na Venezuela, Alemanha, Suíça, México e Estados Unidos, onde foi tema de uma reportagem no The New York Times, que o apontou como um gênio da arte popular. O reconhecimento veio quando o escritor Ariano Suassuna descobriu o seu trabalho e o designou como o maior artista popular do nordeste. Foi convidado a dar aulas na Universidade do Novo México, e para expor no Texas e na Europa. Suas xilogravuras ilustram o livro "As Palavras Andantes", do escritor uruguaio Eduardo Galeano, e foi o único artista latino americano a participar do calendário da Unicef. Desde 2006 é considerado Patrimônio Vivo pelo Governo de Pernambuco, assumindo assim a missão de transmitir seu conhecimento através de programas de ensinos e aprendizagem. Atualmente, o artista expõe as obras em seu ateliê, às margens da BR-232, em Bezerros, próximo ao Centro de Artesanato.
O Centro de Artesanato de Pernambuco está localizado no Km 107, um espaço administrado pela Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (AD Diper)/Secretaria de Desenvolvimento, composto por museu, auditório e loja. O espaço foi planejado pela AD Diper - órgão estadual responsável, entre outras
atribuições, pelo desenvolvimento do artesanato como uma cadeia econômica produtiva, para abrigar a diversificada produção estadual, tanto de estilos quanto de materiais e técnicas. O museu expõe obras de 57 artesãos e 15 associações, que, juntos, representam 26 municípios. Para movimentar o local existe ainda a apresentação do projeto ―Arte e Cultura Pernambucana‖, por meio do qual são realizadas oficinas, palestras, visitas guiadas e apresentações de danças folclóricas regionais. A loja reúne peças de mais de 400 artesãos de vários municípios, composta por objetos em couro, cerâmica, madeira, palha, cipó, tecido, corda, parafina, papel machê, barro, entre outros brinquedos, bonecos, xilogravuras com os mais variados formatos e cores, retratando a vida e a cultura do homem nordestino.
Para a produção artesanal das máscaras, o artesão utiliza como matérias- primas básicas o papel, a madeira, o tecido e a argila e se fortalece com a confecção, que durante o ano apresentam na mídia nacional a força e a singularidade do Papangu, figura cultural do carnaval bezerrense. Nos salões, exposições permanentes de artistas da terra. Nas suas salas de aula e auditório, são realizadas oficinas e cursos sobre arte. O Centro de Artesanato promove o intercâmbio dos artistas, que desenvolvem trabalhos nos mais diversos materiais e estilos, com designers, arquitetos e decoradores, e assim são gerados novos projetos com a troca de ideias e experiências entre os artistas do Estado e o público em geral, tudo pensado para facilitar o acesso do povo à sua própria arte e cultura.
Compreender não consiste em elencar dados. Mas em ver o nexo entre eles e em detectar a estrutura invisível que os suporta. Esta não aparece. Recolhe-se num nível mais profundo. Revela-se através dos fatos. Descer até aí através dos dados e subir novamente para compreender os dados: eis o processo de todo o verdadeiro conhecimento. Em ciência e também em teologia.
Leonardo Boff Em Os sacramentos da vida e a vida dos sacramentos