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UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE UERN CAMPUS AVANÇADO MARIA ELISA DE ALBUQUERQUE MAIA CAMEAM DEPARTAMENTO DE ECONOMIA - DEC

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UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE – UERN CAMPUS AVANÇADO “MARIA ELISA DE ALBUQUERQUE MAIA”

CAMEAM

DEPARTAMENTO DE ECONOMIA - DEC

A ATUAÇÃO DA SUDENE E SUA CONTRIBUIÇÃO PARA O CRESCIMENTO ECONÔMICO DO NORDESTE NO

PERÍODO 1960-2000

IVAILDO MARTINS DE LIMA

PAU DOS FERROS/RN

2014

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IVAILDO MARTINS DE LIMA

A ATUAÇÃO DA SUDENE E SUA CONTRIBUIÇÃO PARA O CRESCIMENTO ECONÔMICO DO NORDESTE NO

PERÍODO 1960-2000

Monografia apresentada ao Departamento de Economia - DEC, da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte – UERN, como requisito para obtenção do grau de bacharel em Ciências Econômicas, tendo como orientador o Prof. Ms. Flaubert Fernandes Torquato Lopes.

PAU DOS FERROS/RN

2014

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Lima, Ivaildo Martins de.

A atuação da SUDENE e sua contribuição para o crescimento econômico do Nordeste no período 1960-2000. / Ivaildo Martins de Lima. – Pau dos Ferros, RN, 2014

62 f.

Orientador(a): Prof. Ms. Flaubert Fernandes Torquato Lopes.

Monografia (Graduação em Ciências Econômicas). Universidade do Estado do Rio Grande do Norte. Departamento de Economia.

1. Economia – Monografia. 2. Política regional – Monografia. 3. Nordeste Monografia. I. Lopes, Flaubert Fernandes Torquato. II. Universidade do Estado do Rio Grande do Norte. III. Título.

UERN/BC CDD 330

Catalogação da Publicação na Fonte.

Universidade do Estado do Rio Grande do Norte.

Bibliotecária: Elaine Paiva de Assunção CRB 15 / 492

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IVAILDO MARTINS DE LIMA

A ATUAÇÃO DA SUDENEE SUA CONTRIBUIÇÃO PARA O CRESCIMENTO ECONÔMICO DO NORDESTE NO PERÍODO 1960-2000

TERMO DE APROVAÇÃO

Monografia apresentada para apreciação da banca examinadora em: 11/03/2014

_______________________________________________

Prof. Flaubert Fernandes Torquato Lopes-DEC Presidente da banca

______________________________________________

Prof. José Elesbão de Almeida-DEC Membro da banca

______________________________________________

Prof. Arivaldo Torreão Diniz-DEC Membro da banca

_______________________________________________

Ivaildo Martins de Lima Orientando

PAU DOS FERROS-RN 2014

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DEDICATÓRIA

Dedico essa vitória a todos aqueles que torceram por mim durante minha luta para conquistar e alcançar esse objetivo, em especial ao meu pai, Cristiano Martins (in memoriam), e ao meu filho, Rander Martins, e aos meus professores, pela colaboração e paciência. Enfim, a todos que direta ou indiretamente colaboraram com a realização desse sonho.

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AGRADECIMENTOS

Primeiramente quero agradecer a Deus por ter me proporcionado força para continuar em busca do conhecimento.

A todos aqueles que durante toda essa trajetória me incentivaram e apoiaram de forma direta ou indiretamente para minha formação.

Agradeço a todos os meus professores que me incentivaram e colaboraram de forma imprescindível para a realização desse trabalho.

Aos meus amigos que também contribuíram e colaboraram de forma significativa com meu sucesso.

Enfim, a todos aqueles que fazem a UERN; professores, funcionários, que contribuíram direta ou indiretamente para minha formação.

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LIMA, Ivaildo Martins de. A Atuação da SUDENE e sua contribuição para o crescimento econômico do Nordeste no período 1960 a 2000. Pau dos Ferros/RN, 2014. Monografia (Bacharelado em Ciências Econômicas).

Departamento de Economia. Campus Avançado “Prof.ª Maria Elisa de Albuquerque Maia” (CAMEAM), da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN).

RESUMO

Este trabalho tratou de abordar acerca da atuação da SUDENE e as políticas de desenvolvimento voltadas para a região Nordeste, discussões que servirão de base para aprofundar o enfoque aos desequilíbrios regionais, as políticas para as regiões brasileiras, especificamente tratando das disparidades ocorridas na região Nordeste, palco de principais reflexões deste estudo. Para tanto, este trabalho tem como problema a ser estudado a averiguação acerca do atraso econômico do Nordeste e a contribuição do Estado Brasileiro no planejamento das políticas regionais. Quais os limites e impasses das políticas regionais para o Nordeste, o que foi a SUDENE neste cenário. Seguindo tais questionamentos, este trabalho tem como objetivo verificar discussões teóricas que o possibilite refletir sobre as contribuições da SUDENE para o desenvolvimento econômico do Nordeste desde sua criação em 1959 até a sua recriação em janeiro de 2007. Para tais objetivos realizou pesquisa bibliográfica de cunho descritivo para aprofundarmos as discussões, buscando-se respaldo teórico em livros, artigos acadêmicos dentre outras fontes que discutem a questão da economia e do desenvolvimento regional. Mediante as discussões postas verificou-se que a economia e o desenvolvimento regional no Brasil sempre foram questões relativamente polêmicas do ponto de vista das disparidades regionais que foram se constituindo historicamente ao longo do tempo e pela intervenção descentralizadora do Estado Brasileiro com a região Nordeste.

Palavras-Chaves: Economia; Brasil; Política Regional; Nordeste.

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LIMA, Ivaildo Martins. The SUDENE actuation and its contribution to economic growth of Northeast during 1960-2000.Pau dos Ferros/RN, 2014. Monograph (Bachelorship in Economics Sciences). Economy Department.Campus Avançado

“Prof.ª Maria Elisa de Albuquerque Maia” (CAMEAM), da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN).

ABSTRACT

This work sought to approach about SUDENE and development policies returned to Northeast region, discussions that will serve as basis to deepen the focuses to regional imbalances, the policies for the Brazilian regions, specifically treating the occurred disparities in the Northeast Region, stage of main reflections of this study.

Therefore, this study has like problem to be studied the investigation about the Northeast economic delay and the contribution of the Brazilian state in the regional planning policies. What are the limits and dilemmas of regional policy to the Northeast, what was the SUDENE in this scenario. Following these questions, this work aims to verify theoretical discussions that make possible to reflect about the SUDENE contributions for economic development of the Northeast since its creation in 1959 until its re-creation in January of 2007. For such objectives was realized a bibliographic research of descriptive nature to deepen the discussions, looking for theoretical support in books, academic articles among other sources that discuss the economy question and regional development. Through the put discussions it was verified that the economy and regional development in Brazil have always were relatively polemic questions of standpoint of regional disparities that were historically constituted along the time and by decentralizing intervention of the Brazilian state with the Northeast region.

