4 MÉTODOS DE AVALIAÇÃO DA CARGA MENTAL DE TRABALHO
4.1 O Problema da Variabilidade nos Resultados de Carga Mental
Moray (1984) afirma: “diferenças individuais em Carga de Trabalho, são uma das maiores dificuldades para o desenvolvimento de medidas eficientes da Carga de Trabalho”. Najmedin, Hancock e Rahimi (1990) concordam com essa colocação acrescentando que um aspecto comum e importante dos métodos de acesso à Carga Mental de trabalho é sua relativa sensibilidade às diferenças individuais.
Muitas investigações que falharam ao obter resultados significativos na aplicação de técnicas para mensurar a Carga Mental tem sugerido fatores como a pouca homogeneidade da própria população ou traços de personalidade, diferenças individuais e outras fatores que acabam sendo incorporados no design experimental.
Já em 1961 os estudos de Kitchim e Graham referiam a importância do caráter do operador como uma importante área de concentração. Mulder e Mulder- Hajonides, Van Der Meulen (1973) reconhecem as grandes diferenças individuais
recomendando análises individuais e Leplat (1978) estabeleceu que características de personalidade poderiam intervir de maneira insignificante nos resultados de Carga de Trabalho. Hamilton et al. (1979) normalizou a análise que a ativação de respostas e uma função
das características da tarefa. De fato eles reconhecem que a ativação do processamento de informações dos sujeitos envolve traços de personalidade.
O resultado e a realidade é que as características de diferenças individuais dos operadores têm muita influência sobre o processamento de informações dos indivíduos. Estas diferenças resultam de uma combinação de experiências do passado, habilidade, estados emocionais, motivação e estimativa do risco e custo de uma tarefa. A influência destas diferenças individuais é importante desde que muitos destes fatores têm mostrado influência direta nas respostas cardíacas. Há algumas outras indicações da relação entre traços de personalidade e parâmetros de reação fisiológica, por exemplo: Rotter’s (1966), Ray e Lamb (1974) e Gatchel (1975).
Duffy (1962) relata que diferenças individuais na capacidade de resposta têm sido observadas de muitas formas na freqüência e amplitude dos ritmos no EEG, na ocorrência de alterações espontâneas na resistência da pele, circulação sangüínea periférica, freqüência cardíaca e tensão muscular entre outras funções. Ester autor refere o trabalho de Armstrong (1938) que detectou correlação entre a reatividade cardiovascular e a estabilidade emocional em 700 candidatos às forças armadas. Offerhaus (1980), baseou seu estudo nas comparações entre o staff de um hospital (sujeitos normais) e pacientes da psiquiatria, concluindo que empregando o conceito de variabilidade da freqüência cardíaca, é possível diferenciar entre dois pares de grupos de sujeitos: primeiro, o grupo de alta ansiedade e ansiedade um (pacientes psicóticos de não pacientes), e segundo, o grupo reator ao stress do grupo não reator (isto é, pacientes agudos e neuróticos de pacientes crônicos e estáveis).
O tema das diferenças individuais e variabilidade psicológica e seus efeitos substancias nas respostas automáticas foi estudado por Cleary (1974), Van Egeren et Al. (1972) e Sutton E Tueting (1975). O conceito foi experimentalmente testado e confirmado por Bryson e Driver (1969). Eles concluíram que a sujeitos cognitivamente complexos manifestavam alta ansiedade para atender estímulos. Lykken (1968), conclui o mesmo, para duas áreas adicionais de consideração das diferenças individuais, nível psicofisiológico e resposta física a estímulos específicos. O efeito de traços da personalidade e diferenças individuais e a performance numa
tarefa mental carregam uma grande significância. Hopkin (1979) estabelece que em muitas ocasiões, diferenças individuais têm excluído julgamentos genéricos sobre a aceitação de que a carga induzida por uma tarefa ser ou não excessivamente distinta de sua amplitude. Ele considerou esta típica inabilidade para generalizar decisões principalmente devido ao fato de que algumas características individuais tinham um fator pertinente na carga d trabalho independente de sua dimensão performance na tarefa trazia aquela característica como um todo. Schroder et. Al. (1967) também reiterou este fato argumentando que se a tarefa requeria o processamento de grandes quantidades de informações descritivas e se estas informações podiam ser integradas em um flexível e compreensível sistema, então poderíamos esperar que pessoas integralmente complexas teriam uma performance melhor do que pessoas integralmente simples. Ele também postulou e mais tarde demonstrou que a performance superior poderia ser esperada de uma personalidade simples, em uma situação aberta, se o ambiente é complexo, mas os critérios são simples.
