2 O DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO BRASILEIRO E A QUESTÃO
3.3 O NOVO NORDESTE NO CONTEXTO DA DIVERSIFICAÇÃO PRODUTIVA
Segundo Araújo (2000) a natureza do crescimento industrial recente no Brasil surgiu nos últimos vinte anos, devido à expansão rápida do dinamismo industrial que aumentavam as taxas médias anuais, era o que se esperava para intensificar a produtividade das regiões brasileiras e para os propósitos do Grupo de Trabalho do Desenvolvimento do Nordeste (GTDN) para o crescimento da região Nordeste, visto a partir do processo de industrialização como diz Araújo (2000, p.
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A industrialização, aliás,, era vista como a “única saída” para combater o atraso do Nordeste. O setor industrial deveria, antes de mais nada, funcionar como elemento dinâmico da economia nordestina, ou seja, conduzir o crescimento do PIB regional. Objetivo seria a intensificação dos investimentos industriais visando criar no Nordeste, um centro autônomo de expansão manufatureira mediante incentivos.
O atraso da região Nordeste era visto pelo GTDN como uma necessidade de políticas de incentivos a produtividade própria da região para ser utilizada pela indústria, valorizando os produtos de modo a incentivar o agronegócio e as indústrias alimentícias e têxteis que se alocaram no espaço nordestino e precisaram de investimentos e incentivos para se expandir.
Segundo Andrade (1975, p. 35) o contexto da produtividade nordestina começou a se expandir a partir da indústria açucareira e da indústria têxtil. O crescimento da produção agrícola destes produtos por sua vez, provocou o crescimento do comércio, dos serviços e das pequenas indústrias que abasteciam a população local e assim o país se tornava um país mais urbano.
Nas primeiras décadas do século XX, a indústria têxtil se beneficiou das duas guerras mundiais que ocorreram no país, como diz Andrade (1975, p. 35), pois foi interrompida a importação de tecidos dos mercados europeus. Sobre a diversificação atual da produtividade da região Nordeste diz Andrade (1975, p. 36):
Nos fins do século XIX já possuía no Nordeste, concentrado em poucas cidades, um parque industrial, heterogêneo, bastante diversificado e com indústrias pertencentes a famílias da região. Havia ponderável produção de charutos e cigarros, de chapéus, carroças, vinagre, utilizando o bagaço da cana-de-açúcar como matéria-prima de licores de frutas regionais, de caixas de papelão, de chocolates, de instrumentos musicais, de colchões, de escovas e vassouras, de azeite de coco etc.
O parque industrial nordestino se tornava bastante diversificado, sendo a região Nordeste uma exportadora de couros e peles e de refrigerantes produzidos no Recife e em Salvador e cristais na Bahia. A cerveja e a confecção também faziam parte da produção industrial do Nordeste.
Na Paraíba surgiu a indústria de cimento com disposição dos ricos depósitos calcários. Situados a Oeste da capital, localizando fábrica de cimento também no Pernambuco, havendo uma simetria entre as forças produtivas e as indústrias nordestinas.
No decorrer do tempo o país se urbanizou rapidamente e os setores de serviços promoveram o adensamento urbano, surgindo à necessidade de desenvolvimento mais intenso dos setores de serviços e nas indústrias elevando os níveis dos setores secundários e terciários como mostram os dados da tabela 5.
Tabela 5 – Nordeste, Composição Setorial dos PIBs por Estado.
A tabela 5 mostra que a composição dos PIB`s por Estados da Região Nordeste quando distribuídos por setores destaca-se a participação nos períodos de 1970 a 2006, o setor secundário e principalmente o terciário tiveram maior destaque em todos os Estados nordestinos, enquanto o setor primário demonstra queda excessiva, a partir da década de 1980.
As quedas mais expressivas ficaram situadas no setor primário dos estados de Alagoas que em 1970 tinha 29% e em 2006 caiu para 8%. No Maranhão em 1970 era 43%, caindo em 2006 para 17%. A Paraíba tinha uma participação de 27% em 1970 e em 2006 de 7%, caindo 20% em relação ao período inicial descrito.
Segundo Ablas e Pinto (2009, p. 828) nos anos mais recentes, a economia nordestina estar-se-ia consolidando através do surgimento e fortalecimento de áreas que comandam a dinâmica regional em função de suas estruturas de produção moderna:
O complexo de Camaçari, áreas de agricultura irrigada de Petrolina- Juazeiro e do Vale do Açu; o complexo mineral no Maranhão; a moderna agricultura da soja em torno de Balsas ao Sul do Maranhão e do Piauí; o setor têxtil no Ceará e as confecções do agreste de Pernambuco; as indústrias calçadistas espalhadas em todas regiões, o turismo e os polos tecnológicos de Campina Grande, Ilhéus e Recife.
Percebe-se assim que a dinâmica regional no Nordeste segue a tendência dos estados que têm estruturas de produção que estão se organizando nos modelos modernos, que se modificam de acordo com as necessidades de uso e serviços da população urbana. Essa performance regional tende a se alterar devido o comércio globalizado que faz tramitar produtos de uma região para outras, que transfere concentrações e concorrências de mercado de um mesmo produto.
A diversividade contextual do Nordeste em face de sua produtividade, equivale aos investimentos e forças produtivas que cada estado possui em sua micro infraestrutura quando comparada a nível de Brasil para instalar indústrias e manter-se no mercado competitivo. Ablas e Pinto (2009, p. 825) dizem:
Nos anos recentes, principalmente após 1994, a economia brasileira passa por um período de baixo crescimento com significativos sinais de instabilidade. A política monetária aliada a um esboço de política de desenvolvimento abre possibilidades de crescimento em função de um
movimento favorável da economia internacional. O crescimento das importações e uma ampliação do mercado interno, principalmente a partir dos primeiros anos do século XXI, levam a uma ampliação dos déficits comerciais conduzindo a economia a baixos níveis de crescimento.
O novo contexto do Nordeste em nível de diversificação produtiva está inserido no contexto geral das regiões brasileiras, adquirindo fortes influências do desenvolvimento econômico do país e da política monetária internacional que contribuiu para moldar as economias e as forças produtivas dos países em desenvolvimento ainda fragilizado.
Neste contexto nacional, os cenários das regiões brasileiras se enfraquecem por já terem estruturas econômicas frágeis e dependentes do panorama nacional e industrial que se instalou nas regiões brasileiras desde os anos 60 com apoio dos incentivos federais mantendo estreitas articulações econômicas com outras regiões brasileiras mais particularmente com o Sudeste. Araújo (1997, p.
12) ressalva:
Uma das características importantes da economia do Nordeste é o relevante papel desempenhado nos anos recentes pelo setor público. É evidente que o estado patrocinou fortemente o crescimento econômico nas diversas regiões brasileiras. No Nordeste, porém, pode-se afirmar que sua presença foi fator fundamental para explicar a intensidade e os rumos do crescimento econômico ocorrido nas últimas décadas. Direta e indiretamente, foi o setor público quem puxou as atividades econômicas que mais se expandiram na região nos anos 70 e 80.
As últimas décadas marcaram um período de evidente patrocínio do Estado Brasileiro no crescimento econômico das regiões brasileiras, e no caso da região Nordeste este fato foi de suma relevância para intensificar a influência do setor público para o desenvolvimento econômico do Nordeste.