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5 ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS

5.1 O MUNICÍPIO DE VITORINO: ASPECTOS HISTÓRICOS

O município de Vitorino está localizado ao sudoeste do estado do Paraná, na região sul do Brasil, pertencendo à Mesorregião Sudoeste Paranaense e Microrregião de Pato Branco, conforme Figura 8.

Fonte: IBGE, adaptado pelo autor.

Teve como origem um entreposto que ficava no caminho percorrido pelas tropas de burro, transportando mercadorias entre Barracão e Clevelândia, no período de 1920 a 1925.

A construção da chamada Estrada Estratégica estimulou a vinda de migrantes oriundos dos estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, atraídos pela abundância e fertilidade da terra e pela possibilidade da exploração da madeira existente.

Os primeiros registros de ocupação do município datam a partir do ano de 1850. De acordo com Wachowicz, citado por Zago e Bertol (2003, p. 22) os colonizadores que saíram de Palmas com destino a Campo Erê, no ano de 1858, encontraram uma grande roça que fora admiravelmente plantada, embora em abandono:

[...] Serviu de salvação aos descobridores, que ali chegaram exaustos pelo cansaço e pela fome. Para perpetuar esse feliz acontecimento, o local foi chamado de Serra da Fartura. Por volta de 1905, quando já existiam moradores nesta região, um certo dia encontraram um índio morto no rio, nas proximidades de onde hoje é a localidade de Santo Antônio. A partir daí o rio ficou sendo conhecido por Rio do Índio Vitorino, Rio do Vitorino e finalmente Rio Vitorino, que ligaria, posteriormente, o nome ao povoado que surgiria a partir de 1911, com os primeiros moradores [...]

A colonização intensiva foi a partir dos anos de 1940 e 1950, concomitante com a ocupação da região sudoeste do Paraná, vieram famílias oriundas da Serra Gaúcha e Catarinense, descendentes de origem italiana, polonesa e alemã, atraídos para região pelas terras a preços acessíveis e férteis para o desenvolvimento da agricultura. Estas famílias exerciam a atividade agropecuária com fins de subsistência e venda do excedente, sendo que dentre as atividades primárias destacavam-se como principais a exploração da madeira e da erva-mate (primeiro ciclo econômico), da suinocultura e da produção de milho e feijão (segundo ciclo econômico). A colonização foi realizada em pequenas porções de terras, chamadas de ―colônia‖, tendo como figurante principal o ―camponês‖ ou ―colono‖, o que, atualmente, tem sido conceituado de agricultura familiar.

Até a década de 1950 o município foi um sertão coberto pela floresta de araucária, entretanto, com a intensificação da imigração houve uma grande procura por terras férteis pela exploração do pinheiro. Como a procura de madeira para a construção de propriedades era cada vez mais intensa, surgiram, também, pequenas e rudimentares serrarias para atender exclusivamente às necessidades locais, que mais tarde e tecnificadas, impulsionaram a atividade.

O primeiro grande impacto de desenvolvimento que o município sentiu foi, sem dúvida, o Ciclo da Madeira. Exemplificando, na década de 1960 o município chegou a ter 22 serrarias, sendo também, nessa época, registrado o maior número da população com estimativas de cerca de 10.200 habitantes, censo populacional de 1970 (IBGE, 2017).

Apesar da instalação das serrarias auxiliarem na implantação dos núcleos populacionais e na constituição da infraestrutura, tais como casas, mercados e farmácias

(esses pertencentes às companhias exploradoras), era uma atividade nômade, se mantendo até o esgotamento da floresta. Aponta Wachowicz (1977, p. 136), que os trabalhadores das serrarias caracterizavam-se pela baixa qualidade de vida e a distância dos núcleos urbanos permitia o descumprimento de normas trabalhistas ―A serraria deixa, por onde passa, uma região devastada, sem ter contribuído para a fixação duradoura da população‖.

De modo a prover a alimentação, as criações (suínos, muares, equinos, bovinos), havia a necessidade de lavouras anuais e, para tanto, utilizavam-se do desmate, seguido da queima dos resíduos. A partir do ano de 1957, essa perspectiva ganhou força pelo advento da posse legal das terras (Revolta dos Posseiros) impulsionada pela fertilidade das terras, marcada pelo trabalho animal semi-mecanizado. A euforia pelas novas áreas férteis e inexploradas obscureceu qualquer traço de preocupação com o meio ambiente. Assim, pretendia-se passar de uma agricultura tradicional, totalmente dependente da natureza e praticada por meio de técnicas rudimentares, para uma agricultura mecanizada, que apresentou seus primeiros impactos socioambientais a partir da década de 1970.

De modo geral, podemos aferir que a modernização da agricultura vitorinense se consolidou em distintos momentos em relação à apropriação tecnológica. Dessa maneira, refletiu diretamente nas mudanças da organização territorial, resultando em diferentes conformações advindas da mecanização, do desmatamento, da concentração de terra, da degradação ambiental, entre outros.

Atualmente, a produção de grãos desenvolvida pelos agricultores está determinada pelo uso de tecnologias, tais como: a mecanização completa do processo produtivo, o uso de sementes melhoradas e transgênicas, fertilizantes sintéticos, herbicidas, fungicidas, inseticidas e afins. Alguns poucos agricultores desenvolvem a produção de grãos voltados para o consumo familiar e dos animais domésticos e, nesse caso, a produção não está baseada no uso intenso de tecnologias.

A pressão de utilização e abertura de novas áreas foi constante, chegando atualmente à ocupação com atividades agrícolas de cultivo em 79,5% do total de 30.800 hectares de espaço físico, prevalecendo um ciclo intensivo de uso do solo, com transição de culturas de inverno e verão, e da recente utilização da segunda safra (safrinha). De acordo com dados do DERAL (2017), o valor bruto da produção agropecuária (VBP) do município ultrapassaram os 251 milhões de reais para o ano base de 2016, fundamentado, principalmente, nas culturas da soja de primeira e segunda safra com o valor de 85 milhões, o feijão segunda safra com 62

milhões e, em relação à pecuária, o leite com 32 milhões, o frango de corte 18 milhões e os bovinos de corte com 3,5 milhões de reais.

Cabe destacar, ainda, que a pecuária leiteira apresenta-se consolidada no município, fundamentada sob um sistema de produção classificado como sistema a pasto, extensivo com suplementação, com silagem, rações, e resíduos de culturas. Estima-se que mais da metade das propriedades desenvolvem a bovinocultura leiteira integrada com outras atividades, especialmente com grãos (soja, milho, feijão). Essa integração exige o uso mais intensivo do solo e, consequentemente, caracteriza um ambiente mais propenso à degradação, caso não sejam adotadas medidas de manejo atenuantes.

A relação do homem com o ambiente no município está consolidada sob um sistema de exploração que exerce grande pressão ao ambiente natural. Dessa forma, o conhecimento sobre a interação das práticas agrícolas e das características naturais do espaço físico constitui fator estratégico para a preservação e conservação dos recursos naturais.