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O PRIMEIRO CONTATO E A BUSCA POR SUJEITOS

5 O PERCURSO TRAÇADO

5.1. O PRIMEIRO CONTATO E A BUSCA POR SUJEITOS

O primeiro contato, ou contato inicial, como é denominado por Szymanski (2018), com os sujeitos é de suma importância para o procedimento adotado, porque é nesse momento em que deve ocorrer o entendimento dos participantes em relação ao objeto e objetivos da pesquisa, da qual eles colaboram como voluntários. Não obstante, para operacionalização da entrevista foi imprescindível encontrar indivíduos que tivessem interesse em dialogar com esta investigação.

A busca de sujeitos para a participação deu-se de duas formas distintas: indicação e convite em redes sociais. Para a primeira, a pesquisadora entrou em contato com jovens e adolescentes – incluídos na faixa etária entre 18 e 21 anos de idade – informando sobre a pesquisa que realizava para a dissertação de mestrado, na tentativa de obter dados sobre

indivíduos que tenham escolhido a profissão docente e estejam matriculados no primeiro ano (primeiro ou segundo semestres) de cursos de licenciatura, em universidades públicas ou privadas.

A rede social foi utilizada, posteriormente, na tentativa de atrair mais participantes para o estudo. Com esse objetivo, a pesquisadora solicitou a entrada em grupos fechados13 de alunos de cursos de licenciaturas de universidades públicas e privadas no Facebook. Nos grupos em que a solicitação foi aceita, tendo em vista os mesmos critérios da indicação, a pesquisadora fez uma breve postagem, apresentando-se e fazendo um convite a adolescentes e jovens, de 18 a 21 anos, que estivessem no primeiro ano de cursos de licenciatura – das ciências exatas, biológicas e humanas – para participarem da pesquisa como sujeitos voluntários, deixando o contato telefônico e de correio eletrônico para que os interessados entrassem em contato.

Tanto para os indivíduos prospectados por meio de indicação ou rede social, o contato inicial com a pesquisadora ocorreu por meio telefônico – mensagens de texto e/ou ligações. A entrevistadora fez sua apresentação pessoal, da instituição em que era matriculada como mestranda, bem como do objeto e dos objetivos da dissertação, informando-os sobre o funcionamento da entrevista, de acordo com o sugerido por Szymanski (2018). Além das apresentações formais, houve o esclarecimento de quaisquer dúvidas que os sujeitos tivessem em relação ao procedimento de pesquisa.

Na concepção da autora da dissertação, é fundamental ressaltar um dado sobre o período de prospecção de indivíduos. Como dito anteriormente, o convite foi feito a alunos de cursos de licenciaturas tanto das ciências biológicas, exatas e humanas; entretanto, não houve algum voluntário, senão das ciências humanas. Todos os sujeitos que expressaram solicitude para participar da entrevista eram oriundos de cursos de licenciatura relacionados às humanidades (Letras, História, Geografia e Filosofia).

O contato inicial foi realizado com vinte e seis estudantes. Devido às características dos sujeitos estabelecidas para a pesquisa (idade, semestre/ano em que o estudante está matriculado na universidade) e até mesmo à ausência de disponibilidade dos indivíduos para uma entrevista presencial, do total de pessoas contatadas, apenas dezesseis colaboraram efetivamente nas entrevistas. Todos os participantes aceitaram prontamente o convite.

13 Para entrar nos grupos fechados do Facebook, os usuários devem solicitar a permissão aos moderadores, ou

seja, aos administradores dos grupos. Em alguns casos, é necessário descrever quais são as intenções do usuário para integrar-se a determinado grupo. A solicitação pode ser deferida ou indeferida, sem explicações por parte dos moderadores.

Após o aceite dos entrevistados, houve a combinação de local, data e horário para o procedimento, em comum acordo entre as partes, priorizando sempre a escolha de um ambiente em que o entrevistado pudesse se sentir confortável para a entrevista, pois, segundo Szymanski (2018), os dados coletados podem ser prejudicados quando o instrumento de pesquisa é aplicado em um local onde o sujeito sente-se desconfortável para expressar suas experiências. Dos dezesseis sujeitos, quatorze escolheram o ambiente universitário para o encontro, enquanto os demais escolheram uma livraria e uma biblioteca de sua preferência.

Os dezesseis encontros individuais ocorreram nas datas e locais agendados, entre os meses de maio e agosto de 2019, iniciando-se, novamente, com a apresentação da pesquisadora, assim como os objetivos de sua pesquisa. Em cada entrevista realizou-se a leitura e a assinatura do Termo de Consentimento Livre Esclarecido (TCLE) em duas vias, de forma que uma permanecesse em posse do entrevistado e a outra ficasse com a entrevistadora. Dada a necessidade de uma entrevista piloto (SZYMANSKI, 2018), constam neste trabalho apenas quinze do total descrito, sendo a primeira considerada piloto.

Antes de iniciar a entrevista propriamente dita, com a realização da pergunta desencadeadora, Szymanski (2018) salienta a necessidade de haver um período de aquecimento, para tornar o clima menos formal e, consequentemente, mais agradável para o entrevistado:

A fase inicial da entrevista, depois da apresentação formal da pesquisa, poderá ter um pequeno período de aquecimento para uma apresentação mais pessoal e o estabelecimento de um clima mais informal. É nesse momento que se obtêm os dados que se consideram necessários a respeito dos participantes, os quais, eventualmente, poderão ser completados ao final. [...] Nesse momento, pode-se pedir que falem livremente sobre o objeto amplo da pesquisa. (SZYMANSKI, 2018, p. 24).