Keywords: Economy, Brazil, Regional Policy, Northeastern

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LISTA DE TABELAS

Tabela 1: BRASIL e NORDESTE: Taxas de crescimento do PIB 1960 – 1990 --- 29 Tabela 2: PIB* a preços constantes - R$ (mil) de 2000 --- 30 Tabela 3:Nordeste e Brasil, Crescimentos Setoriais Anuais do PIB por década ---- 31 Tabela 4:Nordeste, Composição Setorial do PIB --- 31 Tabela 5:Nordeste, Composição Setorial dos PIB’ s por Estado --- 37

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LISTA DE GRÁFICOS

Gráfico 1: Índice de Desenvolvimento Humano Segundo Regiões/1991 (Brasil=100)- --- 25 Gráfico 2: Participação dos Pobres na População de cada Região/1990 --- 26 Gráfico 3:Níveis de Produtividade Segundo Regiões/1993 --- 34

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LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

BNB – Banco do Nordeste do Brasil

BNDE – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico

GTDN – Grupo de Trabalho para o Desenvolvimento do Nordeste IPEA – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada

BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social JK – Juscelino Kubitschek

GEIA– Grupo Executivo da Indústria Automobilística IDH – Índice de Desenvolvimento Humano

IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

PNUD – Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento PIB – Produto Interno Bruto

PD – Plano Diretor

SUDENE – Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste PROEXPORT – Promoção de Exportação

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SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO--- 11

2 O DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO BRASILEIRO E A QUESTÃO REGIONAL--- 13

2.1 A FORMAÇÃO HISTÓRICA DOS ESPAÇOS REGIONAIS NO BRASIL --- 13

2.2 INDUSTRIALIZAÇÃO E DESEQUILÍBRIOS REGIONAIS --- 17

2.3 DESENVOLVIMENTO DESIGUAL E POLÍTICA REGIONAL NO BRASIL--- 23

3 OS DESEQUILÍBRIOS REGIONAIS E O NORDESTE --- 27

3.1BREVES CONSIDERAÇÕES SOBRE A FORMAÇÃO ECONÔMICA DO NORDESTE--- 27

3.2 O ATRASO ECONÔMICO NORDESTINO E O SURGIMENTO DA QUESTÃO NORDESTE--- 31

3.3 O NOVO NORDESTE NO CONTEXTO DA DIVERSIFICAÇÃO PRODUTIVA DAS REGIÕES BRASILEIRAS--- 35

4 POLÍTICAS REGIONAIS NO BRASIL: CONTRIBUIÇÕES PARA O DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO DO NORDESTE--- 40

4.1 BREVE HISTÓRICO DO PLANEJAMENTO REGIONAL NO BRASIL--- 40

4.2 POLÍTICAS PÚBLICAS DE DESENVOLVIMENTO REGIONAL NO BRASIL: O CASO DA SUDENE --- 44

4.3 A CONTRIBUIÇÃO DAS AÇÕES DA SUDENE NO DESENVOLVIMENTO DO NORDESTE--- 47

4.4 IMPASSES E LIMITES DO DESENVOLVIMENTO RECENTE DO NORDESTE: A RECRIAÇÃO DASUDENE --- 52

CONCLUSÃO --- 58

REFERÊNCIAS--- 61

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1 INTRODUÇÃO

Este trabalho trata-se de uma pesquisa bibliográfica que procura descrever questões básicas sobre o desenvolvimento econômico brasileiro bem como as políticas regionais e a intervenção do Estado brasileiro na liberação de investimentos e expansão das atividades econômicas do Nordeste.

O processo cumulativo centralizador sempre foi uma marca do Sistema capitalista, os desequilíbrios econômicos principalmente regionais tornaram-se situações sociais inevitáveis e difíceis de serem contornadas sem uma ação dinâmica e centrada do Estado Brasileiro.

O aumento das disparidades econômicas, as políticas de desenvolvimento industrial centralizando investimentos principalmente no Sudeste e o crescimento dos índices de pobreza nas demais regiões, principalmente a região Nordeste causou euforia e insatisfação por grupos sociais que passaram a reivindicar do governo do presidente Juscelino Kubitschek (JK) políticas alternativas de desenvolvimento industrial para o Nordeste.

Para subsidiar esta pesquisa bibliográfica, este trabalho utilizou respaldos teóricos de autores que discutem as políticas de desenvolvimento regional no Brasil, tais como Araújo (1997/2000), Cano (2006), Almeida (2001, 2004,2005), Alves Filho (1997), Baer (2002), Andrade (1981), Tavares (2011), Furtado (1956), os quais deram os respaldos teóricos metodológicos para este estudo, o qual tem como problema o questionamento acerca dos impasses e limites; quais são os limites e impasses das políticas regionais no Brasil e qual o papel da SUDENE neste cenário?

Para tanto, este trabalho tem como objetivo verificar através de subsídios teóricos bibliográficos a atuação da SUDENE e as políticas de desenvolvimento voltadas para a região Nordeste. Para abordar tais questões este trabalho está organizado em três capítulos. No primeiro faz-se um breve histórico do desenvolvimento econômico brasileiro e da Questão Regional, seguindo pelas discussões de compreender a formação histórica dos espaços regionais no Brasil, o processo de industrialização que se construiu em meio aos desequilíbrios regionais no Brasil.

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No segundo capítulo este trabalho aborda sobre os desequilíbrios regionais e o Nordeste brasileiro, a partir de breves considerações sobre a formação econômica do Nordeste e as possíveis causas do atraso econômico nordestino e o surgimento da Questão Nordeste.

No terceiro e último capítulo este trabalho discute sobre as políticas Regionais no Brasil, revendo as plausíveis contribuições destas para o desenvolvimento econômico, bem como alguns aspectos evolutivos do planejamento regional no Brasil, envolvendo a política pública de criação da SUDENE e as contribuições das ações deste órgão para o desenvolvimento do Nordeste. Encerra- se o último capítulo discutindo-se sobre os impasses e limites do desenvolvimento recente do Nordeste, enfocando a recriação da SUDENE e seu papel dentro dos propósitos do Grupo de Trabalho e Desenvolvimento do Nordeste, órgão governamental que orientava a intervenção da superintendência. .

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2 O DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO BRASILEIRO E A QUESTÃO REGIONAL

2.1 A FORMAÇÃO HISTÓRICA DOS ESPAÇOS REGIONAIS NO BRASIL

A dinâmica histórica da formação dos espaços regionais no Brasil segue um percurso linear desde seu desenvolvimento quando outros povos (portugueses) primeiro e depois outros (espanhóis, franceses e holandeses) disputavam os espaços do país que concentravam riquezas minerais, o que atraiu interesses principalmente da coroa de Portugal, a qual tornou o Brasil sua colônia. Nesta perspectiva discute Araújo (2000, p. 116):

Ao longo de quatro séculos, desde seu desenvolvimento pelo capital mercantil em busca de internacionalização, até o século atual, o Brasil se constituiu como um país rural, escravocrata e primário-exportador. Só no século XX é que emerge o Brasil urbano-industrial e de relações de trabalho tipicamente capitalistas. As antigas bases primário-exportadoras, embora mantidas no amplo litoral do país, eram dispersas em diversas regiões, tendo associadas a elas as indústrias tradicionais.1

Segundo a autora, desde o início da História do Brasil, a formação dos espaços regionais seguiu a racionalidade de exploração de atividades econômicas centradas em regiões que tinham bases primárias de riquezas naturais. Para a atividade de exploração das riquezas era preciso a criação de espaços que contribuíssem para tais explorações e assim o espaço regional brasileiro como diz Araújo (2000, p. 116), inicialmente tinha uma visão rural, ou seja, a regionalização do Brasil em suas bases históricas eram de um país rural e escravocrata que exportava matéria prima para a Europa. Só no século XX a indústria tornou o Brasil um país com influências de comércio capitalistas. Segundo Araújo (2000, p. 116) só no século XX é que o Brasil se constitui enquanto espaço regional urbano e industrial, adquirindo bases de relações marcadas pelos aspectos do capitalismo que emergia para os países que estavam se expandindo do rural para o urbano industrial.

