O município, como parte do Pacto Federativo, recebeu na Carta Política de 1988, atribuições de independência, podendo então, o seu Poder Executivo, consorciado com o Legislativo, comandar os rumos do município, legislando sobre
QUADRO COMPRATIVO ENTRE A VISÃO ADMINISTRATIVA E A VISÃO JURIDICA SOBRE A EFICÁCIA, EFICIENCIA E EFETIVIDADE
EFEITOS VISÃO
ADMINISTRATIVISTA VISÃO JURÍDICA Observação
EFICÁCIA Medida do alcance dos
resultados Capacidade imediata de utilização – produzir efeitos. A norma jurídica regulamenta a obtenção dos resultados
EFICIENCIA Produzir resultados com
menor dispêndio Capacidade de regularizar, normatizar situações sociais. A norma jurídica pacifica conflitos e protege direitos EFETIVIDADE Capacidade de atingir resultados pelo administrador Realização do Direito, desempenho concreto da função social. Capacidade da sociedade de usufruir
interesse local, suplementar à legislação federal e à estadual, no que couber (BRASIL, 1988), promovendo o adequado ordenamento territorial, mediante o planejamento e controle do uso, do parcelamento e da ocupação do solo urbano, entre outros (BRASIL, 2001).
O Quadro 4 apresenta a norma Constitucional brasileira como a principal fonte motivadora de políticas públicas pelo Estado, ressaltando os principais artigos de interesse para o presente trabalho.
Legislação Constituição da República Federativa do Brasil
Ementa
Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembleia Nacional Constituinte para instituir um Estado Democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias, promulgamos, sob a proteção de Deus, a seguinte CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL.
Origem Congresso Nacional Brasileiro
Escopo Estabelecer os princípios, direitos e garantias fundamentais da Nação brasileira.
Abrangência Nacional
Diretivas de interesse para a pesquisa
Título VII, capítulo II, Da Política Urbana, art. 170; art. 173, § 1o, inc. I, art. 182 e 183; capítulo VII, Do Meio Ambiente
Sobre a propriedade Título VII, capítulo II, Da Política Urbana, art. 170; Artigo 173, § 1
o , inc. I, art. 182 e 183
Sobre o meio ambiente Capítulo VII, Do Meio Ambiente
Função social da
propriedade Título VII, capítulo II, Da Política Urbana Quadro 4 – Constituição da República Brasileira de 1988
Fonte: Autoria própria.
Com a vigência do Estatuto da Cidade (Lei no 10.257/2001), instalou-se na esfera municipal um novo posicionamento no trato da política pública de desenvolvimento e a sua formulação junto aos municípios brasileiros. Esta passou a ter um caráter de planejamento participativo, compartilhando com a população a responsabilidade pela cidade e o seu planejamento e futuro, garantindo o direito desta de se manifestar sobre as grandes questões relativas à cidade (PONTES; FARIA, 2012).
O Quadro 5 apresenta os principais artigos de interesse para o presente trabalho e que fazem parte do Estatuto da Cidade.
Legislação Lei no 10.257/2001
Ementa Regulamenta os arts. 182 e 183 da Constituição Federal, estabelece
diretrizes gerais da política urbana e dá outras providências.
Origem Governo Federal
Escopo Regulamentar a política de desenvolvimento urbano das cidades
brasileiras.
Abrangência Nacional
Diretivas de interesse para a pesquisa
Estabelecer para a política urbana que tem por objetivo ordenar o pleno desenvolvimento das funções sociais da cidade e da propriedade urbana.
Instrumento de política urbana. Plano diretor.
Sobre a propriedade Art. 1
o
, parágrafo único; art. 2o; seção III, IV, VI, VII, VIII, IX, XI e XII. Art. 39; art. 4o; art. 7o; art. 21, § 1o; art. 39
Sobre o meio ambiente Art. 2o, inc. IV, XII e XIII
Função social da
propriedade Art. 39
Quadro 5 – Estatuto da Cidade, legislação federal abrangente em todo o território brasileiro Fonte: Autoria própria.
Entretanto, o próprio Estado brasileiro reconhece o seu despreparo em formular tecnicamente políticas públicas, pois este não estaria acostumado a planejar investimentos e, muito menos, contar com a contribuição da sociedade na formulação de ações públicas, pela pouca informação que a sociedade, como um todo, possui sobre este assunto (BRASIL, 2004). Um grande movimento pedagógico é a forma correta de assegurar uma consciência sobre os problemas atuais das cidades e construir consensos para a orientação de ações da sociedade e do próprio Estado (BRASIL, 2004).