Como forma de aquecimento, houve o diálogo entre entrevistadora e entrevistado sobre o porquê da escolha de determinada localidade para o encontro, a abertura para que os sujeitos a questionassem sobre a pesquisa e sua formação. Além disso, houve a coleta de dados dos participantes para a sua caracterização, bem como faixa etária, a rede escolar (pública ou privada) frequentada no ensino médio, a cidade de residência, o semestre no qual estavam matriculados na universidade e a reiteração do caráter anônimo das informações coletadas em sua utilização na dissertação. Foi dada a oportunidade para que eles escolhessem um nome fictício para identificar as transcrições de seus relatos, tendo alguns respondido com uma sugestão, enquanto outros disseram que a pesquisadora poderia escolher um nome aleatório.

No momento anterior à entrevista, houve a expressão verbal de agradecimento aos indivíduos pelo aceite para a colaboração voluntária com este estudo. Todos os adolescentes e

jovens demonstraram, no momento de aquecimento, satisfação em fazer parte e contribuir com este trabalho. Alguns relataram, inclusive, a preocupação de que não tivessem nada de interessante a dizer. Vale ressaltar que, ao final de suas respostas, todos os adolescentes e jovens agradeceram a oportunidade de falar sobre a sua escolha profissional.

A operacionalização do instrumento de pesquisa deu-se pela realização da questão desencadeadora, já descrita previamente, que foi gravada por meio de um smartphone. No decorrer da entrevista, as intervenções realizadas foram apenas com questões de esclarecimento e aprofundamento, sendo o primeiro tipo utilizado quando:

[...] o discurso parece confuso ou quando a relação entre as ideias ou fatos narrados não está muito clara para o/a entrevistador (a). [...] Os esclarecimentos podem se referir a sequências de eventos no tempo, a funções e características dos diversos personagens da narrativa, a atribuição de causalidade, sentimentos, emoções, interpretações. (SZYMANSKI, 2018, p. 43).

O segundo tipo, as questões de aprofundamento, são perguntas que:

[...] podem ser feitas quando o discurso do entrevistado toca nos focos de modo superficial, mas trazem a sugestão de que uma investigação mais profunda seria desejável. [...] Nas questões de aprofundamento, podemos utilizar indagações que investigam diferenças, relações interpessoais e a perspectiva do observador. (SZYMANSKI, 2018, p. 43).

Essas questões oportunizam possibilidades para enriquecer o conteúdo das entrevistas e podem auxiliar no processo de análise das informações coletadas (SZYMANSKI, 2018), auxiliam no esclarecimento e aprofundamento das respostas, sendo, nessa perspectiva, importantes para a melhor interpretação dos relatos dos sujeitos.

Os passos posteriores à realização da pesquisa foram: transcrição, devolução, transcrição, análise dos dados. As entrevistas foram gravadas e manualmente transcritas, de modo integral e fiel ao discurso dos participantes.

A devolução do conteúdo coletado nos encontros presenciais ocorreu via correio eletrônico, dada a restrição de tempo para fazê-la presencialmente. Foram enviados aos entrevistados o áudio gravado e a sua respectiva transcrição. Como sugere Szymanski (2008), houve a abertura para que cada participante expressasse a vontade de refazer o procedimento se o resultado de sua entrevista não fosse de seu agrado. Nenhum participante exprimiu o desejo de alterar qualquer parte de seu discurso transcrito.

O tratamento foi elaborado como proposto por Szymanski, com a explicitação de unidades de significado:

Uma vez que o sentido do todo foi apreendido e como é impossível analisar um texto inteiro simultaneamente, o pesquisador deve quebrar o todo em partes: volta ao começo do texto uma vez mais e passa a pôr em evidência os significados, em função do fenômeno que está investigando; esses significados existem para o pesquisador que está interrogando e não são unidades rigidamente prescritas - são respostas para duas interrogações; assim procedendo, se obtém “unidades de significado”; estas relacionam-se umas com as outras, mas indicam momentos distinguíveis na totalidade de descrição. (SZYMANSKI, 2018, p. 65, grifo da autora).

Com as unidades de significado evidenciadas nos discursos dos entrevistados, os temas de análise serão levantados por meio de:

Leituras e releituras do texto completo das entrevistas, com anotações às margens, permitem ao longo do tempo a elaboração de sínteses provisórias, de pequenos insights, e a visualização das falas dos participantes, referindo- se aos mesmos assuntos. (SZYMANSKI, 2018, p. 73, grifo da autora). Destarte, o levantamento dos temas não poderia ser feito antes da coleta dos dados, pois elas emergem durante as leituras e releituras do material pelo pesquisador no decorrer do processo de análise. A partir dos temas levantados, suas recorrências serão analisadas pelo referencial teórico escolhido, constituindo, assim, a última etapa do procedimento de entrevista.

Dada a complexidade do objeto de pesquisa, a consideração de questões subjetivas do todo que o envolve: cultura, sociedade, momento histórico em sua escolha profissional, “[...] os fundamentos teóricos, que irão constituir os princípios fundantes da investigação [...]” (ROMÃO, 2015, p. 179) serão do Pensamento Complexo, pautado nas concepções de Edgar Morin, conforme explicitado em capítulo anterior a este.