1ARAÚJO, Tânia Bacelar de. Ensaios sobre o desenvolvimento brasileiro: heranças e urgências.

Rio de Janeiro: RENAVAN, 2000.

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A partir deste cenário de formação dos espaços brasileiros, começaram as desigualdades de crescimento regional, pois as indústrias que ora chegavam ao Brasil se concentraram principalmente na região Sudeste, Sul e Centro-Oeste, cada região destas, suportando um aspecto de exploração econômica diferente, tornando o país de grande diversidade de exploração de riquezas e bens, como ressalva Araújo (2000, p. 116):

A moderna e ampla base industrial, montada no atual século, ao contrário tendeu a concentrar-se, fortemente, em uma região: O Sudeste, com 11%

do território brasileiro, o Sudeste respondia, em 1970, por 81% da produção da indústria existente. No entanto, nas décadas recentes,começava a se verificar, no Brasil, um movimento de desconcentração espacial da produção nacional era ocupação da fronteira agropecuária.2

As mudanças históricas, ocorridas na construção do espaço regional do Brasil desde sua base colonial sofreram influências o desenvolvimento econômico e da concentração de riquezas minerais e atividades industriais, e mais tarde mudando o foco espacial para regiões que acomodavam atividades agrícolas, como a região Sul, Centro-Oeste e parte do Oeste do Nordeste.

A partir dos anos 1990 o foco da formação regional do país mudara para o Nordeste com acréscimo de 5,7% para 8,4% em peso de produção industrial, como diz Araújo (2000, p. 117). Segundo a autora esse movimento de posição regional acontecia também com o Sul, Norte e Centro-Oeste. “Os efeitos da desconcentração das atividades agrícolas, pecuárias e industriais afetaram o terciário, que também tendeu à desconcentração”. Neste movimento de formação regional, o Sudeste cai na concentração de indústrias. Araújo (2000,p. 117) comenta que ao mesmo tempo em que constatavam a tendência a desconcentrar a dinâmica no espaço territorial do país nas últimas décadas, diversos estudos enfatizam a crescente diferenciação interna das macrorregiões brasileiras.

Devido às atividades econômicas exploradas, as regiões brasileiras começaram a se diferenciar e se alocar para agrupamentos de estados que concentram as mesmas características regionais, de produtos agrícolas, de grupos de indústrias e acúmulo de riquezas minerais, contribuindo para a divisão do Brasil em macrorregiões.

2 Idem.

(17)

Nessa divisão regional do Brasil prevaleceu o fator da intensa urbanização, concentrando estados de estruturas industriais que precisam se expandir economicamente e territorialmente para acomodar a população que centrava em lugares circunvizinhos aos complexos industrializados, como ressalva estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA, 2012, p. 7):

O desenvolvimento econômico e social brasileiro durante o século XX pautou-se por uma rápida industrialização e intensa urbanização, centralizando grande parte da estrutura produtiva no eixo Rio de Janeiro – São Paulo. E, 2007, 45% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro foram gerados nesse eixo. Certamente, a tendência primordial do capitalismo é a concentração econômica e do ponto de vista regional o mesmo ocorre, configurando as aglomerações positivas de localização e os ganhos de escala da produção.

Neste ponto de vista evidencia-se uma forte tendência às influências do capitalismo para formação regional do Brasil, favorecendo os espaços mais propícios ao crescimento econômico e marcando a época do crescimento das desigualdades socioeconômicas no âmbito das políticas globalizantes do neoliberalismo que se implantava junto às medidas do capitalismo, promovendo grandes disparidades nos espaços regionais do Brasil.

Junto a estes fatores socioeconômicos, a formação do espaço regional do país foi atrelada por outros contrastes, como a concentração de políticas públicas que favoreciam os espaços com situações regionais já favoráveis ao crescimento econômico e enquanto isso outras regiões consideradas “periféricas” receberam menos incentivo das políticas de crescimento e junto a impactos das ações dos fenômenos naturais, como secas, enchentes, fome e desemprego entraram para as estatísticas de regiões pobres. O IPEA em pesquisa publicada no ano de 2012, ressalva que:

Está em pauta no país a urgência da construção de um projeto nacional de desenvolvimento e este fato coloca necessariamente, a questão regional brasileira atravessa todas as escalas do regional e do urbano, ou seja, há desigualdades macrorregional com conseqüências nas demais escalas meso e microrregionais.

(18)

Segundo as discussões pautadas nos estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicadas (IPEA), a partir do cenário brasileiro emergente do século XX, surge a necessidade urgente de projetar uma política pública que paute a questão regional, que discuta e crie estratégias de enfrentamento para amenizar as desigualdades sociais e econômicas contraídas pelo capitalismo na formação regional do Brasil.

Segundo estudos do IPEA (2012, p. 8), o Brasil conta com 60 anos de políticas de desenvolvimento regional, mas, contudo não conseguiu deslocar a concentração produtiva nas regiões industrializadas onde se localiza principalmente no Rio de Janeiro e em São Paulo, porém, ressalva que:

Cabe aqui ressaltar que, em 2007, a participação da região Nordeste no PIB brasileiro foi a mesma que a região tinha por ocasião da movimentação política que engendrou a proposta técnica de criação da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE), nos anos 1960. A criação da SUDENE inaugurou a época de uma política de desenvolvimento regional, coordenada nacionalmente.

Para o IPEA, a criação da SUDENE engendrou uma proposta de desenvolvimento com vistas nos aspectos regionais do Nordeste, elevando o PIB do país em concentração nesta região, na região Norte e Centro-Oeste, que segundo Araújo (2000, p. 117) “essas três regiões juntas, passam de 18% para 23% de sua participação do PIB do Brasil”.

Esses resultados alocados pela IPEA (2012) nos mostram a chegada de uma tendência desconcentradora da dinâmica econômica no espaço territorial do Brasil nas últimas décadas dos anos 60. Essa dinâmica centrou o foco das discussões sobre a formação dos espaços regionais, fato influenciado pelas mudanças econômicas ocorridas em diferentes macrorregiões brasileiras.

Assim, é possível compreender que a formação dos espaços regionais no Brasil sempre seguiu uma dinâmica histórica e econômica. Histórica porque os espaços foram se organizando a partir da ação da História do Brasil e o que ela representou dentro do cenário mundial, seus desafios e políticas públicas para atender às questões regionais num foco nacional como considera Pacheco (1996).

A dinâmica econômica sempre foi a mola percussora das mudanças ocorridas na questão regional do país, pois o crescimento do Brasil como dos

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demais países segue a lógica da economia, ou seja, o dinamismo socioeconômico transforma as estruturas regionais pela noção da produtividade e de mercantilismo.

Sobre estes aspectos reflete Araújo (2000, p. 116):

A dinâmica regional entregue apenas às próprias decisões do mercado tende a exacerbar seu caráter seletivo, ampliando fraturas herdadas. Tende a desintegrar o país. A proposta aqui apresentada se contrapõe à desintegração competitiva, excludente, seletiva e em curso. Supõe uma nova abordagem da questão regional brasileira e propõe a formulação e implementação de uma política nacional de Desenvolvimento Regional.

A autora discute acerca da dinâmica regional que se instaurou no Brasil e diz que deixar a questão regional atrelada às decisões mercantilista, tende a crescer uma prática seletiva, que fragmenta e seleciona o país em regiões não como espaços geográficos provedores de singularidades geográficas, mas como uma divisão de mercado competitivo e excludente dentro da própria estrutura regional.