Sobre o problema da sensibilidade das medidas fisiológicas às características de personalidade, temos o recente trabalho de Miyake (2000). Neste trabalho fica demonstrado, ainda em situação simulada, que os parâmetros fisiológicos não são tão sensíveis aos resultados de uma tarefa, mas os métodos subjetivos têm grande sensibilidade a este fator. Wieckens (1979) recomendava que se deveriam calibrar as técnicas de mensuramento para os diversos operadores. De certa maneira o advento dos instrumentos subjetivos mais recentes como o NASA –TLX e o SWAT tentam resolver esta questão. No NASA especificamente temos a inclusão de escalas para medir os Níveis de Realização, Esforço e Frustração que tem grande influência de características individuais. Desta maneira é que Moray recomenda a aplicação destes métodos em conjunto com alguma medida fisiológica, já que seu trabalho é mais recente e nesta época já havia a conclusão sobre a parcialidade das medidas fisiológicas, não em relação às diferenças individuais, mas em relação à Carga de Trabalho.
No quadro 3 abaixo, apresentamos um resumo dos principais métodos e instrumentos utilizados para acesso à Carga Mental de trabalho.
Quadro 5 - Métodos e Instrumentos para acesso à Carga Mental Método Instrumentos Características Aplicação e Dificuldades
Freqüência Cardíaca Pressão Arterial Temperatura da Pele Movimento dos Olhos Fisiológico
EEG
(eletroencefalograma)
Cada um dos instrumentos possui técnicas e equipamentos diferentes, mas de acordo com a literatura os parâmetros fisiológicos nunca são utilizados isoladamente para determinação da Carga Mental. Segundo Moray são utilizados sempre como medidas de apoio. Embora sejam sensíveis às características individuais não são muito sensíveis a componentes importantes da Carga Mental de trabalho.
Embora Najmedin, Hancock e Rahimi (1990) sejam bastante otimistas quanto ao uso dos parâmetros fisiológicos ficamos com o posicionamento mais recente de Moray. Exceto quando temos o uso de medidas mais sofisticadas como o EEG ou a Tomografia computadorizada. Além disso, uma barreira para estes métodos é o custo dos equipamentos e a dificuldade de se realizar as medidas em situação real sem interferir com os sujeitos.
NASA – TLX (Task Load Index) SWAT (subjective Workload Assessment Technice) SWORD Cooper - Harper
Estes instrumentos possuem diferenças entre si, mas basicamente dependem do entendimento e das respostas do participante. O instrumento SWAT necessita de uma preparação para cada vez em que será aplicado, já o NASA – TLX pode ser aplicado repetidas vezes. O SWORD é um instrumento um pouco mais antigo e pouco usado assim como as escalar de Cooper e Harper. Não encontramos muitas referencias recentes a sua utilização. Segundo Moray esta é a técnica mais eficiente existente hoje para o acesso à Carga Mental de trabalho.
Notamos que estes instrumentos em especial o NASA e o SWAT são largamente utilizados atualmente mesmo 20 anos após sua criação. São relativamente fáceis de utilizar e resolvem de maneira parcial o problema da validade de resultados descrito por Najmedin, Hancock e Rahimi (1990).
Subjetivo
LEST
Este é um instrumento que utiliza a conceituação de Carga de Trabalho embora não de modo exclusivo. Desenvolve cinco dimensões a serem estudadas: o ambiente físico, a Carga Física, a Carga Mental o aspecto psicossociológico e o tempo de trabalho.
No tocante a Carga Mental são considerados os seguintes aspectos: a exigência de tempo, a complexidade da tarefa versus a rapidez de sua execução e a atenção e a minuciosidade.
Tarefa primária
Uma dificuldade destas medidas é determinar qual componente da tarefa está impactando na Carga. Tarefas muito complexas podem necessitar de diversas medidas. A interpretação e influência de fatores é um problema neste método. Comportamental
Tarefa Secundária
Os instrumentos parecem variar de acordo com o grau de dificuldade da tarefa secundária em relação à primária. Este método parece ser interessante naquelas situações onde os operadores não tem uma capacidade de entendimento suficiente para participar dos métodos subjetivos. Basicamente a Carga Mental e deduzida a partir das dificuldades encontradas para a execução da tarefa secundária.
Em geral é mais custoso e demorado que o anterior além de mais difícil de administrar.Uma das razões é que os desempenhos nas tarefas primárias e secundárias tem de ser monitorados simultaneamente.