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O poder de tributar

No documento A imunidade tributária do livro digital (páginas 33-35)

2. IMUNIDADE

4.1 O poder de tributar

Originalmente o poder de tributar se constituía de uma relação de poder entre vencedor e vencido. Nos dias de hoje o que hoje existe é uma relação jurídica entre duas partes, sendo uma delas o Estado. O Estado, no exercício de sua soberania, institui o tributo como uma forma de se prover dos recursos de que necessita, como nos ensina Hugo de Brito Machado38:

Como se sabe, O Estado é entidade soberana. No plano internacional representa a nação em suas relações com outras nações. No plano interno tem o poder de governar todos os indivíduos que se encontrem no seu território. Caracteriza-se a soberania como a vontade superior às vontades individuais, como um poder que não se reconhece superior.

No exercício de sua soberania, o Estado exige que os indivíduos lhe forneçam os recursos de que necessita. Institui o tributo. O poder de tributar nada mais é que um aspecto da soberania estatal, ou uma parcela desta.

[...] Sua origem remota foi a imposição de vencedor sobre vencido.

Assim, atualmente a instituição do tributo se faz por meio de regras e não mais pela vontade de um. Neste mesmo sentido temos a lição de Roque Antonio Carrazza, para quem a expressão poder tributário não pode ser aplicada ao Brasil de hoje, tendo em vista as disposições contidas na CF/88 que limitam este “poder”. Para o autor, poder tributário tem um sentido de absoluto, incontrastável; devendo, assim, ser utilizada a expressão competência

tributária, que dá a idéia de algo regrado, disciplinado pelo Direito.39

Vejamos a diferenciação que é feita por Carazza para os termos: poder tributário e competência tributária:

38 MACHADO, Hugo de Brito. Curso de Direito Tributário. 30ª Ed. São Paulo: Malheiros, 2009.

De fato, entre nós, a força tributante estatal não atua livremente, mas dentro dos limites do direito positivo. Como veremos em seguida, cada uma das pessoas políticas não possui em nosso país, poder tributário (manifestação do ius imperium do Estado), mas competência tributária (manifestação da autonomia da pessoa política e, assim, sujeita ao ordenamento jurídico constitucional). A competência tributária é determinada pelas normas constitucionais, que, como é pacífico, são de grau superior às de nível legal, que – estas, sim – prevêem as concretas obrigações tributárias

Em boa técnica, não se deve dizer que as pessoas políticas têm, no Brasil, poder

tributário. Poder Tributário tinha a Assembléia Nacional Constituinte, que era

soberana. Ela, realmente, tudo podia, inclusive em matéria tributária. A partir do momento, porém, em que foi promulgada a Constituição Federal, o poder tributário, retornou ao povo (detentor da soberania). O que passou a existir, em seu lugar, foram as competências tributárias, que a mesma Constituição Federal repartiu entre a União, os Estados-membros, os Municípios e o Distrito Federal.40

Desta maneira, somente é possível criar tributos conforme a competência tributária outorgada pela Constituição Federal aos entes federados. Entretanto esta outorga não é feita indiscriminadamente, na verdade ela é feita com a observância aos valores que ela considera como relevantes. É assim que leciona Luciano Amaro41:

Essa outorga de competência, obviamente, não é sem fronteiras. Além de buscar uma demarcação tanto quanto possível nítida das áreas de atuação de cada ente político, com a partilha da competência tributária, a Constituição fixa vários balizamentos, que resguardam valores por ela reputados relevantes, com atenção especial para os direitos e garantias individuais.

Ainda sobre a competência tributária, apresentamos a definição de Paulo de Barros Carvalho, segundo o qual, é uma das partes das prerrogativas de estabelecer leis de que são investidas as pessoas políticas, sintetizadas na possibilidade de produzir normas jurídicas sobre tributos através de lei. Vejamos42:

Competência legislativa é a aptidão de que são dotadas as pessoas políticas para expedir regras jurídicas, inovando o ordenamento positivo. Opera-se pela observância de uma série de atos, cujo conjunto caracteriza o procedimento legislativo.

Por força do princípio da legalidade (CF, art. 5º, II), a ponência de normas jurídicas

inaugurais no sistema há de ser feita, exclusivamente, por intermédio de lei,

compreendido este vocábulo no seu sentido lato. Em qualquer segmento da conduta social, regulada pelo direito, é a lei o instrumento introdutor dos preceitos jurídicos que criam direitos e deveres correlatos.

No plexo das faculdades legislativas que o constituinte estabeleceu, figura a de editar normas que disciplinem a matéria tributária, desde que contemple o próprio fenômeno da incidência até daquelas que dispõem a propósito de uma imensa gama de providências, circundando o núcleo da regra-matriz e que tornam possível a

40 CARAZZA, Roque Antonio. Curso de Direito Constitucional Tributário. 26 ª Ed. São Paulo: Malheiros, 2010

41 AMARO, Luciano. Direito Tributário Brasileiro. 16ª Ed. São Paulo: Saraiva, 2010.

realização concreta dos direitos subjetivos de que é o titular o sujeito ativo, bem como dos deveres cometidos ao sujeito passivo.

A competência tributária, em síntese, é uma das parcelas entre as prerrogativas legiferantes de que são portadoras as pessoas políticas, consubstanciada na possibilidade de legislar para a produção de normas jurídicas sobre tributos.

Diante do exposto, temos que é a partir dos comandos constitucionais que é possível legislar em matéria tributária, observando-se também as competências por ela outorgadas, de forma que é vedado a criação de leis versando sobre matéria tributária se não por ente competente, mas não se olvidando dos limites constitucionalmente estabelecidos.

No documento A imunidade tributária do livro digital (páginas 33-35)

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