Posta esta crítica, Araújo (2000, p. 116) propõe a formulação e implementação de uma política que vise à questão regional do ponto de vista do desenvolvimento nacional, considerando o país como um todo nas suas diversas estruturas organizacionais e regionais, Araújo (2000, p. 119) ressalva:

A globalização reforça as estratégias de especialização regional (Oman, 1994). A nova dinâmica da produção regionalizada das grandes empresas (atores globais) e da resposta dos Estados nacionais para enfrentar os impactos regionais seletivos da globalização.

Mediante as discussões postas pela autora percebe-se que a questão regional está atrelada à influências de diversas ordens e que a globalização como ação substancial do capitalismo mercantilista, reforça a dinâmica estratégica de especialização regional e aumenta os impactos regionais e seletivos providos do evento globalizado que se configurou no país a partir do século XX.

2.2 INDUSTRIALIZAÇÃO E DESEQUILÍBRIOS REGIONAIS

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Retomando alguns argumentos já mencionados anteriormente nos remete a discutir os desequilíbrios regionais no Brasil a partir dos primeiros indícios do processo de industrialização, quando o país deixava de ser um país rural e se tornava um espaço industrializado. O Brasil colônia foi substituído por uma dinâmica econômica pautada na produção industrial.

Essa dinâmica produtiva foi se construindo de forma não integrada, ou seja, não linear, que ocupa espaços regionais onde se concentravam os complexos mercantilistas, como espaço, produção de matéria-prima, concentração de mão de obra, dentre outras situações socioeconômicas que propiciam o advento do crescimento do desenvolvimento produtivo industrial.

Nesta perspectiva, o desequilíbrio regional foi se tornando a consequência de um país que crescia de forma desigual no que tange a questão regional, causando os desequilíbrios econômicos. Neste sentido discute Araújo (2000, p. 119):

No presente, as decisões dominantes tendem a ser as do mercado, dada a crise do Estado e as novas orientações governamentais, ao lado da evidente indefinição e atomização que têm marcado a política de desenvolvimento regional no Brasil. Embora as tendências ainda sejam muito recentes, estudos têm convergido para sinalizarem, no mínimo, para a interrupção do movimento de desconcentração do desenvolvimento na direção das regiões das menos desenvolvidas.

A autora aponta-nos questões que discutem uma política de desconcentração regional do desenvolvimento industrial para espaços regionais que sofrem consequências econômicas deste desequilíbrio, efetuando-se assim o aparecimento de desigualdades sociais, causado principalmente pela concentração de bens e políticas públicas situadas e direcionadas apenas para algumas regiões.

Araújo (2000, p. 119) aponta estudos de Clélio Campolina Diniz, da UFMG, que discutem sobre a identificação de uma forte e crescente tendência de concentração espacial do dinamismo industrial, que segundo Campolina localiza-se nos centros urbanos mais dinâmicos do Brasil em termos industriais, que são:

Constatou-se que a grande maioria deles se encontrava num paradigma que começa em Belo Horizonte (MG), vai para Uberlândia (MG), desce em direção de Maringá (PR) até Porto Alegre (RS) e retorna a Belo Horizonte (MG) e São José dos Campos (SP). Das 68 aglomerações urbanas com intenso dinamismo industrial recente 79% estão situadas nas regiões

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Sul/Sudeste, 15% no Nordeste, e apenas 6% no Norte e Centro-Oeste (Campolina Diniz, 1999).

Segundo os estudos de Campolina Diniz (1996) apresentados por Araújo (2000) podemos verificar os desequilíbrios das indústrias concentradas nos espaços regionais do Brasil, apontando Minas Gerais como o Estado detentor de grande percentual do dinamismo industrial do país que divide espaço apenas com Minas Gerais, Paraná e São Paulo. Essas capitais formam um aglomerado urbano que concentra 79% das indústrias brasileiras, as quais estão situadas nas regiões Sul/Sudeste.

O desequilíbrio regional no que tange a produção e concentração industrial é bastante perceptível, quando 79% das indústrias estão localizadas em duas regiões (Sul/Sudeste) formando um polígono que começa em Belo Horizonte e ao retornar tem seu percurso também para esta via, ou seja, além das indústrias estarem localizadas principalmente em duas regiões, ainda há concentração interna dentro de poucos estados delas, mantendo assim uma espécie de teia concentradora de economias e bens.

Para as regiões Nordeste, Norte e Centro-Oeste restam apenas 21% dos complexos industriais, sendo 15% no Nordeste e 6% distribuídos entre Norte e Centro- Oeste.

Esses dados demonstram que os percentuais de concentração de indústrias nos espaços brasileiros contribuem para um desequilíbrio não apenas dessa organização, mas também da desconcentração econômica e da concentração de desigualdades sociais alocadas nessas regiões menos favorecidas.

Essa tendência de localização da produção industrial foi historicamente se construindo ao longo dos tempos, desde o Brasil colônia e quando o país ingressou para o progresso do desenvolvimento via industrial agravando os desequilíbrios que até então são de ordens crescentes, tendo poucas evidências de situações adversas, como ressalva Araújo (2000, p. 120):

É certo também que algumas empresas de gênero industriais mais intensivos em mão de obra (calçados, confecções, por exemplo) tem buscado se localizar no interior do Nordeste, para competir com concorrentes externos (principalmente com os países asiáticos), atraídos pela superoferta de mão de obra e baixos salários e pela possibilidade de flexibilizar as relações de trabalho.

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O desequilíbrio industrial tem uma tendência tão forte de concentração em aglomerações de capitais das regiões Sul/Sudeste que ao se desenvolverem um pouco para a região Nordeste trazem consigo marcas de desigualdades econômicas e sociais, como a exploração de mão-de-obra de baixo custo, aumentando a concentração do capital no monopólio e nisso ainda pode-se verificar indícios de um país que não se libertou totalmente da escravidão, mesmo que seja um Brasil escravocrata neoliberal.

Nesta perspectiva considera-se que esta visão de indústria promove o desequilíbrio regional e desigualdades sociais dentro dos espaços de um mesmo país. O desequilíbrio regional e a concentração de produção para concorrer e competir com a iniciativa externa, pois tais regiões desprivilegiadas socialmente tem pouca chance de crescimento e desenvolvimento ao competir com comércio externo.

Esses desajustes de competitividade provocados pelo processo desequilibrado de industrialização causam as desigualdades sociais e econômicas produzidas por uma política de industrialização centrada na economia e não na dimensão social e espacial, como diz Araújo (2000) quando discute sobre a política de industrialização de Juscelino Kubitscheck, que era boa para o Brasil, mas que ampliando-se o olhar para dimensão espacial, funciona como ampliadora das desigualdades regionais.

Segundo Almeida (2004, p. 23) o Presidente Juscelino Kubitscheck criou um Grupo de Trabalho para o Desenvolvimento do Nordeste – GTDN, que tinha como finalidade identificar os principais fatores que atuavam no processo de regressão e de subdesenvolvimento do Nordeste tendo em vista a elaboração de uma política de desenvolvimento para a região. Tavares (2001, p. 16) aponta questionamentos de Furtado (1968) acerca do processo de industrialização e as disparidades regionais:

As indústrias surgiram mais ou menos ao mesmo tempo em diversas regiões do país, em meados do século XIX. Mas o censo de 1920 já mostra uma grande concentração industrial em São Paulo, que continuará aumentando nas décadas seguintes. Entre 1948 e 1955 a participação de São Paulo no PIB industrial passa de 39,6% para 43,3% enquanto a do Nordeste (da Bahia ao Ceará) no mesmo período, cai de 16,3% para 9,6%.

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Por sua vez, a renda per capita de São Paulo era 4,7% vezes mais altas que a do Nordeste.