Um dos meios de o governo municipal exercer as suas funções e satisfazer o bem comum dos seus cidadãos, por meio da promoção da saúde, educação, transporte, moradia e lazer, é a elaboração de um plano de ação, de uma política
pública capaz de atingir e realizar, se não todos, parte dos anseios de seus cidadãos (MEIRELLES, 2008).
As políticas públicas destacam-se como um “campo de estudo dentro do conhecimento da política, observando todas as ações e serviços organizados e prestados pelo Estado, em suas diversas esferas federativas, bem como os efeitos que neles incidem suas ações e seus serviços” (COSTA, 2014, p. 265). Elas objetivam, principalmente, uma grande amplitude de efeitos, sobretudo em políticas públicas de desenvolvimento urbano, atingindo a sociedade em sua plenitude.
Em outra visão doutrinária vemos que as políticas públicas e sua execução por meio de serviços públicos recebem uma “cobrança da cidadania quanto a sua efetividade que implicam no mais difícil que é tornar real as ideias e os planejamentos na vida real transformando em indivíduos os números da fase de planejamento” (COSTA, 2014, p. 266), concretizando com estas ações inclusão social e a presença real do Estado em seu território.
Todas as áreas de atuação do governo local estão diretamente ligadas a um planejamento político, a uma política pública e à própria Lei Orgânica do município a qual se caracteriza como a “constituição municipal” sendo o fator de referência para as ações do governo local.
O Quadro 6 apresenta os principais ordenamentos da lei Orgânica do município de Curitiba importantes para o desenvolvimento deste trabalho.
Continua
Legislação Lei Orgânica do Município de Curitiba
Ementa
O Município de Curitiba, entidade integrante da Federação Brasileira, capital do Estado do Paraná, é pessoa jurídica de direito público interno, com autonomia política, administrativa e financeira, nos termos da Constituição Federal e desta Lei Orgânica.
Origem Câmara Municipal de Curitiba
Escopo
O município promoverá a integração da organização, do planejamento e da execução das funções públicas de interesse comum da Região Metropolitana de Curitiba, nos termos da lei.
Abrangência Município de Curitiba
Diretivas de interesse
para a pesquisa Organização do município
(Continuação)
Quadro 6 – Lei Orgânica do Município de Curitiba revisada em 14 de julho de 2014 Fonte: Autoria própria.
Para Meirelles (2008, p. 550), o plano diretor não se caracteriza por um projeto executivo de obras e serviços da municipalidade, “mas, sim, [por] um instrumento norteador de futuros empreendimentos da prefeitura, visando sempre à satisfação das necessidades da sociedade local”. Pelo ponto de vista levantado, fica claro o aspecto de política pública incrustado no plano diretor de forma geral.
Os aspectos levantados deixam evidente a função de orientação de políticas públicas exercida pelo plano diretor. Diz-se “orientação” pois, como no plano diretor de 2004, muito das diretrizes do plano de 2015 da Cidade de Curitiba se projetam para o futuro, pois só poderão ser efetivadas por meio de leis a serem criadas e, na maioria das vezes, de financiamentos a serem obtidos.
Portanto, o aspecto orientador do plano diretor amarra-se por um lado ao processo legislativo e financeiro presente e futuro. Em outro aspecto, o plano diretor determina e fornece os instrumentos para a realização imediata do bem comum. Por exemplo, a transferência de potencial construtivo e o direito de preempção, estão presentes no novo plano diretor de Curitiba como caracterizando como instrumentos para a obtenção da função social da propriedade, a correta ocupação (CURITIBA, 2016) e uso do solo urbano, contribuindo, ainda, para um meio ambiente equilibrado. Entretanto, o próprio governo federal reconhece que a falta de políticas públicas definidas e abrangentes na questão propriedade e moradia, inviabiliza a oferta destas, por parte do mercado imobiliário brasileiro, até para as classes com melhores condições financeiras, como exemplo a classe média brasileira (BRASIL, 2004), que também vive o drama da falta de moradia e de acesso à propriedade urbana, contribuindo assim, direta ou indiretamente, para a degradação do meio ambiente urbano por meio de ocupações e construções irregulares e contaminação
Legislação Lei Orgânica do Município de Curitiba
Sobre o meio ambiente
Art. 4o, inc. IX; art. 11, inc. VII, alínea c e inc. XII; art. 13, inc. III e XII; arts. 107 e 109; art. 139; art. 149, inc. II: art. 156; art. 175, inc. XVI; capítulo VI (Meio Ambiente), arts. 188 a 195; art. 209
Função social da
ambiental através da falta de coleta de resíduos domésticos, de acesso ao saneamento e a uma consciência ambiental e cidadã.