O autor nos mostra que o surgimento das indústrias no Brasil aconteceu mais ou menos na mesma época, mas as pesquisas do censo em 1920 já mostravam que mesmo tendo surgido quase ao mesmo tempo, a concentração maior delas já estava situada em São Paulo, o que nos mostra desde o início do processo industrial uma disparidade da região Sul/Sudeste em relação às demais, começando desigualdades de crescimento industrial nos espaços regionais do Brasil.

O desequilíbrio da industrialização nas regiões brasileiras constituiu-se ao longo dos tempos um fator não apenas de ordem econômica e desenvolvimentista, mas, principalmente um fator determinante para as desigualdades regionais,tanto que tange ao crescimento de espaço e distribuição de bens como no acréscimo a pobreza pela falta de emprego, ou seja, a população das regiões desfavorecidas industrialmente cresciam mas não tinha produção de renda para a sobrevivência igualitária.

Cano (2002, p. 117) discute a temática dos desequilíbrios regionais no Brasil como uma dimensão histórica que abarca todo o período de nossa formação econômica desde a colônia e os primeiros indícios de formulação de políticas de desenvolvimento regional, as quais surgem a partir da década de 1950.

A expansão do comércio internacional decorrente da Revolução industrial no século XIX, segundo Cano (2002) tem seu ponto “nefrálgico as relações entre o setor primário exportador, o setor de subsistência e a forma como os benefícios do progresso técnico penetram na economia nacional e são repartidas, setorial, regional e pessoalmente”.

Assim como a industrialização cresceu não de forma igualitária, seu progresso consequentemente também não foi repartido igualmente nem por setor regional e mais difícil de maneira pessoal.

A forma como o progresso industrial foi repartido regionalmente foi um dos fatores preponderantes para a má distribuição de bens das regiões, causando grandes desequilíbrios econômicos e sociais nas regiões brasileiras. Iniciaram desde o descobrimento, quando ao tornar-se um país primário na exportação do açúcar e do algodão já haviam transtornos regionais, pois se tornaram mais vistas pelos

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mercados as regiões que tinham produtos em ascensão econômica, para construir o progresso, como discute Cano (2002, p. 49).

São conhecidas as pré-condições que possibilitavam ao Brasil independente sua reinserção na economia internacional, após a derrocada da mineração do ouro no século XVIII e da manutenção de seus dois principais produtos de exportação – o açúcar, pela ruptura do monopólio português e subsequente expansão do algodão, pela manutenção de sua produção como cultura de “pobres”, como atraso técnico na agricultura e na indústria.3

Em via de processo econômico e de expansão da Revolução industrial, Cano (2002, p.50) discute que o Brasil não dispunha de um produto que competisse com o mercado industrial europeu, restando à crença de que o café seria esse produto que poderia dinamizar o processo de efervescência industrial que ancorava no país.

O Rio de Janeiro representava o espaço brasileiro propício para o cultivo cafeeiro, com terras localizadas em suas proximidades e pertencentes ao vale do Paraíba. Segundo Cano (2012, p. 54) este e outros fatos ocasionaram a burguesia reproduzir seu capital, criando no Rio de Janeiro o primeiro espaço industrial mais significativo do país.

Neste processo inicial da produção agrícola e exportador do Brasil, a industrialização já marcava alguns estados das regiões Sul/Sudeste como precursores dos produtos que davam ênfase ao país que se industrializava Baer (2002, p. 59) faz uma distinção entre crescimento industrial e industrialização, elementos consideráveis para compreensão do processo de industrialização e do processo de crescimento industrial e diz:

A primeira define acontecimentos ocorridos até o final da década de 1920, durante a qual o crescimento da indústria depende principalmente das exportações agrícolas, o setor líder. Além disso, apesar do rápido, crescimento de algumas indústrias, esse período não foi acompanhado por mudanças estruturais drásticas na economia. A industrialização, por outro lado, está presente quando a indústria se torna o principal setor de crescimento da economia e gera mudanças estruturais pronunciadas.

3CANO, Wilson. Desequilíbrios regionais e concentração industrial no Brasil 1930-1970. 3ª edição. São Paulo: Editora UNESP, 2007.

(25)

Compreendemos assim entre era de crescimento industrial, visto pelo autor mencionado, como um período de acontecimentos que marcaram o Brasil como exportador agrícola e sobre industrialização é quando acontecia a expansão do setor industrial e esta passa a representar o principal setor de crescimento da economia brasileira.

Esse crescimento econômico por via industrialização contribuiu para os desequilíbrios regionais à medida que as indústrias tiveram sua concentração inicial nas regiões Sul/Sudeste, aspectos ainda bastantes notáveis quando refletimos sobre as desigualdades econômicas e sociais e o crescimento industrial brasileiro.

2.3 DESENVOLVIMENTO DESIGUAL E POLÍTICA REGIONAL NO BRASIL

Segundo Baer (2002, p. 41) uma das primeiras políticas adotadas pelo governo na segunda metade do século XIX foi o incentivo à construção de ferrovias.

Esta medida tinha como objetivo favorecer o processo de produção agrícola que precisava expandir-se para outros mercados. Baer (2002, p. 41) ressalva:

Os principais instrumentos da política consistiam em subsídios e taxas de retornos garantidos. Infelizmente, a rede de ferrovias desenvolvida mostrou ser diferente de várias formas. O sistema de transporte que daí resultou não transformou o país em um mercado mais unificado.4

A construção de ferrovias visava abrir o comércio industrial e produtivo do Brasil para a Europa, bem como incentivar outras instâncias de poder econômico para promover o desenvolvimento das regiões dos polos centrais do país, localizados principalmente a Sul e Sudeste, como os Estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, os quais construíram inicialmente o polígono industrial do Brasil.

A década de 1950 foi marcada por políticas que contribuíram para a arrancada da industrialização, as quais foram criadas na administração do Presidente Juscelino Kubitschek e tinham como objetivo promover as indústrias

4BAER, Werner. A economia brasileira. 2ª Ed. Revista e atualizada. São Paulo: Nobel, 2002.

(26)

automobilísticas e utilitárias de navios e maquinaria pesada. Sobre esta política diz Baer (2002, p. 82):

Esses programas foram organizados através do Banco de Desenvolvimento (BNDE) e as indústrias favorecidas receberam tratamento especial para importar equipamentos para fabricação, matérias-primas, componentes, etc.

por períodos específicos. O mais bem-sucedido desses programas foi o que se destinou a promover a indústria automobilística, dirigido pelo Grupo Executivo da Indústria Automobilística (Geia).

Percebe-se que o propósito das políticas de Desenvolvimento no Brasil voltava-se para favorecer o processo de industrialização o qual era visto como a mola precursora da economia brasileira. Na década de 1950 o foco dessas políticas foram as indústrias automobilística e de maquinaria pesada tais indústrias foram favorecidas a propósito de tornarem-se importadoras de equipamentos de fabricação ou de matérias-primas.

Nesta época o Brasil iniciava um processo de indústria para importação de equipamentos ou de matérias-primas, principalmente no setor automobilístico para aquecer a economia do país que se desenhava por via industrialização como diz Baer (2002, p. 83):

O período de industrialização durante o período posterior a segunda Guerra Mundial ocasionou elevados índices de crescimento econômico. A taxa média de crescimento real anual entre 1947 e 1962 foi superior a 6% e durante o período mais intenso de industrialização, 1956 e 1962, chegou a 7,8%. Enquanto o produto real aumentou 128% de 1947 a 1961, o produto agrícola real aumentou somente 8,7%, o produto industrial, entretanto, aumentou 262%.

O período pós-guerra elevou os níveis de crescimento da economia brasileira através do processo de industrialização, sendo o produto industrial o precursor deste desenvolvimento, fazendo crescer as regiões Sul/Sudeste onde se concentravam os principais complexos industriais.

Dessa maneira o desenvolvimento regional do Brasil se expandia de forma desigual, pois enquanto o crescimento industrial (Sul/Sudeste) aumentou 202% o produto agrícola real somente 87%, sendo a agricultura a responsável por somente 18% do crescimento absoluto do Produto Interno Bruto.

(27)

Assim, constata-se um desenvolvimento desigual devido às políticas voltadas para a industrialização de alguns setores, enquanto outros acumulavam desigualdades no crescimento econômico e social. Guimarães (1997, p. 46) faz um prévio diagnóstico dos aspectos que geram desigualdades regionais no Brasil:

Tanto perspectiva pessoal quanto da espacial, a economia brasileira caracteriza-se por apresentar os níveis mais altos de desigualdades. Aqui estão presentes estruturas produtivas relações de trabalho, condições de vida e possibilidades de acesso da população aos bens e serviços básicos os mais diferenciados. Isso é válido tanto se são considerados as grandes regiões brasileiras tradicionais (Norte, Sudeste, Sul e Centro-Oeste), quanto se consideram as desigualdades no interior de cada uma dessas regiões.

As desigualdades regionais são causadas por condições desprovidas de desenvolvimento econômico e pelas condições e possibilidades de acesso da população aos bens e serviços básicos à cidadania.

Essas desigualdades regionais são resultantes de políticas públicas que não focam o potencial das regiões em situações de risco e não priorizam as condições de vida da população como sujeitos emergentes da situação econômica.

GRÁFICO 1

Índice de Desenvolvimento Humano Segundo Regiões – 1991 (Brasil = 100)

O gráfico mostra que a região Nordeste está posta na parte do Brasil que apresenta Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) mais reduzido.

0 20 40 60 80 100 120

Norte Nordeste Sudeste Sul Centro- Oeste

Brasil

(28)

Uma região que apresenta Índice de Desenvolvimento reduzido tem como consequência outras situações sociais fragilizadas, como a pobreza, a qual é causada pelas desigualdades econômicas e sociais. O gráfico 2 mostra a participação da pobreza na população de cada região, segundo dados do IPEA (1990).

GRÁFICO 2

Participação dos Pobres na População de Cada Região - 1990 (%)

Fonte: IPEA e PNUD

Abrigando 29% da população do Brasil, a região Nordeste tem um índice de 45% dos pobres brasileiros, aspectos que alteram o crescimento das desigualdades econômicas regionais, principalmente no que tange a questão da região Nordeste, a qual abriga quase a metade dos pobres do país, fato que demonstra o desenvolvimento desigual nas regiões do Brasil.

0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50

Norte Nordeste Sudeste Sul Centro- Oeste

Brasil

(29)

3 OS DESEQUILÍBRIOS REGIONAIS E O NORDESTE

3.1 BREVES CONSIDERAÇÕES SOBRE A FORMAÇÃO ECONÔMICA DO NORDESTE

A Região Nordeste foi uma das primeiras regiões do Brasil no tocante a história da ocupação territorial. Os primórdios de sua herança econômica a região centrava a estruturação produtiva da cana-de-açúcar, da pecuária e da algodoeira, a Região Nordeste passou a representar expressivamente as primeiras indústrias têxteis, as quais dão os indícios para a produção industrial que se instalava no território nordestino. Andrade (1975, p. 14) ressalva que:

No caso do Nordeste e o motivo econômico da ocupação foi atender à demanda de açúcar no mercado europeu, provocando, portanto o desenvolvimento da atividade industrial, de fábricas, desde o século XVI.

Verdade é que, comparada com as atividades industriais hoje as fábricas – os engenhos de então – eram estabelecimentos de pequeno porte e importância, quer pelo número de trabalhadores, quer pela produção, quer pelos investimentos que faziam para sua implantação.

É bastante notável o papel e a relevância que a formação econômica teve para a ocupação e desenvolvimento da atividade industrial na região Nordeste, como lugar de adaptação climática de preferência para o cultivo de produtos em expansão pela colonização europeia, ou seja, o Nordeste com clima tropical tinha as condições adequadas para o cultivo inicialmente da cana-de-açúcar e em seguida da cultura algodoeira.

A partir das atividades açucareiras instaladas no Nordeste, a região passou a ser vista pelos europeus como grande possibilidade de crescimento econômico, tanto como fornecedor de matéria-prima, como para implantação da agroindústria de açúcar e do algodão.

A agroindústria nordestina começou a mover a economia da região, inicialmente nos engenhos, sendo transportado o açúcar em lombos de animais até os portos, de onde era levado para Europa em navios.

A atividade de agroindústria açucareira no Nordeste desde o início teve interesses econômicos diversos, principalmente dos europeus, os quais trouxeram

(30)

as principais mudas de cana-de-açúcar, exploraram o espaço da região para fomentar a acumulação de capital, como diz Andrade (1975, p. 15):

Assim, os grandes comerciantes e banqueiros europeus, já organizados nas cidades dos países Baixos Amsterdã, sobretudo, financiaram os capitães- mores de nossas capitanias, a fim de que fundassem engenhos e desenvolvessem o plantio de cana-de-açúcar. Estes vivendo no Brasil e tendo trazido para aqui familiares, amigos e dependentes, doavam terras em sesmarias e afiançaram os sesmeios a fim de que pudessem construir engenhos e plantar a cana, vegetal de ciclo vegetativo longo.

Os engenhos foram os primeiros indícios de uma economia açucareira que se formava no território nordestino,como terras propícias para exploração e plantio da cana-de-açúcar no Brasil.

Esses engenhos representam o início de uma economia centrada na agroindústria, mesmo que inicialmente de pequeno porte, mas era vista como o progresso econômico, atraindo o interesse dos europeus que exploraram o plantio e fundaram os primeiros engenhos em terras nordestinas.

Araújo (1997, p. 2) faz uma prévia caracterização da região Nordeste como forma de compreendermos melhor a sua formação econômica desde os primórdios da colonização europeia, centrada na cultura açucareira:

Na região Nordeste (20% do território brasileiro) vivem 29% da população do país. Originam-se, aproximadamente 14% da produção nacional total (medida pelo PIB), 12% da produção industrial e quase 21% da produção agrícola. Cabe destacar que na região residem 23,5% da população urbana do Brasil e 46% de sua população rural. O lento crescimento econômico, que durante muitas décadas caracterizou o ambiente econômico nordestino (GTDN, 1997), foi substituído pelo forte dinamismo de numerosas atividades que se desenvolveram recentemente.5

Segundo os dados postos por Araújo (1997) até a década de 70 na região Nordeste residiam 29,5% da população urbana do Brasil e 46% de sua população rural, o que se percebe que o Nordeste tinha uma grande predominância de população rural a nível de país, o que tornou até este período a economia da região centrada na produção agrícola e consequentemente se formando as agroindústrias

5ARAÚJO, Tânia Bacelar de. A promoção do desenvolvimento das forças produtivas no Nordeste: Da visão do GTDN aos desafios do presente. Revista Econômica do Nordeste, vol. 28, nº 4, Fortaleza, out.-nov. 1997

(31)

de pequeno e médio porte, o que tornou o crescimento econômico lento, pois enquanto as regiões mais urbanizadas criavam indústrias de produtos econômicos mais forte, o Nordeste tinha uma economia ainda frágil.

Araújo (1997, p. 3) diz que nas primeiras décadas dos anos 1980 este cenário produtivo e econômico da região Nordeste foi substituído por um forte dinamismo que concentrou numerosas atividades que passaram a ser desenvolvidas nos espaços nordestinos, mudando o perfil produtivo do país, a qual em relação às taxas de crescimento do Nordeste. Araújo (1997, p. 3) ressalva:

Nas ultimas décadas a região promoveu mudanças importantes na composição de sua produção. Acompanha, também nesse ponto, as tendências gerais da economia brasileira, apesar de suas especificidades locais. As atividades agropecuárias vêm perdendo peso relativo no PIB do Brasil e também no do Nordeste, com as atividades urbanas avançando mais nos dois casos. No entanto, a indústria tornou-se relativamente mais importantes no total da produção brasileira (94%, em 1990) do que no Nordeste (30%).

Os anos 1990 trouxeram mudanças significativas no perfil produtivo e econômico da região Nordeste a partir do cultivo de produtos com valor de mercado relativamente alto, “apresentaram peso crescente na produção regional, é o caso de frutas como melão, manga, melancia, uva (nas áreas irrigadas pelo São Francisco e Açu), abacaxi (em manchas favoráveis do sertão e agreste) além do tomate, café e soja.”

Assim, percebe-se que referente à produção agropecuária, a região Nordeste continua se construindo economicamente a partir desta atividade, atualmente cultivando produtos de maior valorização econômica e nas décadas de 70 a 90 tendo representatividade expressiva no PIB (Produto Interno Bruto) dopaís como mostra a tabela a seguir.

TABELA 1: Brasil e Nordeste: taxas de crescimento do PIB 1960-1990 (%)

PERÍODOS BRASIL NORDESTE

1960-1970 6,1 6,0

1970-1980 8,6 8,7

1980-1990 1,6 4,0

FONTE: Araújo (1995, p. 293).

(32)

A tabela – 2 nos mostra que os anos 80 e 90 foram expressivos para representatividade do PIB desenvolvido pela produtividade desenvolvida na região Nordeste e nos anos 80 chegando a 8,7% do Produto Interno Bruto do Brasil.

As primeiras décadas do século XX trouxeram para formação econômica do Nordeste certa instabilidade econômica a nível de país, como mostra a tabela – 2 abaixo:

Tabela 2 – PIB* a Preços Constantes – R$ (Mil) de 2000

ANO NORDESTE BRASIL PARTICIPAÇÃO

NE

1970 33.405.596 285.331.931 11,7%

1980 90.893.015 760.039.545 12,0%

1990 117.702.161 922.362.378 12,7%

2000 133.233.392 1.101.254.907 12,1%

2006 161.132.468 1.406.854.514 11,5%

Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE)

*Deflacionado pelo Deflator Implícito do Produto Interno Bruto (PIB) Nacional

Nos períodos 1970 – 2006 a taxa de participação da Região Nordeste no total brasileiro, segundo Araújo (1997) que discute os dados da tabela do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) permanece praticamente no mesmo ritmo, percebendo-se que os anos 2000 não trouxeram a continuidade do êxito econômico semeados nos anos 80 e 90.

Segundo Araújo (1997, p. 4) esses dados corroboram a ideia que o NE brasileiro, apesar de acompanhar em certo prazo o crescimento econômico do Brasil, não chega a ter um dinamismo que assegure a redução da defasagem que o separa do todo maior e que separa o Nordeste do atraso relativo a outras regiões brasileiras, que se desenvolvem com uma economia mais forte.

O crescimento na formação econômica do Nordeste ocorrido nos anos 90 foi impulsionado principalmente pelos setores secundários e terciários como mostra a tabela 3 e 4 relativa a dados do período 1970 – 2006.

(33)

T Tabela 3 – Nordeste e Brasil, Crescimentos Setoriais Anuais do PIB por Décadas.

Primário Secundário Terciário

NORDESTE BRASIL NORDESTE BRASIL NORDESTE BRASIL

1970 - - - - - -

1980 7,3% 8,1% 16,9% 13,6% 8,9% 8,6%

1990 -0,8% -0,5% 2,9% 1,7% 3,2% 2,7%

2000 -1,0% 0,3% 2,0% 1,0% 1,4% 1,0%

2006 0,2% -2,1% -2,1% -2,4% 5,6% 5,8%

Fonte:IBGE

Tabela4 – Nordeste, Composição Setorial do PIB.

ANO

NORDESTE

Primário Secundário Terciário

1970 22,4% 18,3% 59,3%

1980 16,7% 32,2% 51,2%

1990 12,0% 33,4% 54,6%

2000 9,4% 35,6% 55,0%

2006 7,9% 25,3% 66,8%

Fonte:IBGE

Analisando-se os dados postos nas tabelas 3-4, pode-se inferir que os setores secundários e terciários foram os principais precursores do processo de crescimento da economia nos meados dos anos 90 e início da década de 2000.

Esses e outros dados e estudos acerca da formação econômica da região nos apresentam possibilidade de inferir à região Nordeste um crescimento econômico ainda fragilizado a nível de país pois, os períodos que apresentaram taxas altas no PIB não foram suficientes para minimizar às disparidades socioeconômicas nos espaços nordestinos.

3.2 O ATRASO ECONÔMICO NORDESTINO E O SURGIMENTO DA QUESTÃO NORDESTE

Segundo Araújo (1997) dados recentes levantados pelo Instituto de Planejamento Econômico e Social IPEA mostram que, em 1990 dos 32 milhões de brasileiros indigentes 17,3 milhões estavam no Nordeste (55% do total nacional) e mais de 10 milhões residiam na zona rural da região. Constatando assim, que tendo

DECADA

(34)

46% da população rural brasileira, a região Nordeste têm 63% dos indigentes que residem nas áreas rurais do país.

Dos índices de indigentes urbanos do Brasil, quase46% estão no Nordeste (IPEA, 1993), o que nos mostra que a região Nordeste é um espaço brasileiro bastante castigando pelas desigualdades sociais, sendo a região mais representada por números de indigentes 46%, enquanto 44% se encontram nas zonas urbanas das outras regiões.

Nos anos 70 e 80 os gastos públicos destinados à região Nordeste destinava-se a projetos emergenciais em busca de assistir os danos causados pelas secas seguintes que castigavam a população nordestina, como diz Araújo (2002, p.156):

Uma análise mais aprofundada da natureza dos gastos públicos no Nordeste revelava que o dispêndio atingia seus níveis mais elevados nos anos de seca, quando a despesa governamental se destinava essencialmente a programas emergenciais, de subsídio ao consumo e não de patrocínio de investimentos produtivos. Eram gastos assistenciais aos

“flagelados” e não contribuíam, assim, para aumentar a capacidade produtiva da economia do Nordeste.

A autora nos faz refletir sobre os gastos públicos direcionados à região Nordeste que só aconteciam principalmente nos períodos de secas, sendo projetos emergenciais criados pelo governo Federal e organizados pela Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE) para construir açudes, barragens e cisternas no semiárido, onde os trabalhadores eram remunerados com quantia em dinheiro e outra em mantimentos (alimentos).

Com tais medidas o atraso econômico do Nordeste se agravava, pois enquanto os gastos públicos só focavam o assistencialismo da seca, a economia nordestina ficava à margem social do desenvolvimento, a medida que enquanto o Nordeste era assistido com projetos para seca, as regiões Sul/Sudeste concentravam os maiores índices de industrialização.

O atraso econômico do Nordeste passou a ser mecanismo da proposição do Grupo de Trabalho para o Desenvolvimento do Nordeste (GTDN), o qual objetivava a transformação da agricultura regional como subsídio para o crescimento econômico. Araújo (2000, p. 149) discute que a questão regional começou a se configurar ainda nos anos 50 e diz:

(35)

Nos fins da década de 1950, a questão regional ganha destaque no Brasil.

O desigual desenvolvimento do capitalismo aprofundara as distâncias econômicas e sociais entre o Sudeste, em rápido processo de expansão com base na indústria, e o Nordeste, com base com sua economia estagnada, figurando entre áreas de maiores índices de pobreza do mundo.

Percebe-se que as desigualdades na economia do Nordeste começaram desde os anos 50 agravando-se no decorrer do tempo, aumentando as tensões no Campo e nas cidades, pois os índices de pobreza aumentavam e os gastos públicos com a região se restringiam a programas de assistência emergencial, estagnando a economia e aumentando as desigualdades do desenvolvimento entre o Nordeste e as demais regiões do Brasil.

Nesta arena de retrocessos e tensões o presidente Juscelino Kubitschek criou o Grupo de Trabalho para o Desenvolvimento do Nordeste (GTDN), “que apresenta uma proposta política para promover o desenvolvimento regional.

Tratava-se, antes de tudo, de tirar a economia nordestina do Estado de letargia em que mergulhava a partir da crise do complexo agroexportador, baseado na proposta açucareira” (Araújo, 2000, p. 143).

A proposta central do Grupo de Trabalho para o Desenvolvimento do Nordeste frisava transformar a realidade nordestina e evitar a ampliação das desigualdades regionais de renda, a intensificação dos investimentos industriais no Nordeste, como ressalva Araújo (2000, p.158):

Junto com a industrialização, as políticas públicas deviam estimular a produção de alimentos (até porque a industrialização iria intensificar a urbanização e ampliar a demanda urbana por alimentos). Mas o novo foco dinâmico da economia nordestina teria que ser a atividade industrial.

A questão Regional visada no relatório do GTDN era priorizar uma política de Desenvolvimento Regional, estando no foco desta questão os desequilíbrios econômicos enfrentados pela Região Nordeste. Sendo necessário aumentar os investimentos públicos com a produtividade e industrialização do setor nordestino.

Estes propósitos do GTDN emergiram a partir dos primeiros passos direcionados à questão regional nordestina, que vista como uma região periférica, a região Nordeste pouco se beneficiou dos recursos e políticas econômicas do Brasil, pois estes eram direcionados para os centros mais industrializados do país,

(36)

contribuindo para um desenvolvimento regional desigual e na “Questão Nordeste”, a região se afastando do desenvolvimento ocorrido no resto do país, pois as políticas regionais são ainda centralizadas em dois sentidos principais: Centralizadoras de recursos para as regiões desenvolvidas do ponto de vista industrial e econômico e discriminadora por direcionar ao Nordeste recursos e políticas em situações de assistencialismo emergente, as quais não contribuem para a “Questão Nordeste”

como polo concentrador de produtos e recursos, necessitando de infraestrutura econômica para se desenvolver para aquecer a produtividade ainda considerável pequena em dados coletados pelo (IPEA e IBGE). Conforme demonstra o gráfico sobre os níveis de produtividade segundo regiões em 1993:

Gráfico 3 – Níveis de Produtividade Segundo Regiões - 1993

Fonte: IPEA e IBGE

O gráfico mostra que a produtividade da Região Nordeste tanto a nível de Brasil como em comparação a produtividade das demais regiões, ainda é pequena para que sua economia esteja em nível igualitário de mercado competitivo.

Araújo (2000) discutindo sobre a Questão Regional apresenta as contribuições de Furtado para as reflexões sobre a intensificação das relações que foram construídas entre as regiões que produzem e as que se desenvolvem comercialmente, o que construiu os primeiros impactos negativos na maioria das regiões, o que se define e passou a se denominar de “Questão Regional”.

Furtado apud (Araújo 2000) diz que o discurso das elites regionais tinha o discurso que o “Nordeste vai mal por causa da seca”, ao contrário Furtado dizia que

0 50 100 150 200 250 300

Nordeste Sudeste Sul Centro- Oeste

Brasil

(37)

a seca era a consequência dos problemas do Nordeste e a causa,a estrutura socioeconômica e política que montou ao longo de muitos anos nessa região.

Essas e outras questões relevantes a questão regional e a “Questão Nordeste”, estão presentes no diagnóstico do Grupo de Trabalho para o Desenvolvimento do Nordeste (GTDN) elaborado por Furtado.

3.3 O NOVO NORDESTE NO CONTEXTO DA DIVERSIFICAÇÃO PRODUTIVA DAS REGIÕES BRASILEIRAS

Segundo Araújo (2000) a natureza do crescimento industrial recente no Brasil surgiu nos últimos vinte anos, devido à expansão rápida do dinamismo industrial que aumentavam as taxas médias anuais, era o que se esperava para intensificar a produtividade das regiões brasileiras e para os propósitos do Grupo de Trabalho do Desenvolvimento do Nordeste (GTDN) para o crescimento da região Nordeste, visto a partir do processo de industrialização como diz Araújo (2000, p.

144):

A industrialização, aliás,, era vista como a “única saída” para combater o atraso do Nordeste. O setor industrial deveria, antes de mais nada, funcionar como elemento dinâmico da economia nordestina, ou seja, conduzir o crescimento do PIB regional. Objetivo seria a intensificação dos investimentos industriais visando criar no Nordeste, um centro autônomo de expansão manufatureira mediante incentivos.

O atraso da região Nordeste era visto pelo GTDN como uma necessidade de políticas de incentivos a produtividade própria da região para ser utilizada pela indústria, valorizando os produtos de modo a incentivar o agronegócio e as indústrias alimentícias e têxteis que se alocaram no espaço nordestino e precisaram de investimentos e incentivos para se expandir.

Segundo Andrade (1975, p. 35) o contexto da produtividade nordestina começou a se expandir a partir da indústria açucareira e da indústria têxtil. O crescimento da produção agrícola destes produtos por sua vez, provocou o crescimento do comércio, dos serviços e das pequenas indústrias que abasteciam a população local e assim o país se tornava um país mais urbano.

(38)

Nas primeiras décadas do século XX, a indústria têxtil se beneficiou das duas guerras mundiais que ocorreram no país, como diz Andrade (1975, p. 35), pois foi interrompida a importação de tecidos dos mercados europeus. Sobre a diversificação atual da produtividade da região Nordeste diz Andrade (1975, p. 36):

Nos fins do século XIX já possuía no Nordeste, concentrado em poucas cidades, um parque industrial, heterogêneo, bastante diversificado e com indústrias pertencentes a famílias da região. Havia ponderável produção de charutos e cigarros, de chapéus, carroças, vinagre, utilizando o bagaço da cana-de-açúcar como matéria-prima de licores de frutas regionais, de caixas de papelão, de chocolates, de instrumentos musicais, de colchões, de escovas e vassouras, de azeite de coco etc.

O parque industrial nordestino se tornava bastante diversificado, sendo a região Nordeste uma exportadora de couros e peles e de refrigerantes produzidos no Recife e em Salvador e cristais na Bahia. A cerveja e a confecção também faziam parte da produção industrial do Nordeste.

Na Paraíba surgiu a indústria de cimento com disposição dos ricos depósitos calcários. Situados a Oeste da capital, localizando fábrica de cimento também no Pernambuco, havendo uma simetria entre as forças produtivas e as indústrias nordestinas.

No decorrer do tempo o país se urbanizou rapidamente e os setores de serviços promoveram o adensamento urbano, surgindo à necessidade de desenvolvimento mais intenso dos setores de serviços e nas indústrias elevando os níveis dos setores secundários e terciários como mostram os dados da tabela 5.

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